terça-feira, 21 de agosto de 2012

Viagem ao Rio de Janeiro

Meu povo!

Como vão vocês? Finalmente voltei! Depois de mais de um mês. Muitas coisas mudaram. Ao menos para mim, sabe. Sim, sim, vou contar rapidão. Uma dessas coisas é que a perda da filmadora da minha irmã realmente me ensinou alguma coisa e de alguma forma me ajudou a crescer. Ou ao menos ficar quieto e aceitar calado quando chamam minha atenção por ser distraído e desleixado – já que me convenci disso. Um trauma benigno, digamos.

Outro fator que recuperou meu ânimo foi o fato de minha mamis ter me dado uma câmera. Uau! Tô pensando em até voltar a fazer vídeos, se tudo der certo! Dessa vez vou ser mais cauteloso para que ela fique comigo para sempre. E mais um fator que ajudou bastante foi o fato de eu fazer minhas primeiras experiências culinárias. Sim, estou tentando aprender a cozinhar!

Isso ocorreu por um motivo em especial – motivo esse que me ajudou bastante a recuperar as forças e voltar a escrever: uma viagem para o Rio de Janeiro. Sim, meu amigo Túlio me presenteou com duas semanas lá. E, depois de ter passado quase um mês da minha chegada, criei coragem e resolvi postar minhas experiências. Posso te contar? Vamos nessa, então!

A viagem começou com uns perrengues. O voo atrasou duas horas, isso para sair de Goiânia. Em Belo Horizonte, onde faria uma conexão (ou escala, nem sei), passamos mais de uma hora – já que, aparentemente, o trecho que levaria ao aeroporto Santos Dumont, no Rio, havia sido cortado pelo atraso inicial – e a aeronave partiu para Porto Alegre. De lá, nem todos conseguiram embarcar numa nova aeronave. Enfim, a chegada foi no Galeão, à meia noite. O Túlio mora atualmente em Rio Comprido, portanto cheguei lá às uma e meia da madruga.

Procevê. Paciência, o jeito era continuar. O Túlio estava trabalhando todos os dias, então ele me ensinava como chegar nos lugares. Tudo é bastante simples. A zona sul é bem facinha de se andar, com ótimos transportes coletivos, passando constantemente. Nesse primeiro dias, fui ao Castelinho (Praia do Flamengo) e no Museu da República. Como era sábado, tinha de pagar para entrar, então visitei o jardim. Também havia uma exposição gratuita (Life without ligths) e uma apresentação circense bem bacana (Circo Strada).


O metrô passa nos principais bairros centrais, sendo bastante improvável se perder caso se more no Centro do Rio. Pois é, o transporte coletivo lá funciona. No outro dia, o Túlio me levou na Feira Hippie de Ipanema (antes de ir para o serviço). Muito elegante, diga-se de passagem. Coisas artesanais bonitinhas à beça, e algumas bem baratas. Parada obrigatória! Lá tem muitos estrangeiros também. Subimos o elevador e vimos uma vista panorâmica – pertinho do Morro do Pavão Pavãozinho. Depois disso, ele teve de ir para o serviço e eu voltei para o Museu da República, já que aos domingos a entrada é franca.

Queria saber mais sobre a Res Pública e descobri que até sabia bastante coisa das aulas de História. É outra coisa quando se está em um museu, outra coisa! Só que o ruim são as moças falando para as gentes o tempo todo que é proibido fazer uma porção de coisas – beber água, tirar fotos –, claro, educadamente (só que é sempre chato ser chamado a atenção...).

O Rio tem regiões muito agradáveis e harmônicas. Os prédios desbotados pelo tempo, com uma iluminação sutil, combinam com o clima agradabilíssimo que amenizam os trinta graus que geralmente fazem nessa época do ano. No terceiro dia, fui tentar visitar o Maracanã, mas o moço foi bem bravo e mal-humorado - estavam em obras. Passei no museu de futebol, só que o ingresso é vinte Dilmas – caríssimo! Depois visitei a Vila Isabel. Uma coisa que achei interessante nesse dia foi que algumas avenidas têm mão única e as ruas paralelas a elas vão em sentido contrário – dando a impressão que a cidade é circular.

Também visitei a Candelária, o Centro Cultural do Banco do Brasil, o Centro Cultural dos Correios, a Cinelândia, a Biblioteca Nacional e o prédio da Justiça Federal. O porém é que estava em começo de temporada, sem muitas atrações. Vi uma exposição da Maldita FM (Fluminense) e outras de fotografias diversas. As pessoas gostam de dar as informações direitinhas, se irritando se alguém as dá pela metade. Acho porque lá é uma cidade turística e histórica.

Noutro dia, o Túlio teve uma folguinha e me levou a uma porção de lugares. Fomos na Confeitaria Colombo, na Feira de São Cristóvão e em Madureira. A confeitaria é mais bonita mesmo, porque os doces são bem comuns – e desnecessariamente supervalorizados. A feira é bem bacana, apesar de funcionar mesmo aos domingos (no dia em que a gente foi era quarta), e tinha bastantes lojinhas fechadas. O ambiente, entretanto, é muito bom. Para chegar lá, andamos em vários lugares, como na Uruguaiana, Estação Leopoldina e um viaduto.

Depois, partimos para Madureira – um lugar longe, muito longe! No caminho vi dois shoppings, o Engenhão e mais uma porção de ruas e lugares. De fato, uma viagem, parecia até ser outra cidade, interiorana. Mas tinha seu charme, com um centro de compras ímpar. O Parque de Madureira é bastante legal e é diferente porque é comprido. Tem uma porção de coisas, desde rampas de skate até uma escada onde as pessoas podem se banhar.

Outra parte bastante educativa foi fazer uma visita na Biblioteca Nacional. É preciso agendar a visita para ver e entender tudo direitinho. Ela é a oitava maior do mundo, sabia? Procevê! Também tem algumas coisas do Dom Pedro II até hoje. E muitas outras peças históricas disponíveis para pesquisa, desde que se cumpra o protocolo e o processo burocrático. O Museu de Belas Artes foi um dos meus favoritos, pelas obras do Vitor Meirelles e do Pedro Américo, lindíssimas.

Joana D'arc, de Pedro Américo

Lá, um senhor se irritou comigo, porque passei sem agradecer enquanto ele segurava a porta. Outro guardinha também – este eu agradeci, mas acho que baixo demais, e ele pensou que havia ignorado. As pessoas são assim mesmo lá, mesmo que você esbarre nelas, elas se desculpam ou agradecem. Dei uma de matutão roceiro (e as pessoas são todas assim por aqui em Goiânia), me envergonhei e arrependi depois. Fica a lição.

Na Tijuca, o Túlio me mostrou alguns lugares legais – fica pertinho de Rio Comprido e da casa dele – como uma loja especializada em produtos orientais (macarrões, docinhos, hashis e coisas do tipo) e outra de quadrinhos chamada Point HQ. Depois, pegamos um busu para a Barra da Tijuca, que passa pelo Alto da Boa Vista, um lugar muito bonito e cheio de verde. Quanto à Barra, é uma cópia de Miami. Ou de um lugar nos Estados Unidos. Principalmente um centro de compras chamado Downtown.

As pessoas que vendem produtos na praia são extremamente educadas. A colônia de pescadores (o mirante, na verdade) é interessante, com bastantes gatinhos que são valentes e enfrentam bravamente a água, chegando a se aventurar nas pedras. Talvez por causa dos peixes.

Também visitei outro bairro bem longe, que fui de trem, chamado Bangu. Lá onde nasceu o futebol no Brasil – só que nada vi a respeito disso. Devem ter me enganado na facul. Lá tinha um shopping que, antesmente, era uma fábrica têxtil. O shopping mais bonito evar! Bem charmoso. Além do mais, tinha um exposição do Sudário, bastante informativa – um prato cheio para mim que gosto de coisas assim.

Ah é, quando estive por lá, teve um evento de anime. Impossível de comparar aos daqui, impossível! Vi uma palestra com Marco Ribeiro, que foi fraca – vai ver porque ele deve ir em muitas por lá – e com o Erik, do Marcelinho lendo contos eróticos. Esse foi bacana, mesmo sem eu achar muita graça dele. Saber a história das pessoas é importante e a do cara é massa (uma ideia que deu certo).

Muitos, mas MUITOS stands de vendas – aqui tem no máximo uns cinco, lá tinha uns doze, no mínimo! Fora que tinha Rock Band para jogar de grátis – só que sou tímido e só vi a galera jogar. E também cosplayers, bastantes mesmo – inscritos eram quarenta e cinco, mas certeza que tinha mais. Aqui em Goiânia, no último que fui, tiveram cinco inscritos. Um dia a gente chega lá. Aham, Cláudia.

Um dos pontos altos foi visitar o Parque Nacional da Tijuca. Épico, a natureza! Muito mato, trilhas e estrangeiros aqui e ali. É preciso andar bastante para chegar nos pontos marcados no mapinha que a gente pode pegar no Centro de Visitantes. Na maior parte do tempo o que se ouve é o canto dos pássaros, os próprios passos e um bumbo na cabeça – batidas aceleradas do coração pelas subidonas! Vi alguns lugares, o mais bonito deles no Pico da Tijuca, mas estava nublado demais.

Na descida, tentei ajudar um guarda com dois turistas dos Estados Unidos. Descobri que até entendo bastante coisa – ou ao menos o contexto –, mas tenho dificuldades em falar. Foi bem bacana ter esse contato mais próximo com estrangeiros. Bom, o fato é que tem coisas bem legais na Floresta, como a Cachoeira das Almas, a Lagoa das Fadas (tinha até oferenda quando fui), o Açude Solidão.

A Cascatinha, logo no comecinho, é bonitchynha, também.

Noutro dia, fui para Ilha de Paquetá. A barca é um transporte bem lento, mas ao menos dá para observar a paisagem. As casinhas da ilha são muito bem conservadas. O local é bastante tranquilo, rodeado por cantos de pássaros. As estradas são de areia – tipo de terra, bem diferente da areia da praia... como se fosse chão batido de areia, sabe? A impressão é que o tempo ali passa muito, muito devagar. As ruas são vazias, as casas quietas e silenciosas. Cometi o erro de cruzar as ruas ao invés de rodear a ilha, por isso, fiquei sem ver muita coisa. Perdi o rumo e quase perco a barca. Me senti o Ryoga...

Outro lugar para comprar coisas bonitchynhas e bem baratas chama-se Saara – fica perto da Uruguaiana e é conhecido como Mercado Popular. Sim, existem muitas “réplicas” de mercadorias por lá. Muitas coisas bem feitinhas e baratas. Perto dali fica a Catedral Metropolitana (e os Arcos da Lapa, junto ao Circo Voador), uma igreja ostensivamente grande e desnecessariamente alta. Cantos entoam ali, constantemente, por alto-falantes. Outro lugar muitíssimo divertido foi o Jardim Botânico. Que lugar massa! O ingresso é um tantinho caro (seis Dilmas), mas compensa, viu. Vi árvores gigantescas – se gigantes existissem, seriam daquele tamanho – e diversos tipos de plantinhas.

Dentre elas um bromelário e um orquidário – só que estavam fora de época. Também um canto só com as plantas medicinais. Consegui ver Vitórias Régias, num lago de águas limpíssimas – dizem que elas só nascem em águas límpidas e cristalinas. Também plantas insetívoras (ou carnívoras), que tinha folhas que pareciam vasinhos. Depois passei numa das melhores partes, o Jardim Sensorial – é possível tocar e cheirar as plantinhas.

Lá senti o cheiro mais maravilhoso de toda minha vida, a da Madressilva! Se um dia eu tiver uma filha, esse vai ser o nome dela!!

No Jardim também tem um monte de turistas. O cactuário é bem bonito e interessante, exótico, sabe – preferi ele às orquídeas e bromélias. E o jardim japonês de lá malha de longe o nosso pobrinho do Parque Flamboyant. No último dia, dei um passeio em Santa Tereza, aquele bairro aonde o bondinho passava. Estava bem vazio. Mas tem lugares muito lindos, lá. Além de ser charmoso que dói. As Ruínas do Céu são outra parada obrigatória! Fora que direto tem exposições lá. E as pessoas são extremamente educadas, mesmo quando você faz coisa errada.

E esse foram os lugares que visitei. Foi bastante legal, a viagem. Ela em si foi um desafio, já que, como meu senso de direção é horroroso, fiquei com medo de me perder. Esse foi o primeiro ponto positivo: tentar aprimorar meu senso de direção. Aliás, sem isso, jamais conheceria o Rio – se o Túlio me acompanhasse, jamais me atentaria para as ruas, paradas e tudo o mais.

Outro foi ver como ele se virava na cozinha. E percebi que, já que tenho poucas habilidades e meu carisma e contato social são algo bem deficitários, preciso aprender a fazer comida para agradecer as pessoas e sociabilizar melhor. Como disse lá em cima, estou dando meus primeiros passos! Já é um avanço!!

Um ponto meio chato foi um desentendimento que tive com o Túlio. Porque tentei manter meus horários de estudo e de dormir, perguntando as horas obsessivamente. Ele se irritou e disse que era melhor procurar um psicólogo. Na manhã seguinte, o procurei, falei que havia me ofendido - já que fiz terapia muito tempo. Ele disse que nada tinha adiantado e continuamos a conversar a respeito – vi que ele me entende bem pouco, sabendo bem pouco das minhas convicções.

Acontece. Eu também devo conhecer ele menos, já que está lá há um bom tempo. Seria legal se ele tentasse entender. Mais esse é um grande defeito meu, querer aceitação das pessoas. É mesmo. Só me pergunto porque o Túlio ainda é meu amigo. Eu sou esquisito, somos totalmente diferentes. Enfim, mesmo com os desentendimentos, ele continua sendo meu grande amigo e eu gosto dele.

É mesmo.

Aliás, essas coisas são até saudáveis. O melhor dessa viagem foi ver que grande parte dos meus descontentamentos são comigo mesmo. A cidade de Goiânia tem parcela de culpa, sim – motoristas sem noção e mal educados, pessoas sem educação e de coração fechado – mas o que diabos estou fazendo para dar o fora daqui? Nada, até a viagem. Tô colocando a cuca em ordem e pensando em outras alternativas para minha vida.

E devo tudo isso ao Túlio. Procevê. É mesmo, tomara que as coisas se acertem daqui para frente. Vou tentar colocar o blog em dia, ao menos. Mudar o nome dele, já que essas mudanças mudaram bastante a concepção que quero ter. Verdade verdadeira. É preciso crescer. E espero que você me ajude. Obrigado pela paciência e por estar lendo isso aqui. Seja lá quem você for. Agradeço a força e espero contar com o seu apoio e carinho, mesmo sem saber ao certo quem é você.

Muito obrigado!

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