Sou eu, seu amigo felpudo de sempre, o Grover! Quem dera. Bom, sou eu aqui de novo e de volta outra vez. Pois é. Mas dessa vez não vim falar de Vila Sésamo. Não, não. Apesar do Grover ser meu personagem preferido e considerá-lo épico e dizer que jamais outro monstro vai ser tão legal quanto ele e... deu para entender. Dias desses eu vou escrever sobre o Grover (não vou, não!).
Então, na verdade eu tava bem sem assunto. Como de costume nas últimas semanas. Mas eis que segunda passada, antes de acordar (assim, naquele estado que a gente acorda e dorme, sabe?) tava passando na TV Cultura alguma coisa sobre tigres. Como eu estava mais dormindo que acordado, pouco dei atenção – o sono falou mais alto. Mas o fato é que consegui ouvir que o bicho é da Ásia, ou das bandas do Oriente. E aí tudo fez sentido.
Assim, já não é segredo que tenho um bichinho de pelúcia que é um tigre. E que eu durmo com ele. É mesmo. Já falei disso tempos atrás. E então decidi pesquisar sobre esse bicho, para falar dele aqui, já que bons assuntos me faltam. E descobri muitas coisas legais sobre esses felinos. Eles são demais! Se antes eu gostava, agora passei a gostar muito mais deles! E vou te contar aqui toda minha pesquisa.
E, bem, você sabe, como todas as outras pesquisas que faço aqui, a fonte elementar e essencial (para não dizer toda) vem da Wikipédia. Você pode ignorar toda essa baboseira e ir direto lá para ler de forma mais bonitchynha e científica, sem divagações e comentários. Claro, se você ler aqui vou ficar feliz. Ahn-ham, além de ganhar vários beneméritos, condecorações e terras, quando eu dominar o mundo.
Pode cobrar. Ah, só para constar, meu tigre não é muito meu fã, sabe. Como eu sei, você pergunta? Ora, quem tem esses bichinhos sabe como eles são. Às vezes eles parecem estar te encarando. É sério. E, o jeito como o meu me olha é meio assustador. Mesmo já tendo um ano com a presença dele em meu quarto. Procevê. O que aconteceu é que ele se acostumou comigo, como todo carioca que conheci.
É sério, não é curtição ou brincadeira. Eu sei pelo olhar das pessoas quando elas se sentem incomodadas com algo. É talento nato – não estou brincando, não. Acontece com algumas pessoas, e geralmente não erro – outras pessoas, tempos depois, me avisam que o fulano ou ciclano não foi muito com minha cara, coisas que eu já sabia pelo olhar.
Tô falando. Mas deixando dons analíticos de lado, vamos ao que interessa: tigres! Bora lá!
Os bichos também gostam de nadar, o que é ótimo nos dias de calor – alguns simplesmente detestam o tempo quente. Também são hábeis em terrenos adversos, podendo inclusive a subir em árvores. Mas, como isso é meio desnecessário, acabam por não subirem muito. Eles deixam isso para os primos menores e mais domesticados. É mesmo.
Bom, são caracterizados por suas listras (óbvio), o que são o charme desse animal belíssimo. Vale lembrar que não existem dois tigres com listras iguais. Assim como não existem duas zebras com listras iguais. Assim como não existem duas pessoas com digitais iguais. Aliás, não existem sequer duas moscas iguais, sabia? Pura verdade, amiguinhos e amiguinhas. É só assistir o filme do Kinsey que você vai ver!
O que é algo muito interessante, se você parar para pensar. Cada indivíduo é único, ao menos fisiologicamente. Mesmo que pareçam muitíssimos iguais. E isso vale para todas as formas de vida... acho. Bom, ao menos as mais complexas. E sim, eu tenho certeza. Como eu sei? Sabendo, oras!
Mas já que você quer provas, aqui vão elas. Existem nove subespécie de tigres. Assim como existem diversas subespécies de Homo sapiens. Não existem brancos, pretos, amarelos, vermelhos e várias outras? Pois é, com os outros animais também é assim – apesar de não ser tão fácil de diferenciá-los, no caso dos tigres, ao menos. Até onde tangem meus saberes babuínicos, também é possível ver fantásticas variações nos nossos primos macacos.
Acho que deu para entender, né? É, tô indo mais para o lado da Etologia (comparar comportamentos animais aos humanos), abrangendo inclusive a parte fisiológica da coisa. Se nós, homens humanos, variamos e diferenciamos uns dos outros dependendo do local onde nós encontramos geograficamente na nossa querida Terra Gaia, porque não os outros seres viventes? Né não?
Ahn-ham. Procevê. Mas deixa eu voltar. Existem nove subespécies de tigre, três já extintas. Elas são: Tigre-Siberiano, Tigre-do-Sul-da-China, Tigre-da-Indochina, Tigre-da-Sumatra, Tigre-de-Bengala, Tigre-Malaio, Tigre-de-Bali, Tigre-de-Java e Tigre-do-Cáspio (ou Tigre-Persa). E vou te falar de cada um deles.
Apesar de toda liçãozinha de moral, não sei diferenciar um tigre do outro. Então as imagens não equivalem aos tigres de determinada espécie discorrida... é, sou um puta hipócrita. Fazer o quê? Me lancem aos tigres!
Tigre-Siberiano (Panthera tigris altaica)
Você pode achar algum se for nos vales rochosos do Rio Amur, no leste da Rússia, onde os bichos são protegidos. Já habitaram a Coreia, Manchuria, Siberia e Mongolia. Apesar de ainda terem um número considerável da espécie, muitas populações são geneticamente inviáveis, por causa do cruzamento consanguíneo. É o maior de todos os felinos dessa espécie e o maior felino existente – podendo a chegar a 330 kg, 3,15 m de comprimento fora a cauda que pode chegar até 1,20 m! Um verdadeiro gatão (ou gatona)!
Eles comem porcos selvagens, mas devido a escassez danada, comem até veados. Quando a coisa aperta de verdade, caçam até ursos pardos. Também aves, peixes, répteis e só não comem árvores porque elas não se movem. E dão uma sombra boa que só. De fato, dizem por aí que eles podem arrastar até 900kg de carcaça de um alce. Ah é, eles vivem no frio – o que era perceptível devido as regiões já ditas.
Por isso, tem a pelagem mais grossa e clara, por causa dos invernos rigorosos. Tipo pessoas do leste europeu, sabe? Branquelos de dar dó. Então, os tigres siberianos eram bastante respeitados pelos povos antigos. Os Udege, povos de algum lugar distante da Ásia, os chamavam de Grande Soberano. E eles só atacam humanos quando ameaçados – pelo seu tamanho e força capazes de caçar renas, búfalos, cervos e javalis, humanos não dariam nem pro cheiro (literalmente).
Parece que antigamente eram comuns na região de São Petersburgo, Oslo, Uppsala e até Estocolmo. Porém tudo começou a mudar no começo do século XX, quando o avanço e as relações comercias humanas começaram a se estreitar e trazer o progresso e a fuder a natureza sem KY. Foram brutalmente caçados para sumirem da região onde passariam as ferrovias.
Só depois da Segunda Guerra as pessoas brancas do leste europeu tomaram vergonha na cara e viram o que estavam fazendo, passando a proteger o bicho. Isso, porém, só durou até o fim da velha URSS, quando afrouxaram o cerco nas fronteiras e caçadores pintaram e bordaram – alguns eram chineses atrás até dos ossos do bicho para sua Medicina Maligna Curadora. Eu heim!
São mais restritos, atualmente, à Siberia. Correm risco de extinção, estão cada vez mais difíceis de serem vistos na natureza. E tem outro agravante: vivem em florestas boreais (de carvalho e coníferas) que são alvo de madereiros ensandecidos e sedentos por grana. Pois é...
Tigre-do-Sul-da-China (Panthera tigris amoyensis)
Caminha mais rapidamente ainda para a extinção. Já chegaram a ser mais numerosos que o tigre siberiano e o tigre de bengala. Não mais. Sabe por quê? Chuta! Aposto que você vai acertar por alto o motivo! Vai, chuta! Ahn-ham, foi por isso mesmo!!
Eles viviam felizes, alegres e satisfeitos ao leste da China, até Mao Tsé Tung os declarar como praga, começando uma extensa perseguição. Isso nos idos dos anos 1960. Só com a morte do carinha anos mais tarde, foi revogada a lei de chacina aos tigres. Existem pouquíssimos vivos, e pior, em cativeiro, todos na China.
A diversidade genética para se manter a espécie já não existe mais. Valeu, Tsé Tung! Primeiro a Revolução Cultural, depois isso! Grande líder você, vou te contar, viu! Além do mais, os camponeses adoraram a lei de caça aos tigres, já que os bichos eram muitos e atacavam o gado direto. Fora um ou outro homem ou mulher, quando dava na teia. Ou seja, foi feito uma matança desmedida – já que de certa maneira era até necessária uma caça, desde que controlada, do animal.
Os machos podem (podiam?) chegar a 175 kg e 2, 60 m de comprimento e as fêmeas 115 kg e 2, 40 de comprimento. Foram bastante referenciados pelos ancestrais chineses, estando presente na literatura, pintura, arte, superstição e até é presente no horóscopo chinês. Hoje, todos os existentes provém de 6 indivíduos da espécie – por isso está fadado a extinção, por não possuírem variabilidade genética.
Os pouquíssimos remanescentes ainda sofrem com envenenamento industrial, falta de presas (que os leva a atacar o gado) e do habitat natural, além das armadilhas...
Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti)
Encontrado no Camboja, Laos, China, Malásia, Myanmar, Tailândia e Vietnã. É bem provável que já esteja extinto em algum desses lugares. Apesar disso, ainda são bastante numerosos, só perdendo para os tigres de bengala. Ainda bem, né?
Ainda assim, tem os mesmos problemas que seus familiares: isolamento das populações pelo desmatamento para dar lugar à agricultura e pecuária, facilitando o cruzamento consanguíneo (ruim, geneticamente falando) e a caça ilegal para Macumbaria Chinesa (M. Tradicional).
Tigre-da-Sumatra (Panthera tigris sumatrae)
Encontrados na Sumatra, estão predominantemente em parques nacionais. São os menores de sua família (apesar da Wiki não especificar bem suas medidas). Possuem um marcador genético único, e ao que tudo indica podem dar origem a uma nova espécie! Não é legal? Demais da conta! Claro, isso se não se extinguirem antes. Mais um motivo para manter esse bicho vivo a qualquer custo.
A maior ameaça para eles é a destruição de seu habitat. Ele é bem semelhante ao tigre de bengala (grandes coisas, para mim todos são fisicamente iguais, com singelas diferenças por causa da região... é, eu sei, meu sermão foi bem vazio lá em cima e eu sou um cara contráditório e blá-blá-blá, me joguem aos tigres...). A diferença: suas listras tem cores mais fortes para se camuflarem na floresta, e seu aspecto é menor. E, bem, isso já é observação minha, mas pelo que vi, teem a juba maior de que a de seus primos. Repara a barbinha para você ver!
Talvez por isso ele ataque humanos com maior freqüência que os demais – diferente dos seus primos siberianos que são enormes e podem comer búfalos inteiros em uma bocada, praticamente, um cerumano pode parecer bastante apetitoso na visão dos sumatrenhos. Então, se você tá levando mesmo a sério o papo de me lançar aos tigres, lancem a esses daqui, que vão gostar muito! E minha morte vai ser rápida, já que o peso da mordida é de 450 kg e sua patada pode quebrar ossos, mesmo já sendo um senhor tigre!!
Aliás, é sumatrenho que fala? Ou seria sumatrino? Sumatrariano?
Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris)
Presentes nas florestas e savanas de Bangladesh, Butão, Nepal, Índia e Mianmar. Eles são bem pouquinhos também – apesar de insistirem em dizer que ainda são muitos. Comem gaurosa (boi indiano), cervos, javalis, pítons, crocodilos, elefantes e rinocerontes filhotes (sério). Ou seja, só não incluem árvores no cardápio porque daria muito trabalho derrubá-las. São solitários (acho que todo gato é) e podem chegar a 300 kg.
Sua principal ameaça é a caça ilegal, além da destruição de seu habitat. A WWF tem lutado arduamente para protege-los (tanto quantos os da Sibéria). Já estão extintos no Paquistão, por exemplo, mas ainda são encontrados em diferentes pontos da Índia. Indubitavelmente, é o mais famoso de todos, mais comuns em zoológicos. São bem ágeis e velozes. Possuem cerca de 20 listras transversais, as patas e as partes de baixo das pernas são brancas. E isso também pode ser paranoia minha, mas o focinho deles me parece ser maiores que os demais - são narigudos.
Bom, como eu já disse, especificamente os de bengala não gostam muito de calor, preferindo a água. Ou seja, são exímios nadadores. Ah é, podem se alimentar de macacos e aves (até de búfalo asiático, tá louco!), além de todo os bichos que já disse. Com eles não tem caozinho, não! O que tiver, eles matam e comem! Possuem seres mutantes também, que são brancos com listras marrons e olhos azul claros. (Clica para ver).
Tigre Malaio (Panthera tigris jacksoni malayensis)
Exclusivo da Malásia (e Tailândia). Era tido como Tigre-da-Indochina, mas exames genéticos provaram que são uma espécie a parte. Possuem um número significativo. Um ícone nacional da Malásia.
Agora, por que diabos o nome científico dele é jacsoni? Por causa do Peter Jackson. Tem base? Vê se pode! Isso foi falta de respeito pelos cientistas, na boa! Como ousam, não é? Atropelaram a cultura local e o significado para a região para homenagear, sabe-se lá por que, um diretor de cinema. Que coisa feia! De fato, o tigre está presente no brasão de armas e emblemas de firmas comerciais e até na Associação de Futebol.
Por essas e outras que o nome científico dessa espécie é Panthera tigris malayensis. Não deem ouvido a esses cientistas babacas que desrespeitam o aspecto cultural e geográfico das pessoas e animais. Isso foi uma vergonha!!
Hunf!
† Tigre-de-Bali (Panthera tigris balica) †
Vivia na ilha de Bali, Indonésia. Foram caçados até a extinção. Se estivessem vivos, seriam os menores da família, pesando cerca de 100 kg – e por isso sofreram pela seleção natural de Chuck Darwin, provavelmente (pequenos e fáceis de caçar – com uma arma, claro).
†Tigre-de-Java (ou Tigre-Persa) (Panthera tigris sondaica) †
Vivia na ilha de Java, Indonésia. Foi extinto pela destruição de seu habitat, além da caça – como parece ser o destino de todos eles se algo não for mudado. Tinha pelagem mais escura e eram mais magrinhos – fibrilados, como diria meu bom José (amicíssimo). Podiam chegar a 120 kg.
Eram significantemente abundantes, até a população javaiana crescer demais e ocupar espaços que não lhes diziam respeito – florestas destruídas para aumento da cidade e para dar lugar a plantações. Fora que eram caçados para proteger o rebanho, por sua belíssima pele ou por puro “esporte”.
Tá, não gosto da Indonésia mais.
†Tigre-do-Cáspio (Panthea tigris virgata) †
Era encontrado no Afeganistão, Irã, Iraque, Mongólia, União Soviética e Turquia. O mais ocidental dos tigres, chegou a ser usado no Coliseu. Por conta da caçada do czar russo – que tava nem aí para os bichos, que atrapalhavam seus planos de progresso e domínios globais (sério) para melhor domínio e exploração do território.
Sua pelagem era amarelo-dourada, com mais áreas brancas no ventre e na cara. Suas listras tinham tonalidades diferentes de marrom, ficando amareladas próximas ao ventre. No inverno, o pelo crescia bastante, por causa do frio. Possuíam patas fortes e garras alongadas como nunca se viu em qualquer outro tigre vivo – o que permitia que percorressem longas distâncias. Perseguiam suas presas e eram conhecidos como “leopardo viajante”. A cauda era curtinha.
Comiam saigas (?), camelos, bisões, alces, cervos, cavalos selvagens, auroques (boi medieval extinto). Pois é. Apesar de seu vasto cardápio, os brancos do leste europeu foram cruéis, muito cruéis. O Império Russo anexou o território dos tigres implementou um programa de colonização – e não tinha lugar para bichos ferozes ali. Envolveu plantação de arroz e algodão...
Bom, segundo testes de DNA, ele ainda não está extinto. Na prática (vulgo olhômetro), são os mesmo que os tigres da Sibéria. Bom, claro que deveriam existir diferenças – o duro é saber quais são.
Pois é, gente. Pois é. Assim, o importante é saber e respeitar que os tigres, apesar de muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito iguais, tem diferenças a depender do local em que vivem. Assim como nós, homens humanos. Só que nós nos diferenciamos com maior facilidade, quanto aos tigres é preciso maior estudo.
O que eu queria passar era isso, sabe. Apesar das semelhanças e serem “tudo igual”, tem suas diferenças. E claro, assim como qualquer outra forma de vida, merecem viver – desde que não ameacem outra espécie. Como devia ser com a gente também. Pois é...
Então, por hoje é só pessoal. Tomara que tenham gostado. Tomara que já não queiram mais me jogar aos tigres! Tomara! Enfim, vou buscar nossos assuntos para falar aqui. Se bem que esse foi bacana, né? É mesmo. Eu gosto muito de bicho. E quem não gosta, não é mesmo? Talvez os indonésios.
Vou indo, então. Espero te ver de novo por aqui. Tchau!


Apesar da biologia ser uma das matérias que eu menos gostava, curti seu texto :) Tigres são bem simpáticos. Adoro felinos!
ResponderExcluirBichos são legais. Tigres mais ainda. São de uma elegância ímpar! Quanto ao texto, poderia ter ficado melhor, sabe. Depois achei na net lendas e histórias muito interessantes - como o motivo deles terem conseguido as listras e até procurei o embate com os dragões!
ResponderExcluirMas daí já tinha postado e já era. Ainda desconheço a rivalidade dos dois bichos e isso me intriga... acho que qualquer dia vou fazer uma parte dois de forma mais decente!