sábado, 21 de abril de 2012

Valhalla (Parte 3)


E aí, minha gente.

Tudo bem, tudo begue? Espero que sim. Também espero terminar hoje as postagens sobre a mitologia nórdica. Apesar de ter gostado bastante, sabe. Fiquei viciadão. O interessante é ver como muitas histórias bebem dessa fonte escandinava. Muitas mesmo. Concordam? Pois é. Incrível demais.

Bom, antes de retomarmos o assunto, uma coisa que esqueci de ressaltar: existem muitos mais deuses além daqueles que citei na postagem passada. Aqueles são os principais, digamos. Aqueles e aquelas mais lembradas ou referenciados e referenciadas por aí. É mesmo. Nessa parte final, deixei Loki e as Valquírias para comentar. Durante a postagem eu vou dizendo o porquê. Então tá certo, chega de enrolar e vamos ao que interessa!

Loki


Deixe o Loki por último de propósito. Ele é meu deus nórdico preferido. E sim, é uma representação do mal. Mas, ao contrário dos demais mitos ou religiões, onde o bem e o mal são bem delimitados e estão em conflito, o buraco é mais embaixo na mitologia nórdica. A complexidade desse personagem prova tal afirmação. Simplesmente colocá-lo como o lado mal é fugir da real simbologia da caracterização de tal deus.

Quem já acompanha o blog há um tempinho, sabe o fascínio que tenho por pessoas assim, dúbias, confusas, em eterno conflito e, devido a isso, acabam por serem pouco confiáveis e perigosas – sobretudo, para si mesmas. Bem, é só lembrar da vez que falei sobre Dupla Personalidade. E tem também o Saga, meu Cavaleiro de Ouro favorito de Cavaleiros do Zodíaco, que vai ter uma menção honrosa na continuação de Queime, Cosmo!. O fato é que tal conflito interno é realmente intrigante...

Pois bem, voltemos a Loki, talvez o deus destaque de todos por trazer a comédia e a tragédia ao destino de toda história. Ao mesmo tempo em que é sinistro, pode ser também mesquinho, manhoso e travesso – com um quê de malícia nas suas ações. Sua mente e suas intenções são indecifráveis. Mesmo porque, com exceção de Freyj, já saiu em várias aventuras de campanha com todos de Asgard. Todos sabiam muito bem de sua natureza, já que era escandaloso e fazia observações maldosas sem acepção de pessoas.

Porém, acaba por ser mais do que um ser maligno, levando a situações de comédia, extrapolando a pura maldade – mas realmente tendendo à ela. Seu poder mágico mais notável é o de poder se transformar. Em um relato, diz-se que seus pais foram os gigantes Faubarti e Laufey, gigantes, e que Loki era irmão de criação de Odin – o que parece ser suspeito e pouco confiável, essa fonte de informação.

Tem por amante a gigante Angrboda (Portadora do Sofrimento) a quem engendra Jormungand, a serpente que circunda Midgard, o lobo Fenrir e Hel (morte presente no Mundo de Fogo, para onde vão as pessoas realmente más, o Inferno, mesmo, sabe - além dos velhinhos e pessoas que morreram por doença). Segundo os relatos, possui uma aparência bonita, com corpo igualmente belo. Por sua personalidade, é conhecido como Astuto, Embusteiro, Viajante dos Céus. É ele responsável pela dinamicidade de toda a trama.

Sim, porque, caso contrário, os deuses teriam menos valor do que aparentam. Loki podia causar verdadeiros desastres com suas atitudes, mas também era conselheiro e alguma das vezes acabava por tirar todos de sérios apuros. Um exemplo foi de como ajudou Thor a recuperar o Mjölnir, caso em que nada teve a ver com suas peripécias. Em alguns momentos, atiçava e provocava os deuses, por outras, agia como um diplomata.

Personagem totalmente dúbio e indecifrável, nada confiável. Uma natureza ímpar, incompreensível. Pode mentir descaradamente, mas pode ser honesto e, contudo, fazer somente o que bem entender. Procevê a importância de Loki: sem ele, tudo ficaria estagnado e o Ragnarok poderia nunca acontecer!



A história muda completamente com a morte de Balder (Baldur). Aos poucos suas característica malignas vão prevalecendo, até ele causar a morte do aparentemente invencível filho de Odin. Aí sim assume o papel do mal. Após matá-lo, muda-se para uma casa invisível feita por ele mesmo. Porém, Odin tudo vê, e a casa mostra ser de pouca serventia. Ao perceber que um grupo de deuses estavam em seu encalço, transforma-se em um salmão e foge pelas Cascata de Franang.

De lá, é pescado em uma rede. E o castigo é cruel. Loki era casado com Sigyn e tinha com ela dois filhos, Vali e Narvi. Vali é transformado num lobo, que mata Narvi. Dos restos mortais dele, Loki é amarrado e aprisionado dentro de uma caverna. Uma serpente é presa numa estalactite acima de sua cabeça, de forma que o veneno pingue em seu rosto.

Sigyn permaneceu na caverna com o marido, segurando uma bacia acima de sua cabeça, para evitar o fluxo contínuo de veneno. Quando se enche, ela precisa esvaziá-la numa fenda de rocha e, nesse intervalo, Loki recebe a peçonha, sofrendo dores atrozes. Assim são explicados os terremotos: é Loki se contorcendo enquanto é atingido pelo veneno. Todavia, Loki se libertará no Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses. Dá para ter uma ideia ali na primeira imagem.

E, para fechar, uma interpretação minha. O que creio que Loki faz é apenas se divertir, mesmo que debochando ou arranjando confusão no Nove Mundos. Uma espécie de arrogância constante, por desafios – a todos e a si mesmo, com seus abusos e atitudes até mesquinhas. Testando sua força, entende? E é justamente onde ele tende às suas maldades.

Heimdall é um guerreiro da luz, assim, pela natureza travessa que possui, Loki se torna incapaz de compreender, desafiar e vencer tal deus – por esse estar acima de suas compreensões. Portanto, Heimdall é seu inimigo natural. Já Balder adquirira imortalidade, venceu a morte, um poder muito acima de qualquer outro – tomando por base que deuses podem se ferir e até mesmo morrer, mais cedo ou mais tarde. Talvez por esse sentimento de poderes além de sua capacidade (ou compreensão), tenha levado o deus para o caminho Escuro da Força, por assim dizer.

Esse constante embate existe em todos nós – se você for uma pessoa saudável – e quando passei a sentir isso dentro de mim e tentar equilibrar, acabei me apaixonando por tudo que o diga. E em quase todas as histórias existe um personagem com o equilíbrio abalado, o que é demais. Mas isso você já cansou de me ouvir dizer por aqui. É mesmo. Vamos continuar, então.

Valquírias


As minhas personagens favoritas! Algumas fontes dizem elas serem filhas de Odin. Outras, dizem ser apenas espíritos femininos que apareciam aos guerreiros antes que eles morressem, para guiá-los até o Valhalla – nada mais que guerreiras que cavalgam sobre o céu recolhendo aqueles que morreram heroicamente no campo de batalha. As principais são nove: Gerhilde, Helmwig, Ortlinde, Waltraute, Rossweisse, Siegrune, Grimgerde, Schwertleite e Brünnhilde. Esta última, a favorita de Odin, além de ser a comandante.

Outros relatos dizem que, durante as batalhas, elas levam em seus cavalos as ordens de Odin, dando a vitória segundo a ordem dele. Em seguida, recolhiam os heróis. Também relatadas como as esposas dos heróis vivos. Ou como sacerdotisas humanas que lançavam encantamentos para os combatentes. O nome é referido também às mulheres que se armavam e ia à luta.

Sim, minha gente, os germanos, mesmo, acreditavam que espíritos femininos espalhavam a desordem, participavam da batalha e até devoravam os mortos e beber-lhes o sangue. Parte disso devido aos encantamentos das sacerdotisas, em que, segundo conta à lenda, se sentavam juntas para lançar encantamento para romper correntes e outra para aplacar dores aguda. Segundo o que achei, algumas mulheres até mesmo faziam evocamentos na batalha. Procevê.

Bem, claro que isso é um pouco suspeito, mas eu acredito. A coisa pode ter se distorcido, mas algo assim surge de algum lugar e, para se manter por tanto tempo, tem de ter alguma veracidade, acho. Enfim, mesmo que seja apenas mentira, é por demais interessante. É mesmo.

Igual, achei uma história da saga de Hord, da Islândia. E que você pode ler aqui, foi uma das fontes que usei para escrever a mitologia (considero bastante confiável). Parece ter caído numa espécie de feitiço em Hord enquanto ele fugiu exasperado, como correntes que o seguravam. Por três vezes conseguiu fugir do encanto, mas na quarta foi pego de vez e acabou morto. Tenso! Muitos afirmam que nada tinha a ver com pânico, porque ele era um guerreiro habilidoso – tanto que conseguiu escapar por três vezes. Foi paralisia, mesmo.


 Mas nem tudo são flores. Valquírias na literatura também são mostradas como mulheres gigantescas, que despejam sangue onde haverá uma batalha; por vezes, montadas em lobos e, em outras, remando um barco em meio à chuva de sangue, sendo augúrios de morte. Porém, são relatos gerais de tais personagens. Na mitologia nórdica, a figura da Valquíria é menos sanguinária e mais digna, como àquelas que recolhiam os aniquilados.

Sim, sim, em outra fonte, Valquírias seriam àquelas que escolhem os que vão morrer. Ao cavalgar pelo campos em seus cavalos brancos, emitiam um intenso brilho que atualmente chamamos de Aurora Boreal (ou Luzes Nórdicas). Alguns, antes de morrerem – seja por intenção delas ou por simplesmente perecerem em batalha – viam uma Valquíria passar voando. E existe também a história dos cisnes.

Pois é, isso é interessante. Outro mito diz que elas se transformavam em cisnes e iam ao mundo terreno para nadar. Caso um homem roubasse uma plumagem enquanto elas se banhavam, esta ficaria presa a Terra, podendo até se casar com a criatura. Massa! Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, somente os heróis eram capazes de tal feito, o de roubar e manter uma plumagem de um ser divino, eu digo. E, ao que parece, elas também se apaixonavam pelos heróis, mesmo sem plumas.

Procevê. Intrigante demais. Assim, acho que gostei mais por causa de um jogo espetacular do PSone, sabe. O nome é Valkirie’s Profile e você controla uma Valquíria. Como faz tempo que joguei, pouco posso dizer sobre a história, mas você basicamente vai resgatando guerreiros mortos para sua equipe (é um RPG).

Nunca terminei o jogo. Mas era lindo, muito bem desenhado e a história envolvente, além dos costumes das personagens serem lindas – eu mesmo me apaixonei pela protagonista! Infelizmente a continuação para PS2 é um lixo. Acabaram com a série. Bem, paciência. O primeiro jogo é tão bom que nem era preciso outro. Altamente recomendado para você, que gosta de um bom jogo de RPG.

Ah é, o Richard Wagner deve ser citado. Ele foi um grande colaborador para disseminar a cultura nórdica pela música clássica. Verdade. Aliás, inclusive tem um especial sobre as Valquírias, dentro da trama do Anel dos Nibelungos que é um história gigante que levaria mais uma postagem para ser explicada. Para resumir, se você quiser, pode ouvir o trabalho dele nesse outro blog.

Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses


Sim, sim, existe o fim dos tempos na mitologia nórdica. O motivo para Odin mandar suas guerreiras (espíritos femininos, ou seja lá o que as Valquírias forem) resgatarem os mais valentes guerreiros mortos e estabelecer com eles um poderoso exército. Para a batalha final. Diz à lenda que haverá sinais antes do princípio do fim. Um deles é a morte de Balder (Baldur). Outro é a chegada de três rigorosos invernos seguidos, sem trégua, nem verão entre eles.

Guerras devastadoras surgirão em todos os cantos. As pessoas desrespeitarão as normas e quebrarão tabus. Então, o Fimbulvetr, o “inverno dos invernos” se estabelecerá. Os lobos que vivem em eterna perseguição ao Sol e à Lua, Skoll e Hati, finalmente os devorarão. Os gigantes se levantarão. Criaturas que estavam aprisionadas conseguirão se libertar. Jormungand, a serpente que cerca Midgard, começará a se contorcer e causará maremotos. Em seguida, irá para Terra.

A batalha final será numa planície, Vigrid. Heimdall finalmente soará sua trompa, Gjall. Loki comandará os exércitos do Mal e Odin os do Bem. As forças opostas se anularão. O cão Garm de Hel atacará a garganta do deus Tyr e ambos morrerão. Loki e Heimdall também lutarão entre si, num embate entre Luz e Trevas, e os dois perecerão. O lobo Fenrir se soltará de suas amarras, causando imensa destruição antes de devorar Odin – vingado pelo deus Vidar.

Thor enfrentará a serpente de Midgard e irá matá-la, porém será envenenado pelo sangue da bicha, morrendo. Surt, o gigante de fogo, transformará Asgard, Midgard e Nifhelm em um verdadeiro inferno, que consumirá deuses, gigantes, anões, elfos e homens. Aí, a Terra se afundará no oceano.

Os filhos dos deuses, Aesir (Esir) e Vanir vão sobreviver e entrarão em conselho na planície de Ida. Ela ficará no mesmo lugar onde antes fora Asgard. Ali estarão os deuses Vali e Vidar, bem como os filhos de Thor, que herdarão a Mjölnir. Uma das fontes que vi, diz que Baldur e se Hod retornarão de Hel - o "Inferno" do mapinha da parte dois - para presenciarem com os demais os rumos da história.

No campo de batalha devastado, poderão ser vistos muitos tesouros. Abomináveis, no entanto. Entrementes, o mal ainda existirá, já que o bem prevalece e, assim, é preciso equilíbrio como já disse. No antigo Hel, o Mundo de Fogo, haverá o Nastrond, a Costa dos Mortos. O dragão Nidhogg sobreviverá e continuará a roer os mortos por ali.

E aí fim? Nada disso. É o fim de um ciclo e começo de outro. A Yggdrasil se abrirá e dela sairão um homem, Lif, e uma mulher, Lifthrasir, que repovoarão a Terra. Das cinzas surgirão raios de luz do céu: uma filha nasceu do Sol antes que fosse engolido. E assim a história recomeça.


Procevê. Legal, né? Ou, achei massa demais a mitologia nórdica. É claro que muitas coisas são bastantes suspeitas. Mas no geral, é bastante impressionante. Vou ver se acho algum livro contando a história pura e simples. Será que é difícil de achar? Tipo os Eddas, eu digo. Deve ser. Bem, tenho de ao menos tentar achar nessas livrarias de shoppings ou na Internet. Se alguém puder me dar uma dica, me fala, beleza?

E isso é tudo. Foi bastante informativo, essas postagens. Gostei de escrevê-las e espero que você tenha gostado de lê-las. O fato é que, as mitologias, em geral, influenciam demais a vida da gente, porque muitas histórias que vemos nos cinemas ou nos jogos eletrônicos se baseiam nelas. Pura verdade. É mesmo. Pois é, galera, tchô ir. Depois eu volto com alguma das minhas peraltices malucônicas. E espero você por aqui para presenciá-las!

Ah é, uma homenagem ao meu amigo Bruno Sousa, o guitarrista, vulgo Brunão. Ele me mostrou uma banda que tem bastante influência da cultura nórdica, o Blind Guardian. E, tempos depois, descobri que eles fizeram um álbum em homenagem ao Silmarillion. Doido! E a maioria das músicas tem teor épico de batalhas ou de histórias de fadas. Passei a respeitar demais os caras.

O nome da música aí embaixo é Valhalla. Uma da minhas preferidas do Blind. E que é a cara do Brunão. Assim, pelo menos eu sempre lembro dele quando ouço. Viu, Bruno? Eis que um dia nós iremos para Valhalla no Voyage, guiado por Valquírias bonitonas para fazer um rock para o bom e velho Odin, e agitar toda horda de deuses de Asgard. E claro que o Marcelão irá nos liderar!!


VAL- HAL- LA!!

High in the sky, where eagles fly,
Morgray, The Dark, enters the throne.

Open wide the gate, friend.
The king will come!
Blow the horn and praise
the highest Lord.
Who'll bring the dawn
he's the new god
in the palace of steel?
Persuade the fate of everyone,
the chaos can begin.
Let it in!

So many centuries,
so many Gods,
We were the prisoners
of our own fantasty.
But now we are marching
against these Gods.
I'm the wizard, I will change it all.

Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)

O-o-o-o-oh, Valhalla!

(Solo Loquêra)

Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)

O-o-o-o-oh, Valhalla!

Magic is in me.
I'm the lost magic man!
Never found what I was looking for.
Now I found it, but it's lost.
Yes, lost!

The fortress burns,
broken my heart.
I leave this world.
All Gods are gone!

So many centuries,
so many Gods,
We were the prisoners
of our own fantasy.
But then we had nothing.
Who'll lead our life?
No, no, we can't live without Gods!

Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)

O-o-o-o-oh, Valhalla!
(Solo Asgardiano)

Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x2)
Oh, no!

(Dedilhando)
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x8, com todos os guerreiros esquecidos de Valhalla.)

2 comentários:

  1. Cara, massa demais! Achei muito interessante! Você saca muito, hein? Parabéns ;D

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    Respostas
    1. Oi, Wendel!
      Bom te ver por aqui! Bom, tive uma ajudinha do tio Google, sabe. Mas sempre fica legal quando a gente se interessa pelas coisas, acho. E, bem, obrigado pela visita!

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