domingo, 11 de dezembro de 2011

Erotismo e pornografia (+ 18)


Oi, gente.

E aí, beleza? Pois é, falhei mais essa semana. É o ânimo, sabe. E a vontade de escrever que já não é a mesma. As coisas ainda estão daquele jeito. Só que o importante é não desistir, já que é melhor tarde do que de noite, como eu sempre digo. Pois é. Então, hoje era para dar continuidade com as roupagens de personagens, acessórios, lugares e tudo mais. Bom, era. Isso porque me deu na telha de falar de outro assunto, sabe.

Sim, sim, que cheguei a tanger nas vezes passadas. E que inclusive achei um texto da faculdade sobre isso, além de dar um bom pano para manga. Isso porque o assunto é meio polêmico. Bem, sem mais delongas, o que quero tentar mostrar para vocês hoje, amiguinhos e amiguinhas, é a diferença entre pornografia e erotismo.

Bom, o motivo para isso já postei. Vacilei muitas vezes, mesmo aqui no blog. E também seria legal para separar bem as coisas, sabe. Ainda tenho bastante dificuldades de distinguir o que pode ser considerado arte erótica de pornografia simples e pura. E, assim, não sei se isso é óbvio para todo mundo, mas para mim a diferença é meio tênua, entende? Hm... vou tentar te mostrar aqui.

Ai, Diego, me mostra?

A diferença mais clara entre pornografia e erotismo é a de que a primeira relata o ato em si, sem sentimentos, mecânico, visando apenas à satisfação própria. A segunda envolve emoções além do prazer que o sexo pode proporcionar, sendo um todo, um momento a ser compartilhado e vivido por dois amantes. Olha só, a Márcia Tiburi disse uma vez que: “a moça do filme pornô está vestida de pornografia e a amante com sua lingerie sensual veste-se de erotismo”.

É isso, basicamente. Partindo daí, achei uns poeminhas legais que ilustram bem o que foi dito. Quevê? Vou colocar dois que exemplificam. Vai lendo:

De Giacomo Casanova, Aventura da religiosa de Aix-em-Savoie, com tradução de Álvaro Gonçalvez

“ Tirou a touca e deixou cair a cabeleira; desatei-lhe o corpinho, e, num piscar dolhos, tive diante dos meus uma dessas sereias como se vêem nos mais belos quadros de Corregio. Não pude contemplá-la por mais tempo sem a cobrir com meus ardentes beijos, e, comunicando-lhe dêsse modo meu ardor, vi-a prontamente chamar-me para junto de si. Senti que não era o momento de refletir, que a natureza  falava e que o amor exigia que eu agisse no instante de tão doce fraqueza. Precipitei-me sôbre ela, e, os lábios colados à sua boca, apertei-a em meus braços amorosos, preludiando assim a suprema felicidade.
Mas, no meio de meus ardentes preparativos, ela tombou a cabeça, cerrou as belas pálpebras e adormeceu. Afastei-me um pouco, afim de melhor poder contemplar os admiráveis tesouros que o amor punha à minha disposição. A divina freira dormia: não podia aproveitar-me do sono; mas mesmo que estivesse apenas fingindo, podia eu, mau grado, saber que era astúcia de sua parte? Não, certamente; pois verdadeiro ou fingido, o sono de uma mulher que se adora deve ser respeitado por um amante delicado, sem todavia se privar dos gozos que êle permite. Se o sono é verdadeiro, não corre nenhum perigo; se é apenas simulado, é responsável pelos desejos que o inflamam. É perigo sómente medir suas carícias de maneira a assegurar que são doces  ao objeto. M. M., porém, dormia realmente; o clarete havia entorpecido seus sentidos, e ela cedera à ação sem segunda intenção. Enquanto a contemplava, percebí que sonhava; seus lábios articulavam palavras incompreensíveis, mas a volutuosidade que se desenhava em sua fisionomia radiosa fez adivinhar o motivo de seu sonho. Despí-me e em dois minutos encontrei-me colado ao seu belo corpo, sem saber muito bem se imitaria seu sono, ou se tentaria despertá-la para tentar o desfecho de um drama que me parecia não poder mais adiar.
Não fiquei por muito tempo na incerteza, pois os movimentos instintivos que ela fez assim que sentiu junto ao santuário do amor o ministro que devia concluir o sacrifício, me convencera de que acompanhava seu sonho, e que eu só a podia tornar feliz transformando-o em realidade. Desviando docemente os obstáculos e acompanhando os movimentos que minhas carícias imprimiam ao seu belo corpo, levei a cabo o doce furto; e quando, no fim, não podendo mais me governar, abandonei-me com tôdas as fôrças do sentimento, ela acordou com um suspiro de felicidade, dizendo:
—Ah! Deus! então é verdade!
—Sim, deliciosa verdade. Sentes-te feliz, meu anjo? ”

E, bem, dá uma lidinha nesse daqui:

Soneto XIII, de Bocage, dos Sonetos

“ É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como o zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro, tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um u;
Adivinhe agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu. ”


Claro que exagerei bastante na escolha dos dois textos para tentar ser bastante claro com a primeira diferenciação das duas temáticas. A pornografia é agressiva ou no mínimo vai contra os padrões morais colocados na sociedade. Exalta o prazer, o gozo sexual ou a tentativa de obtê-lo e pronto, sem nada mais. Enquanto que na arte erótica, existe uma exaltação dos amantes como forma sublime do sentimento entre dois seres.

Mas nem por isso é isento de maiores detalhes sexuais, como nesse texto de Guillaume Apollinaire, dos Poemas para Lou, de tradução de Paulo Hecker Filho:

Minha querida Lou eu te amo
Minha cara estrelinha palpitante eu te amo
Corpo deliciosamente elástico eu te amo
Vulva que aperta como um quebra-nozes eu te amo
Seio esquerdo tão rosa e tão insolente eu te amo
Seio direito tão suavemente rosado eu te amo
Mamilo esquerdo como o ressalto na testa dum veadinho que nasce eu te amo
Mamilos feitos ninfas pelos contatos eu os amo
Nádegas lindamente ágeis que se empurram bem para trás eu as amo
Umbigo como uma lua vazia na sombra eu te amo
Tosão claro como uma floresta no inverno eu te amo
Axilas penugentas como um cisne ao vir ao mundo eu as amo
Caída de ombros tão pura eu te amo
Coxas de contorno estético como colunas de templo antigo eu as amo
Orelhas orladas com pequenas jóias mexicanas eu as amo
Pés sábios pés que se retesam eu os amo
Rins cavalgadores rins potentes eu os amo
Busto que nunca usou espartilho busto flexível eu te amo
Costas maravilhosamente feitas e que se curvam para mim eu as amo
Boca ó minha delícia meu néctar eu te amo
Olhar único olhar-estrela eu te amo
Mãos de que adoro o movimento eu as amo
Nhariz singularmente aristocrático eu te amo
Andar onduloso e dançante eu te amo
Ó pequena Lou te amo te amo te amo

Viu? Você consideraria esse poema erótico ou pornográfico? Taí, difícil de dizer, né? Até onde entendo, esse poema é erótico. O fato de o autor descrever cada parte do corpo da moça, não o transforma apenas no objeto de desejo puro e simples, mas no objeto de veneração complementar: ele a ama por inteiro, por mais que exalte suas qualidades físicas.

Claro que pode-se levantar que o autor esteja perdidamente apaixonado pela beleza descomunal da pequena Lou, mas ainda assim (por mais falsa que seja essa atração do ponto de vista amoroso, uma paixão efêmera e passageira) envolve-se no âmago de seus sentimentos, de tal maneira a fazer um ode completo à ela.

Porém, o fato de envolver vulva, mamilos e busto pode ser o bastante para parte das pessoas considerarem um poema pornográfico. Mas será que é mesmo? Essa foi umas das principais questões que me levaram a discorrer sobre esse assunto. Então rumbora sair dos poemas e ir para os conceitos teóricos. Vem comigo, galera!

Eros era o deus mais jovem e belo dentre todos os outros. Não cometia injustiças e não as aceitava. Diz a lenda que era filho de Pênia (Pobreza) com Poros (Riqueza), tendo a natureza mortal da mãe e a natureza imortal do pai (um deus). É pobre, carente e insaciável ao mesmo tempo que ardiloso e imortal. Acaba por ser sempre a busca daquilo que não se possui, por ter sua própria natureza de conseguir o que lhe falta e perder em seguida. Em suas flechas escondia o poder do desejo, o impulso erótico.

Procevê. É dele que provem a palavra erotismo, já que representava o deus do amor e das paixões carnais. Sejam tais atrações o desejo, a admiração, o bem querer do outro pela identificação de caráter.Aristóteles, mesmo, não excluía a beleza física, muito menos a intelectual: era comum para os gregos admirarem o raciocínio inteligente pelo diálogo, tanto quanto na admiração da beleza física ou como nos esportes. E aqui temos nosso primeiro ponto importante.

Ó só, vamos analisar com calma. Às mulheres, não era permitida participação na vida política. Isso quer dizer que elas não tinham direito ao coração dos homens, pois a admiração era focada aos dotes eloquentes e lógicos de pensamento. Entendeu? Não tenho espaço para mostrar suas ideias e demonstrar sua inteligência, perdiam a atenção dos homens por algum rapaz bonito que sabia falar bem.

E isso não era nada de mais. Isso era, na época, algo erótico e não pornográfico. Isso mesmo, pederastia não era nada de mais. É aqui que é importante frisar: os conceitos de erotismo mudam conforme a época e os costumes. Pornografia é posta como algo mecânico e sem sentimentos, também como algo doentio ou repugnante. Pederastia nos causa repugno hoje, mas na antiga Grécia não – mesmo porque não era o simples fato de aliciar garotinhos e sim de admirar sua habilidade com o raciocínio.


Claro que temos um amplo exemplo que hoje se enquadraria no aspecto pornográfico no Império Romano – as cortesãs, a vida das prostitutas, a homossexualidade, a riqueza erótica das estátuas nuas que serviam para masturbação – além dos imperadores como Nero, Tibério e Calígula, que se lambuzaram como puderam de tudo que é forma sexual conhecida até então.

Pois é. Mas aí veio a época medieval e a coisa mudou. A ideia de pecado é criada. Sim, os erros cometidos dos homens (e mulheres) contra Deus e a ordem de todas as coisas que Ele supostamente criou. O objetivo era eliminar toda e qualquer manifestação de sexualidade – dentre eles o erotismo – através da culpa, da punição e de castigos físicos. Mais ainda: não somente os erros visíveis, mas também os invisíveis, conhecidos apenas pelo pecador.

Sim, sim, parte da fantasias e desejos íntimos de cada um. Uma tentativa de reprimir por inteiro todos os instintos presentes nas pessoas – agressivos e sexuais. De fato, as confissões feitas teriam de explicitar todos os aspectos: incluindo a posição dos parceiros, atitudes, gestos, momento exato do prazer... claro que tais valores valiam para os fiéis subalternos, já que a elite de papas, bispos e afins transitavam impunemente cometendo os então pecados.

Um exemplo bem claro pode ser vista na obra do século XIV, Decameron de Bocaccio, mostrando as confissões das pessoas da nobreza ligadas a aventuras de amantes e maridos infiéis. O sexo aqui era promíscuo. Existem também outros filmes onde é retratado a vida da nobreza e como lidavam com o sexo, como o bem conhecido Ligações Perigosas.

Então veio o Renascimento. Arentino publica os contos eróticos na Itália e na França surge o mais famoso escritor de erotismo, no ano de 1740. Quem seria? Nosso famoso Marques de Sade, que associava sexo e crueldade em meio à luxúria palaciana. Sim, sim, sexo com requintes de crueldade, o que hoje seria literatura pornográfica da boa. Aqui sai a concepção de pecado surgindo a culpa e a perversão, sendo a transgressão algo bem próximo da proibição.
O Marquês mesmo dizia que o modo de prolongar os desejos é impondo limites para que pudessem então ser transgredidos. O sadomasoquismo se consolidou com Leopold Von Sacher-Masoch com a Vênus de Peles, na Áustria. E também John Cleland publica Fanny Hill, importante obra inglesa pornográfica.

E aí vem Nietzsche. Quero dizer, não necessariamente por ordem cronológica, mas ele que tinha nojo de todo e qualquer cristão tem uma visão peculiar sobre erotismo, pornografia e a coisa toda. Sim, porque ele foi um estudioso dos valores morais, então, conseqüentemente... pois é. Segundo suas teorias, a tirania e crueldade primitivas impuseram aos indivíduos critérios ético-morais para sujeitar todos os homens para que fosse possível uma vida em sociedade.


Tais critérios foram assimilados pela violência bestial, já que a dor é o meio mais rápido para a formação da memória. Assim, estaria gravado de forma indelével os novos valores nas mentes dos homens e mulheres. Bem, é uma teoria válida e concisa e a única forma que consegui encontrar para que, por exemplo, justificasse minha própria necessidade de distinguir pornografia de erotismo.

Mas, continuemos. Passemos dessa fase em que se buscava saber de quantos cortes eram precisos para com a dor purificar o espírito. O corpo passa a ser objeto de estudo e não somente uma fonte interminável de pecados. Com as descobertas científicas, pensa-se sobre formas de combater as doenças, assim como a classificá-las. Surgem os hospitais.

Assim como monastérios, as escolas e o exército, o hospital é outro local da disciplina. Os “doentes” eram isolados e impostos a novos hábitos sociais e morais. Aos poucos, perde-se a espontaneidade, a naturalidade. A perda do erotismo pelo estabelecimento de comportamentos aceitos – senão o começo de uma separação do que seria aceitável e do que não seria.

Mas, bem, acho que estou desviando um tanto do foco. Vamos ver, o próximo grande acontecimento é graças às mudanças industriais da Modernidade. As pessoas precisavam trabalhar muitas horas por dia, trabalhos mecânicos e repetitivos. Mais ainda: transformavam (ou transformam) o desejo em produto, criando uma necessidade no consumidor.

Senão vejamos: trabalhar, ainda hoje, ocupa a maior parte do tempo das pessoas (as normais, que tem um emprego, não os vagais como eu e talvez um ou outro dos meus amiguinhos e amiguinhas que leem isso aqui agora). Assim, pouco tempo livre resta para o lazer. Ele precisa ser preenchido e os meios de comunicações oferecem diversos produtos que incitam o desejo e criam necessidades nas pessoas. A indústria cultural dá um empurrãozinho.

Entrementes, a sexualidade acaba por ficar arraigada a genitalidade, somente. Ao aspecto pornográfico. Isso porque, com o atual sistema, praticamente todas as coisas podem ser vistas como produtos e todos podem ser vistos como consumidores em potencial. Basta passar a imagem de que determinado produto, ao ser adquirido, trará a satisfação e o prazer, mesmo que seja de âmbito sexual.

Pois é, minha formação é marxista, fazer o que, né? Existe coerência na teoria dos caras, apesar de eu já ter dado chilique aqui outras vezes. Então, quando o sexo passa a ser um produto, pode ser visto como pornografia – já que não envolve afetivamente ou no nível das necessidades naturais das pessoas. É outra forma de ver a questão e presenciar a diferença.

Aliás, o termo pornografia vem de um achado das ruínas de Pompeia, uma série de objetos e pinturas sexuais explícitas pintadas nas paredes das casas. O termo vem do grego e significa “escrito sobre prostitutas”, já que as cenas de sexo retratavam as cortesãs da época. Sim, sim, a etimologia da palavra já diz seu real significado, mesmo. O conceito mais carnal, imoral e de sexo enquanto produto a ser consumido.


Pornografia seria o lado das perversões sexuais, oposto de sadio. Apesar de serem duas faces de uma mesma moeda, o pornô seria o lado maldito. Tal percepção serviria para mostrar de outra forma de separação de grupos sociais. Bem como afirma o Pierre Bourdieu. Procevê! Vou tentar explicar mais ou menos o que entendo sobre isso, já que nunca consegui entender o Bourdieu direito.

Malditos franceses e sua mania de complicar tudo ao invés de facilitar nossas vidas!

Aham... tal diferenciação serviria como uma forma de hierarquização social. A pornografia, além de ser o sexo dos outros (aquele que não é meu e que não me diz respeito), torna-se associada às classes populares e daqueles que não possuem o chamado capital cultural, não possuindo o gosto legítimo. Assim, a pornografia é ligada a penúria material e a miséria moral – caracterizando quem a consome.

Porém esquece-se, como bem coloquei no comecinho do texto, que o erotismo também pode ser alvo de mercadoria, um produto – na forma de literatura. O que reforça mais tal ideia é a de que o produto pornografia é incomparavelmente mais barato e acessível que o produto erotismo (livros, filmes, músicas) sendo associado às camadas populares.

Taí outro ponto de diferenciação.

Vamos revisar, então. Erotismo está ligado a nossa afetividade, acontecendo por um estímulo ao impulso sexual. Apesar de toda ética e moral, não pode de todo ser controlado pelo consciente e, quando esse impulso é reprimido de maneira brutal, causa uma série de problemas e desvios de conduta.

Sendo assim, é necessário um equilíbrio desses impulsos e, por isso, algumas práticas são aceitas na sociedade. Tais práticas variam conforme o tempo passa e se diferenciam de uma sociedade para outra, conforme suas necessidades. A pornografia nada mais é do que um tipo de erotismo que visa uma realização sexual concreta, por meio de materiais, objetos ou mesmo situações que estimulem o desejo.

Nos padrões atuais, para diferenciação, tudo aquilo que é explícito é delegado à pornografia, e o que possui caráter implícito, ao erotismo. A relação genital e sem envolvimento, enfatizando o prazer solitário e masturbatório diz respeito à primeira, e a de caráter artístico, com profundidade e clima de paixão, à segunda.

Como somos seres pensantes e imaginantes, o erotismo tem caráter subjetivo e cada um possui seu ideal de homem ou mulher – não levando em conta se tal padrão foi ou não imposto por alguém. Entrementes, não existe um padrão determinado. Todavia, pode-se saber de maneira eficaz como investir eroticamente em seu amante, dentro dos padrões de gênero.


Enrolei bonito, agora. Mas desenrolo. Não tem como saber qual é a fantasia de cada um (e todos tem fantasias, caso você negue está, na verdade, é reprimindo a sua, inconscientemente) só que é de entendimento geral que homens e mulheres são diferentes e possuem formas de se estimular de maneira diferente. A partir daí, dá para entender a quantidade e diversidade dos produtos eróticos e pornográficos.

O erotismo masculino é visual, genital. Foca-se em certas partes do corpo feminino excitando-se dessa forma com a nudez feminina. Fotografias, estátuas e literatura erótico-pornográfica são ótimos instrumentos para excitar os homens. Para um material pornográfico masculino eficaz, basta uma sucessão de atos sexuais, sem necessidade de uma história, servindo apenas como acessório para masturbação ou preliminares. Não se faz necessário tempo para conquista e prelúdios amorosos: as mulheres são fabulosamente sensuais e possuem o mesmo impulso masculino.

O erotismo feminino é tátil, auditivo, ligado a odores e ao contato. O romance pede o apaixonar-se, o homem a que ela se apaixona, belo, forte, seguro, distante e inatingível, que ao toque de mágica, se apaixona por ela. Então surge a rival, sedutora, que ameaça sua conquista e, após muitas desventuras, ambos se veem apaixonados. O homem é redimido e aceito pela mulher. Em tais contos, a paixão vem sem ser chamada, traz dor, sofrimento, mas que ao final vence o ciúme e a ansiedade, o medo de não ser amada da moça.

No quesito de materiais pornográficos, as mulheres também podem se excitar com a nudez masculina, mas é mais comum fantasias com homens vestidos, principalmente de uniforme. Também existe a preferência por perfumes vigorosos e ternos macios. Claro que estes são os padrões, não as regras. Como eu disse ali em cima, o caráter da coisa toda é subjetivo, cabe a cada um definir o que melhor lhe apraz.

Assim mesmo, minha gente. Assim mesmo. Então, acho que era isso que queria dizer. A diferenciação, o motivo e a necessidade de fazer e, por fim, não mais manifestá-la ao mundo. Pelo menos não de forma explícita, né? E não aqui. É verdade, nenhum de vocês merece saber das minhas loucuras em todos os sentidos. O texto foi uma forma de expressar, entender e finalizar o assunto.

Sim, sim, nada do gênero por essas bandas. Esse é o ponto final, ou pelo menos uma tentativa. E me perdoem se chateei muito vocês, pessoal. Tudo certo e entendido, vou ficando por aqui, então. Não sei quando eu volto, mas espero que logo – e espero te ver por aqui de novo. Podicê?

Então, tá. Para encerrar, um último texto, que é um dos mais bonitos. Expressa um pouco de desespero, sabe e, bem, apesar de estar abandonando esse meu lado “pervertido” de ser, não é sem dor... mas chega de drama! Espero que vocês gostem também, amiguinhos e amiguinhas. Até mais, então!

Salomé, de Oscar Wilde traduzido por Dirceu Villa:

Salomé  Ah! não permitirias que eu beijasse tua boca, Iokanaan. Bem, eu vou beijá-la agora. Eu vou mordê-la com meus dentes como se morde uma fruta fresca. Sim, eu vou beijar tua boca, Iokanaan. Foi o que eu disse; não foi? Foi o que eu disse. Ah! eu vou beijá-la agora... Mas por que não olhas para mim, Iokanaan? Teus olhos que eram tão terríveis, tão cheios de raiva e desprezo, estão fechados agora. Por que estão fechados? Abre teus olhos! Ergue tuas pálpebras, Iokanaan! Por que não olhas para mim? Tens tanto medo, Iokanaan, que não olharás para mim?... E tua língua, que era como uma cobra vermelha espalhando veneno, já não se move, não diz uma palavra, Iokanaan, aquela víbora escarlate que cuspia seu veneno sobre mim. É estranho, não achas? Como pode a víbora rubra não mais se mexer?... Nada querias comigo, Iokanaan. Me rejeitaste. Disseste palavras más contra mim. Punha-te diante de mim como se diante de uma puta, como se diante de uma vadia; eu, Salomé, filha de Herodias, princesa da Judéia! Bom, ainda estou viva, mas tu estás morto, e tua cabeça me pertence. Posso fazer com ela o que quiser. Posso jogá-la aos cães e aos pássaros do ar. O que os cães deixarem os pássaros do ar devoram... Ah, Iokanaan, Iokanaan, foste o único a quem amei entre os homens! Todos os outros me eram odiosos. Mas tu eras belo! Teu corpo era uma coluna de marfim posta sobre pés de prata. Era um jardim cheio de pombas e lírios de prata. Era uma torre de prata adornada com anteparos de marfim. Nada havia no mundo de tão branco quanto teu corpo. Nada havia no mundo de tão negro quanto teus cabelos. No mundo todo nada havia de tão vermelho quanto tua boca. Tua voz era um incensário que esparzia estranhos perfumes, e quando olhava para ti eu ouvia uma estranha música. Ah! Por que não olhaste para mim, Iokanaan? Com o manto das tuas mãos, e com o manto das tuas blasfêmias, escondeste teu rosto. Puseste sobre teus olhos o velame daquele que via seu Deus. Bem, tu viste teu Deus, Iokanaan, mas a mim, a mim nunca viste. Se me tivesses visto, tu me amarias. Eu te vi e te amei. Oh, como te amei! Eu te amo ainda, Iokanaan. Amo apenas a ti... eu tenho sede da tua beleza; eu tenho fome do teu corpo; e nem vinho nem maçãs podem aplacar o meu desejo. O que devo fazer agora, Iokanaan? Nem as cheias nem as grandes águas podem saciar minha paixão. Eu era uma princesa, e me desprezaste. Era uma virgem, e não quiseste tomar de mim a minha virgindade. Era casta, e encheste minhas veias de fogo... Ah! ah! por que não olhaste para mim? Se me tivesses olhado, tu me amarias.  Sei bem que me terias amado, e o mistério do Amor é maior do que o mistério da Morte (...)
Ah! Beijei tua boca, Iokanaan, Beijei tua boca. Havia um sabor amargo nos teus lábios. Seria o sabor de sangue?...Não; mas talvez fosse o sabor do amor... Dizem que o amor tem um sabor amargo... Mas o que importa? o que importa? Beijei tua boca, Iokanaan, beijei tua boca.

2 comentários:

  1. O desenvolvimento ficou um tanto confuso, mas gostei do que li e adorei as referências literárias!

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  2. Acho que ficou confuso porque ainda não sei distinguir bem um do outro. Para mim, é uma linha muito tênue, sabe...

    E além disso, usei um texto marxista da faculdade, de uma professora de Antropologia. E aí já viu. É, ainda tenho birra com Marx!

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