Eu sei, demorei para voltar. Mas
cá estou eu para falar de outro anime muito legal: Kadokyaputa Sakura!
Sakura Card Captor marcou a
infância de muita gente. Com suas incríveis peripécias e personagens
cativantes, as aventuras da bruxinha simpática e um pouco atrapalhada também
fez bonito na crítica. O mangá, publicado de 1996 a 2000, faturou o prêmio
Seiun Award de melhores histórias publicadas em 2001. Devido ao enorme sucesso,
foi adaptado para uma animação, exibida de 1998 a 2000, com setenta episódios e
dois longas-metragens. E, em 1999, ganhou o prêmio Animage Grand Prix, de
melhor animação.
Procevê. Aqui no Brasil, ganhou
notoriedade ao ser exibido pelo Cartoon Network e, posteriormente, na Rede
Globo. Depois de algum tempo, os quadrinhos foram publicados pela editora JBC,
num total de vinte e quatro volumes, em formatinho. Atualmente (2012), está
sendo republicado numa versão especial com páginas coloridas pela mesma
editora.
Sakura Kinomoto é uma menina
alegre que vive acordando atrasada. Ela está na quarta série da Escola Tomoeda
e é muita boa em Educação Física, mas tem dificuldades em matemática. Morre de
medo de fantasmas. Mora com o pai, Fujitaka Kinomoto, um professor de
Arqueologia na faculdade local, e o irmão, Touya Kinomoto, um rapaz bonito,
sério e talentoso, mas que vive de implicância com a pequena por seus
constantes atrasos e trapalhadas.
A mãe morreu quando Sakura tinha
apenas três anos, mas apesar disso é bastante feliz. Seu pai é um homem
bastante gentil e educado, além de seu irmão, que apesar de todo enjoo, vive
perto da maninha para protegê-la, fazendo bicos e sempre dando um jeitinho de
vigiá-la.
O melhor amigo de Touya, Yukito
Tsukishiro, é também o grande amor da vida de nossa pequena heroína. Ele é um
rapaz bonito e extremamente atencioso e polido, que possui um apetite voraz.
Ainda assim, é por ele quem a pequenina vive a suspirar.
Sakura tem uma grande amiga na
escola, Tomoyo Daidouji, uma menina que vive a filmando. Tem completa devoção
por nossa heroína de olhos verdes. É bondosa, meiga e observadora, vinda de uma
família rica. Além de tudo, possui uma bela voz e sabe fazer doces como
ninguém.
E assim era a vida dela. Até certo
dia, quando ouve um barulho vindo da biblioteca. Tratava-se de um livro. Ao
abri-lo, Sakura lê o nome em uma carta, chamada Vento. Após a leitura, uma
porção de cartas são espalhadas e um bichinho de fala engraçada sai dele. Era
um livro mágico criado por um mago poderoso chamado Clow. A criaturinha era o
guardião, que havia cochilado. As cartas possuíam poderes mágicos elementares e
poderiam trazer uma grande desgraça ao mundo. Cabe agora a pequena menina
encontrar as cartas, sendo a nova Card Captor!
E esse é basicamente o começo de
toda a trama. Na primeira parte da história, ela precisa reunir as cartas para
evitar uma tragédia. Logo sua amiga Tomoyo descobre sua função e passa a
vesti-la, junto a Kero, o guardião do livro – está em sua forma diminuta por
ter perdido os poderes na dispersão mágica de Sakura. No meio de sua aventura,
aparece um rival chinês, chamado Shoran Li. Ele é muito sério e bravo, mas
extremamente poderoso, por ser descendente do mago Clow. Também deseja possuir
as cartas e parece odiar a heroína.
Depois de passar por diversas
dificuldades e ir aos poucos lidando melhor com Li – que inclusive compete pelo
amor de Yukito com a menina –, consegue vencer seu primeiro desafio de captura
e encara um outro guardião para se sagrar a nova dona do livro de Clow. Na
segunda etapa da história, ela precisa converter as cartas usando sua própria
magia, transformando a forma de cada uma, para poder possuí-las oficialmente.
Uma série de eventos estranhos acontecem na cidade, nesse meio tempo.
E esta seria toda a história, bem
simples mesmo. Acontece que a forma como tudo se desenvolve e a maneira como os
personagens interagem dão o verdadeiro encanto à série. Os amores, as amizades,
as declarações, as habilidades e inabilidades de cada um vão dando uma pitada
toda especial, fazendo de fato um anime esplêndido!
Um elemento bastante forte para
caracterizar a trama é a questão familiar. Os laços são íntimos – todos ocupam lugar
especial na vida uns dos outros. As relações entre Sakura, Touya e Fujitaka,
por exemplo, é algo tocante. E isso às vezes traz grandes problemas. Todos
parecem ter um zelo mútuo muito grande – talvez medo de mais uma perda na
família, como aconteceu com Nadesiko (mãe de Sakura e Touya).
Essa relação extravasa para
outros personagens, como o medo de Touya de perder Yukito na segunda parte da
série; ou de Tomoyo de se ver longe de Sakura, buscando a felicidade da amiga,
mesmo que sofra por ser impossível realizar seu desejo mais íntimo.
Até os personagens secundários
são importantes – e acabam vítimas dos poderes das cartas –, e tem seu quê de
participação, terminando por serem fundamentais. A presença de Li, mesmo, vai
se tornando cada vez mais marcante e o menino vai ganhando espaço e aumentando
sua importância na vida dos demais personagens, inclusive no da nossa heroína.
Agora, deixa eu falar das diferenças entre o anime e o mangá. Como
todo quadrinho do Clamp, Sakura Card Captor possui muitos SD’s (Super Deformed, personagens em formato
de miniaturas, bem fofinhos) e setinhas indicando ações ou sentimentos de quem
está em destaque. Forte característica do grupo, aliás. No entanto, a história
é bastante curta. A animação tem o tempo necessário para explorar a relação
entre os diversos personagens, desenvolvendo o melhor de cada um.
Os vilões também são bem mais
“vilões” no anime – a professora Kaho nos quadrinhos é tão boazinha que nem
chega a apresentar uma ameça, e sim um mistério; já na série animada, dá para
desconfiar bastante – e o mesmo acontece com Eriol.
Outro fato de fundamental
importância que diferencia as duas obras é a presença de Mei Ling. Ela só
existe na animação, sendo prima de Shoran e uma espécie de namorada. É graças a
menina que Li estabelece um vínculo com Sakura – porque ele simplesmente a
detestava – mesmo sendo uma espécie de rival no começo. Outra coisa: o menino
chinês chega a capturar algumas cartas na série animada, coisa que nunca
acontece nos quadrinhos.
E existem mais algumas outras
curiosidades, como: no mangá, as cartas já terem se espalhado com a morte do
mago Clow, enquanto que no anime é Sakura quem conjura a magia para
espalhá-las; os poderes extrassensoriais de Touya, sendo que Nadesiko também os
possuía; o fato de quem tem poderes mágicos ser atraído por quem também os tem;
o interesse de Li por arqueologia e sua empatia por Fujitaka; e, o mais
interessante de todos, a magia de Sakura progredir conforme vai se aproximando
de seu objetivo, sendo que a mais forte característica de seus poderes é
acreditar no “tudo vai dar certo”.
O design das cartas é outra coisa
impressionante: uma é mais linda que a outra. No mangá, são menos de vinte, mas
na animação, passam dos cinquenta.
Uma sugestão: assista ao anime
dublado. Sim, a dublagem ficou bem feita – pode ter um ou outro erro, mas as
vozes encaixam muito bem nos personagens e o sotaque paulista está uma delícia
de se ouvir! Impressiona já no primeiro episódio!!
Coisa mais linda a Daniela Piquet
e a Fernanda Bullara como Sakura e Tomoyo! Outros que merecem destaque são:
Francisco Bretas (Fujitaka), Vagner Fagundes (Touya) e Ivo Roberto (Kero).
Para terminar, uma pequena
surpresa que um amigo descobriu há muito tempo. Existe uma mensagem escondida
aos dez segundos da primeira abertura. Sakura manda uma mensagem bem
deselegante – e sim, é uma mensagem, já que quando vai usar as cartas, as
coloca entre o indicador e o dedo médio, abaixando os dois simultaneamente e
mostrando qual carta será usada. Nesse, é só uma mensagenzinha, mesmo.
Que feio, Sakura!
Ainda assim, é uma excelente
série. Uma das poucas em que a animação supera a história original dos mangás. Quanto
aos dois filmes, preferi mais o primeiro, sabe. Talvez porque no segundo
trocaram a dubladora da heroína! Nos dois há uma carta aprontando confusão.
Merece o título de irretocável, podendo ser visto vezes e mais vezes.
Então é isso. Espero que tenham
gostado e logo mais tem o vídeo. Grande abraço!
Assista também ao vídeo!



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