Massa. Antes de mais nada, deixa eu falar algo muito importante: consegui o volume 4 de Scott Pilgrim! Sim! Finalmente vou poder traduzir, colocar aqui e suecar o filme dando o parecer com os quadrinhos! E vocês vão poder analisar por si próprios e próprias, minha gente. É!
Bom, vai demorar um bom tempo até que eu termine de traduzir os volumes, reveja o filme e faça a analise... sim, mais ou menos uns três meses, sabe. Pois é. Já tenho os volumes dois e três prontos, mas falta ainda o quatro, cinco e seis. É, vai demorar um tanto.
Paciência, né? Pelo menos tenho toda a série. E o filme. Infelizmente vai faltar o vídeo game e a série animada, mã-ns...
Enfim, vamos voltar ao que interessa. Vamos continuar a falar de amor. Antes é bom que você veja a primeira parte aqui. Claro, dá para continuar sem ler, mas eu recomendo. Fica a seu critério. Mas vai lá, vai?
Continuemos então. Apos essa fase, temos agora um conceito bastante difundido, o do Romantismo. Nele, o conceito central baseia-se na tentativa de mostrar a unidade do finito e Infinito (total identidade e intimidade). Schleiermacher diz ser essa unidade, enquanto manifestação do sentimento, o fundamento da religião. Fichte, Schelling e Hegel dizem ser o fundamento da filosofia.
Pois é, como eu disse, as duas coisas andam juntas, né? É difícil fazer uma distinção ou definição da coisa sem tanger o desconhecido ou o sobrenatural. Procevê!
Assim, novos conceitos surgem, em geral, voltados para coisas finitas, sendo que nelas estariam símbolos ou expressões do Infinito. Sim, um seria expressão do outro, estaria um no Outro, formando uma realidade única. Bem na ideia de que em cada um contêm o todo, e o todo está em cada um.
Assim, a aspiração do Infinito pode ser satisfeita no mundo finito, na forma de Amor - da mulher, do homem, da poesia, dos objetos. Friedrich Schlegel expressa assim:
"A fonte e alma de todas as emoções é o Amor... As paixões galantes de que não se pode fugir na poesia moderna, do epigrama à tragédia são graus mínimos desse Espírito, sua letra extrínsica, ou algo de não amável e desprovido de Amor. Não, o que nos comove dos sons da música é o Sopro divino. Ele não se deixa tomar à força nem agarrar mecanicamente, mas deixa-se atrair amoravelmente pela beleza mortal para nela velar-se..."
Tipo o Ash e o Gary, sabe... oh, wait!
Para ele, então, as expressões de afeto presente em nós seriam indício do Altíssimo - ou de uma força Maior. Hegel já expressa de outra forma, desse jeito: "verdadeiro Amor... verdadeira unificação" o ocorre "entre seres vivos um para o que são iguais em poder, e que, em tudo e por tudo, estão vivos para outro - de nenhum lado um para o outro."
Sim, novamente a ideia de junção, unidade e cumplicidade. E mais: necessidade de um ser por outro, de sentir vida. Serem um "todo vivo", uma relação mútua, complementar e continua, só possível entre iguais.
E continua: "O Amor exprime em geral a consciência da minha unidade com um outro, de tal modo que eu, para mim, não estou isolado, mas a minha autoconsciência só se afirma como renúncia ao meu ser por si e através do saber-se como unidade de mim com outro e do outro comigo". E mais: "A verdadeira essência do Amor consiste em abandonar a consciência de si, em esquecer-se em outro si mesmo e, todavia, em reencontrar-se e possui-se verdadeiramente nesse esquecimento."
Hegel define bem o Amor como relação de ligação total a outro ser, de tal forma a causar dependência e necessidade para viver. Para tanto, seria necessário identificação para compleição. Afinidades com o objeto de Amor, para que verdadeiramente haja confiança e uma entrega para usufruir de tudo. Claro, esses comentários aqui são meus, minhas caras e meus caros amiguinhos e amiguinhas. Deixa eu parar de intervir e continuar. É melhor, né?
Seria, então, identificação de um sujeito em outra pessoa, sentimento pelo qual dois seres não existem senão pela unidade. "Esta renúncia a si mesmo para identificar-se com outro, esse abandono pelo qualo sujeito se reencontra, porém, a plenitude do seu ser, constitui o caráter inifinto do Amor". A morte de Cristo para Hegel seria o Amor mais alto, pois exprimiria "a identidade do divino e do humano".
Amor, então, seria completa entrega. Perder-se no outro e se achar em meio a essa mesma perdição.
Parte desse Amor romântico, na medida que seu objeto é o infinito (infinita unidade e identidade), seria aspiração, desejo, anseio. Não teria satisfação no ato sexual porque ele poderia diminuir ou enfraquecer por esse ato, tendo tendência a evitá-lo.
Assim, sexo nada teria a ver com "fazer amor". Contribuiria justamente para o contrário.
Já que caimos de novo em sexo, Schopenhauer distingue nitidamente Amor sexual e Amor puro. Amor sexual serviria para propagação da espécie (como digo bem no meio desse texto aqui), sendo cega, maligna e desesperada "vontade de viver", nada mais que a manifestação da única força de rege o mundo.
Amor puro seria compaixão, conhecimento da dor alheia. Esta também como dor do mundo, própria vontade de vida dividida em si mesma e lutando contra si mesma nas suas manifestações fenomênicas: a percepção do mundo como unidade fundamental, como sentimento de unidade cósmica.
Eduard von Hartmann, discípulo de Schopenhauer, diz o Amor ser identificação entre amante e amado, numa espécie de amplificação do egoísmo por meio de uma absorção de um eu por um outro eu, onde o sentido mais profundo do Amor seria tratar o objeto amado como se, em sua essência, fosse idêntico ao eu que ama. Se essa unidade e identidade não existissem, o próprio Amor seria uma ilusão.
É, ficou claro minha posição, né? Olha gente, tô tentando ser imparcial, mas é difícil, sabe? Pois é. Não é lá muito fácil. Vou tentar só colocar as ideias sem meter (muito) o bedelho.
E esse negócio de imparcialidade nem existe. Tô te falando, dá até pra tentar, mas conseguir...
Nesse aspecto de Amor como unidade e força única e total, devemos considerar a teoria de Freud. Sim! Esse eu respeito e você vai ver porque - e também vai respeitar. Amor seria uma especificaçã e a sublimação de uma força instintiva originária. Sim, a libido.
Libido? O que é isso, Diego? Me explica?
Libido seria a tendência à produção e à reprodução de sensações voluptuosas relativas às chamadas "zonas erógenas", que se originam desde os primeiros instantes de vida humana. O impulso sexual específico é uma manifestação tardia e complexa que nunca se completa - como provam as perversões sexuais.
Essas perversões não seriam desvios do impulso primitivo normal, mas modos de comportamento que remontam aos primeiros instantes de vida.
Uh-hum, isso mesmo. Como não sei muito mais sobre isso - e nem é esse o tema -, continuemos. Da libido desenvolvem-se as formas superiores de Amor, mediante da inibição e da sublimação. A primeira mantem os níveis de libido nos limites compatíveis, dando origem às emoções morais. Nela se enraízam as neuroses.
A sublimação ocorre quando a libido se separa de seus conteúdos primitivos para concentrar-se em objetos que serão amados por si mesmos, independente da sua capacidade de produzir sensações voluptuosas. Estão presentes nela todos os progressos da vida social, da arte, da ciência e da civilização.
Sacou? Formas superiores de Amor são apenas sublimações da libido inibida. Porém, ele não explica as formas de Amor, ausente em comportamentos instintivos - sendo cegos e anônimos. Freud critíca a forma de Amor universal:
"Algumas pessoas tornam se independentes da aquiescência dos seus objetos transferindo o valor principal do fato de serem amadas para seu próprio ato de amar; protejem-se da perda do seu objeto amado dirigindo seu Amor não a objetos individuais, mas a todos os homens igualmente, e evitam as incertezas e as desilusões do Amor genital desistindo do objeto sexual deste e transformando o instinto em um impulso de intenção inibida".
Para que se reprimir, né? Nada disso!
Realça dois pontos: não discrimina os objetos nem o fato de nem todos os homens serem dignos de Amor. E continua: "Se amo alguém, ele deve ser digno desse tipo de Amor,... ou por ser tão semelhante a mim em algum aspecto importante que posso amar-me a mim mesmo nele, ou por ser muito mais perfeito do que eu, de sorte que posso amar nele meu ideal de mim mesmo..."
E, para completar: "se não há nenhum motivo para amá-lo, amá-lo será bastante difícil para mim e será um injustiça para aqueles que são dignos do meu Amor, já que estarei pondo estes últimos no mesmo nível dele. Além disso, o Amor que poderei dar-lhe, como preceito de Amor universal, será somente uma pequeníssima parte do Amor que, por todas as leis da razão, estou autorizado a dar a mim mesmo..."
"o mandamento de amar o proximo como a nós mesmos é a mais forte defesa contra a agressividade humana e exemplo superlativo da atitude antipsicológica do super-ego cultural... um mandamento impossível de respeitar: uma inflação tão grande de Amor que só poderia diminuir-lhe de valor e não sei um remédio para o mal".
E não é que é!
Porém o verdadeiro alvo dessa crítica é a noção moderna, de origem positivista, do Amor universal - e não o preceito de Amor ao próximo. Essa noção pode ser encontrada em Feuerbach em conexão com Hegel. Nela, parte-se do pressusposto que um sujeito se refere essecialmente outro senão a natureza objetiva do próprio sujeito - onde no objeto que contempla-se a si mesmo.
Assim, a consciência do objeto não é senão auto-consciência do homem - a mesma noção da unidade entre subjetivo e objetivo, entre o eu e o outro, transferindo do Infinito para o homem. O Amor "não tem plural". Seria uma relação dúbia, só possível assim. Feuerbach, como Hegel, entendem: "o puro, absoluto Amor, sem acréscimo, sem distinção entre Amor divino e humano".
Teria, portanto, uma extensão progressiva do Amor objeto sexual ao Amor à criança, do filho ao pai, à família, às ações recíprocas. Assim, "humanidade" e "Amor" são sinônimos, por significarem unidade dos seres humanos (ou unidade cósmica, como diriam os românticos).
Sim, sim, novamente Amor como unidade. Esse é um dos fortes conceitos.
Então, as formas de Amor se classificariam segundo maior ou menor círculo de extensão dos objetos, não crescendo e sim estendendo a maiores números de objetos. Scheler também nega a ideia de Amor universal e mais: amar seria não tratar o outro como se fosse idêntico a si. Ele diz assim:
"O Amor verdadeiro consiste em compreender suficientemente um outra individualidade modalmente diferente da minha, em poder colocar-me em seu lugar, mesmo considerando-a diferente de mim mesmo afirmando, com calor emocional e sem reserva, a sua própria realidade e sem reserva, a sua própria realidade e o seu próprio modo de ser".
Daí seria possível valorar as coisas: a um patamar mais elevado possível ou suprir um valor inferior - voltando para os homens ou para Deus.
Mais: "o Amor sexual representa um fator primordial e fundamental, no sentido de que a força e a vivacidade de todas as coisas variedades de Amor vital e de vida instintiva derivam desse Amor. No entanto, não se deriva ao instinto sexual porque implica escolha por princípios, para as qualidades vitais".
Dessa forma, o Amor sexual dominaria a esfera vital, mas existiriam outras formas correspondentes à esfera espiritual e religiosa - diferentes, primordiais e irredutíveis umas às outras na psique humana e entre suas relações. A humanidade, então, não poderia ser amada como a um indivíduo (senão apenas por Deus).
Amor a humanidade seria Amor ao homem de certa época e seus valores correntes. Para Scheler, isso seria ressentimento, ódio aos valores implícitos (povo, pátria) substituídos por esses valores supremos para iludir-se a si mesmos e aos outros sobre o Amor.
Tomara que ninguém do Greenpeace leia isso.
Diversas teorias de Amor, né Diego? A minha preferida é aquela que...
Então, acho que por hoje é só. E aproveito para deixar uma bronca. Viu, meninas? Transar com um cara significa transar. Não é fazer Amor, é fazer sexo, mesmo. Por mais que você goste do cara. Encare, aceite, supere e cresça. Você faz sexo e gosta. Não sejam hipócritas. Aqui deu pra ver muito bem que isso tá mais pra "desfazer" Amor do que fazer.
Sério, é só ler lá em cima. Aliás, é muito mais bonito as meninas que admitem isso. Sim, admitir não quer dizer que você vai sair gritando por aí que faz sexo. Mas estar ciente de DUAS COISAS BEM DIFERENTES.
Né não? É verdade, julgue com os olhos do coração e você vai ver de que não falei por mal. É mesmo. Então deixa eu ir. Fiquem em paz. E nada dessa história de fazer amor, heim! Façam sexo, usem camisinha. Simples assim.
Então tá. Vejo vocês na próxima.
Até lá!!






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