sábado, 11 de junho de 2011

Algumas considerações sobre Scott - Parte 1

E aí. Beleza?
Massa, véi. É nóis.

Eu de volta para falar mais de... Scott Pilgrim! Pois é, minha última onda de obsessão. Aqui me permito fazer uma pausa para fazer algumas considerações a respeito da adaptação. É, sabe, falar sobre os pontos altos e baixos. Sobre até onde achei o filme impecável e onde ele errou feio. De dar raiva e ódio. Vou tentar pontuá-los.

Tenho meus pareceres e fiz uma ampla pesquisa na sexta e no sábado para imagens, ver prós e contras dos filmes para não ser tão radical e nerd nos meus pareceres e para tentar ter bons argumentos para suecar o filme com a consciência limpinha. Procevê!

Ah é, aqui estão os links dos livros para quem ainda não viu. Às vezes pode dar indisponível temporariamente, mas é só esperar um pouquinho e tentar de novo. Não desista! E pode deixar comentários falando o que achou, beleza?
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Então, chega de esticar, deixa eu começar.

Para começo de conversa, Michael Cera não é Scott. Mesmo porque, até me pergunto mesmo se o Scott é o Scott nesse filme. Assim, o que fizeram com o personagem? O transformaram num completo retardado idiota e insoso. É mesmo. Não é culpa somente do ator. A atuação meio fria e sem ânimo nas falas atrapalham mais ainda, fazendo com que Scott seja apático. Mas o Cera não tem culpa. Aliás, ele parece ser muito simpático, pelo menos nas entrevistas.

"Viu? O cara até que é decente. Mas tá longe de ser o Scott Pilgrim. Ele não é incrível o bastante, apesar de ser legalzinho..."

Mas é palerma e sem graça. E olha que ele é o protagonista. De fato, nos livros, por diversas vezes é reforçado que Scott é ingênuo, simplista. Essa é a essência do herói. Claro que ele é bobinho, mas esse não é o ponto alto. Por diversas vezes, ele se arrepende, pede desculpas pelo seus atos e procura sinceramente mudar.

No filme ele é só mongol, mesmo. Olha, até entendo uma questão no filme: era para ser um filme de referência nerds dos jogos e revista em quadrinhos. E é mesmo, conseguem fazer isso com muita categoria durante o filme. Porque referenciar é fazer algo sutil, sem forçar ou explicitar de onde vem cada coisa.

Descobrir é o melhor nisso. E ver, debater e até mesmo discordar. O mais legal é procurar as referências. E nisso não posso reclamar. Nem pelo fato de ser um filme diferente, que trata de jogos como nenhum outro. Ser nerd, mesmo. Mas, olha só, tivemos muitas promessas assim, como no caso de Sin City - que segue como se estivessemos lendo os quadrinhos. Mesmo assim, nem por isso o filme é bom.

Sim, Scott Pilgrim não é um filme bom. Não peca nas onomatopéias, nos efeitos visuais, nas coreografias. Mas o orçamento foi muito alto e o filme desanda depois de um tempo. Sério. O primeiro livro foi perfeitamente bem adaptado. Mesmo. Muito bem, tá ótimo, é perfeito. Tanto, mais tanto que deveria chamar "Scott Pilgrim: Vidinha Preciosa" ao invés de "Scott Pilgrim vs. O Mundo".

"Te trataram feito um num certo filme aí, sabe, Scott..."

Isso você pode ver na primeira parte suecada. Nada mais fiz que praticamente contar o filme inteiro. Mudei uma ou outra coisa que realmente era desnecessárias e de certa forma até preconceituosa. Mas grande parte está idêntica ao primeiro livro.

Que, aliás, não fui eu quem traduziu. Achei na net e só recoloquei no megaupload. Justiça seja feita!

Aí depois eles começam a adaptar o segundo livro. E mudam a essência dos personagens. Dos ex, eu digo. Atropelam o terceiro livro. Comem o quarto, o quinto e grande parte do sexto. É sério, a coisa avacalha no terceiro e piora demais para o final. Demais!
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Tipo, até entendo que não queiram adaptar perfeitamente os livros. Ora, daí não teria necessidade nenhum de alguém procurar a história. Achei bacana a forma como mudaram as mortes de alguns personagens (morte trocada), como a batalha com a Roxie, por exemplo. Mas avacalham depois do terceiro ex.

Assim, dá a impressão que acontece isso na adaptação.

E, assim, a BBC fez uma série com os livros do Douglas Addams que ficou espetacular. Nem sei se seria tão ruim assim adaptar literalmente o filme - mas não vejam o filme do Mochileiro, que é horroroso, de dar na alma!

Só me leva a chegar a uma conclusão: precisariamos de pelo menos mais um filme. Pelo menos! Muitas coisas são desagradáveis. A pior foi a da Envy. Você sabe, a ex de Scott. Ele chegou a gostar muito dela, muito mesmo. Tanto que não conseguiu seguir em frente depois que ela o largou. Largou pela fama, aliás. E isso desencadeou uma porção de coisas.

"Acho que até pensaram em fazer algo relacionado... mas desistiram no meio do caminho..."

E eu te digo: ele não conseguir cortar o cabelo, não ter ânimo para arrumar emprego e ser meio apático e até ter conhecido a Knives. Sim, a relação com ela foi só uma forma de distrair, tentar seguir em frente, continuar. Até Ramona invadir seus sonhos, tornando Scott obcecado por ela.

Sonhos dos quais faziam referência a sua solidão.

E nada disso foi bem aproveitado no filme. Porque vemos que ele e Envy realmente tiveram algo forte, mas que Scott já tava firme e forte. E se desfaz dela rapidinho, sem dor, como se tivesse superado todo esse drama que escrevi aí em cima como se fosse nada. Entende? Assim, mesmo depois de algum tempo, Scott sente algo por sua antiga namorada. E no filme jogaram toda essa base no lixo.

Talvez porque o objetivo fosse "ser um filme nerd". Mas, céus, esse lance de corações partidos e romances mal resolvidos podia ser a base elementar (e é, nos livros) e eles deram descarga! Mas o que poderia se esperar de Hollywood e 60 milhões, não é mesmo?

Falando nisso, deixo minha opinião: o terceiro e sexto livros são os meus favoritos. Porque tratam disso mesmo, de como os relacionamentos acabam e de como é necessário seguir em frente. Apesar disso nunca ser fácil. E de nem sempre podermos contar com uma vida extra. Ou um continue.

Em um, o trauma do passado que retorna e requer ser resolvido - por bem ou por mal -, no outro a necessidade do amadurecimento de ambos os lados e de como as coisas podem dar certo, não sem muita luta. E às vezes, no caso de Scott Pilgrim, de forma literal.

"Fique calmo e derrote os 7 exs malignos."

Mas isso ainda não é tudo. Não, senhor. Outro pecado quase letal são os jogos. Ninguém, além de Young Neil aparece jogando video games. E Scott é um verdadeiro aficcionado por eles. Mesmo porque fica o dia inteiro em casa (pelo motivo supra citado) sem muito o que fazer. E aporrinha até o pobre Wallace no serviço.

Falando nele, no primeiro e segundo livros, ele também aparece jogando. Em pontos do passado, mesmo na época de faculdade, a turma joga. Mas o filme não foca no passado. E isso respeito, sabe. Como disse, não era a proposta. Tudo bem, tem certas coisas que não tem jeito, mesmo. Por conta de não vermos o passado de Scott nas telonas, muitas partes e personagens foram descartados.

Isso inclui a Lisa Miller, a Kim Pine jovem, Monique e Sandra (que aparecem brevemente). Mas ainda não justificam a ausência de video games. Nem que por um ou dois lances no filme. E aquela máquina de fliperama não conta! Aquilo nem é um console clássico!!

Falando em personagens do passado, o filme perde em estilo por não mostrar a mudança de visual que cada personagem sofre. Mas isso caí no ritmo do filme: Scott parece enfrentar todos os ex-namorados malignos em três ou quatro dias, enquanto que nos livros demora bem mais tempo. Do terceiro para o quarto são quatro meses. E do quarto para o quinto, mais um (pelo menos). Mais outros quatro para o sexto.

"A galera na época de faculdade. Tomo mundo cabeludo!"

Por isso era necessário mais um filme. Ou que fizessem só um, mas de forma decente. Se não desse para fazer outro, paciência, pelo menos teriam uma boa obra. Assim, bem adaptada e coerente. E ainda venderia mais os livros, pois os fãs iriam gostar de saber o desfecho da história.

Procevê!

Vai ver porque tudo hoje é meio corrido, mesmo. Não dá para ter um bom filme um pouco mais lento. Será? Tipo, o filme só arrecadou 10 milhões. Custou 60. Ou seja, um baita preju. Para os padrões de Hollywood, pelo menos. Outra coisa que o filme segue.

Sim, muito padrões toscos. E com padrões toscos, quero dizer extremos moralismos. Falei um pouco disso em Enrolados. E vou te dizer no filme do Scott os que mais me chatearam. Parece moderno e um avanço retratarem o fato de o colega de quarto do herói ser um gay, mas conseguem estragar isso no filme.

(Aproveitando a deixa, em nenhum momento Scott é tratado como herói no filme. Parece que é só um carinha com um problema. Isso porque fizeram dele um completo idiota.)

Temos uma cena massa, bem respeitosa no primeiro show do Sex Bob-omb, com Wallace e Jimmy, o namorado de Stacey. Eles se beijam, e tá tudo certo. Mas depois conseguem avacalhar: Scott, Wallace e Outro Scott acordam na cama certa hora. Tipo, o Outro Scott é o MELHOR AMIGO gay de Wallace, o companheiro de baladas! Não um rolo, caramba!

Saca? Qual a necessidade de tornar a coisa uma piada? Foi muito desrespeitoso, isso. E não para por aí. Em outra, acordam Wallace, Outro Scott, Jimmy e Scott. Putz! Dá a entender que os três transaram e Scott ficou ali, de boa. Ou só para forçar a piada e não demonstrar a atual situação em que passamos.

"Essa cena aqui. Sem mais comentários."

Acordem, isso acontece mesmo. Não é piadinha, não. Digo, não sexo a três com quatro caras, mas encontros casuais de pessoas do mesmo sexo. Existe esse tipo de prática nos dias de hoje. E é muito bem retratada no livro, porque há respeito entre Scott e Wallace: quando Wallace precisa transar com outro homem, ele despeja Scott de casa. E muita das vezes, nem vemos o carinha. É tratado com discrição no livro.

E mais, existe preconceito contra Wallace de grande parte das personagens femininas. Mas isso não é direto. Envy (no passado) pergunta quando Scott iria deixar de ser amigo de Wallace. Ramona diz que todas as coisas no apartamento são "do gay". Kim acha bonitinho (ironicamente) as mensagens que Wallace passa para o Scott. E etc.

Só que isso é sutil, não chega a ser ofensivo. Isso porque, por mais que existam leis e todas as garantias de direito, enquanto o homem for homem, vai haver discriminação. Não adianta. O que não pode haver é repressão, agressão física, nem formas de denegrir a imagem das pessoas por suas escolhas na vida.

Aliás, o próprio Wallace age como se soubesse disso tudo e é discreto sobre o assunto. Chega a esconder um romance. Morre de vergonha quando Scott, certa vez, o pega em casa com outro. E não fica de papo, pede para que saia o quanto antes. Isso é realidade, pessoas. Já tive dois amigos que levam a vida assim: conhecem caras, saem com eles e depois tchau. É o que acontece. São os tempo em que vivemos. Se é certo ou errado, você decide. Mas é assim que as coisas são.

Sim, seria esperar demais que Hollywood tratasse disso. Pois bem, que não transformasse numa piada idiota então. Outra coisa que também fazem é mostrar a ex-namorada de Ramona com espinhas (ou seja lá o que for que a moça tem no rosto). Putz, que dizer que toda lésbica precisa ser feia, agora?

"Viu, ela é bonita. Não precisava pedir para mudar nadinha, só adaptar a personagem melhor um pouquinho."

E a atriz é muito linda, sim. Forçaram a barra e foram preconceituosos, mais uma vez. Fora que mais outros dois personagens tem experiências homo, o que não é retratado no filme. E, nesse ponto, tudo bem. Mas transformar tudo em piada e clichês é muito atraso pro meu gosto.

E tem outra coisa que o filme faz questão de mostrar: Scott e Ramona nunca transam. Sério, qual o problema? Precisa reforçar que os dois não transam? O mais natural seria que ele passasse a noite na casa dela e ponto. Subentende-se o que aconteceu. Agora, para que reforçar que eles não transam - quando nos quadrinhos nem é dado um enfoque nisso?

Moralismo, manutenção de valores e babaquices retrógradas. Só pode. Eu sei, eu sei, Hollywood. Mas pelamor, não precisavam ter distorcido tanto as coisas assim. Né não? Céus! É muita pecuinha...

E o filme tem mais um monte de coisas meio... sei lá. A dança indiana bollywoodiana, o concurso de bandas desnecessário (um dos motivos que Scott e Stephen sairam da banda que tinham com Envy, ela só queria fama e sucesso), a morte do Crash & The boys, a casa do Scott ser de frente da antiga e principalmente os dois fatos de a cabeça de Ramona não brilhar e...

"Esse site aqui vende a maletinha subespacial da Ramona por cento e trinta conto! Eu acho que compensa!"

... terem destruído a teoria do subespaço! Totalmente! Sério, só serviu de desculpa para Ramona aparecer na vida do Scott. E ponto. Eles podiam ter aproveitado muito melhor isso. Mas muito mesmo! Dô conta duns trem desse não, viu!

Enfim, ainda tem algumas coisas que me chatearm nesse filme, sabe. Mas vou deixar para outro post. Esse já ficou muito grande. É por essa e outras que esse filme precisa mesmo de um suecamento digno. É mesmo. Tchô ir, então.

Espero ver você de novo por aqui. Até!

9 comentários:

  1. diego, nem todos filmes nasceram pra ser 5 estrelas e épicos. Sim, o sol n brilha pra todos!

    vc tá com um ódio em relação ao filme q eu simplesmente n entendo. Devemos saber separar as artes quadrinho e filme. qdo se faz um filme mta coisa pode acontecer... as vzs se filmou algo e n deu bom resultado, produtora bota o dedo ou o orçamento simplesmente n dá...

    no filme o quadrinho foi decapitado mesmo, + é extremamente divertido e tem muitos méritos. Certos pitacos a gnt sempre quer dar... + filme é isso aí... a visao d alguem sobre uma historia...

    é isso...

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  2. Opa, Vitor!

    Então, boa parte do meu ódio foi na imensa propaganda que o filme teve... enganosa, devo dizer. Criei uma expectativa gigantesca e quebrei a cara.

    O filme teve orçamento de 60 mi. É muito! E tipo, em relação aos efeitos e adaptação (de grande parte) dos personagens, ficou ótimo. Mas a história é focada somente no Scott e o transformaram num imbecil, grande parte pela atuação do Cera.

    Assim, a Kim é uma das personagens mais bacanas, com linguagem rebuscada e grande rancor de Pilgrim. Mas no filme ela só é uma ruiva sardenta aborrecida. Não é de estranhar alguns nerds mais revoltados que eu compararem esse filme a Crepúsculo...

    E também acho o filme divertido, até o terceiro ex. Depois eles começam a correr demais com o filme e sei lá. E tem mais isso que você falou: a visão artística e interpretação da história por outros.

    E, geralmente, é isso que estraga os filmes de games por exemplo (a grande maioria deles).

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  3. o filme é divertido, se vc nao se ater à trama dos quadrinhos ,mais extensa e com mais humanismo, da ate pra curtir. Mas na minha opinião uma adaptaçao q seria mais fiel caberia num mini-seriado e teria uma otima audiencia.

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  5. um mini-seriado ficaria da hora mesmo, assim como vc citou a série de Adams de 81 que ficou mais fiel que o próprio filme (2005). Por hora eu curti o filme, é chato mas já me convenci que filme não mostram tudo (e ainda por cima acrescentam coisas que não tem no original)... vou citar uma verdade, que até mesmo no filme foi citado: "A Hq é melhor que o filme" haushauhsa

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  6. Opa, Fabão! Valeu pelo comentário e desculpe a demora! Talvez em um mini-seriado a coisa melhoraria, mesmo, sabe. Mas não sei se teria ânimo.

    E não ligo para adaptações, desde que não atropelem a essência dos personagens, sabe. E obrigado pelo comentário!!

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  7. André, acho que exclui seu comentário sem querer. Me desculpa!

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  8. Opa, anônimo ou anônima! Como eu disse ali para o Fabão, não ligo para adaptações. O que fico chateado é quando mudam demais os personagens. Ou tentam adaptar e acabam por distorcer muito a história. Isso é ruim, acho que até mesmo para o próprio autor que fez a série.

    Tirando a parte do Wallace, o primeiro livro ficou perfeitamente adaptado. O problema é que a coisa desanda. Entende? Pois é. Por isso, se me perguntarem, digo para só ficarem com o HQ!

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  9. Você pode,por favor, reupar os links das HQs?
    Eu queria ler as HQs antes de assistir ao filme e só achei até o volume 2 traduzidos.
    Então se possível vc poderia reupar as Hqs?
    Tô muito afim de ler os livros.

    Enfim,agradeço desde já pela dedicação em traduzir os livros.

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