Cá estou eu aqui de novo para mais um assunto diverso. E dessa vez numa
postagem relâmpago! Isso para compensar o tanto de dias sem publicar nada. Até
parece que alguém deu falta. Enfim, eu senti falta de ver a mim mesmo postando
coisas e acho louvável estar novamente assíduo, e é o que vale. Falei e disse –
se é que faz algum sentido, toda tergiversação.
Vim falar de um assunto que está obsoleto, porque tem quase
dois meses que tive tal inspiração: o ódio de fãs. Sim, sim, já falei um pouco sobre quando discorri da
diferença absurda entre Senhor dos Anéis e Crônicas de Gelo e Fogo, mas vale
ressaltar agora uma no meio otaku. Trata-se de K-On, uma série de colegiais que
participam de um clube de música leve no colégio e suas peripécias. Um detalhe
é que todas são garotas e homens são raríssimos na história.
Primeiro, leia esse texto aqui, da senhorita Lílian Kate
Mazaki.
Sim, já no começo ela joga sua ira no anime, chamando-o de
fraude e tenta com todo seu fígado (e o ódio presente nele) escorraçar a série.
Eis que me proponho a defendê-la. A moça começa fazendo algo inadmissível:
comparar duas séries completamente opostas, com propostas completamente opostas. Sim, quando diz que K-On jamais vai ter
profundidade de um Vagabond da vida.
E nem se propõe a isso. A linha é o humor, a amizade, os
pequenos e leves conflitos. O público-alvo é diferente. Aliás, ela própria diz
que K-On é um yonkoma – espécie de tirinhas de jornal –, como diabos pode
esperar seriedade e profundidade de algo que está longe disso? É como esperar
que a Turma da Mônica tenha a dramaticidade dos quadrinhos do Batman. Sim, é
isso que parece quando alguém diz que Evangelion, por exemplo, nem se
compara a Death Note. Ou qualquer outra comparação, ainda que no mesmo gênero.
Depois, ela diz que as piadinhas são constantes e sem graça. Bem,
eu ri bastante em alguns episódios. E posso dizer tranquilamente que fazia dois
anos (ou mais) desde que gargalhei do fundo do diafragma – daquelas risadas que se puxa
o ar para começar a rir. Esse episódio foi no que a Ritsu decidiu mudar de
instrumento, diga-se de passagem. E, claro, algumas piadas se perdem, mas
enjoar e diz que são “pequenas-piadas-sem-tanta-graça” é implicância demais.
Mesmo porque eles têm a dosagem certa de comédia misturada ao desenrolar da
trama.
Depois diz que as personagens são clichês batidos e,
novamente, sem profundidade. E, de novo, eu digo: o enfoque é o humor e a
amizade das meninas, a vida escolar e (a falta de) o empenho no clube. Nada de
ficar esmiuçando os conflitos e prazeres da alma humana. Cada uma pode ser
mesmo um grande chavão, mas de uma maneira que funciona, pois cada qual tem seu
encanto.
Daí Lílian vai longe e usa um argumento preconceituoso, geralmente usado por pessoas que procuram ofender
quem é fã de animes, mangás e até outros elementos do mundo nerd: que pessoas
que se encantam por essas garotas estão se distanciando do mundo real, da
realidade. Aqui, pegou pesado – e depois piora! Já conheci, sim, pessoas como
algumas delas. Claro que elas são bem caricatas, mesmo, mas foram feitas com
algum molde pré-existente, sim. Ou ao menos servem para as pessoas se verem um pouco ali. Tem bem mais a ver com a identificação com alguma das moças.
A Ritsu é minha preferida. A que menos gosto é a Mio.
A Azusa é a novata prodígio, e sua disciplina me encanta, ao mesmo
tempo que sua personalidade obscura é bastante negativa - ao meu ver. Cada uma
tem uma peculiaridade que modifica seu jeito de ser – duas são desleixadas, uma
é popular e canhota, outra é podre de rhyca, a última se bronzeia fácil. Isso
me lembra uma frase de Vasyl Symonenko que meu amigo Túlio disse uma vez: "São inúmeros os que se parecem comigo, e eu, no entanto, permaneço único."
Saber combinar caracterísitca chavões em personangens está longe de ser um defeito, de pecar
em “profundidade”, mas sim uma grande habilidade criativa. Tanto é que são raros os
animês com grupo de amigos que emplaca e é realmente bom. De fato, as
personagens permanecem sempre as mesmas. Todavia, o interessante é vê-las em
diferentes situações – que vão de descontentamentos cotidianos a ciúmes.
O outro argumento uso para bater com todas as minhas forças: quando diz que K-On apresenta pouco da parte musical e que serviu mais para vender
instrumentos que ficarão jogados num canto e poucos serão realmente promissores
músicos. Além de impulsionar venda de bonecos e instrumentos em miniatura.
Só o fato de alguém aprender a tocar um instrumento já é
motivo de alegria. Seria o mesmo que alguém resolvesse pintar quadros ao ver
uma animação. Independente se a pessoa será um ou uma musicista promissora (ou
promissor). Porque a arte é feita para expressar um sentimento. O mundo seria um lugar mais saudável se as pessoas se expressassem de maneira criativa em processoas artísticos. No caso da
música, serviria para passar um tempo com os amigos, de sonharem juntos, de
compartilharem algo. Mesmo que dê em nada. Ficam as memórias e isso é o bastante.
Duvido muitíssimo que a senhorita Lílian toque algum
instrumento ou mesmo saiba como se forma a nota dó em um piano, como sugere. Saiba qual é a
sensação de conseguir tocar uma música sequer, em qualquer instrumento. De
passar um tempo com outra pessoa com habilidades semelhantes. Mesmo que depois
o instrumento empoeire em algum canto. Ver a música como mercadoria é algo,
sim, deplorável.
E quanto aos Figmas (bonecos), bem, qual o problema? “Vocês me fazem rir, fãs!” Qual a
necessidade de diminuir tanto assim as outras pessoas? Aliás, até onde entendo,
ela é uma fã. Caso contrário, estaria preocupada com outras coisas ao invés de
tentar desvalorizar um desenho animado japonês.
O que me faz lembrar do depoimento de Kevin Smith sobre nerds. Passam a vida inteira discriminados por seus gostos e ainda assim
encontram um meio de se discriminarem entre si. Vergonha de todos que o fazem. O fato de alguém já ter de
recriminado por algo deveria servir de exemplo do que JAMAIS fazer com outra pessoa. Ainda mais se tal pessoa tem gostos em
comum aos seus – como animações, séries e quadrinhos. Shame of you!
K-On realmente peca no termo de música. Mas, de novo e
novamente, a proposta está longe de ser um musical. Como todo anime, as músicas
são horrorosas – convenhamos, são raros os que tem aberturas e encerramentos
legais. Se você realmente assistir, vai entender.
Aliás, ridícula está longe de ser a abordagem da música.
Falou outra vez sem estar inteirada no mundo da música, a Lílian. Existem
pessoas, sim, como Yui e Ui. Chama-se ouvido absoluto. João Gilberto
e Tim Maia são dois bons exemplos de brasileiros com essa habilidade: tirar a
música de ouvido após ouvir pouquíssimas vezes. Claro que essa tal dom é
raríssimo, mas está longe de ser "ridículo". Como ela mesmo colocou, é anime – é
só saber distinguir da realidade.
Quanto a Ritsu, ela tem um ritmo acelerado, incomum. A Azusa treina desde de muito pequena e é disciplinada para diabo. Quanto a Mio e a Mugi, ao que tudo indica, são medianas. Fora que Yui
teve dificuldades para tocar e cantar, na primeira temporada. O fato é que
vemos poucas vezes os ensaios ou mesmo música no decorrer da história. E elas
realmente praticavam pouco. Porque era o menos importante, convenhamos.
Humberto Gessinger (do Engenheiros do Hawaii e do Pouca Vogal)
certa vez aconselhou as novas bandas que apareciam. Nas palavras dele, ao invés
de ensaiarem três horas seguidas, que ficassem só duas tocando e utilizassem a
última para conversar, se entenderem, mesmo. A amizade entre os componentes
fora dos palcos é essencial. Algo explícito nos últimos capítulos da primeira temporada, expresso por Azusa.
Por último diz a série ser intragável e tudo mais, e trouxe outra
porção de porcarias. De fato tem mesmo muita porcaria (arrisco dizer que a
maioria). K-On escapa delas. Primeiro, porque fez um baita sucesso – sim, pode
ser “modinha”, se fosse ruim estaria longe de agradar tanta gente (bem como é
Bleach, Naruto, Dragon Ball, One Piece, Cavaleiros dos Zodíaco e tantos outros,
para citar somente shonens). E segundo porque pode até enganar, mas chamá-lo de
fraude é exagero.
No final, existe uma parte dizendo que o texto contem
ironia. Onde? Sinceramente, só vi ódio infundado, e, pelos comentários,
gratuitos, porque a Lílian gosta (?) de K-On. O fato é que, particularmente,
tive uma experiência semelhante no colégio. Claro que a união das moças foi bem
mais fortes que a minha – mas a série soube enquadrar bem o sentimento detérmino do colegial. No caso, de um grupo que se encontrou pelo “chá
depois da aula” e que viu os anos passarem, tendo de amadurecer e decidir o rumo de suas
vidas profissionais.
De qualquer forma, mesmo sendo considerada modinha, odiada
por muitos otakus revoltados e chatos – fãs extremistas de pensamento elitista
partindo do determinismo social (hipsters)
– K-On é divertidíssimo, engraçado e bonito. Aliás, só passei a vê-lo devido as
críticas negativas desse tipo de pessoa na Internet.
E, como o Chico já alertou, só dá para gargalhar com isso.
Era só isso. Dentro em breve volto aqui para pôr o papo em
dia. Até lá!!



Desculpa demora pra dizer isso, mas. . . você não entendeu realmente a ironia que eu falei no final do meu texto.
ResponderExcluirPois é, isso acontece porque, na verdade, eu gosto de K-On! e muito, se duvida é só acessar o http://k-on-br.blogspot.com.br/
Sim, o blog está abandonado a um tempão, mas é meu sabe.
Sabe, tipo, a ironia é a piada da coisa. Porquê, você pode entender, que um fã de verdade sabe ver os defeitos da obra que gosta e também sabe até entender porque tem pessoas que não gostam daquilo.
Gostar mesmo de alguma coisa implica que você aceita o fato de que tem gente que não gosta e que essas pessoas não estão erradas, porque cada um tem seus motivos. Eu acho que é você que acabou mostrando mais raiva, através da sua intolerância contra quem não curte K-On!, do que eu, apontando as coisas verdadeiras e erradas que muita gente usa pra falar mal desse anime que eu tanto gosto.
Você escreve bem, continue com seus textos e até uma próxima vez, se acontecer.
Certo, vacilei ao pesquisar errado, então. Ignorei diversos fatos e simplesmente falei coisas sem saber. E, de fato, peguei pesado.
ExcluirMe desculpe.
saudações
ResponderExcluirRapaz, acho que tu não entendeste de forma adequada os créditos ao final do post da própria Mazaki. E isto fez com que seu [rage] aqui pegasse muito mal...
Sabe, ela é fã incontestável de K-ON! (quem a conhece sabe disto). Adora o anime e o mangá, conhece as falhas da obra, mas isso não faz com que o título se distancie do apreço que a Mazaki tem por ele...
Se tu realmente tivesse lido o post dela até o fim, notaria que ela incorporou um dos personagens que a própria criou. Este personagem (Pseudo-Cult é o nome dele) praticamente distorceu tudo aquilo que a própria Mazaki sente por K-ON! como um todo, tal como o nome à ele dado sugere...
Em outras palavras: foi um post de ironia por parte dela.
Lamentável saber que você não soube encarar a ironia dela, como fã de K-ON! que ela é... E que, mesmo que ela tenha usado de um personagem próprio para rebater as crenças que a mesma possui, tu só conseguiste se deixar levar pelo [rage] que não leva à lugar nenhum...
Jovem Diego, sejas mais esportivo em uma futura oportunidade...
Até!
Sim, sim, foi descuido de minha parte. Julguei sem mesmo conhecer a Lilian. Mas coisa que detesto é comparação entre obras e certas formas de desrespeito. Exemplos: http://migre.me/5oy0V e http://migre.me/55GPF
ExcluirNo caso de K-On, foi pura falta de pesquisa e erro de interpretação. Confesso ter errado feio.
Saudações
ExcluirA vida nos dá lições valorosas todos os dias, Diego. No caso presente, acredito que tal frase se encaixe com muita perfeição.
Apenas tome cuidado no futuro, nobre rapaz. No mais, muito embora não tenha sido com a minha pessoa (mas sim com uma amiga), a sua atitude foi bem respeitável.
Não sou ninguém para lhe dizer isto, mas fico contente.^^
Até mais!