Tudo bem? Cá eu de novo, com minhas tonterias habituais. E a
última postagem, heim? Triste, eu sei. Ficou incompleta. Assim, ficou bem feita
a pesquisa, mas comprida demais e só no contexto fisiológico. Quando pensei em
fazer, queria abordar o aspecto social e cultural do envelhecimento, além da
demência e depressão. Em vão.
O fato é que todos aqueles efeitos podem ser amenizados
desde de a infância ou adolescência com uma alimentação equilibrada e
atividades físicas regulares. E caso já seja meio tarde para isso, bem, nunca é
tarde para começar. O triste é a acomodação. Praticar exercícios é necessário
por uma série de fatores que falarei aqui algum dia (mentira, tô sem disposição
alguma para voltar a falar sobre isso).
Também terminei a segunda parte do Sobre Cowboy Bebop em
video, falando um pouco mais sobre as referências dos gêneros musicais e do
cinema. Depois vai lá. Deu um trabalhão editar, sabe. Pois é.
Então, vamos ao motivo da postagem de hoje. Bem, tudo
começou com um comentário no Twitter do Pablo Villaça, a respeito de dublagem.
De lá, ele indicava um de seus textos e sobre o quão tem minguado os filmes
legendados e tudo o mais. E uma apologética incrível demonstrando de maneira
implacável o motivo de você sempre ter de ver um filme legendado.
E, bem, os pontos são mesmo irrefutáveis. Depois dá uma
lidinha lá e vê. Aliás, o Pablo Villaça é o mais conceituado crítico de cinema
do Brasil. De vez em quando, pega pesado em um ou outro ponto em pareceres mais
pessoais, quanto a determinados assuntos. Mas ele parece ser legal, porque se
arrepende quando vê que exagerou e, bem,uma pessoa equilibrada é uma das coisas
mais fantásticas existentes. Tenho tentado ser assim também, apesar de ainda
errar feio.
Procevê. Mas esse tema me fez pensar, sabe. E, para ser
sincero, eu gosto de dublagem. Sim, sim. Porém, contudo, todavia, entretanto,
somente para animações. Pois é, como todo mundo sabe, sou fã de carteirinha
delas, principalmente as japonesas. E tenho meus motivos.
Bem, em filmes, o texto do Pablo diz tudo. Nada de ver
dublado, por melhor que sejam os atores que o façam. Prejudica a atuação, o
contexto e muito se perde nas piadas. Um exemplo: tive de ver Os Vingadores dublado e, apesar de serem
muito bons os atores que dublaram, uma piada foi adaptada – a das formigas e
das botas. Por que diabos eles trocaram formigas por vermes é um mistério. Fora
que o carisma original de cada ator e a vida que emprestou ao personagem foi
igualmente perdido.
Mas tem mais. Algo que a dublagem consegue arruinar com
todas as forças é o sotaque. Em filmes e animações. Uma crítica generalizada,
agora. É sério, isso é o mais revoltante. Tipo, o Brasil tem uma variedade
incrível de sotaques, porque, já que é para dublar, eles extinguem simplesmente
esse fator? Sério, Bastardos Inglórios
é um exemplo. O tenente Aldo perdeu totalmente sua maneira caipira e carregada
(por um ferimento na garganta) de falar. Custava ter adaptado?
Aliás, nunca vi o Bastardos
dublado (somente o trailer, que me decepcionou o bastante), mas essa cena com certeza deve ter perdido TODO seu valor – especial atenção para o Brad
falando Arrevederci no final!
Tipo, em Madagascar
eles fizeram isso, sabe. Do sotaque, eu digo. A Zebra, Martin, tem um sotaque
mineiro. E ficou bacana. Só viajei no motivo, já que o Chris Rock, quem o dubla
originalmente, parece ter uma fala comum. Bem, como meu inglês é medíocre, é
melhor ficar quieto – a questão é: bem que podiam melhorar um pouco na
adaptação, já que vão fazê-la. Tô errado?
Pois é. Tem muitos outros filmes em que o sotaque vai para o
beleléu. Tipo em Harry Potter e o Segredo
de Whatever – os filmes da franquia em geral. O sotaque inglês some. O que
me faz temer com o próximo filme da Pixar, Valente,
com o belíssimo sotaque escocês. Mais um motivo para procurar uma cópia
legendada. Rezar para que lancem uma, caso contrário terei de esperar pelo Dvd.
E você deveria fazer o mesmo.
Triste isso. Demais. Outra versão em que mesmo a animação
ficou horrorosa foi Meu Malvado Favorito.
Ao que parece, para os diretores de dublagem, basta colocar uma vozinha
engraçada que tá tudo certo. Fora o que fizeram em Enrolados, que enfiaram o Luciano Huck lá e, bem, já soltei minha fúria à época. Posso dizer que foi o fundo do poço.
Sim, mas deixa eu dizer os motivos de gostar da dublagem –
ou ao menos o motivo de eu ver as versões dubladas das animações. Por pior que
a maioria possa ser, existem as que ficam bacanas. Claro, somente nas
animações. Filmes jamais poderão ficar bons. Vai lendo que você vai ver onde
quero chegar.
Tipo, em Rei Leão.
O filme é incrível, mas somente a versão dublada me cativa. Sim, a questão é
cativar. Vi a versão legendada e o Timão me pareceu muito insoso. Já em sua
versão abrasileirada, ele captou a malícia e o jeitão “deixa a vida me levar”
de ser. Fora o Simba criança, com uma série de expressões próprias (“Quando eu
crescer vou mandar ni-i-i-i-sso tudo, haha!” ou a belíssima voz do já adulto
Simba ou mesmo a risada de Rafiki).
O que quero dizer é que é possível ver a atuação e vida dos
personagens, algo que seria impossível na versão original – já que o carisma
dos personagens seria em parte perdido pela linguagem desconhecida. Por mais
bem feita que possa ser – aí estaria no receptor e na mensagem que estaria fora
do contexto.
Outro exemplo para ver se você me entende: Como treinar seu Dragão. As duas
dublagens, em inglês e português, ficaram muitíssimo bem feitas. Uma ressalva
para fala do Bocão perde um pouco as características, porque, apesar de nada
ter a ver com sotaque, tem uma maneira própria de falar. Ainda assim, ficou
legal e dá para encarar o filme nas duas versões. Particularmente, prefiro a
dublada, porque a voz do Soluço em português consegue me convencer da agonia do
personagem. Na original, por ser um tanto mais sério em sua forma de falar,
fico meio perdido.
Pura questão de empatia. Como disse e volto a repetir, a
versão original é digníssima. Mas a dosagem da voz e a interpretação do ator
simplesmente me convenceram, em português. E esse, aliás, é meu filme favorito
da Dreamworks. Bem que o pessoal de lado podia desencanar de Shrek e escrever coisas legais e bacanas
como Como treinar ser Dragão. O
filme, aliás, consegue superar o livro.
E só para saber, Astroboy
é o extremo oposto. As duas dublagens ficaram ruins e o personagem
principal foi seriamente prejudicado. Veja e verá – em qualquer versão. Só para
saber, mesmo. Just saying.
E, bem, quanto às animações japonesas, prefiro dubladas.
Pronto, falei. Sim, os otakus xiitas, se lerem isso aqui, vão querer minha
cabeça, mas os motivos são os mesmos dos filmes ocidentais: os dubladores, ou a
maior parte deles, conseguem me convencer e cativar.
Claro que existem exemplos que repugno. Um deles é Dragon
Ball, quando foi exibido na Globo. As vozes no anime, quando exibido no SBT,
eram divertidíssima, com tudo que possa ter essa palavrinha. A do Goku, eu
digo. E bem a ver com a série, que a princípio foca-se na comédia. Aí, sei lá
porque, a Globo o redublou antes de reexibir. Colocando a voz principal da Úrsula Bezerra. Sim, sim, a mesma que dubla o Pequeno Urso. E o Naruto.
Uma coisa que queria entender é o motivo da Globo redublar o
já dublado – e fazer com que a coisa fique ainda pior! Isso porque é na maioria
dos filmes e animações. O carisma vai pro ralo. Em Dragon Ball, mesmo, a voz da
Úrsula é chata e irritante. Sem questionar a atriz ou seu talento,
mas é o que sua voz passa, sinceramente. E pouco contribui para os personagens
principais que faz em animações japonesas - para o Pequeno Urso até que ficou
bacana.
O mesmo acontece com Vágner Fagundes (Gohan adulto) e o José Otávio Guarnieri (Samurai X). Esses sim, questiono seriamente. O primeiro até mesmo o talento, porque,
sinceramente é de doer algumas dublagens que fez.
A fase Z tem um elenco decente e convincente. E aqui
aproveito para citar também Inuyasha. O que acontece por vezes é a má
adaptação, mas os dubladores nada tem a ver – nula obrigação de conhecer a
série – onde, de maneira geral, dá para ter uma boa diversão. Bem melhor que os
fansubbers que parecem querer ser japoneses deixando uma expressão ou outra
solta da língua original no meio das frases nas legendas. Qual é, se é para
traduzir, traduz tudo, pô!
Falo mesmo.
Claro que o original nunca desoriginalizará, mas alguns
dubladores parecem ter tanta paixão que dão uma vida e um carisma a mais (no
mínimo igual) aos personagens originais. Exemplo: Guilherme Briggs. O cara tem
uma paixão naquilo que faz e faz muitíssimo bem, por sinal. Empolga-se tanto
que até exagera – como sobrecarregar de expressões brasileiras as séries que
dirige. Como a galera dá uns toques – por vezes nada gentis – ele tem melhorado
cada vez mais. Fora que a voz dele é belíssima.
Para fechar, cito a melhor dublagem jamais feita: Yu Yu
Hakusho. Creio que a direção ficou por conta de Marco Ribeiro - e que
trabalho! Na época, 1998, até a abertura, foi dignamente traduzida – as letras
das músicas são de um romantismo ímpar. Além das vozes, que estarão bem
encaixadas com os personagens, diversas expressões foram adaptadas.
E bem demais! A febre do momento era o “Ah, eu tô maluco!”
que foi inteligentemente adaptado para “Ah, eu sou Toguro!”. Xingamentos como
“Estrupício” e “Trampizomba” dão uma comicidade a mais para a série e as
expressões do Yusuke são as mais incríveis: “Parece o Popó!”, “Enganei o bobo”
e “Para o bonde que Isabel caiu”. Foram bem dosadas e colocadas em momentos
certeiros!
Nunca mais vi – e ouso dizer que jamais verei – outra
animação tão cativante assim. Principalmente em termos de dublagem – sem ela,
seria só mais um anime, sinceramente. Só lamento que na remasterização tenham
deixado de englobar as antigas versões das aberturas e encerramentos.
O que quero dizer é que, em Yu Yu, os atores (dubladores)
conseguiram cativar pela voz, interpretação e empenho com que fizeram os
personagens. Sem eles, dificilmente a série teria deslanchado, posso dizer isso
tranquilamente. Pelo bom trabalho, Yu Yu Hakusho foi a primeira série japonesa
a ser toda exibida em rede aberta no Brasil, pela Tv Manchete. Assim como eu,
sei que diversas outras pessoas se sentiram marcadas, grande parte pela vida
que os atores emprestaram com seu trabalho.
E isso jamais acontecerá com filmes ou séries de carne e
osso, porque neles existe o corpo do personagem e, bem, o corpo fala. Linguagem
corporal, entende? Bem, vide Keanu Reeves. Por mais que eu ache que o dublador
faz até um bom trabalho, a linguagem corporal dele contradiga amargamente. E o
mesmo vale para o Robert Downey Jr., cujo o dublador é Marco Ribeiro,
que ali em cima falei maravilhas. Fora a sincronia labial, a mixagem de som e
tudo o mais.
Procevê como são as coisas. Procevê. Acho que era isso,
minha gente. Nada tenho contra a dublagem, mas o Pablo Villaça está certíssimo:
é ofensivo sermos impostos a assistir somente a cópias dubladas. Um insulto,
diria, tanto à produção quanto à direção dos filmes em questão. A falta de
opção é de doer, pouco condizente com um sistema democrático.
Sim, sim, minha gente. Sim, sim. Isso é tudo que queria
dizer. Semana que vem, se tudo der certo, cá estarei eu de novo com minhas
tonterias. E espero te ver por aqui novamente. Até lá!




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