E aí, minha gente.
Tudo bem, tudo begue? Espero que sim. Também espero
terminar hoje as postagens sobre a mitologia nórdica. Apesar de ter gostado
bastante, sabe. Fiquei viciadão. O interessante é ver como muitas histórias
bebem dessa fonte escandinava. Muitas mesmo. Concordam? Pois é. Incrível
demais.
Bom, antes de retomarmos o assunto, uma coisa que esqueci
de ressaltar: existem muitos mais deuses além daqueles que citei na postagem passada.
Aqueles são os principais, digamos. Aqueles e aquelas mais lembradas ou
referenciados e referenciadas por aí. É mesmo. Nessa parte final, deixei Loki e
as Valquírias para comentar. Durante a postagem eu vou dizendo o porquê. Então
tá certo, chega de enrolar e vamos ao que interessa!
Loki
Deixe o Loki por último de propósito. Ele é meu deus
nórdico preferido. E sim, é uma representação do mal. Mas, ao contrário dos
demais mitos ou religiões, onde o bem e o mal são bem delimitados e estão em
conflito, o buraco é mais embaixo na mitologia nórdica. A complexidade desse
personagem prova tal afirmação. Simplesmente colocá-lo como o lado mal é fugir
da real simbologia da caracterização de tal deus.
Quem já acompanha o blog há um tempinho, sabe o fascínio que
tenho por pessoas assim, dúbias, confusas, em eterno conflito e, devido a isso,
acabam por serem pouco confiáveis e perigosas – sobretudo, para si mesmas. Bem,
é só lembrar da vez que falei sobre Dupla Personalidade. E tem também o Saga, meu Cavaleiro de Ouro favorito de
Cavaleiros do Zodíaco, que vai ter uma menção honrosa na continuação de Queime, Cosmo!. O fato é que tal
conflito interno é realmente intrigante...
Pois bem, voltemos a Loki, talvez o deus destaque de todos
por trazer a comédia e a tragédia ao destino de toda história. Ao mesmo tempo em que
é sinistro, pode ser também mesquinho, manhoso e travesso – com um quê de
malícia nas suas ações. Sua mente e suas intenções são indecifráveis. Mesmo
porque, com exceção de Freyj, já saiu em várias aventuras de campanha com todos
de Asgard. Todos sabiam muito bem de sua natureza, já que era escandaloso e
fazia observações maldosas sem acepção de pessoas.
Porém, acaba por ser mais do que um ser maligno, levando a
situações de comédia, extrapolando a pura maldade – mas realmente tendendo à
ela. Seu poder mágico mais notável é o de poder se transformar. Em um relato,
diz-se que seus pais foram os gigantes Faubarti e Laufey, gigantes, e que Loki era irmão
de criação de Odin – o que parece ser suspeito e pouco confiável, essa fonte de
informação.
Tem por amante a gigante Angrboda (Portadora do Sofrimento)
a quem engendra Jormungand, a serpente que circunda Midgard, o lobo Fenrir e
Hel (morte presente no Mundo de Fogo, para onde vão as pessoas realmente más, o
Inferno, mesmo, sabe - além dos velhinhos e pessoas que morreram por doença). Segundo os relatos, possui uma aparência bonita, com
corpo igualmente belo. Por sua personalidade, é conhecido como Astuto,
Embusteiro, Viajante dos Céus. É ele responsável pela dinamicidade de toda a
trama.
Sim, porque, caso contrário, os deuses teriam menos valor
do que aparentam. Loki podia causar verdadeiros desastres com suas atitudes,
mas também era conselheiro e alguma das vezes acabava por tirar todos de sérios
apuros. Um exemplo foi de como ajudou Thor a recuperar o Mjölnir, caso em que
nada teve a ver com suas peripécias. Em alguns momentos, atiçava e provocava os
deuses, por outras, agia como um diplomata.
Personagem totalmente dúbio e indecifrável, nada confiável.
Uma natureza ímpar, incompreensível. Pode mentir descaradamente, mas pode ser
honesto e, contudo, fazer somente o que bem entender. Procevê a importância de
Loki: sem ele, tudo ficaria estagnado e o Ragnarok poderia nunca acontecer!
A história muda completamente com a morte de Balder
(Baldur). Aos poucos suas característica malignas vão prevalecendo, até ele
causar a morte do aparentemente invencível filho de Odin. Aí sim assume o
papel do mal. Após matá-lo, muda-se para uma casa invisível feita por ele
mesmo. Porém, Odin tudo vê, e a casa mostra ser de pouca serventia. Ao perceber
que um grupo de deuses estavam em seu encalço, transforma-se em um salmão e
foge pelas Cascata de Franang.
De lá, é pescado em uma rede. E o castigo é cruel. Loki era
casado com Sigyn e tinha com ela dois filhos, Vali e Narvi. Vali é transformado
num lobo, que mata Narvi. Dos restos mortais dele, Loki é amarrado e aprisionado
dentro de uma caverna. Uma serpente é presa numa estalactite acima de sua
cabeça, de forma que o veneno pingue em seu rosto.
Sigyn permaneceu na caverna com o marido, segurando uma
bacia acima de sua cabeça, para evitar o fluxo contínuo de veneno. Quando se
enche, ela precisa esvaziá-la numa fenda de rocha e, nesse intervalo, Loki
recebe a peçonha, sofrendo dores atrozes. Assim são explicados os terremotos: é
Loki se contorcendo enquanto é atingido pelo veneno. Todavia, Loki se libertará
no Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses. Dá para ter uma ideia ali na primeira imagem.
E, para fechar, uma interpretação minha. O que creio que
Loki faz é apenas se divertir, mesmo que debochando ou arranjando confusão no
Nove Mundos. Uma espécie de arrogância constante, por desafios – a todos e a si
mesmo, com seus abusos e atitudes até mesquinhas. Testando sua força, entende? E
é justamente onde ele tende às suas maldades.
Heimdall é um guerreiro da luz, assim, pela natureza travessa que possui, Loki se torna
incapaz de compreender, desafiar e vencer tal deus – por esse estar acima de suas compreensões. Portanto, Heimdall é seu
inimigo natural. Já Balder adquirira imortalidade, venceu a morte, um poder
muito acima de qualquer outro – tomando por base que deuses podem se ferir e
até mesmo morrer, mais cedo ou mais tarde. Talvez por esse sentimento de
poderes além de sua capacidade (ou compreensão), tenha levado o deus para o
caminho Escuro da Força, por assim dizer.
Esse constante embate existe em todos nós – se você for uma
pessoa saudável – e quando passei a sentir isso dentro de mim e tentar
equilibrar, acabei me apaixonando por tudo que o diga. E em quase todas as
histórias existe um personagem com o equilíbrio abalado, o que é demais. Mas
isso você já cansou de me ouvir dizer por aqui. É mesmo. Vamos continuar,
então.
Valquírias
As minhas personagens favoritas! Algumas fontes dizem elas
serem filhas de Odin. Outras, dizem ser apenas espíritos femininos que
apareciam aos guerreiros antes que eles morressem, para guiá-los até o Valhalla
– nada mais que guerreiras que cavalgam sobre o céu recolhendo aqueles que
morreram heroicamente no campo de batalha. As principais são nove: Gerhilde,
Helmwig, Ortlinde, Waltraute, Rossweisse, Siegrune, Grimgerde, Schwertleite e
Brünnhilde. Esta última, a favorita de Odin, além de ser a comandante.
Outros relatos dizem que, durante as batalhas, elas levam
em seus cavalos as ordens de Odin, dando a vitória segundo a ordem dele. Em
seguida, recolhiam os heróis. Também relatadas como as esposas dos heróis vivos.
Ou como sacerdotisas humanas que lançavam encantamentos para os combatentes. O
nome é referido também às mulheres que se armavam e ia à luta.
Sim, minha gente, os germanos, mesmo, acreditavam que
espíritos femininos espalhavam a desordem, participavam da batalha e até devoravam
os mortos e beber-lhes o sangue. Parte disso devido aos encantamentos das sacerdotisas, em que,
segundo conta à lenda, se sentavam juntas para lançar encantamento para romper
correntes e outra para aplacar dores aguda. Segundo o que achei, algumas
mulheres até mesmo faziam evocamentos na batalha. Procevê.
Bem, claro que isso é um pouco suspeito, mas eu acredito. A
coisa pode ter se distorcido, mas algo assim surge de algum lugar e, para se
manter por tanto tempo, tem de ter alguma veracidade, acho. Enfim, mesmo que
seja apenas mentira, é por demais interessante. É mesmo.
Igual, achei uma história da saga de Hord, da Islândia. E
que você pode ler aqui,
foi uma das fontes que usei para escrever a mitologia (considero bastante
confiável). Parece ter caído numa espécie de feitiço em Hord enquanto ele fugiu
exasperado, como correntes que o seguravam. Por três vezes conseguiu fugir do
encanto, mas na quarta foi pego de vez e acabou morto. Tenso! Muitos afirmam
que nada tinha a ver com pânico, porque ele era um guerreiro habilidoso – tanto
que conseguiu escapar por três vezes. Foi paralisia, mesmo.
Mas nem tudo são flores. Valquírias na literatura também
são mostradas como mulheres gigantescas, que despejam sangue onde haverá uma
batalha; por vezes, montadas em lobos e, em outras, remando um barco em meio à
chuva de sangue, sendo augúrios de morte. Porém, são relatos gerais de tais
personagens. Na mitologia nórdica, a figura da Valquíria é menos sanguinária e
mais digna, como àquelas que recolhiam os aniquilados.
Sim, sim, em outra fonte, Valquírias seriam àquelas que
escolhem os que vão morrer. Ao cavalgar pelo campos em seus cavalos brancos,
emitiam um intenso brilho que atualmente chamamos de Aurora Boreal (ou Luzes
Nórdicas). Alguns, antes de morrerem – seja por intenção delas ou por
simplesmente perecerem em batalha – viam uma Valquíria passar voando. E existe
também a história dos cisnes.
Pois é, isso é interessante. Outro mito diz que elas se
transformavam em cisnes e iam ao mundo terreno para nadar. Caso um homem
roubasse uma plumagem enquanto elas se banhavam, esta ficaria presa a Terra,
podendo até se casar com a criatura. Massa! Mas, porém, contudo, todavia,
entretanto, somente os heróis eram capazes de tal feito, o de roubar e manter
uma plumagem de um ser divino, eu digo. E, ao que parece, elas também se
apaixonavam pelos heróis, mesmo sem plumas.
Procevê. Intrigante demais. Assim, acho que gostei mais por
causa de um jogo espetacular do PSone, sabe. O nome é Valkirie’s Profile e você controla uma Valquíria. Como faz tempo
que joguei, pouco posso dizer sobre a história, mas você basicamente vai
resgatando guerreiros mortos para sua equipe (é um RPG).
Nunca terminei o jogo. Mas era lindo, muito bem desenhado e
a história envolvente, além dos costumes das personagens serem lindas – eu
mesmo me apaixonei pela protagonista! Infelizmente a continuação para PS2 é um
lixo. Acabaram com a série. Bem, paciência. O primeiro jogo é tão bom que nem
era preciso outro. Altamente recomendado para você, que gosta de um bom jogo de
RPG.
Ah é, o Richard Wagner deve ser citado. Ele foi um grande colaborador para disseminar a cultura nórdica pela música clássica. Verdade. Aliás, inclusive tem um especial sobre as Valquírias, dentro da trama do Anel dos Nibelungos que é um história gigante que levaria mais uma postagem para ser explicada. Para resumir, se você quiser, pode ouvir o trabalho dele nesse outro blog.
Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses
Sim, sim, existe o fim dos tempos na mitologia nórdica. O
motivo para Odin mandar suas guerreiras (espíritos femininos, ou seja lá o que
as Valquírias forem) resgatarem os mais valentes guerreiros mortos e
estabelecer com eles um poderoso exército. Para a batalha final. Diz à lenda
que haverá sinais antes do princípio do fim. Um deles é a morte de Balder
(Baldur). Outro é a chegada de três rigorosos invernos seguidos, sem trégua, nem verão entre eles.
Guerras devastadoras surgirão em todos os cantos. As
pessoas desrespeitarão as normas e quebrarão tabus. Então, o Fimbulvetr, o
“inverno dos invernos” se estabelecerá. Os lobos que vivem em eterna
perseguição ao Sol e à Lua, Skoll e Hati, finalmente os devorarão. Os gigantes
se levantarão. Criaturas que estavam aprisionadas conseguirão se libertar. Jormungand, a serpente que cerca Midgard, começará a se
contorcer e causará maremotos. Em seguida, irá para Terra.
A batalha final será numa planície, Vigrid. Heimdall
finalmente soará sua trompa, Gjall. Loki comandará os exércitos do Mal e Odin
os do Bem. As forças opostas se anularão. O cão Garm de Hel atacará a garganta do deus
Tyr e ambos morrerão. Loki e Heimdall também lutarão entre si, num embate entre
Luz e Trevas, e os dois perecerão. O lobo Fenrir se soltará de suas amarras,
causando imensa destruição antes de devorar Odin – vingado pelo deus Vidar.
Thor enfrentará a serpente de Midgard e irá matá-la, porém
será envenenado pelo sangue da bicha, morrendo. Surt, o gigante de fogo,
transformará Asgard, Midgard e Nifhelm em um verdadeiro inferno, que consumirá
deuses, gigantes, anões, elfos e homens. Aí, a Terra se afundará no oceano.
Os filhos dos deuses, Aesir (Esir) e Vanir vão sobreviver e entrarão em conselho na planície de Ida. Ela ficará no mesmo lugar onde antes fora Asgard. Ali estarão os deuses Vali e Vidar, bem como os filhos de Thor, que herdarão a Mjölnir. Uma das fontes que vi, diz que Baldur e se Hod retornarão de Hel - o "Inferno" do mapinha da parte dois - para presenciarem com os demais os rumos da história.
No campo de batalha devastado, poderão ser vistos muitos tesouros. Abomináveis, no entanto. Entrementes, o mal ainda existirá, já que o bem prevalece e, assim, é preciso equilíbrio como já disse. No antigo Hel, o Mundo de Fogo, haverá o Nastrond, a Costa dos Mortos. O dragão Nidhogg sobreviverá e continuará a roer os mortos por ali.
E
aí fim? Nada disso. É o fim de um ciclo e começo de outro. A Yggdrasil se
abrirá e dela sairão um homem, Lif, e uma mulher, Lifthrasir, que repovoarão a
Terra. Das cinzas surgirão raios de luz do céu: uma filha nasceu do Sol antes que fosse engolido. E assim a história recomeça.
Procevê. Legal, né? Ou, achei massa demais a mitologia
nórdica. É claro que muitas coisas são bastantes suspeitas. Mas no geral, é
bastante impressionante. Vou ver se acho algum livro contando a história pura e
simples. Será que é difícil de achar? Tipo os Eddas, eu digo. Deve ser. Bem,
tenho de ao menos tentar achar nessas livrarias de shoppings ou na Internet. Se
alguém puder me dar uma dica, me fala, beleza?
E isso é tudo. Foi bastante informativo, essas postagens.
Gostei de escrevê-las e espero que você tenha gostado de lê-las. O fato é que,
as mitologias, em geral, influenciam demais a vida da gente, porque muitas
histórias que vemos nos cinemas ou nos jogos eletrônicos se baseiam nelas. Pura
verdade. É mesmo. Pois é, galera, tchô ir. Depois eu volto com alguma das
minhas peraltices malucônicas. E espero você por aqui para presenciá-las!
Ah é, uma homenagem ao meu amigo Bruno Sousa, o
guitarrista, vulgo Brunão. Ele me mostrou uma banda que tem bastante influência
da cultura nórdica, o Blind Guardian. E, tempos depois, descobri que eles
fizeram um álbum em homenagem ao Silmarillion. Doido! E a maioria das músicas
tem teor épico de batalhas ou de histórias de fadas. Passei a respeitar demais
os caras.
O nome da música aí embaixo é Valhalla. Uma da minhas
preferidas do Blind. E que é a cara do Brunão. Assim, pelo menos eu sempre
lembro dele quando ouço. Viu, Bruno? Eis que um dia nós iremos para Valhalla no
Voyage, guiado por Valquírias bonitonas para fazer um rock para o bom e velho
Odin, e agitar toda horda de deuses de Asgard. E claro que o Marcelão irá nos
liderar!!
VAL- HAL- LA!!
High in the sky, where eagles fly,
Morgray, The Dark, enters the throne.
Open wide the gate, friend.
The king will come!
Blow the horn and praise
the highest Lord.
Who'll bring the dawn
he's the new god
in the palace of steel?
Persuade the fate of everyone,
the chaos can begin.
Let it in!
So many centuries,
so many Gods,
We were the prisoners
of our own fantasty.
But now we are marching
against these Gods.
I'm the wizard, I will change it all.
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)
O-o-o-o-oh, Valhalla!
(Solo Loquêra)
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)
O-o-o-o-oh, Valhalla!
Magic is in me.
I'm the lost magic man!
Never found what I was looking for.
Now I found it, but it's lost.
Yes, lost!
The fortress burns,
broken my heart.
I leave this world.
All Gods are gone!
So many centuries,
so many Gods,
We were the prisoners
of our own fantasy.
But then we had nothing.
Who'll lead our life?
No, no, we can't live without Gods!
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x3)
O-o-o-o-oh, Valhalla!
(Solo Asgardiano)
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x2)
Oh, no!
(Dedilhando)
Valhalla – Deliverance!
Why've you ever forgotten me? (x8, com
todos os guerreiros esquecidos de Valhalla.)





Cara, massa demais! Achei muito interessante! Você saca muito, hein? Parabéns ;D
ResponderExcluirOi, Wendel!
ExcluirBom te ver por aqui! Bom, tive uma ajudinha do tio Google, sabe. Mas sempre fica legal quando a gente se interessa pelas coisas, acho. E, bem, obrigado pela visita!