quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Cavalos

Olá!

Beleza? Espero que sim. Gostaram da tradução e adaptação da Besta que Gritou Amor no Coração do Mundo? Deu um trabalhão, viu? Pois é, é bastante complicado, isso de traduzir. Dava vontade de colocar um monte de vírgulas, pontos e tudo mais. Mais aí muda o estilo do autor, a intenção e até mesmo o sentido das frases. Difícil. Mas fiz o que pude. Ficou bom? Tipo, li algumas vezes e ainda estou tentando entender, sabe. Procevê.

Para ler, é só clicar ali embaixo em Postagem Anterior. Ou aqui, para ir mais depressa.

Tal postagem foi graças a um tuíte do Fabio Yabu, aliás. Parece que esse título também é o nome do último episódio de Evangelion. E Harlan Ellinson chegou até a ganhar um prêmio, em 1969, por esse conto. E o cara também escreveu um roteiro para Jornada nas Estrelas. Massa, né? Ahn-ham. Vivendo e aprendendo. Ainda bem que existe o Fabio, um dos maiores heróis de todos os tempos!

Bom, agora vamos ao motivo da postagem de hoje: cavalos! Há um tempo falei que faria um texto sobre e, bem, tentado cumprir a promessa, aqui estamos agora. Então vamos nessa!

Em uma análise mais estrutural e funcional, fisiológica, os animais possuem grandes dimensões e estão adaptados à velocidade. Os membros são especializados pela evolução, digamos. A notar pela marcha: quadrúpedes, a propulsão é eficaz pela forte musculatura desenvolvida de suas coxas, tronco e antebraços. Eles possuem 210 ossos, que suportam os músculos e órgãos internos, com articulações cartilaginosas e cápsulas lubrificantes sinoviais.

Sim, sim, assim como nós, humanos.

"Uai, sô! É?"

Claro que com algumas modificações: o crânio alongado dá espaço para os dentes e as órbitas permitem que seu campo de visão seja amplo. A musculatura é ligada por tendões protegidos por bainhas sinoviais que, assim como os ligamentos, são curtos. Existem ligamentos especiais: o restritor, localizado por trás da articulação do joelho e junta-se ao tendão flexor digital profundo na parte superior traseira da canela; e o suspensor, tendo a extremidade superior ligada à parte superior traseira da canela.

Bastante parecido conosco, em relação aos músculos. Tô dizendo. Como são morfologicamente diferentes, claro que existirão diferenças. Mas os mamíferos se parecem por demais entre si. Caso me perguntassem, minha resposta é que, no fundo, somos todos narnianos. Sério.

Aham... quanto à pele, apresentam três camadas: uma celular, que se auto repara quando desgastada; uma subepitelial, onde estão os sensores da dor, que alimentam a camada superficial; e uma subtérmica, que isola a pele do osso ou do músculo. É na pele também que se encontra o sebo, substância secretada pelas glândulas sudoríparas formando uma camada impermeável que protege o animal contra o frio e contra a umidade.

Agora, deixa eu falar sobre a arcada dentária. Os machos apresentam 40 dentes e as fêmeas, 36 – sem quatro caninos. Existem também diferenças nas personalidades de um e de outro, já, já, eu falo mais. Os dentes são distribuídos assim: 12 incisivos, 6 superiores, 6 inferiores, 4 caninos, 24 molares distribuídos em duas arcadas.

Os incisivos são os mais proeminentes. Logo em seguida, tem-se um espaço, onde nos machos se encontram os caninos. Os molares são os mais distantes, digamos. Antes destes, às vezes é possível encontrar os chamados dentes lobo, os primeiros molares que caíram em desuso. Como se fossem os nossos incisos, sabe? Além de serem ineficazes na mastigação, podem ferir as bochechas e a língua. São diferentes dos caninos – que costuma serem afiados.

Através da dentição, é possível saber a idade do animal. Os dentes de leite nascem até os dois anos e meio, sendo que os definitivos geralmente aparecem aos cinco anos. Os permanentes perdem, com o passar dos anos, o corneto dentário – orifício na extremidade da parte livre. E vai surgindo também uma mancha castanha, chamada estrela radicular.

Até os onze anos, os dentes superiores e inferiores vão se tornando lisos e ovulados. Depois há alteração na cor do esmalte, a chamada estrela dentária. Claro que, para saber exatamente, é preciso prática. Muita prática. Com o passar do tempo, com o desgaste natural pelo uso, os incisos nivelam – na chamada cauda de andorinha – e o ângulo vai mudando, tornando-se cada vez mais difícil determinar a idade com o tempo.

Cavalos com dentes saudáveis possuem uma mastigação melhor e, conseqüentemente, uma melhor digestão. Perda de peso, o balançar da cabeça, lentidão na mastigação, dificuldades na apreensão de alimentos podem ser alguns sinais de problemas dentários. Aí é preciso cuidar do bichinho ou da bichinha.

"É mesmo, Diego?"

Procevê. Uma coisa interessante que merece ser frisada é a questão das marcas. Alguns deles apresentam, sabe. Aqueles sinais brancos na face, patas ou em outras partes do corpo. Claro que são mais nítidas nos de raça. E também existem aquelas que são causadas pelos equipamentos de montaria. Mas essas marcas servem como uma espécie de impressão digital. Outro paralelo seria compará-las as listras das zebras – que nunca são iguais.

Aliás, falando nelas, sabia que as zebras são negras com listras brancas? Procevê.

As marcas podem ser diversas: uma espécie de estrela, um cordão, uma manchinha entre o fucinho, uma manchona que ocupa o focinho todo (ou todo o rosto) e por assim vai. O mesmo pode ser visto nas patas. Tente reparar na próxima vez que vir um cavalo (ou égua).

Quanto ao casco, diz-se que os de cor azul-ardósia são os ideais, pois indicam que a ceratina tem textura densa e rígida. O de cor branca indicaria menos da substância, tendo menor resistência ao atrito. Bom, é o que dizem. Em um outro paralelo, seria como tentar ver sua saúde pelas unhas – e isso é possível, já que elas são formadas de proteínas.

Então tá. Agora vamos para parte mais legal, que é a da personalidade. Quando pesquisei sobre ela, me espantei um pouco. Por causa da semelhança conosco, eu digo. Eles podem ser extrovertidos ou introvertidos, em linhas bem gerais. E daí, vai depender de cada animal; alguns serão mais confiantes e vivazes, outros teimosos e desconfiados, e assim por diante.

E, assim como a gente, a forma como eles são tratados são essenciais para determinar suas formas de agir. Traumas na idade jovem, por exemplo, podem perdurar e mudar a forma deles e delas se comportarem. Medos, anseios e tudo mais.

Para saber se estão sendo bem tratados, o Conselho de Bem-Estar Animal do Reino Unido criou um método que consiste em avaliar cinco aspectos: fome e sede; desconfortos; dor, doenças ou ferimentos; medos e angústias; e livre expressão de comportamento. Em outras palavras, tratá-los com dignidade e com alguma liberdade de ação. Por exemplo, para criação em cativeiro, é necessário dosar as atividades físicas com descanso e deixá-los pastar por um tempo.

E, bem, a alimentação adequada é essencial, claro.

É da natureza equina: precisam de espaço para movimentação. Assim, será garantido um bom funcionamento do trato digestivo e livrará um pouco do estresse do bicho. Excesso de penalizações e agressividade em treinamentos, por exemplo, pode causar agressividade e alguns distúrbios, como tiques nervosos.

Óbvio que, por vezes, será necessário o uso de algum meio mais agressivo – por vezes, dámete! O respeito é tudo, o bicho tem que te entender como líder. Ou amigo, sei lá. Porque eles reconhecem e distinguem uma pessoa da outra. Cavalos, em sua vida selvagem, mesmo já em uma manada, tendem a se dividirem em pequenos grupos. Tipo panelinhas, mesmo.


 E daí distinguem inclusive a posição hierárquica dos indivíduos. E quando convivem com gente, fazem o mesmo. Além do olfato e da visão, têm uma memória boa. Assim, associando estes três fatores, os animais vão saber quem são aqueles que estão a sua volta – os que são gente boa e os que são gente má.

Dizem que, por causa desses fatores, eles se comunicam muitíssimo bem, sabe. É mesmo. Rumbora falar agora em relação à idade. São divididos basicamente em quatro: potrinhos, potros, fêmeas adultas e machos adultos. Os potrinhos compreendem os animais recém-nascidos, nos primeiros anos de vida. Eles são curiosos e aprendem bastante sobre os perigos do mundo. Brincam bastante, o que é importante para terem noção de hierarquia. A mães passam segurança e as mamadas são rápidas e frequentes. Mordiscam o pasto, mas sem ingeri-lo.

Os potros são todos aqueles menores de três anos de idade. Nessa fase, ocorre a maturidade sexual e anatômica. Acentuam-se as disputas hierárquicas e o fim da amamentação – começam a pastar. Os machos são expulsos da manada pelo garanhão, formando um grupo de solteiros. As fêmeas permanecem e obedecem a égua alfa, geralmente a mais velha e experiente. Somente um macho, o garanhão, permanece entre elas (quase um harém). Essas éguas geralmente formam as panelinhas. E isso é bom, porque as éguas cuidam dos filhotes umas das outras, garantindo a ordem e a sobrevivência do grupo.

Os grupos de machos garantem a constante troca de garanhões nas manadas de éguas. Estes ficam em média até que seus primeiros descendentes atinjam a maturidade. Interessante, né? Ahn-ham. Dá para estabelecer uma boa relação com os bichos assim. Na doma, eu digo. Ficar em meio a potrinhos para se “enturmar”; agir como égua alfa, tomando as rédeas, em relação às fêmeas; e ter bastante atenção com os machos, que são mais turrões.

O ideal mesmo é passar confiança, sem demonstrar medo e solicitar respeito.

Um fator interessante que havia esquecido de mencionar é que cavalos são presas na cadeia alimentar. Por isso, foram selecionados por fugirem – mesmo sem precisão. E também procuram discernir sobre cada situação, dando uma característica de curiosidade para espécie.

Para finalizar, deixei para falar da equoterapia. Trata-se de um método de recuperação que usa cavalos. Seu uso se tornou mais frequente após as Grandes Guerras. Hoje é tida como uma técnica de auxílio à terapia convencional. Os ganhos podem ser tanto psicológicos como motores, com o objetivo de reabilitar pessoas com deficiência. Isso porque é preciso equilíbrio, coordenação, tônus muscular e postura para prática de equitação.


Sequências de fotos de Eadweard Muybridge. Legal, né?


Fora que a sociabilidade aumenta bastante, como fatores de: ajudar e ser ajudado, encaixar as exigências dos indivíduos com as do próprio grupo, aceitação das limitações etc. Bem, existem contra-indicações, claro. Pessoas com alergias, limitações ortopédicas e com problemas posturais, por exemplo. Assim, cada caso precisa ser analisado. No geral, o movimento do animal pode ser bastante terapêutico.

Pois é. Gostei demais de pesquisar sobre os Cavalos. Fiquei até com vontade de ter contato com o bicho – tive bem pouquinha, quando era criança, nem lembro. Deve ser legal tratar, né? Tanto cuidar como domar. Como será que os índios faziam para doma? Vou ficar devendo essa. Se souber, prolongo o post, pode ser? Fechou!

Então, é isso. Espero te ver por aqui novamente. Até mais!!

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