segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sobre Michiko to Hatchin: o mais brasileiro dos animes

E aê, galeres!

Tudo bem com vocês? Tomara que esteja. Hoje vim falar de um animê que descobri graças a página da Nuvem Voadora no Facebook. Ele se chama Michiko to Hatchin e é o mais brasileiro dos animês. Vamos ver o porquê?


Hana Morenos é filha adotiva de um padre maldoso e sem escrúpulos numa pequena cidade do interior. Ela tem apenas nove anos e tem de aguentar os maus tratos de toda sua “família", já que é mantida por eles apenas pela pensão que recebem. Acaba por cozinhar, lavar e fazer todo trabalho doméstico, além de sofrer agressões físicas de seus dois “irmãos”.

Mas, eis que na véspera de seu décimo aniversário – após uma tentativa de fuga frustrada por nem mesmo ter para onde ir –, uma mulher chega em uma mobilete por cima da mesa de jantar. Trata-se de Michiko Malandro, uma perigosa criminosa fugitiva. Após uma série de acontecimentos, Hana decide partir com tal mulher atrás de seu pai, Hiroshi Morenos, homem que, segundo os cálculos de Michiko, ainda estava vivo – segundo constava, havia morrido num acidente de ônibus há doze anos.

Como Hana era um nome que trazia à memória pessoas que queria esquecer, a menina é rebatizada por sua sequestradora de Hatchin. E aí começa a aventura em busca do pai da guria. Além das personagens principais, existem outras duas figuras de extrema importância para a série: Atsuko Jackson, amiga de infância de Mitsuko e uma exímia policial que sempre parte atrás da Malandro e volta e meia consegue encurralá-la; e Satoshi Batista, poderoso traficante e um dos melhores amigos de Hiroshi, quando ainda estava possivelmente vivo.

Aí vemos a jornada de duas personagens completamente diferentes atrás de um mesmo objetivo. Michiko é extremamente habilidosa, impulsiva, teimosa e agressiva e Hana é impaciente, temperamental, audaz e de espírito indômito. Aparentemente, Malandro só está usando a menina para rever seu antigo amor. Por isso e por ambas possuírem personalidade forte, a história caminha aos trancos e barrancos, com contínuos desencontros e ressentimentos entre as duas. Mas aos poucos (beeeem aos poucos, diga-se de passagem) elas vão criando um laço bem forte.

E tudo bem, seria uma história comum e até um tanto tediosa, exceto por um fator: o plano de fundo da trama é o Brasil! Sim, o Brasil!! Bem, pelo menos uns noventa por cento dele. O restante é complementado com nossos vizinhos de colonização espanhola e mais uma pitadinha de outras culturas latinas. E o pior é que ficou perfeitamente ambientado.

Os primeiros episódios fazem referência direta ao Rio de Janeiro, com morros, favelas e até pastelarias chinesas e casas noturnas. Conforme a história se desenrola, vemos misturas danadas – uma espécie de Amazônia com Maranhão e até o Mato Grosso entra na jogada. Procevê, o dinheiro, chamado Arca, tem o mesmo desenho do Real. O mesmo! O passaporte, os Correios, até mesmo o República Federativa aparece vez por outra nos lugares. A diferença é que o país é chamado de Diamantra.

Também os nomes são bem brasileiros – misturados com japonês, claro – como Batista, Malandro, Morenos, Juninho, Rita e os nomes das cidades como Osso, Vermelha, Desfiladeiro, Goinia. E, sim, os nomes aparecem escritos em português. Em português!! Mesmo bilhetes e cartas aparecem em nosso idioma.


A trilha sonora é outra coisa espetacular. Claro, o encarregado por ela foi ninguém menos que Shinichiro Watanabe – o mesmo que dirigiu de Cowboy Bebop e Samurai Champloo! – que supervisionou o carioca Kassin, encarregado de produzi-lá. E ela é de tirar o fôlego de tão linda. Alguns exemplos são Desencanto, um sambinha; Posto de Gasolina, espécie de Axé; e Febre, um funk de raiz (ainda bem que nem beiraram o funk carioca).

E é extremamente cativante ouvir músicas cantadas em português quando os personagens só falam japonês.

A diversidade é outra coisa linda nessa animação. Captaram exatamente o que nós somos: um povo de misturas – você pode achar uma chinesa ribeirinha do Amazonas ou um homem branco vivendo do tráfico na favela.

Os lugares então, apesar de sempre parecerem sujos e velhos retratam de fato como são – sim, supere, a maioria dos lugares são desse jeito mesmo por aqui, com má aparência, ou ao menos nos locais que as duas passam e suas condições de pagamento devido à vida que levam (predinhos baixos, dos motéis descascados e banheiros maltrapilhos).

O que acaba dando um clima todo especial na trama.

Além disso, como se trata de uma constante viagem, traz um que de beat na série – onde de fato a jornada é mais importante que o destino. No desenrolar da trama também é possível ver o crime organizado e as guerras por trás dele. Aqui vemos um pouco da criatividade dos produtores, que inseriram uma espécie de Tríade Chinesa na história. E também uma máfia genuinamente brasileira, denominada Monstro, focando em seus conflitos internos – o boss dela é ninguém menos que Satoshi Batista, uma cópia quase literal do Zé Pequeno.

Sério. A cena da entrega da arma para Hiroshi e a própria morte de Batista são provas claras de referência da obra de Fernando Meirelles.

A diretora Sayo Yamamoto fez um exímio trabalho em sua pesquisa, que inclusive contou com uma visita da equipe da Manglobe em nossas terras. Fez, indubitavelmente, o mais brasileiro de todos os animês. Dificilmente existirá outro como tamanhos detalhes quanto esse. E isso inclui desde os olhos de Michiko até as referências das cidades com nomes de santos na história.

Vale demais a pena. A série conta com vinte e dois episódios, um mais eletrizante que o outro. Tanto que te farão querer prosseguir o quanto antes para o próximo. Confie e assista. Ainda mais se você gostou de Cowboy Bebop e Samurai Champloo!


Bom, essa é minha dica de hoje. Fiquem em paz e espero que eu possa vê-los e vê-las por aqui em breve. Até lá!!

Você pode baixar Michiko to Hatchin no Anbient ou aqui.

Assista também ao video!


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