Como é que estão as coisas por aí? Aqui tá beleza. Espero que por aí também. Pois é. Como deu para ver, de novo não postei na quinta. E, de novo, porque estava traduzindo o terceiro volume de Scott Pilgrim, sabe.
Então, essa semana é bem provável que isso não aconteça. Não consegui achar o quarto nem o sexto volumes. Vou fazer outra busca googleniana, mas não sei não. Ta difícil de achar os arquivos... pô, queria fazer tudinho só para depois suecar o filme. Aliás, não suecarei até traduzir todas as histórias.
É, acho que não vou suecar nenhum filme por um bom tempo.
Enfim, deixando os pesares de lado, deixa eu falar para vocês, amiguinhos e amiguinhas sapecas, sobre o assunto desse domigo. E de muitos, bem provável, porque tem muita coisa para se falar sobre isso: Amor. Uh-hum, algo que não é nada fácil de falar.
Isso porque para cair no pieguismo ou romantismo absurdo e clichê é daqui para ali. É mesmo. Assim, procurei me embasar muito bem antes de sair falando sobre. Sim, em um Dicionário de Filosofia – que eu vou ficar devendo o nome. Não se preocupe, loguinho eu posto qual. Vou procurar direitinho as fontes.

Esse tema, (além da minha curiosidade de entender, claro), veio de minhas coleguinhas da faculdade. É algo que durante muito tempo me perturbou e fez com que eu pensasse da mesma forma: essa coisa de Amor nem existe. Então, fiz uma pesquisa mais profunda sobre a coisa e vi muitos conceitos, que vou colocar aqui.
Uh-hum, e você vai ver que amor existe! E como! Só que, como muitos outros sentimentos, acaba por ser dificílimo de ser entendido e, algumas vezes, de ser expressado. Não tenha medo, e leia sem preconceitos. Digo isso porque é impossível não falar de Amor sem falar de Deus.
Não só por causa das minhas crenças – tá, por isso também –, mas porque é um conceito que durante a História os Pensadores sobre tal fato acabam por aliar uma coisa à outra. E, bem, continua lendo que você vai entender.
E também vou colocar os conceitos de Filósofos e Pensadores ateus e seus pareceres a respeito da coisa. É, vou fazer o possível para entender esse sentimento, colocando na balança a maneira de pensar de todos quanto pude encontrar. Procevê!
Aliás, a Dani Arrais fala muito bem e com muita categoria por textos, imagens e vídeos no endereço eletrônico dela. E sem parecer piegas, lírica ou alienada ao fazê-lo. Ela é uma das poucas que conseguem fazer isso. Não deixe de ir lá e dar uma conferida.
Chega de delongas e vamos falar sobre Amor!

Bom, existem significados diversos e contrários. O uso mais comum é para relações intersexuais, aquelas que a gente mesmo escolhe, semelhante à ternura e à amizade. Relações entre amigos, pais e filhos, cônjuges e até mesmo ao país, à comunidade, a si mesmo e a Deus.
Vamos descartar o apreço aos jogos, aos objetos inanimados e ao desejo de posse. Também ao sexo ocasional. E as músicas românticas. É, incluindo as sertanejas.
Assim, será considerado um sentimento específico do ser humano. Uh-hum, que envolve intelecto, opção e reflexão nos diversos graus de envolvimento e partilha de intimidade. De estar bem ciente de seus atos, entende?
Pois é. Então, comecemos! Os gregos viam no Amor uma força unificadora e harmonizadora, estando ligada ao sexo, à política e à amizade. Seria a força que move todas as coisas e que as mantêm juntas.
Platão foi o primeiro a escrever sobre tal força, tendo inclusive um tratado a respeito. Ele apresenta e conserva a ideia de amor sexual, porém generalizando e sublimando tal concepção.
Amor é insuficiência, falta, necessidade. Ao mesmo tempo, é desejo de conquistar e de conservar o que não se possuiu. É desejo do bem, da beleza, desejo de vencer a morte. E isso é muito forte e interessante nessa teoria: via pela qual o ser mortal busca salvar-se da mortalidade.
Pois é, mis ami, pois é. Interessante, não? E bastante relevante esse ponto de vista. O sentimento de amor viria da falta de algo que nem mesmo possuímos. Desse vazio presente em nosso ser. Como uma necessidade de compleição. Mais ou menos a teoria de Bataille sobre a sexualidade, sabe.
Sim, sim, aqui eu fujo um pouco do rumo da conversa. Para Bataille, a união sexual se daria pelo medo da morte – e até mesmo o ato sexual seria uma forma de demonstrar isso. A tendência de reproduzir seria uma forma de continuar vivo e transmitindo a herança genética, dando continuidade a vida.
E, para tanto, morrer. Um ser unicelular, ao sobre mitose – creio eu que seja mesmo esse termo, caso não seja me deem um puxão de orelha, - dá origem a dois novos seres. E para isso morre. Sim, existe dois novos seres, mas o ser de origem está morto. Foi preciso para que os novos indivíduos aparecessem: o primeiro cresce e se divide, gerando dois novos seres idênticos.
E o mesmo ocorre com os gametas sexuais. Eles se encontram para formar um outro ser, mas ambos precisam misturar seu material. Isso quer dizer que os dois precisam se sacrificar para prosseguir com o processo. Uh-hum, irem para o beleléu.
Ou seja, morte. E amor. Mas esse só foi um desvio para mostrar como a ideia platônica serviu e ainda é bem concisa até hoje. Amor é ausência, necessidade de se completar, de superar o destino inefável de todos os seres.
Ah-ham, deixa eu voltar a seguir o roteiro. É bem verdade que a teoria vai mais fundo e descreve bastante a respeito de diversas formas de Amor e beleza. Mas vejamos a concepção de Aristóteles. Para ele, a coisa é sexual, podendo ser também afeto entre as pessoas ligadas por uma relação solidária ou amizade.
Bem como o ódio, o Amor seria pertencente ao composto corpo e alma – e não somente a alma – enfraquecendo segundo a união de ambos. Seria um fenômeno humano, por um motivo bem simples: divindades não têm necessidades, tendo seu bem em si mesmo. Para os homens, o bem vem do outro.
Ligado ao amor estaria a tensão emotiva e o desejo: só se tem quando se deseja o objeto amado que está ausente e se anseia por ele quando presente.
Entende? Acho que todo mundo já passou por isso alguma vez na vida. Já sim, pode confessar que eu sei. Uh-hum. Quando você gosta tanto da pessoa que algo dentro de si parece se movimentar, embaraçar e até mesmo nos deixar constrangido quando o ser amado está por perto. Ficando meio abobalhado ou abobalhada, sem muito controle do que fazer. Fala para mim que nunca teve isso?
O pior é que, depois de um tempo, mesmo estando com a pessoa, você já sente falta dela. Entende? Isso porque você sabe que a pessoa vai embora e pode custar um tempo até revê-la. É muito presente quando estamos apaixonados e ainda não nos declaramos. Pode reparar. Né não? Procevê!
Mas como está associado ao prazer, pode começar e acabar rapidamente caso não torne em vontade de conviver. Pode então assumir forma de amizade. Assim, Aristóteles acredita que Deus, como primeiro motor, move as coisas “como objeto de Amor”, no desejo de que as coisas têm de alcançar a perfeição dele.
Daí temos o Cristianismo. Nele, o Amor é o tipo de relação que deve ser estendida ao próximo. Mais: como forma de mandamento. Vem no seu sentido composto, a cada pessoa com que o indivíduo entre em contato. Na concepção cristã, o próprio Deus ama, tendo inclusive atributo de Pai, onde seus dons (profecia, ciência, fé) nada são sem Ele.
Para Santo Agostinho, o Amor é introduzido na forma do Espírito Santo, a essência divina (potência subordinada e de caráter incerto). Ele diz assim: “não se pode amar o Amor se não se ama quem ama”. O Amor fraterno “não só deriva de Deus, mas é Deus mesmo”. Essa noção é a mesma dos gregos: vínculo que liga um ser ao outro.
Pois é, essa é a teoria tal como está no dicionário, sabe. Não tem muito do meu dedo aqui, porque não quero intervir (muito) impondo meus pareceres. Isso porque, como sabem, eu acredito e até divulgo minhas crenças por aqui. Mas vou tentar ser imparcial nesse ponto – só nesse ponto de religião, claro.
São Tomás já afirma que toda natureza tem certa inclinação a tal. Ela é diferente nas diversas naturezas, sendo possível então um Amor natural e um Amor intelectual. O primeiro seria justamente essa inclinação presente em todos os seres criados e o segundo como sendo frutos da caridade e virtude. A caridade seria “a amizade do homem por Deus”.
Mais: estaria unido a benevolência, de querer o bem de quem se ama e não apenas apropriar-se do bem que está na coisa amada. Exigiria uma comunhão de mutualidade dos seres amantes, de natureza afetiva, onde quem ama comporta-se em relação ao amado como em relação a si mesmo.
Tratar o outro como a si, visando o bem do amante como a seu próprio. Uma relação entre iguais, sabe. Então, não haveria corrupção aos que se uniram, senão apenas mantidos os limites oportunos e convenientes. Entende? Existiria comunhão, partilha, diálogo, uma vida comum.
Amar seria querer o bem de alguém, no respeito às diferenças e os limites, tudo através do diálogo na tomada de decisões da vida em comum. Uh-hum, coisa difícil de acontecer não é, amiguinhos e amiguinhas do meu coração?
Procevê, galera!
Para São Tomás, o Amor de Deus infunde e cria bondade nas próprias coisas, onde o amor humano as encontra no objeto que é suscitado.
No Renascimento, Marsílio Ficino afirma que Amor é o liame do mundo, e elimina a indignidade da natureza corpórea. E acrescenta que ao homem não seria possível amar se o próprio Deus não amasse.
Nessa mesma época, Campanella julga as três prioridade do ser: Poder, Saber e o Amor. Este caberia a todos os entes, pois todos amam o seu ser na medida em que se conhecem e amam a si mesmo.
Pois é, mas vamos voar para mais longe um pouco. Sabe como é, né, tornar as coisas mais interessantes. Sim, sim, vou te levar para as áreas que considero mais interessante. Hm? O quê? Nada disso! Eu só falei que seria imparcial em questões referentes à divindade. Se não a gente vai ficar discutindo isso para sempre!
Ora! Vem, vamos continuar. É, e sem reclamar. Você vai gostar, aposto um pastel com guaraná nisso.
Então, chegamos a Descartes. Segundo ele, Amor “é uma emoção da alma, produzida pelo movimento dos espíritos vitais que incita a unir-se voluntariamente a objetos que lhe parecem conveniente”. Cabe ao corpo juntar-se às coisas que julga boas.
Aqui abro um parêntese rapidão para falar de Descartes. Distorceram a teoria do cara. Total! Aqui falam que sua concepção criou uma dualidade entre corpo e alma, mas a coisa não é tão rasa assim. Para ele, corpo e alma eram independentes entre si. Cada um tinha sua características e formas de ser. Por algum motivo (que ele não soube explicar), os dois se uniriam para compor o homem.
Um não estava dentro do outro, ou servia de recipiente. Esse é um erro bastante comum. Da mesma forma é a concepção de Amor: a alma se organizaria para unir ao que lhe fosse conveniente ou proveitoso. E a teoria dele vai por aí, pela ordem das coisas.

Sim, o cara é quem deu o pontapé para o positivismo e a coisa toda. Trouxe enormes benefícios para o processo científico, mas é um erro letal para certas formas de ciência que não podem ser quantificadas. E é importante por seus pensamentos... mas eu tô lembrando dos tempos de faculdade e falando coisas sem sentido para o assunto, deixa eu voltar...
Então, somos imediatamente unidos ao que amamos de tal maneira que imaginamos um todo. Nesse todo, somos só uma parte e a coisa amada é a outra parte. Ele também define diversas formas de Amor – pela glória, pelo dinheiro, sendo esta Amor só pela posse dos objetos e não Amor aos objetos em si mesmos, não querendo o bem deles.
A amizade também estaria inclusa nessa última forma, de querer bem. Nessa linha de raciocínio, quando julgamos o objeto de Amor inferior a nós mesmo, temos por ele afeto; quando o julgamos igual, temos amizade; e quando julgamos superior, temos devoção (podendo ser Deus, a pátria, ou a outro homem ou mulher dignos de nossa admiração).
É como na música, sabe. “Eu te a-mo, eu te que-ro be-e-em!” Ah é, eu falei que não valia citar música, né? Foi mal, não faço de novo!

Hume diz ser uma emoção indefinível, podendo ser compreendido apenas seu mecanismo: um ser pensante em dupla conexão de ideias entre si e outro ser pensante – além de uma conexão emotiva entre a emoção do Amor e a do orgulho.
Leibniz já diz assim: “Quando se ama sinceramente uma pessoa não se procura o próprio proveito nem um prazer desligado do da pessoa amada, mas procura-se o próprio prazer na satisfação e na necessidade dessa pessoa e se essa felicidade não agradasse por si mesma, mas só pela vantagem que dela resultasse para nós, já não se trataria de Amor sincero e puro”.
Sim, sim, novamente o sentimento de partilha, comunhão e boa convivência pelo diálogo e respeito de ideias entre duas pessoas, com um quê a mais: sentir prazer na felicidade do outro e dor na infelicidade da pessoa amada. Isso é, desejar o bem. Porque, se procurássemos o outro apenas para o próprio bem não haveria Amor.
Nessa linha ainda temos Wolff sobre amar, sendo “a disposição da alma de sentir prazer pela felicidade alheia” e Vauvernagues: “O Amor é comprazer-se no objeto amado”. Ambos do século XVIII.
Agora um cara muito doidera (acho que dificilmente entenderia esse cara sozinho, nem em milênios estudando as loucuras escritas): Kant. Ele distingue duas formas de Amor: uma baseada nos sentidos e outra que chama de “Amor prático”.
Resumindo sua forma de pensar: como inclinação, seria impossível amar a Deus, porque ele não é objeto dos sentidos; quando semelhante aos homens é possível, mas não pode ser imposto, porque ninguém tem o poder de amar o outro por preceito.
É mesmo, né? E isso é uma das coisas que mais dói. Não é possível obrigar ninguém a amar ninguém. Uma pessoa pode até chegar a gostar bastante de outra, mesmo que no início nem ligasse – mas quando a coisa acontece de forma espontânea e “natural” é diferente, forte e intenso.

Pois é, mas deixa eu colocar mais um conceito de outro cara aqui. Em Spinoza, encontramos dois conceitos de Amor: como qualquer outra emoção (affectus), afecção da alma, e uma alegria causada pela ideia de uma causa externa. Dentro desse último conceito, entramos num fator peculiar: Deus não ama ninguém, pois não está sujeito a nenhuma afeição.
Uh-hum, procevê. E tem lógica, né? Se Amor é falta e Deus, por ser Deus, é um ser completo, Ele não precisa amar, e assim não o faz. Mas deixa eu continuar. Ou melhor, deixa o Spinoza prosseguir.
No entanto existe um Amor intelectual de Deus, a visão de todas as coisas em sua ordem necessária, sendo que elas derivam da própria essência de Deus. Esse seria o único Amor eterno, o qual Deus ama a si mesmo.
Assim ele diz: “Deus, porquanto ama a si mesmo, ama os homens e, por conseqüência, o Amor de Deus aos homens e o Amor intelectual da mente a Deus são a mesma coisa”. Esse Amor outra coisa não é senão a contemplação que Deus tem de si mesmo e do mundo.
Que doideira, não? Loucura, loucura, loucura, como diria o Luciano. É, eu me exaltei na última vez, até que o cara é um bom apresentador. Me desculpe, Luciano. Foi mal. Mas ainda não te perdoo por Enrolados!
Então, para ordem de todas as coisas, Deus contempla a si mesmo pelo Amor ao mundo e aos homens. Bom, pelo menos foi o que entendi, sabe. Se você discordar, explique-me, assim coloco a nova teoria aqui.
Bom, não chegamos nem na metade, ainda. Mas esse post já tá num tamanho bem grandinho, né? É mesmo, melhor parar por aqui. Domingo que vem a gente continua com mais. E vai sobrar até para Freud! Espero te ver lá!
Então tá. Até a próxima, pessoal!
Te vejo em breve!





de todos citados, o que me convenceu foi Kant!
ResponderExcluirsalva, salva Kant!
Achei muitas explicações bem safadas cara, principalmente as que tentam explicar usando o verbo amar... não chegam a lugar nenhum!
explicações que não envolvem deus são mais entendíveis, porque entender deus já é outro mistério! já basta entender o mistério amor...
era pra ser "salve, salve Kant!"
ResponderExcluirkkkkkk
Culpe o Dicionário! Hehe!!
ResponderExcluirE não é tão misterioso, assim. Eu considero muitíssimo difícil achar alguém assim, prá compartilhar a vida. E manter uma boa convivência...
Bom, tô adiantando o post final! No próximo tem mais, aí não vai ter amor para explicar o amor. O melhor: FREUD! A forma que ele explica as coisas é demais!
Enfim, são onze páginas e só estamos na terceira. Tem muita coisa ainda. Até lá já dá prá ter uma boa noção do sentimento. Aí eu quero ver quem vai ousar dizer que Amor não existe!
P.s.: Nunca entendi Kant. Sério, o cara é muito doideira!
acredito q eu só li dele essa definição que vc apresentou! kkkkkkkk
ResponderExcluiraguardo por melhores explicações... vamos ver se os contemporâneos, com mais bagagem cultural acumulada, sabem explicar melhor! kkkkkkk
Oieee Diego!
ResponderExcluirPela primeira vez, consegui ler todo o post!=)
Adorei o tema e lembrou as nossa conversas, e o texto sobre o amor q vc me deu, (confesso q nunca terminei de ler) =/
Mais o post foi o resumo do texto então, Adoreii
BeijooO
CeY
Eu acho que a Ceijany lê pouco!
ResponderExcluirNossa Caio =/
ResponderExcluirÈ mais realmente ando lendo muito pouco, tenho q ser mais disciplinada e ler mais!
Vou tentar =)
kkkkkkkkkkk
Hehe! Olha o Caio aí! Bem vindo, Caio!
ResponderExcluirE esse é o mesmo texto, Ceijany. Só que dividido em três partes! Espero ver vocês sempre aqui!
Abração!