Tudo bem? Espero que esteja. Bom, comigo... assim, estive em um incidente envolvendo uma bicicleta e um táxi, mas tá tudo bem agora. Como diria o Beto Cupertino, não há de ser nada sério. É mesmo. Mas deixa eu te falar coisas mais relevantes. Fazia tempo que eu não tinha assunto além-nerd para falar por aqui.
Então, hoje eu tive um sonho. Vou te contar. Não, eu não me atirava do oitavo andar. É mais legal. Eu sonhei que preparava o corpo do Mick Jagger juntamente com sua esposa (que não era a Angie, Gimenez ou ninguém conhecida) para ser cremado, já que o corpo tava lá, revestido com um manto e necessitando desses cuidados. A mulher parecia me conhecer bem – como se tivesse me criado, mas não era minha mãe, sabe.
É, e não dava para ver o rosto nem o corpo do cadáver, mas era o Mick Jagger. Como eu sei? Bem, é como se fosse o terceiro e último episódio de um seriado. Eu não sabia os motivos para tudo estar como estava, mas sei que era assim e tudo parecia lógico, sabe. Enfim... e tinha uma senhora preta que era a ama de leite que disse algo muito interessante que não me lembro agora. Sei que é uma dessas coisas de sabedoria popular.
Pois é. Eu tinha dois irmãos, e um deles era pequeno com o rosto idêntico do Mussum (Mini-Mussum). Também só sei que éramos irmãos e pronto. O interessante era que só eu estava encarregado de ajudar a mulher com o corpo do Mick. Ah é, ele estava decepado – apesar de cabeça e corpo estarem totalmente coberto por mantos, como se fosse aqueles sacos funeráreos, sabe?
Doideira, né? Sem pé nem cabeça. Mas esse foi o estímulo para finalmente falar sobre sonhos. Se não fosse por isso, sei não, acho que nem falaria a respeito. Mesmo porque não pensei que não ia ter muito o que falar, já que especulei um pouco sobre Jung e Freud uns seis meses atrás. Pois é, daí não dava pé.
Mas isso não é o mais importante. Resolvi falar – apesar de não saber se vai ficar legal. A perserverança, confiança e insistência são sempre boas virtudes para se ter, é como eu sempre digo. É mesmo. Então chega de enrolação, vamos ao que interessa!
O que são sonhos, afinal? São coisas muito complexas de serem explicadas, para começo de conversa. Assunto ainda não resolvido plenamente, nem por cientistas, nem por médicos, nem por ninguém, arriscaria dizer. Verdade verdadeira, pessoas. Verdade verdadeira.
Os neurocientistas mesmo dizem que sonhos são meras ilustrações sem sentido, só existem para manter o tráfego de informações no cérebro, para manter a cuca em funcionamento, mesmo em repouso. Só que isso não explica as ideias doidas que aparecem neles. Tipo quando o Paul McCartney escreveu Yesterday, ou no caso do Thomas Edson, tomando exemplos famosos. Daí só faltam dizer que foram meras obras do acaso...
"Foi um sonho daqueles, sabe, Diego."
Posso até imaginar, Paul. E isso é uma coisa que me irrita um pouco na ciência. Complica o que é normal para não ser passível de entendimento aos simples de coração, fala o óbvio (só você entender determinado objeto de estudo de certa ciência e percebe quão desnecessária foi os termos e a parafernália toda) e depois de determinado ponto se limita a dizer que tal coisa acontece porque acontece. Vou te contar, viu! Precisamos aprender mais com os orientais que se preocupam e resolver e aceitam o mistério das coisas!!
Hunf!
Apesar disso, existe algo importante a ser dito que foi descoberto pela ciência cartesiana pragmática centesimal moderna: a fase do sono conhecida pelo movimento rápido dos olhos. Bem, não sei muito sobre isso, para falar a verdade. O fato é que é nessa fase em que estamos num estado profundo de “relaxamento”, onde sonhamos. Segundo o Mundo de Beakman, ela dura pouco tempo.
Aliás, segundo esse próprio programinha muito batuta que animava minha infância e a sua também, não negue, existem quatro etapas das quais passamos enquanto dormimos. E ficamos transitando entre um sono mais leve para um mais pesado, de sonho em sonho, a noite toda. Ou seja, a gente sonha pá caramba durante uma noite, mas se lembra de pouquinha coisa. Claro, segundo o que ouvi no Beakman (posso ter distorcido um pouco as coisas porque tem um tempo que vi isso, mas ei, isso só torna a coisa mais divertida, né não?)
Falando nisso, animais também sonham. Assim, eles tem movimento rápido dos olhos enquanto dormem e se mexem todinhos, isso significa que também sonham. Como posso saber? Sabendo. É simples assim – se a ciência faz isso de vez em quando, me dou ao luxo...
O fato é que ninguém quer saber o que um gato sonhou e quais são seus dilemas.
Aham, deixando isso de lado, vamos voltar para outras definições sobre os sonhos. Deixa eu falar de outros dois carinhas que conseguiram ir fundo na explicação do fenômeno: Freud e Jung.
E é essa parte que eu temia. Porque não vou dar conta de explicar os dois direitinho. Pode ser que eu cometa um vacilo colossal aqui. Então, se alguém aí tiver maiores informações a respeito, por favor fale! Ou cale-se para sempre!!
Então tá. Deixa eu falar de como Freud via a coisa toda. Dentre as milhares de coisas que Freud fez – como estudar, desenhar, mapear e fazer o diabo com a alma humana – uma delas se focava nos sonhos. Ele escreveu quilômetros sobre isso. Tá tudo num livro chamado A Interpretação dos Sonhos. Nele, o que basicamente tentava passar é que os sonhos são uma forma de materializar os desejos frustrados ou reprimidos, que não podemos realizar quando acordados.
Pois é, aí a coisa funcionaria assim: a historinha que fazemos serviria de fachada – o que estava acontecendo não seria aquilo mesmo, mas teria um significado por trás. Tal como acontece é chamado de sentido manifesto. O significado por trás seria o sentido latente, o que realmente nosso inconsciente está tentando nos dizer pela historinha (nosso desejo, para não parecermos duas coisas distintas e combatentes em nós mesmos).
Ahn-ham, mais ou menos isso aí. Pelo menos é como eu entendo a explicação do velhinho.
Olha! O Freud virou até dinheiro!
Agora deixa eu falar de Jung. Assim, antes de começar eu quero ver uma coisa. A Simone tá aí entre vocês? Simone Saty? Ah tá, já te vi! Não, não precisa se levantar, não. Tá de boa. Não, é só que eu queria que você explicasse melhor pra gente como o pensamento realmente funciona, sabe. É, eu sei que você sabe. Vou deixar um espaço reservado para você escrever aqui, tá bom?
Bom, enquanto a Simone prepara o discurso dela para explicar para todo mundo e todo mundo aqui na Varanda saber saindo mais um pouquinho sobre isso (além de admirar a profunda e infinita sabedoria simonesatiana), eu vou tentar falar o que eu sei sobre o Jung velhaco. Claro, vou ser corrigido se proferir absurdos, mas saio mais feliz por sair sabendo mais!
Pro Jung, sonhos são muito mais do que apenas formas de realizar desejos irrealizáveis. Não, não. Seria uma forma de uma busca de equilíbrio do indivíduo. Os elementos dos sonhos podem demonstrar ao indivíduo determinados pontos que precisam de mudança de atitude. Esses elementos do sonho são figuras que estão em conflito na situação, sendo personagens arquetípicas. Daí sei que envolve figuras masculinas, femininas, sombras e vilões.
Procevê! Os sonhos seriam essenciais para moldar o indivíduo, pela forma como atua e age em determinadas situações. Interpretá-los traria uma evolução de caráter de proporções inimagináveis. Mas, claro, cabe ao indivíduo identificar o que cada símbolo representa para ele.
Sacou? Cheguei a um dos pontos onde queria! Ninguém pode interpretar seus sonhos, a não ser você mesmo ou mesma, amiguinhos e amiguinhas dorminhocos e dorminhocas! Não acredite nesses livrinhos astrais, vai por mim. Você tem suas próprias experiências na vida e cada coisa tem um sentido único para você. O que eu quero dizer é que se eu sonhar com um rio não vai ser a mesma coisa de que se a Madona sonhar com um.
Porque vai que a Madona já se afogou quando criança e tem um trauma com rios. Né não? Ahn-ham, por isso cada coisa é cada coisa para cada pessoa. Freud e Jung divergiram, brigaram e ficaram de mal um com outro pelos caminhos diferentes que seus estudos e interpretações seguiram depois de determinado ponto, mas nisso eles concordaram. Você tem de pensar e analisar o que cada elemento significa para você – não precisa ser de todo o sonho, e sim da parte que mais te intrigou.
Pois é. Ah é, Freud e Jung brigaram porque o Jung não acreditava que todos os conflitos psíquicos eram de origem sexual e o velho Freud não suportava o fato de Jung se basear em fenômenos espirituais para explicar seus estudos. Fora que um depirocou para outros países e outro foi ter com nazistas. Mas não vamos falar disso aqui. Pelo menos não por hora.
Bom, tem muito mais de Jung do que eu falei – arquétipos, inconsciente coletivo e muito mais, mas não tenho domínio sobre o assunto. Por isso vou deixar tudo para minha amiguinha Simone resolver. Hehe!
"Simone Saty? Conheço demais. Quase que pessoalmente, sabe, Diego?"
Sei sim, velho Jung. Sei sim...
É mesmo, minha gente. E tem sonhos que realmente ficam marcados, né? Eu já falei disso outra vez. Eu nunca vou esquecer da árvore de coelhos, por exemplo. Esse sonho foi legal, mas não tenho a mínima ideia do que ele quis dizer – nem lembro muito bem o que tava passando. E teve aquela vez que eu sonhei que voava e até senti o vento no meu rosto – nessa época eu tava down. Foi massa! E outra que sonhei que abraçava uma professora e senti o cheiro do xampu dela. Acho que ela gostava de mim...
Muitís-si-mis-sis-sí-si-mos sonhos. Tem gente que até diz poder ver o futuro. Teve uma menina lá na faculdade uma vez que disse que viu o futuro marido dela direitinho em um sonho. E ela tinha uma forte ligação com a irmã, que era gêmea... E, bem, é como dizem, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!
Procevê!
Ah é, e tem Inception, também. Bom, é um filme bacana, se quer saber. Eu gostei quando vi, apesar de não ser um bom drama, se quer saber. Mas está nos padrões de Hollywood (de venda), e ainda assim consegue ser bom pela ideia e efeitos bacanudos. Os atores são bons, mas não atinge em verdadeira profundidade os personagens. A Juno conhece a vida do Leo e interfere nela muito rápido, demais da conta para alguém tão recluso e com tamanha ferida... mas quem sou eu para julgar?
Bom, pro amiguinho ou amiguinha que não viram, a história trata de um carinha (Leo diCaprio) que consegue entrar na mente das pessoas para conseguir informações sigilosas. Como ele faz isso? Fácil, ele invade a mente das pessoas através do sono, enquanto elas sonham, através de uma engenhoca. E extrai tudo como se tudo fosse só isso mesmo, um sonho.
Pois é. Mas eis que recebe uma oferta de implantar uma ideia no cocoruto de certo empresário, e para isso tem de iduzí-lo a sonhar e dentro do sonho a sonhar de novo e depois de novo (três vezes). O que é um procedimento altamente arriscado. Para isso ele conta com uma equipe que... bem, assiste o filme que vale a pena. A criatividade em Hollywood é uma coisa impressionante. Não merece críticas. A forma de executá-la é que é dose.
É por isso que sueco filmes. O roteiro é bom, as ideias lindas, mas na hora de transformar em filme... já viu...
Então, aproveitando que desviei totalmente do assunto, me deixe falar sobre como entendi o final do filme. Se você não viu, não leia isso aqui. Se quiser ler, é só arrastar o mouse em cima do texto: bom, ele não consegue escapar do sonho e fica preso, já que o peãozinho não para de girar; assim, apesar de bem sucedido na missão de implantar a ideia, paga um preço muito alto – a própria vida.
Procevê! Mas essa foi minha interpretação. Você pode discordar. Meu amigo Vitor mesmo disse que aceita o mistério e pronto, que o filme existe para dar um nó na cabeça. Queria ser assim, meu bom Vitor, mas preciso de explicação para as coisas, sabe.
Então é isso, minha gente! Nunca deixe ninguém interpretar os seus sonhos. Só você pode dar sentido a eles, porque cada elemento ali diz alguma coisa que você está passando, tem passado ou passou. É tipo O Gato Sou Eu. É mesmo. Por mais que a coisa faça sentido (ou não), não deixem que outros digam quem é o Mick Jagger, o Mini-Mussum ou a Velha Ama – só você pode dizer isso!
Certinho? Beleza, galera! Valeu pela paciência e espero que tenha valido. Espero te ver por aqui em breve. Até a próxima com o resto do suecamento de As Duas Torres. Até lá!!
An? É pra eu explicar Jung? lol Vou explicar de grosso modo... A mente tem sua parte consciente e inconsciente. No consciente está o Ego, que seleciona (de acordo com o tipo psicológico) e guarda percepções, recordações, pensamentos e sentimentos. Os que não forem aceitos vão para o inconsciente, podendo se agrupar e se tornar um complexo. Essas percepções (e etc) não aceitas pelo ego é que se manifestam nos sonhos :)
ResponderExcluirAlias, que sonho doido que você teve... e tome cuidando quando for andar de bicicleta pelas ruas :/ Aqui em São Paulo tem muita gente que morre andando de bicicleta
Assim falou Simone Saty! E se ela falou tá falado e eu assino onde quer que ela queira. Ahn-ham, valeu Simone!
ResponderExcluirAh é, vou tomar mais cuidado, sim. Um dos meus sonhos (acordados) é andar de bicicleta em Paris. Pelos filmes deve ser legal. E São Paulo é meio caótico, mesmo. Dá medo de andar a pé, pensa de bicicleta!
É mesmo. Tenho que ver melhor esse sonho, aliás. Assim, nunca fui muito fã do Mick Jagger, mas enterrar o cara é sacanagem, né... hehe! Tem que ver isso aí..
pois é diego...
ResponderExcluira gente (ser humano) tem essa tendência de racionalizar demaaaaais as coisas. certas coisas, principalmente no ramo da arte - ou seja, racionalidade não tem muita vez - a gente tem que aceitar as coisas.
infelizmente alguns autores são muito umbiguentos (sim, vem de umbigo essa palavra) e fazem coisas que somente eles entendem, outros tem uma mente insana ou simplesmente à frente de seu tempo, que é o caso do grande Zé Brasil. kkkkkkkk
as vezes não entendemos o que ele nos diz, mas é algo que não passa batido como palavras soltas. conseguiu captar?
Pois é, tenho isso de tentar entender tudo. Mas tem coisas que simplesmente não têm explicação. E cada um entende como quer e algumas das vezes implantam suas visões e... fodem tudo. Exemplo claro de Lacan.
ResponderExcluirAliás, autores franceses são mestres em inventarem explicações próprias sem muita lógica. Outro exemplo é Goddard - diretor incoerente e chato. Eu acho!
Não sei se captei, mas você tem de me ensinar esse lance de aceitar o mistério. Cara, isso é mesmo difícil de fazer!