quarta-feira, 18 de abril de 2012

Valhalla (Parte 2)


Alou, galera!

Beleza? Preparados e preparadas para continuação épica da mitologia nórdica? Antes, seria legal se visse a primeira parte da postagem, sabe. Para evitar pegar o bonde andando. É rapidinho, em menos de vinte minutos você lê. Corre lá! Se já leu, dá uma revisadinha para garantir. Revisar nunca é demais, como eu sempre digo. E se continua aqui, é porque definitivamente está em sua sã consciência, como sei que estaria (vide final da parte um)!

Rumbora falar sobre os deuses, então? Então chega de enrolar, vamo nessa!

Odin


Também chamado de Woden ou Wotan, é tido como o Pai dos deuses. O Senhor da guerra, Pai de Todos, a Fúria dos Vikings. Sua morada era no Valhalla, onde possuía a visão dos outros mundos. Em seus ombros repousavam dois corvos, que o ajudavam a vigiar os demais mundos. Sua sabedoria era infinda. Fala “por quê?”. É sério, fala. Só vou continuar quando você perguntar...

Bom, te explico. Desde seu nascimento, Odin era ávido pelo saber. Fez o possível para alcançá-lo. Até quando soube que uma das raízes da árvore sagrada Yggdrasil, a que mergulha no Jotunheim, poderia lhe proporcionar do conhecimento sem limites. E de fato, lá havia um poço de águas mágicas. Porém era guardado pela cabeça decapitada de Mimir. Ele poderia beber o quanto quisesse, desde que, como pagamento, desse um de seus olhos. Pareceu um troca mais do que justa. Um olho seria um preço baixo a ser pago.

Assim, conheceu coisas inefáveis. Ficou ferido por sua própria lâmina, moribundo, porém valeu a pena pelos benefícios adquiridos. Sim, minha gente, poder sobre a vida e a morte. E, além do mais, ele tinha outro olho. E muitas foram as batalhas que Odin travou com sua espada mágica e seu exército de guerreiros espirituais contra os gigantes.

Conhecedor do Destino, vai reunindo os guerreiros heróis mortos com honra em batalha. O máximo possível, lá no Valhalla, o Salão dos Mortos. Tudo isso para a batalha final, o Ragnarok. Por isso os Vikings eram tão audazes em combate. Eu já disse isso, mas é bom ressaltar: somente os guerreiros, mortos em combate, iriam para o Valhalla. Os demais acabavam por terminar no Nifheim.

Aproveitando, vamos ver como era Valhalla, o nome que dá título às duas postagens épicas! Como dito, era um grande palácio dos guerreiros mortos. Eram guiados, ao chegarem, pelas Valquírias (além da recepção do próprio Odin). Chamados a partir de então de Einherjar, contribuiriam para o Ragnarok, Crepúsculo dos Deuses, a Batalha Final. Antes de tal feito acontecer, passavam seus dias lutando uns contra os outros, se despedaçando e mutilando durante o dia. À noite, eram recompostos para banquetearem com os deuses em pessoa, por assim dizer. Ali, havia carne do javali Schrinnir, que embora cozido de manhã, ficava pronto para a noite. E depois se regenerava para o próximo dia. Para beber, tinham o hidromel fornecido pela cabra Heidrum. O Palácio do Mortos estava em Asgard, juntamente com o Vanaheim, lar dos Vanir, deuses da fertilidade e da natureza benéfica aos homens, e o Alfheim, a terra dos Elfos Luminosos.

Uma imagem dos Nove Mundos para ajudar: Onde está Inferno é o Mundo de Fogo, Hel, guardado por Hel, cria de Loki; e onde está Mundo dos Duendes, na verdade é a Terra dos Anões. 


Voltemos para Odin. Ele morava num dos muitos palácios do Asgard, chamado Valaskjalf, e seu santuário é chamado de Gladsheim. Era ele quem presidia o Valhalla, os banquetes, digo. Um fato interessante é que nem sempre foi o líder. A posição era do deus Tyr, caracterizado como justiceiro. Porém, tornou-se o soberano na Era Viking, já que um deus astuto passou a ser mais importante que um deus justiceiro e pacífico. Também foi Odin quem resgatou as runas e o alfabeto que guarda os segredos do universo - através das águas que bebeu do poço.

Aliás, falando nisso, dizem que na Dinamarca, Suécia e Noruega existem grandes pedras de diferentes formatos com caracteres rúnicos. Os nórdicos as usavam para prever acontecimentos futuros, parece. São de diversos tipos e possuem finalidade mágica. Podiam ser usados para causar aos inimigos vários tipos de adversidade e diversos tipos de benignidades para os aliados – ou ao menos para evitar infortúnios.

Outros usos eram para curar feridas e trazer a pessoa amada em três dias. Tá, sacaneei, mas eram os usos incluíam a afetividade, pelo que dizem por aí (Google). Infelizmente, nada dizem sobre fatos históricos, ou nada referente, segundo dizem – mais relacionados a números.

Odin costuma ser representado com um grande manto balançando ao vento, com um elmo de abas largas, escondendo um tapa-olho. Nas mãos, leva uma lança, a Gungnir, forjada por anões, e jamais erra o alvo. Ao seu lado sempre estão dois corvos, Munin (Memória) e Hugin (Pensamento), que o ajudam a vigiar os mundos, além dos dois lobos, Geri e Freki. Por último, tem o cavalo Sleipnir, de oito patas.

Quanto à sua origem, consegui achar outra fonte. De fato, seria filho de Bor, que havia casado com Bestla, juntamente com Ve e Vili - onde os três deram cabo ao Ymir. O pai de Bor seria Bur, aquele gigante que nasceu junto com a vaca colossal no in´cio dos tempos, lembra? Pois é.

E, como eu disse lá no comecinho, também é conhecido como Wotan ou Wodan, que derivou o nome do quarto dia da semana em inglês, Wednesday, o dia de Woden (Quarta-feira).

Thor


Nem todos os deuses eram guerreiros. O deus Thor, mesmo, possuía caráter nobre e bondoso. Ele era um dos filhos de Odín – o outro foi o deus Balder – com a gigante Fjorgyn (Jord). Algumas versões dizem ela ter sido a própria Terra. Enfim, acabou sendo muito venerado, tido como patrono dos guerreiros e do povo. Bastante conhecido por suas aventuras e batalhas contra os gigantes. O nome de seu palácio em Asgard era Bilskirnir.

Sua força era tremenda e seu martelo mágico, Mjölnir (Mjollnir), forjado por anões, sendo um dos maiores tesouros dos deuses e principal arma para combater os gigantes (trolls). Ao lançá-lo, o martelo retornava à suas mãos, como um bumerangue. Ele é associado ao trovão, as chuvas e as tempestades. Diz-se que quando trovejava e relampejava, era Thor cruzando os céus com sua carruagem puxada por dois bodes, o Tanngnost e o Tanngrisni. Quando agitava o martelo, raios e trovões eram produzidos.

Bom, o que se segue agora pode ser encontrado quase integralmente no comecinho do livro O Mundo de Sofia – que estou enrolando para ler. Bastante interessante e confiável, diria. Continuemos, então. Quando trovejava ou relampejava, geralmente chovia. Assim, Thor também era tido como o deus da fertilidade.

Os camponeses ficavam maravilhados com o fato de uma semente crescer e dar frutos. Era simplesmente incompreensível para eles como isso acontecia. E, se você parar para pensar, é assim com a maioria das formas de vida. Pouco importa o que a ciência diga, tentado explicar por A mais B as coisas, se você parar mesmo para analisar, isso só pode ser fruto de algo maior. Sem brincadeira. Senti o mesmo quando escrevi sobre os Ornitorrincos.

Os Vikings podiam ter fama de bocós, mas sabiam que as sementes germinavam por causa da chuva. E, se Thor as proporcionava, nada mais precisava ser dito. Tamanho era o amor por ele que os Vikings se consideravam o “Povo de Thor”. O deus recebeu a gratidão eterna. Isso porque todos acreditavam que o mundo era uma grande ilha, ameaçada por perigos externos – e isso você já sabe de cor e salteado, porque LEU a primeira parte. É mesmo. Midgard era ameaçava pelas forças do mal, de fora, da Utgard, os gigantes (trolls).

Mas ainda bem que existiam os deuses para combater tais forças e garantir o equilíbrio. Daí a importância do todo poderoso Mjölnir, o Martelo Poderoso.  Conta-se que um dia, o gigante Thrym conseguiu roubar a imponente arma. Thor pede para Loki investigar o sumiço da arma, que pede emprestado a forma de falcão de Freyja e descobre o gigante ladrão. O dito cujo diz que só devolverá a arma se a ele for dada a mão de Freyja, a deusa da fertilidade. Porém, isso seria inconcebível.



Freyja era a deusa da fertilidade. Se, mesmo com consentimento dela (numa hipótese absurda), a “troca” fosse realizada, de nada adiantaria. Os campos ficariam improdutivos do mesmo modo, pois a arma serviria para impedir a destruição dos gigantes, mas as terras nada seriam capazes de fornecer e as mulheres ficariam estéreis sem as bênçãos da deusa. Além do mais, a deusa ficou tão furiosa com tal insolência que partiu seu famoso colar.

O deus Heimdall sugere um plano: Thor deveria se vestir de Freyja como noiva, indo para Jotunheim no lugar dela, levando Loki – que tem o poder de mudar de forma – como dama de honra. Apesar de a contragosto, Thor se transverte de noiva e os dois partem na carruagem de bodes. O gigante os recebe com muita bebida e comida. Para surpresa dele, sua “noiva” devora oito salmões e um boi inteiro, além de beber três barris de hidromel. Thrym comenta que nunca vira nenhuma mulher comer tanto. Loki salva a pátria dizendo que era nervosismo, pois a ansiedade havia tomado conta e ela estava há oito dias sem comer.

Então o gigante tenta beijar sua noiva e vislumbrou terríveis olhos incandescentes por detrás do véu. Loki novamente consegue enganar Thrym dizem que o desejo da moça era tão ardente que ela estava sem dormir a oito dias. Destarte, feliz da vida, pede que o martelo Mjölnir seja colocado no colo de sua noiva, para que tenham uma abençoada prole. Ao retomar sua arma, Thor massacra Thrym e todos os gigantes ali presentes. E essa foi a forma como os Vikings explicavam as estações do ano. Quando Mjölnir é roubado, nada floresce, é inverno. Ao ser recuperado, a primavera surgia outra vez.

Além disso, as pessoas tentavam ajudar os deuses no eterno embate do bem contra o mal. Principalmente se havia alguma catástrofe natural. Sim, sim, estou falando da oferendas, os sacrifícios aos deuses. Presume-se que para Thor eram sacrificados bodes, em sua maioria, mas para Odin, sacrificavam inclusive algumas pessoas.

O deus do trovão é representado por ser alto e ter longas barbas vermelhas, sempre empunhando seu martelo Mjölnir. Além de sua biga com os dois bodes.

Assim como seu pai, Thor também nomeia um dia da semana. Em sueco, a Quinta-feira é chamada de Torsdag (dia de Thor). Em inglês, o equivalente, Thursday. Já em norueguês, a palavra trovão é Thor-don, que significa “Rugido de Thor”.

Balder


Outro nome que encontrei foi Baldur. Outro filho de Odin, dessa vez com Frigg (Friga). Possuía fulgor e beleza e seu palácio em Asgard era chamado de Breidablik (Grande Esplendor). De fato, é tido como deus da bondade e diz-se que seu semblante parecia emanar raios de luz.

Desde pequeno ele sofria com terríveis pesadelos, que prediziam sua morte. Então sua mãe, Frigg, percorre todos os nove mundos, fazendo com que todo ser vivo, elemento, vegetal ou animal, jamais machucasse seu filho. E todos eles prometem, exceto um visco.

Destarte, Balder torna-se imortal. Os deuses então, na brincadeira, resolvem testar sua imortalidade, em Gladsheim. Lançam sobre ele flechas, pedras, espadas, dardos e tudo que você possa imaginar, mas nada lhe causa dano algum. Entrementes, Loki trai os deuses, irritado com tal privilégio de Balder. Transforma-se numa velha senhora – ele tem esse poder, lembra? – e vai ao encontro de Frigg.

Assim, Loki descobre que nem todos fizeram o juramento. Frigg diz que encontrou um pequeno feixe de visco a oeste de Valhalla e, como era muito jovem, achou incorreto pedir que ele jurasse. E, afinal, era só uma planta. O mal estava feito. Loki recolhe um ramo e faz com ele um dardo. Em outra versão, apenas o amarra em uma flecha. O fato é que, de volta, o deus traidor vê o deus cego Hod e pergunta o por quê dele nada lançar. A resposta é óbvia, estava impossibilitado de saber onde Balder estava.

Então, usando de sua malícia, ajuda o deus cego o colocando na direção certa, lhe dando o dardo (flecha). Ao dispará-lo, Balder é mortalmente ferido. Em seu leito de morte, Odin diz algumas palavras a seu ouvido. E ninguém sabe o que é. Procevê, temos de aceitar o mistério. Alguns especuladores curiosos dizem que é uma promessa de ressurreição, depois do Ragnarok. Dizem que dessa parte do mito é que provém a crença dos druidas de ter o visco como “ramo dourado” e de seu caráter sagrado.

Todos se espantam com a morte do deus. E passam a odiar Loki, que foge – porque tem o mínimo de bom senso. O corpo de Balder é colocado em uma pira erguida em seu barco Ringhorn com seu cavalo (e esposa Nanna, que morre pouco depois, mas tais fontes são pouco confiáveis), sendo incendiados, na melhor tradição escandinava. A morte de Balder é um grande presságio da vinda do Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses. Aliás, o quadro ali em cima mostra as honras fúnebres.

Freyj


Filho do deus Njord e da deusa Skadi (Nerthus), seu nome significa “Senhor”. Possui uma irmã gêmea, a Freyja, cujo nome significa “Senhora”. Os dois são mesmo Senhor e Senhora dos mundos. Junto com a irmã, era tido como deus da fertilidade, tendo controle sobre o sol, a chuva, a fecundidade e a paz. Ele inspirava alegria e devoção. Patrono da Suécia e da Islândia.

Possuía um barco tão largo que podia acomodar todos os deuses, o Skidbladnir. Segundo consta, fora feito por anões. Além disso, era prático: podia ser dobrado e guardado numa bolsa. Outro fato curioso é que ele era um dos Vanir, originalmente. Foi aceito depois da guerra entre eles e os Esirs (Aesir).

E parece ser o deus dos objetos amalucados. Possuía um elmo de ouro timbrado de javali, o Gullinbursti e seu cavalo Blodighofi (Casco Sangrento) é invulnerável ao fogo – ou pelo menos tá pouco ligando para as chamas. Só por esses já era o bastante para ser meio lelé, mas tem mais: sua espada era mágica e movia-se sozinha. Pena que ele a perdeu durante uma batalha com gigantes.

Freyja


A mais renomada das deusas, irmã gêmea de Frey. Conhecida também por ser a “Noiva dos Vanir”, era a deusa do amor e da sexualidade e da beleza. Podia assumir a forma de um falcão e atingir grandes distâncias. O nome de seu palácio era Sessrumir. Com todas essas qualidades, podia ter sido a esposa do próprio Odin. E foi mesmo.

Todavia, ele a deixou porque parecia estar mais ligada a ornamentos do que no próprio deus. Tem uma história (achei só uma fonte, o que é suspeito de veracidade, contudo muitíssima interessante) em que ela, certa vez, ao encontrar anões numa caverna, fica fascinada por um colar de ouro de incrível beleza (Colar de Brisings). Insiste para que eles vendam, e aceitam por um preço: Freyja teria de se deitar com cada um deles.

E ela aceita! Rensga, véi!! Loki vê o que se passa e conta a Odin o feito. Pois é, sempre Loki. Assim Odin ordena que o próprio tire o colar. Tudo isso porque a beleza de Freyja é extraordinária. Mesmo os gigantes se apaixonam por ela, como no caso de um que após construir as muralhas de Asgard a pede em casamento e o próprio Thrym que só devolverá Mjölnir caso tenha a mão da deusa. 

Freyja possuía uma carruagem puxada por gatos. Portanto, estava ligada também aos mortos. Em algumas versões, era ela quem recebia os mortos em Valhalla com Odin. Em outras, a deusa podia visitar o mundo dos mortos e sempre que voltava de lá podia predizer o futuro.

Frigg (Friga)


Tida como Rainha do Céu, era a misteriosa esposa de Odin, sabendo do futuro dos deuses e dos homens. Considerada a deusa do Casamento, da Família, do Destino e das Crianças, simbolizando a manutenção da ordem e harmonia. Também bastante sábia. É a única figura maternal em Asgard, a Grande Mãe, como bem podemos ver em sua empreitada pela vida do filho, Balder.

Faz referência a Sexta-feira, Friday em inglês, o Dia de Frigg. Considerado um dia de sorte para casamentos.

Tyr


Apesar de pouco lembrado, é extremamente importante, pois foi o deus da guerra, da justiça e da nobreza. Em uma versão ele é filho de Odin, mas isso seria meio absurdo da forma como venho contando, certo? Pois é, então vou dizer a versão em que ele é filho do gigante Hymir. A história de Tyr mostra coragem, bravura e honra. Ele perdeu a mão para que o lobo Fenrir, cria de Loki, pudesse ser capturado pelos deuses.

Diz à lenda que esse terrível lobo estava à solta em Asgard. Apesar de parecer perigoso, por ser do tamanho de qualquer outro de sua espécie, Odin deixa o bicho lá, de boa – ao contrário de Jormundgand, a serepente de Midgard e Hel, a deusa da morte que possui metade de seu corpo como a deu um cadáver, presa em Nelfheim onde possui seu próprio mundo; seus irmãos. Porém ele começa a crescer demais, e diversos oráculos começam a prever que ele será algoz de Odin, devorando-o. Todos então concordam em acorrentar o lobo.

É. Amarrar. Ou eles eram muito valentes ou definitivamente queriam ver Odin morto.

O fato é que decidiram aprisionar a fera, e confeccionam uma corrente poderosa, a Laeding. Aproximam-se de Fenrir e perguntam se ele é capaz de se livrar dela. Após cheirar, ele permite ser amarrado. Depois de estar enlaçado, o lobo enche o peito e a corrente é feita em mil pedacinhos. O jeito era fazer outra corrente. A segunda era mais forte e exageradamente pesada, chamada Dromi.

O desafio dos deuses a Fenrir é a de que, caso consiga partir aquela, seria renomado nos Nove Mundos. Analisa a criação e deixa ser amarrado novamente. Apesar de ser bem mais difícil de romper do que a primeira, após grande esforço, tal corrente também é partida. Todos ficam bastante assustados, mas Odin pede ajuda aos melhores ferreiros existentes: os anões. Skinir, um mensageiro, é enviado ao Svartalfheim, prometendo recompensar os ferreiros com muitas riquezas e ouro.



Tempos depois, Skinir retorna com uma estranha corrente, uma fita macia de seda, chamada Gleipnir. Era feita do som que um gato faz quando caminha, da barba de uma mulher, das raízes de uma montanha, dos tendões de um urso, do hálito de um peixe e do cuspe de um pássaro. Estranho conhecimento dos anões. Mas, vai saber.

Novamente os deuses encontram Fenrir e o persuade a ir à ilha de Lyngvi, no meio do Lago Amsvartnir. A nova corrente é mostrada, para insatisfação do lobo: que glória haveria ao se livrar de uma fitinha? Depois de muita insistência, o bicho fica receoso, pensando se tal ornamento estava revestido de alguma magia. Então, os deuses prometem soltá-lo caso fracassasse na tentativa.

Contudo, Fenrir, nada tinha de bobo e queria uma garantia da sinceridade dos deuses: um deles deveria deixar a mão dentro de sua boca. Nenhum deles teve coragem. A exceção de Tyr, que enfia a mão direita na bocarra do bicho. Fenrir luta como pode contra a nova corrente, em vão. Quanto mais se esforça, mas forte a fita o enlaça. E foi assim que Tyr perdeu sua mão. Fenrir é preso e será solto no Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses.

Esse deus também dá o nome de um dos dias da semana em inglês, a Terça-feira, Tuesday, Dia de Tyr.
Aegir (Egir)
É o deus dos Mares. Era tido como a personificação do próprio oceano, sendo essa sua derradeira força. Tinha nove filhas, personificadas por ondas no mar. É associado ao caldeirão, também presente nas tradições celtas.

Heimdall


A origem de tal deus é obscura. Dentro da pesquisa que fiz, uma indica que é justamente filho de nove ondas – que possivelmente são as filhas de Aegir (Egir). Chamado de deus reluzente dos dentes de ouro. Pode ver até cem milhas de distância, seja de dia ou de noite.  Sua audição é tão boa que ele consegue ouvir a grama crescer e a lã crescer no lombinho das ovelhas.

Além disso, basta o sono de um passarinho para que possa recuperar suas forças. Por isso, ele é o guardião da ponte do arco-íris – ponte que liga Asgard a Midgard, também chamada de Bifrost. Nada mais lógico, acho. Seu palácio em chama-se Himinbjorg (Penhascos do Céu). É ele quem dá o sinal do começo do Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses, com sua trompa, a Gjall. Sendo o deus da Luz, é o inimigo de Loki. Diz-se que os dois se enfrentaram no Ragnarok.

Mimir


Um dos deuses gigantes antigos, tido como o mais sábio dos deuses nórdicos. Guardião da Fonte da Sabedoria, da qual Odin bebeu, lembra? Pois é. Também obteve todo conhecimento ao beber da água do poço ao qual mantém vigília, nas raízes da Yggdrasil. Deu origem aos anões com as partes de seu corpo, segundo consta em uma das referências pesquisadas.

E sim, ao que parece, vive como uma cabeça decepada. Existem algumas divergências nos relatos. Em um, diz que Odin o mantinha vivo, mesmo decepado, para eventuais consultas. Em outro, o deus é um presente dos Esirs (Aesirs) aos Vanir para estabelecer uma trégua – mas ele é morto por estes, sendo sua cabeça colocada na fonte. Tem uma que chega a dizer que Mimir era tio de Odin, menos poderoso e por ser um gigante, possuía poder de gênio.

Procevê como é meio confusa a história dele, apesar de muito interessante.

Iduna (Idun) e Bragi


Pelo que pude perceber, alguns deuses funcionam melhor como um casal. São o caso de Iduna (Idun), deusa da Juventude, e Bragi, deus da poesia. Assim, pouco se fala de Bragi, sabe. É mais sobre a deusa, mesmo porque ela é responsável pela eterna juventude dos deuses.

Possuía uma caixa de madeira de freixo onde ficavam armazenadas maças. Cada deus devia comer uma por dia, para que garantisse força e juventude. São as famosas maças douradas da imortalidade. Diz-se que em uma de suas brincadeiras, Loki transformou Iduna e as maças numa noz, num paralelo das pequenas frutas com a imortalidade.

Em outro relato, os deuses só a procuravam quando sentiam suas forças esvaindo. Também dizem que possuía uma beleza excepcional, de rara magnitude. Será que ela mesma comia de suas maçãs?

Skadi e Njord


Apesar de tê-los colocados juntos, eram infelizes no casamento, sabe. Skadi amava a Balder (Baldur), mas teve de se casar com Njord, associado aos mares e à fertilidade, porque se confundiu no concurso de pés mais bonitos. Era tida como deusa do Inverno, da Caça, sendo também a deusa da Justiça, da Vingança e da Cólera. Eh rensga!

O palácio deles era chamado de Noatun. São os pais de Freyj e Freyja, os deuses gêmeos.

Nornes (Nornas)


São as deusas do destino. Urd, Verdandi e Skuld são as irmãs que tecem em seus teares os destinos dos homens. Mantêm guarda na Yggdrasil, junto à primeira raiz, que tange Asgard, chamado de Poço de Urd. Outra de suas funções é fazer chover hidromel na árvore cósmica, para que suas folhas permaneçam sempre verdes. Ao que indica um dos relatos, a morada das três era num buraco oco no centro da Yggdrasil, onde havia uma sala própria para o tear.

Representadas pela virgem (Verdandi), a mãe (Skuld) e a anciã (Urd). Urd sempre olha para trás, por sobre os ombros, representando o passado. A jovem Verdandi está sempre com os pés no chão, no presente. Skuld, sempre encapuzada, traz consigo um pergaminho fechado com os segredos do futuro.

Diz-se que tanto homens quanto deuses estão sobre os poderes das Nornes (Nornas). E, se minha mente deixou de suecar e distorcer coisas sem minhas orientações, em God of War II tem uma homenagenzinha à elas – lá como Sisters of Fate, um das últimas inimigas. Alguém aí que jogou pode confirmar? Eu acho que é!

Eita, galera, vou ter de estender a postagem de novo. Ficou grande! Mas estou me divertindo à beça escrevendo sobre a mitologia nórdica! Espero que você também. Lendo, eu digo. Na última parte (assim espero), vou escrever sobre Loki e sobre as Valquírias, minhas personagens preferidas de toda mitologia.

Tomara que você volte de novo. Ahn-ham, pode ficar à vontade, vou estar aqui te esperando, beleza? Tá combinado, então. Vou te esperar. Até logo mais daqui a pouco!!

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