sábado, 14 de janeiro de 2012

Sobre Lendas e Mitos


Oi, gente!

E aí, tudo bem? Tomara. Pois é, acho que esse ano vou postar mais no feeling, sabe. Para não ficar tão chato para mim, nem para vocês. Tipo, sabe quando eu decidi falar dos sete mares? Bem, não gostei muito do resultado, para falar a verdade. Ficou meio vago, acho. Num ficou? Ahn-ham, é mesmo.

Por isso, vou tentar fazer algumas postagens mais legais. Bem, vou tentar. Claro que não vão ser tão legais assim, já que não me empolgo em escrever algo tem bastante tempo. Talvez eu devesse fazer um seriado ou contos narrativos para variar, que nem a Simone faz. Né não, Simone? Procevê. Só preciso de melhores ideias.

Mas as coisas vão melhorar. Vocês vão ver, meu povo, vocês vão ver.

Hm, pois é. Eu tava sem assunto de novo – na verdade prometi escrever uma pancada de coisas, mas não me animei para falar de nenhuma delas, de novo, para variar – e aí me veio na cuca uma coisa: fui monitor de danças circulares duas vezes na faculdade e não sabia direito a diferença entre mitos e lendas. Vê se pode!

E eis que aqui resolvi publicar o resultado da minha pesquisa! E sim, tem a ver com o livro que pretendo escrever também. Ora, onde já se viu um livro sem lenda? Num é? É mesmo. Então vamos nessa, descobrir a diferença entre os dois.



Senão vejamos o mito. Bom, basicamente o mito procura dizer a origem das coisas. Mas a origem, origem mesmo, a origem das origens, a essências. Entende? A origem do Bem e do Mal, dos Quatro Elementos, da Vida e da Morte. E quem narra, teoricamente, é confiável, porque testemunhou o que é narrado. Ou era bem íntimo de quem contou. Tipo de ir posar na casa e abrir a geladeira sem pedir.

Pode ser até mesmo enviado dos deuses, para trazer o conhecimento dos saberes mais primordiais para as pessoas. Assim, é algo sacro, quase uma revelação divina (senão a própria). O mais interessante é que algumas vezes existe paixão, sentimentos e desejos nos seres. Muitos mitos são bons para se entender o comportamento humano, aliás.

Como tenta explicar a origem de todas as coisas, é inevitável que trate de elementos de super natureza (palavra bonitchynha que arranjei para substituir sobrenatural), agregando características humanas aos deuses. Destarte, podem decidir os rumos segundo suas paixões e atos segundo os poderes que possuem. Podem sofrer, agir para conquistar o amor de outro deus ou homem, castigar, guerrear e as consequências de seus atos são as origens daquilo que não se entende (o mundo, os sentimentos, a inteligência humana e tudo mais).

É certo que os mitos foram essenciais para organização de diversas sociedades. As pessoas de fato criam neles, sabe. De uma forma religiosa, eu diria. Alguns acreditam que a filosofia grega surgiu de um processo gradual de racionalização dos mitos. Procevê. A filosofia procurava mais saber porque as coisas serem como são e se sempre foram assim. Ela busca sempre a produção natural de tudo por elementos e causas naturais, impessoais.

Outro elemento a ser observado é a riqueza simbólica presentes nos mitos. Permite diferentes interpretações. Sempre narrações de criações e origens. Ah é, e religiosas. Mais ainda: sempre verdadeiras, referentes a diferentes realidades. Já te dou um exemplo para você não dizer que viajei na maionese: o mito da morte é verdadeiro porque a morte está aí para prová-lo. Entendeu o que eu tava querendo dizer?

Bem, não eu, eu, mas o carinha que fez o artigo que estou quibando aqui na maior cara de pau.

Entrementes, os mitos são importantes, senão essenciais, para a humanidade porque explicam as dúvidas mais elementares que todo ser possui (ou deveria possuir). Cê sabe, de onde viemos, para quê, para onde vamos, porque as pessoas limpam o nariz com o dedo no sinal vermelho ou o verdadeiro motivo por sempre ter uma caneta bic a pelo menos sete metros de onde estamos.

É sério. Pode olhar que deve ter uma aí por perto agora mesmo. Não, tô falando sério! Tem uma aí no cômodo, olha direitinho que você vai achar. Faz parte dos grandes mistérios da humanidade.

Aham... no fundo, no fundo, é uma maneira de dar sentido ao mundo, entende. Temas que transcendem o que podemos entender pela realidade material e empírica dos fatos – algo que não é tangível. E diversos povos explicam de diversas maneiras, segundo a realidade em que estão inseridos.

Ai, meu Deus, eu mereço uma viajem dessas...

Não, é sério. Ó só, a criação para alguns povos se deu pelo Oceano (mais comum), pelo Caos (Hesíodo), outros pela Terra (África em geral), outros a partir do nada (Big Bang) e em outros a partir a duas forças de princípios universais do yin yang, onde as combinações formam quatro emblemas e oito trigramas e todos os elementos. Viva os Hyuuga e o pa-kuá!

E já que eu falei do começo, por que não do fim? A morte. Trem doido. Até eu já desembestei em falar dela, lembra? Pois é, ficou uma merda. Questão difícil, essa. Para mim e para humanidade. Questões de dieganidade, eu diria. Isso porque não faz sentido em construir algo (ou existir de alguma maneira) para ter um fim. Daí a galera pensa em erro, castigo, punição e tudo mais. Eu prefiro pensar como o Shaka, sabe.

Arayashiki. A morte é só o começo.

Para exemplificar, vou colocar um trechinho da minha monografia, quando falo do mito de Platão:

No mito do carro alado, temos uma teoria focada na vida que precede a terrena e os motivos pelos quais estamos num plano sensível. Ele diz assim: em sua origem, enquanto almas, encontrávamos junto aos deuses, numa vida divina. Assemelhávamos a um carro puxado por dois cavalos e um cocheiro. Os dois cavalos dos deuses eram bons e o dos homens de raças diferentes, sendo um bom e um mau, sendo difícil guiá-los – o cocheiro simboliza a razão e os cavalos as partes da alma: uma irritável, indomável e outra com voraz apetite sensual. As almas cortejam os deuses na estrada celeste, procurando chegar com eles no além céu, no Mundo das Ideias. Para alma isso seria extremamente difícil, por causa do cavalo mau que tende sempre a puxá-los para baixo. Alguns conseguem contemplar o Ser do além céu ou pelo menos em parte, e vivem ali juntamente com os deuses, vivendo de tempos em tempos entre deuses e demônios. Outros não conseguem, ficam presos na ladeira, se amontoam, brigam, atropelam uns aos outros até que quebram suas asas e caem na terra. Quanto mais tenham contemplado a verdade durante essa trajetória, a vida terrena seria moralmente perfeita. Depois da morte do corpo, a alma é julgada um milênio, recebendo prêmios ou penas, a depender da forma cujo viveu. Após isso, reencarna. Passados dez mil anos, as asas seria restabelecidas e as almas voltariam junto aos deuses – podendo ser reduzida a três mil anos caso a alma vivesse três vidas consecutivas nos ensinamentos filosóficos e morais (Giovanni, 2000, p.160-161).

Pois é. Mas já falei muito de mito, vamos para as lendas. Então, vamo. Lendas são histórias fantásticas, épicas, ligadas ao princípio dos tempos ou da humanidade. Procura dar uma explicação aos fenômenos inexplicáveis e misteriosos. É, eu sei o que você tá pensando. Diego, seu mongol, você acabou de dar a mesma explicação de mito! Seu burro!!

Calma lá, tem certeza? Não, não, você que entendeu errado. As lendas não procuram entender a origem da essência de todas as coisas. Tá escrito isso ali em cima? Pois é, véi. E mais, elas misturam fatos com fenômenos reais, mas não tem envolvimentos dos deuses. Não propriamente ditos. As histórias são mais focadas em heróis e animais, para explicar por uma história o surgimento de determinado elemento natural.

E quem é você para me chamar de burro? Vai te catar!!

Aham... exemplificando melhor: as lendas não possuem embasamento filosófico ou religioso. Tem fantasia, é bem verdade, mas não quer sanar as mais cabulosas dúvidas da existência. E geralmente são passadas via oral, de pessoa para pessoa. Uma “historinha”, sabe. Eu disse ali em cima que os mitos são reais, verdadeiros por ser de caráter até mesmo religioso, mas as lendas não são tudo isso, não.

Aliás, os mitos diferem de religião, viu? As religiões seguem dogmas e doutrinas e pautam comportamento. Já os mitos explicam de maneira mais ampla e menos concisa A vida, o Universo e Tudo Mais. E sim, só coloquei isso aqui porque esqueci de colocar lá em cima. Isso que dá copiar as coisas sem atenção...


Índios tem várias lendas legais e interessantes. Uma delas é a da Vitória Régia. Vou te contar para ficar mais fácil de entender. Diz-se que no começo dos tempos, quando a Lua ia para detrás das serras, vivia com suas virgens prediletas. Se ela gostasse muito de alguma delas, a transformava em estrela. A índia Naiá, princesa de uma tribo, ficou impressionada com a história e resolveu perseguir a Lua enquanto ela subia as colinas, na esperança de ser vista por ela.

Fez isso por noites e noites, por muito tempo, a pobrezinha. Mas a Lua nem tchum. Certa noite, a índia viu nas límpidas águas de um lago a imagem refletida da Lua, e pensou que enfim sua preces, soluços e andanças noturnas tinham sido atendidas: ela veio buscá-la, finalmente! Pobre indiazinha, morreu afogada no grande e profundo lago e nunca mais na história desse país foi vista.

Triste o fim. Mas ainda não acabou. Calma lá. Aí a Lua ficou com remorso e a transformou numa estrela diferente, na “Estrela das Águas”, a Vitória Régia. Suas flores perfumadas e brancas só abrem à noite. Quando o sol nasce, elas se tornam rosadas.

Legal, né? Ahn-ham. Já deu para notar a diferença, não? Geralmente as lendas existem contando o feito de alguém, ou seu castigo. Muitos personagens do nosso folclore também são assim: seres sobrenaturais que vigiam ou assombram as florestas, segundo acontecimentos provindas de ações pecaminosas ou destinos trágicos. É mesmo.

Mas também existem as urbanas. Já ouviu a lenda o Lago Paranoá, lá de Brasília? Eu adoraria contá-la, só que eu já esqueci... sei que tem! E tem também da cidade do meu pai, uma cidadezinha daqui do interior de Goiás chamada Porangatu. Foi uma moça da cidade quem me contou a lenda, oralmente, quando eu era menino! Vou te contar o que lembro, sem avacalhar:

Diz-se que ali onde hoje é a cidade, antigamente era uma tribo indígena. E um homem branco que por ali passou, se apaixonou por uma índia daquela tribo, de nome Angatu. Ora, nunca na vida que o pajé iria aceitar um homem branco namorar alguém de sua tribo, mandando tal homem morrer queimado em uma fogueira. Antes de morrer, o homem disse: “Por Angatu morrerei!” e por isso o nome da cidade é esse.

Tentei distorcer o mínimo possível, mas ouvi a história há muito tempo. Por isso que tá meio sem sal. Deve ter versões mais bonitchynhas na Internet. Foi assim que eu ouvi – ou o pouquinho que me lembro.

Deu para ver, né? Pois é, acho que tá bom. Bom, no momento, é tudo que eu sei. Então, é isso. Vou tentar voltar na semana que vem, só que não garanto nada, beleza? Mas não me abandonem, por favor! Tá? Beleza? Podicê? Espero ver todo mundo aqui de novo em breve, então! Falous!

4 comentários:

  1. Nhaaaaaai X(
    Quero um menu de histórico pra poder ler todas as postagens!!!!!

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    1. Oi, Hades.
      Tem uma lista, sim. É lá do Facebook. O endereço tá aqui: http://migre.me/7CHHF

      Para você não ficar voltando aqui toda hora, é só clicar na imagem que tem ali no canto direito. De baixo da moça nua, onde está escrito "Página do Facebook". Obrigado pela visita e espero te ver por aqui mais vezes!

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  2. Gostei de como você fez essa distinção de lenda e mito :)Sabe que eu gosto quando você viaja nas coisas que escreve! xD

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    1. Obrigado, hehe! Tem dia que eu me inspiro. Aí dá para ir longe, mesmo!!

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