quinta-feira, 12 de abril de 2012

Valhalla (Parte 1)


E aí, cambada!

Tudubom? Tomara. Hoje resolvi escrever novamente sobre mitologia. Assim, mais ou menos. Na minha modesta opinião, a postagem diferenciando mitos de lendas foi uma das melhores, sabe. Procevê. Pelo menos é uma das que olho e sinto que um bom trabalho foi feito. Isso é uma das coisas mais importantes para um escritor, acho.

Pois é. Só que existe um motivo para retomar esse assunto. Tava lendo a série Como treinar seu dragão e gostei muitíssimo da história dos deuses, dos vikings e tudo mais. E, acho que todo mundo aqui já sabe, mas vale ressaltar: sou grande fã de One Piece, onde os personagens nada mais são do que piratas. Baseados nos vikings.

Pesquisando sobre para postar aqui – a postagem nada mais vai ser do que uma salada de quatro textos que achei graças ao tio Google –, descobri o que eram as Eddas e, de fato, que o tio Tolkien teve muita inspiração na mitologia nórdica ao escrever suas histórias – ao menos o Silmarillion.

Tipo, MUITA!

Chegaria a dizer que ele nada mais fez do que suecar toda a mitologia nórdica, criando uma dele própria. Sério mesmo, galera! Sério mesmo. Vai dar para perceber se você continuar lendo os resultados da minha busca até o final. Então, faça uma prece para Thor e se prepare para embarcar numa mística fantástica sobre a criação do mundo segundo as pessoas que habitavam as Terras Gélidas do mundo!

As honras fúnebres dos Viking aconteciam como na ilustração: o corpo do guerreiro era colocado num barco e em seguida incendiado. Épico!

Para começarmos a conversa, é importante levar em conta algumas informações. Querem saber quais? Já conto. Uma delas é a de que a mitologia germânica é toda nórdica. E que a origem mesmo vem da Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia, os povos escandinavos. Foram esses mesmos os conhecidos como Vikings.

Quem diabos eram esses tais de Vikings, Diego? Vou te dizer, mas te prepara que eles nada têm de heroicos. Eram assaltantes e invasores cruéis que saqueavam vilas e matavam todos, sem misericórdia alguma. Vinham de diferentes lugares da chamada Escandinávia, sendo principalmente suecos, dinamarqueses e noruegueses. Agora você entendeu o motivo do neologismo suecar, né? Tá vendo, o Varanda também é cultura!

O esplendor desse povo foi entre os anos de 766 a 1066 d.C. Eles eram exímios navegadores, também. Piratas, minha gente! Dos mais maus, diga-se de passagem. Estavam acostumados com a ira de Odin e seus traiçoeiros e atormentadores mares de açoite. Mas aí é que tá, pode-se até considerar uma benção de tal deus, porque eles desenvolveram como nenhum outro povo a arte da navegação.

Ninguém à época conseguira construir um barco comparável ao deles, o que permitiu que navegassem pelos principais rios da Europa e da Rússia, abrindo rotas comerciais. Inclusive colonizar outras terras, como o Noroeste da Rússia, a Islândia e a Groenlândia. Aliás, eu sempre quis ir a Groenlândia por causa daquele vulcão de nome impronunciável, o Eyjafjallajökull. Mais um bom motivo para dar um pulinho lá!

Mas calma aí que tem mais coisa! Diz à lenda que tamanha era a habilidade Viking para navegação que “Erik, o Vermelho” chegou às Américas (península do Lavrador) quinhentos anos antes de Cristóvão Colombo convencer a corte espanhola a lhe dar algumas naus para tentar chegar às Índias. E aposto que chegou mesmo!

Existem relatos que dizem que eles chegaram a invadir principais cidades da Inglaterra, do norte da Alemanha, Paris e Sevilha – aqui muitos foram mandados direto para Valhalla pelos mouros. Muitos historiadores dizem ser conversa, mas estes devem ser mariquinhas inconformados por terem sua pátria arrasada por guerreiros inescrupulosos e cruéis.

Historiadores nacionalistas bichinhas! Tratem somente de relatar os fatos, seus biba-bibas!

Apesar de serem bestas cruéis dadas a batalhas e sedentas de sangue, possuíam crenças magníficas, com uma mitologia épica por demais. Quiçá a melhor jamais escrita! E jamais escrita mesmo, porque ao que parece esse povo estava tão dado às batalhas que existem pouquíssimos escritos sobre a sua cultura.


Ao que tudo indica (Google), a tradição era passada oralmente. E assim foi feito de geração em geração. A origem parece ter sido numa ilha onde hoje é o Círculo Polar Ártico, onde habitou uma raça hiperbórea. E a sua sabedoria foi sendo passada por anos e anos sem conta, até que se tornasse o que é tal qual conhecemos. Parece que só foi possível conhecer sobre os vikings porque monges irlandeses se mudaram para a Islândia – serviria como uma espécie de eremitério, sabe – e entraram em contato com eles e com alguns de seus textos.

Destarte, quase todo material da Mitologia Nórdica vem da Islândia. Sim, sim, através dos famosos Eddas, além dos poemas Skadicos. Os Eddas são compostos de dois manuscritos. O primeiro é composto de vinte e nove poemas e têm o nome de CodexRegius. O segundo de apenas sete. Daí vêm os mitos religiosos, histórias sobre heróis antigos e até mesmo a vida cotidiana desse povo.

Os poemas Skaldicos contêm eventos históricos, sucessão de reis e batalhas. Alguns anos depois, as histórias foram colocadas em prosa, facilitando melhor o entendimento, apesar de algumas partes estarem meio desconexas, digamos. Felizmente, o bastante para conhecermos o suficiente para encantarmo-nos com tamanha riqueza. Cê vai vê que tô certo!

Então, sem mais delongas, vamos saber como foi a Criação de todas as coisas.

No princípio, tudo que existia era o abismo, chamado Ginnungagap. E também uma árvore cósmica, chamada Yggdrasil. Essa árvore – um freixo – sustentava os mundos, como seu eixo. Além disso, em suas raízes havia dois grandes reinos. Um deles, de fogo, era chamado Muspell. O outro, formado de névoa e escuridão, era chamado Nifelheim. Entre os dois, ficava um caldeirão com água borbulhante.

O nome desse grande caldeirão era Hvergelmir. Ele alimentava doze grandes rios que flutuavam sobre o grande abismo (Ginnungagap). Ao se precipitar nesse abismo, eram formados blocos de gelos gigantes. Eis que um dia, as chamas do reino de fogo (Muspell) caem sobre o bloco de gelo, fazendo com que forme grandes nuvens de vapor. Dela, surgem os elementos, o espaço, um oceano e a terra, que no princípio era gelada.

Eis que também surge a vaca Audhumla. Ela começa a lamber o gelo, para tirar água e sal, e o derrete. Num certo dia, apareceram do gelo os cabelos de um homem. No segundo dia, a cabeça e no terceiro o corpo todo, sendo ele dotado de grande beleza, agilidade e força. Era o gigante Bur, agora liberto. Das gotas de gelo derretido, formou-se outro gigante, só que de gelo, chamado Ymir. A vaquinha alimenta os dois, dos quatro rios de leite que saem de seus peitos.

A partir daqui existem diferentes versões do mito. Assim, interneticamente falando. Achei muitas discrepâncias, sabe. Vou contar como ficou, numa espécie de colcha de retalhos que fiz. Ficou meio suecado...


Tal novo ser era um deus. Teve uma esposa, da raça dos gigantes, e com ela nasceram três irmãos: Odin, Vili e Ve. Em alguns relatos, eles foram simplesmente engendrados. Em outros, foi na verdade Bor, irmão de Bur, que se engraçou com gigantes e teve os três deuses. Procevê. Para continuar e tentar desfazer o nó de muitas versões, vou dividir em dois relatos.

Na primeira, da Yggdrasil, a árvore da vida, surgem nove mundos. Dentre eles, o mundo dos homens, a Midgard. E também incluso aqui a Nilfheim, o mundo das névoas e da escuridão. Eram sustentados pelos ramos da árvore, sendo que três de suas raízes se comunicavam.

Daí que um dia, Ymir dormia tranquilamente. De seu braço esquerdo, caem gotas de suor e então nasce o primeiro casal humano, Ask e Embla. Porém, tal gigante levava consigo as sementes do mal – seus descendentes seriam os gigantes de gelo, encarnações do mal. Estabelece-se, então, um duelo mortal entre gigantes e deuses, que só terá fim no Ragnarok. E diz-se que foi assim. Entrementes, a versão mais difundida e aceita – e menos nojenta, aliás – é a segunda.

Na segunda versão, os novos deuses, Odin, Vili e Ve matam o gigante de gelo Ymir. De seu corpo, sua carne, fora criada a terra. Dos seus ossos, as rochas e as montanhas. Com seus cabelos, as árvores. O mar foi feito a partir do sangue do gélido colosso. A abóbada do céu foi criada do crânio do Gigante de Gelo, sendo de seu cérebro feita as nuvens cheias de neve e granizo. Com a testa, fora criada Midgard, futura morada dos homens. Em seguida, Odin estabeleceu o dia e a noite, o sol e a lua, as estações do ano e tudo o mais.

Depois de criarem tudo, os três deuses encontraram duas árvores caídas. Uma era um freixo e outra, um olmo. Em outra versão, diz que a segunda era um amieiro. O fato é que criaram o homem e a mulher. Odin soprou-lhes o espírito da vida (espírito), Vili deu-lhes inteligência (razão) e Ve abençoou-lhes com os sentidos (fisionomia, dom da expressão e palavra). Chamaram o homem de Ask e a mulher de Embla, dando Midgard a eles como morada. A raça humana descenderia desse primeiro casal.

Procevê. E, em suma, essa foi a criação do mundo segundo os escandinavos. Atualmente estamos em Midgard, que seria a terra do meio, o mundo físico. A residência dos deuses estaria no Asgard, ligada ao mundo material por uma ponte arco-íris de fogo. O guardião desta ponte seria o deus Heimdall.

Peraí, peraí, vamo entender como funcionam os mundos. Ter uma noção, entende. Pelo que pude perceber, cada uma das localizações ficam num nível da árvore cósmica Yggdrasil. Nas raízes, situava-se o Nifheim, mundo de névoas e escuridão, os mundos subterrâneos, habitados por povos hostis. O tronco era o Midgard, o mundo material, dos homens. A parte mais alta que tocava o Sol e a Lua era chamada de Asgard, a Cidade Dourada, as terras dos deuses.


Ali havia muitas moradas, e entre elas o Valhala, o Salão dos Mortos, local onde os guerreiros eram recebidos após terem morrido com honra em batalha. É mesmo. Guarda essa última informação que logo mais daqui a pouco eu volto nela. Continuemos então enquanto, até quando chegarmos em logo mais daqui a pouco.

Os deuses foram divididos em três raças: os Esirs (Aesirs), os Vanirs e os Jotnar. Os Esirs ou Aesirs, achei duas formas de escrita na pesquisa) possuíam natureza guerreira, ligadas às guerras e as facetas humanas. Eles moravam no Valhala. Os Vanirs estavam mais conectados a Terra, ligadas a fertilidade e as forças naturais benéficas aos homens e mulheres. A morada deles era num lugar chamado Vanaheim.

Uma vez essas duas raças guerrearam. Mas depois disso, acabaram fazendo as pazes e os Vanirs foram morar com os Esirs (Aesirs). Os Jotnar, ao contrário, viviam em constante batalha com os Esirs (Aesirs) e vai ser sempre assim. Esta última raça representa o caos e as forças naturais maléficas aos homens e mulheres. A primeira raça, que representa a sociedade e a ordem (ao menos para os vikings) que combate o caos e a desordem da terceira, simbolizando o equilíbrio existente.

Lembrei de alguém agora: tio Tolkien.

Pois é, minha gente. Mas tem mais antes de a gente partir para as partes mais legais que são os deuses. Entender mais um pouquinho das terras fora de Midgard. Dizia-se que os frutos da Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por isso, eram guardadas pelas Valquírias, as protetoras, e só os deuses teriam acesso a eles. Podiam curar qualquer doença, também. Suas folhas poderiam trazer as pessoas de volta à vida.

Diz-se também que os galhos que tangiam o céu eram sempre banhados por uma nuvem luminosa de hidromel, a bebida dos deuses, que a vitalizava. Seus brotos, folhas e raízes alimentavam animais que ali viviam. Sim, ali viviam animais.

Quanto às raízes, eram inúmeras, tendo destaque em especial três. Uma porque atingia simbolicamente o Asgard, a terra dos deuses, após ser infinitamente banhada pela fonte das Normes, as deusas do Destino. A segunda penetrava no Jotunheim, a Terra do Gelo, onde os gigantes foram viver após serem expulsos do Asgard por Odin. A terceira raiz é a que atingia o Nifhelm, a Terra dos Mortos, da névoa e da escuridão. Ela era constantemente nutrida pela fonte Hvergelmir, o grande caldeirão que alimentava os doze rios. Entrementes, servia também de constante alimento para serpente-dragão Nidhogge (Escuridão), que corria constantemente a árvore.

Também havia outro bicho, uma águia que vivia a vigiar, investigar o mundo, com seus olhos de gavião. Ela vivia em eterna discórdia com a serpente-dragão. Um esquilo, Ratatosker, alimentava tais sentimentos de ódio, subindo e descendo pela árvore, levando palavras nada graciosas aos dois, aumentando o desafeto. Mas isso tem um motivo.

Quando a serpente-dragão Nidhogge começava a prejudicar a árvore Yggdrasil, a águia atacava ferozmente. Enquanto a bicha se recuperava, lambendo suas feridas, a árvore também era possibilitada de se recuperar. Assim, quando ambas estão nos trinques novamente, o ciclo recomeça.


Nos galhos da árvore cósmica viviam quatro cervos. Eles representam os ventos e passavam o tempo todo a correr pelos ramos, felizes, alegres e satisfeitos. Comiam as folhas, os brotos e até mesmo a casca da arvorezinha. Aos seus pés, ainda havia o bode Heidum, se alimentando das verdejantes folhas baixas. Graças a isso, produzia um leite bastante semelhante ao hidromel, que alimentava os guerreiros espirituais de Odin.

Vishi, galera! Vou ter de parar. Ainda tem uma porrada de coisa, mas o texto ficou grande demais da conta. Procevê, a gente nem chegou no logo mais daqui a pouco! Mas nada tema, logo mais eu termino. E tem a parte legal, que são os deuses.

Antes de me despedir, preciso dizer que ocultei algumas informações. E aqui vão elas – todas referentes ao Midgard. Bem, o Mundo do Meio ficava envolto por um oceano, sabe. Uma serpente, Jormungand, circunda todo esse mundo, mordendo a própria cauda.

Midgard estava no mesmo nível do Jotunheim, a Terra dos Gigantes, e sua cidadela, a Utgard. A terra dos anões ficava ao norte e ao sul, chamada Nidavellir. E também a dos elfos escuros, Svartalheim. Sim, galera, de novo, TIO TOLKIEN!! Massa! Aliás, nem todos iriam para Valhala. Apenas os que morriam com honra em batalha. Os demais iriam direto para Nifhelm. Mas vou falar mais sobre apenas na postagem que vem!

É mesmo. Outra coisinha que deixei de te contar: trolls são o mesmo que gigantes. Sabia? Assim, pelo que pude extrair do contexto. Mas é sim, pode confiar. Doideira, véi! Então, por hoje é só, galera. Na próxima a gente continua. Espero ver você por aqui. Lembra, vai ter o logo mais daqui a pouco! Você seria louco ou louca se perdesse!! 

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