domingo, 10 de junho de 2012

Dublado ou legendado?

Alou, pessoal.

Tudo bem? Cá eu de novo, com minhas tonterias habituais. E a última postagem, heim? Triste, eu sei. Ficou incompleta. Assim, ficou bem feita a pesquisa, mas comprida demais e só no contexto fisiológico. Quando pensei em fazer, queria abordar o aspecto social e cultural do envelhecimento, além da demência e depressão. Em vão.

O fato é que todos aqueles efeitos podem ser amenizados desde de a infância ou adolescência com uma alimentação equilibrada e atividades físicas regulares. E caso já seja meio tarde para isso, bem, nunca é tarde para começar. O triste é a acomodação. Praticar exercícios é necessário por uma série de fatores que falarei aqui algum dia (mentira, tô sem disposição alguma para voltar a falar sobre isso).

Também terminei a segunda parte do Sobre Cowboy Bebop em video, falando um pouco mais sobre as referências dos gêneros musicais e do cinema. Depois vai lá. Deu um trabalhão editar, sabe. Pois é.

Então, vamos ao motivo da postagem de hoje. Bem, tudo começou com um comentário no Twitter do Pablo Villaça, a respeito de dublagem. De lá, ele indicava um de seus textos e sobre o quão tem minguado os filmes legendados e tudo o mais. E uma apologética incrível demonstrando de maneira implacável o motivo de você sempre ter de ver um filme legendado.

E, bem, os pontos são mesmo irrefutáveis. Depois dá uma lidinha lá e vê. Aliás, o Pablo Villaça é o mais conceituado crítico de cinema do Brasil. De vez em quando, pega pesado em um ou outro ponto em pareceres mais pessoais, quanto a determinados assuntos. Mas ele parece ser legal, porque se arrepende quando vê que exagerou e, bem,uma pessoa equilibrada é uma das coisas mais fantásticas existentes. Tenho tentado ser assim também, apesar de ainda errar feio.

Olha ele aí, com o Scorcese em 2007!

Procevê. Mas esse tema me fez pensar, sabe. E, para ser sincero, eu gosto de dublagem. Sim, sim. Porém, contudo, todavia, entretanto, somente para animações. Pois é, como todo mundo sabe, sou fã de carteirinha delas, principalmente as japonesas. E tenho meus motivos.

Bem, em filmes, o texto do Pablo diz tudo. Nada de ver dublado, por melhor que sejam os atores que o façam. Prejudica a atuação, o contexto e muito se perde nas piadas. Um exemplo: tive de ver Os Vingadores dublado e, apesar de serem muito bons os atores que dublaram, uma piada foi adaptada – a das formigas e das botas. Por que diabos eles trocaram formigas por vermes é um mistério. Fora que o carisma original de cada ator e a vida que emprestou ao personagem foi igualmente perdido.

Mas tem mais. Algo que a dublagem consegue arruinar com todas as forças é o sotaque. Em filmes e animações. Uma crítica generalizada, agora. É sério, isso é o mais revoltante. Tipo, o Brasil tem uma variedade incrível de sotaques, porque, já que é para dublar, eles extinguem simplesmente esse fator? Sério, Bastardos Inglórios é um exemplo. O tenente Aldo perdeu totalmente sua maneira caipira e carregada (por um ferimento na garganta) de falar. Custava ter adaptado?

Aliás, nunca vi o Bastardos dublado (somente o trailer, que me decepcionou o bastante), mas essa cena com certeza deve ter perdido TODO seu valor – especial atenção para o Brad falando Arrevederci no final!

Tipo, em Madagascar eles fizeram isso, sabe. Do sotaque, eu digo. A Zebra, Martin, tem um sotaque mineiro. E ficou bacana. Só viajei no motivo, já que o Chris Rock, quem o dubla originalmente, parece ter uma fala comum. Bem, como meu inglês é medíocre, é melhor ficar quieto – a questão é: bem que podiam melhorar um pouco na adaptação, já que vão fazê-la. Tô errado?
Pois é. Tem muitos outros filmes em que o sotaque vai para o beleléu. Tipo em Harry Potter e o Segredo de Whatever – os filmes da franquia em geral. O sotaque inglês some. O que me faz temer com o próximo filme da Pixar, Valente, com o belíssimo sotaque escocês. Mais um motivo para procurar uma cópia legendada. Rezar para que lancem uma, caso contrário terei de esperar pelo Dvd. E você deveria fazer o mesmo.

Tomara que comece e termine bem. Alguns filmes da Pixar começam tão bem e depois desandam...

Triste isso. Demais. Outra versão em que mesmo a animação ficou horrorosa foi Meu Malvado Favorito. Ao que parece, para os diretores de dublagem, basta colocar uma vozinha engraçada que tá tudo certo. Fora o que fizeram em Enrolados, que enfiaram o Luciano Huck lá e, bem, já soltei minha fúria à época. Posso dizer que foi o fundo do poço.

Sim, mas deixa eu dizer os motivos de gostar da dublagem – ou ao menos o motivo de eu ver as versões dubladas das animações. Por pior que a maioria possa ser, existem as que ficam bacanas. Claro, somente nas animações. Filmes jamais poderão ficar bons. Vai lendo que você vai ver onde quero chegar.

Tipo, em Rei Leão. O filme é incrível, mas somente a versão dublada me cativa. Sim, a questão é cativar. Vi a versão legendada e o Timão me pareceu muito insoso. Já em sua versão abrasileirada, ele captou a malícia e o jeitão “deixa a vida me levar” de ser. Fora o Simba criança, com uma série de expressões próprias (“Quando eu crescer vou mandar ni-i-i-i-sso tudo, haha!” ou a belíssima voz do já adulto Simba ou mesmo a risada de Rafiki).

O que quero dizer é que é possível ver a atuação e vida dos personagens, algo que seria impossível na versão original – já que o carisma dos personagens seria em parte perdido pela linguagem desconhecida. Por mais bem feita que possa ser – aí estaria no receptor e na mensagem que estaria fora do contexto.

Outro exemplo para ver se você me entende: Como treinar seu Dragão. As duas dublagens, em inglês e português, ficaram muitíssimo bem feitas. Uma ressalva para fala do Bocão perde um pouco as características, porque, apesar de nada ter a ver com sotaque, tem uma maneira própria de falar. Ainda assim, ficou legal e dá para encarar o filme nas duas versões. Particularmente, prefiro a dublada, porque a voz do Soluço em português consegue me convencer da agonia do personagem. Na original, por ser um tanto mais sério em sua forma de falar, fico meio perdido.

Pura questão de empatia. Como disse e volto a repetir, a versão original é digníssima. Mas a dosagem da voz e a interpretação do ator simplesmente me convenceram, em português. E esse, aliás, é meu filme favorito da Dreamworks. Bem que o pessoal de lado podia desencanar de Shrek e escrever coisas legais e bacanas como Como treinar ser Dragão. O filme, aliás, consegue superar o livro.



E só para saber, Astroboy é o extremo oposto. As duas dublagens ficaram ruins e o personagem principal foi seriamente prejudicado. Veja e verá – em qualquer versão. Só para saber, mesmo. Just saying.

E, bem, quanto às animações japonesas, prefiro dubladas. Pronto, falei. Sim, os otakus xiitas, se lerem isso aqui, vão querer minha cabeça, mas os motivos são os mesmos dos filmes ocidentais: os dubladores, ou a maior parte deles, conseguem me convencer e cativar.

Claro que existem exemplos que repugno. Um deles é Dragon Ball, quando foi exibido na Globo. As vozes no anime, quando exibido no SBT, eram divertidíssima, com tudo que possa ter essa palavrinha. A do Goku, eu digo. E bem a ver com a série, que a princípio foca-se na comédia. Aí, sei lá porque, a Globo o redublou antes de reexibir. Colocando a voz principal  da Úrsula Bezerra. Sim, sim, a mesma que dubla o Pequeno Urso. E o Naruto.

Uma coisa que queria entender é o motivo da Globo redublar o já dublado – e fazer com que a coisa fique ainda pior! Isso porque é na maioria dos filmes e animações. O carisma vai pro ralo. Em Dragon Ball, mesmo, a voz da Úrsula é chata e irritante. Sem questionar a atriz ou seu talento, mas é o que sua voz passa, sinceramente. E pouco contribui para os personagens principais que faz em animações japonesas - para o Pequeno Urso até que ficou bacana.

O mesmo acontece com Vágner Fagundes (Gohan adulto) e o José Otávio Guarnieri (Samurai X). Esses sim, questiono seriamente. O primeiro até mesmo o talento, porque, sinceramente é de doer algumas dublagens que fez.

A fase Z tem um elenco decente e convincente. E aqui aproveito para citar também Inuyasha. O que acontece por vezes é a má adaptação, mas os dubladores nada tem a ver – nula obrigação de conhecer a série – onde, de maneira geral, dá para ter uma boa diversão. Bem melhor que os fansubbers que parecem querer ser japoneses deixando uma expressão ou outra solta da língua original no meio das frases nas legendas. Qual é, se é para traduzir, traduz tudo, pô!

Falo mesmo.

Claro que o original nunca desoriginalizará, mas alguns dubladores parecem ter tanta paixão que dão uma vida e um carisma a mais (no mínimo igual) aos personagens originais. Exemplo: Guilherme Briggs. O cara tem uma paixão naquilo que faz e faz muitíssimo bem, por sinal. Empolga-se tanto que até exagera – como sobrecarregar de expressões brasileiras as séries que dirige. Como a galera dá uns toques – por vezes nada gentis – ele tem melhorado cada vez mais. Fora que a voz dele é belíssima.

Olha o Guilherme Briggs aí!

Para fechar, cito a melhor dublagem jamais feita: Yu Yu Hakusho. Creio que a direção ficou por conta de Marco Ribeiro - e que trabalho! Na época, 1998, até a abertura, foi dignamente traduzida – as letras das músicas são de um romantismo ímpar. Além das vozes, que estarão bem encaixadas com os personagens, diversas expressões foram adaptadas.

E bem demais! A febre do momento era o “Ah, eu tô maluco!” que foi inteligentemente adaptado para “Ah, eu sou Toguro!”. Xingamentos como “Estrupício” e “Trampizomba” dão uma comicidade a mais para a série e as expressões do Yusuke são as mais incríveis: “Parece o Popó!”, “Enganei o bobo” e “Para o bonde que Isabel caiu”. Foram bem dosadas e colocadas em momentos certeiros!

Nunca mais vi – e ouso dizer que jamais verei – outra animação tão cativante assim. Principalmente em termos de dublagem – sem ela, seria só mais um anime, sinceramente. Só lamento que na remasterização tenham deixado de englobar as antigas versões das aberturas e encerramentos.

O que quero dizer é que, em Yu Yu, os atores (dubladores) conseguiram cativar pela voz, interpretação e empenho com que fizeram os personagens. Sem eles, dificilmente a série teria deslanchado, posso dizer isso tranquilamente. Pelo bom trabalho, Yu Yu Hakusho foi a primeira série japonesa a ser toda exibida em rede aberta no Brasil, pela Tv Manchete. Assim como eu, sei que diversas outras pessoas se sentiram marcadas, grande parte pela vida que os atores emprestaram com seu trabalho.

E isso jamais acontecerá com filmes ou séries de carne e osso, porque neles existe o corpo do personagem e, bem, o corpo fala. Linguagem corporal, entende? Bem, vide Keanu Reeves. Por mais que eu ache que o dublador faz até um bom trabalho, a linguagem corporal dele contradiga amargamente. E o mesmo vale para o Robert Downey Jr., cujo o dublador é Marco Ribeiro, que ali em cima falei maravilhas. Fora a sincronia labial, a mixagem de som e tudo o mais.

Procevê como são as coisas. Procevê. Acho que era isso, minha gente. Nada tenho contra a dublagem, mas o Pablo Villaça está certíssimo: é ofensivo sermos impostos a assistir somente a cópias dubladas. Um insulto, diria, tanto à produção quanto à direção dos filmes em questão. A falta de opção é de doer, pouco condizente com um sistema democrático.

Sim, sim, minha gente. Sim, sim. Isso é tudo que queria dizer. Semana que vem, se tudo der certo, cá estarei eu de novo com minhas tonterias. E espero te ver por aqui novamente. Até lá!

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