domingo, 7 de agosto de 2011

Martin X Tolkien (Parte 2)

E aí, véi.

Sussa? Aqui tá. Ainda tô perrengando, mas tá dando para ir. É mesmo. Mas tenho algumas novidades. Uma delas é que fiquei enfurnado a semana toda lendo o primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo. Pois é, tenso. Não faça isso, é cansativo ler quinhentas páginas em tão pouco tempo. Fora que fiz isso com Senhor dos Anéis também... É, pois é.

Preciso urgentemente voltar a estudar ou arranjar outra coisa para fazer... Tem mais! Meu amigo Vitor me deu a honra de sua presença ao assistir o novo filme do Lars Von Trier, Melancolia. E, recomendo! Tipo, não tem como eu contar a história sem estragar o filme inteiro - porque ele te surpreende. E ninguém merece spoiler, né não?

Ah é, e devo desculpas ao Vitor. Cheguei atrasado e fiz ele perder o começo do filme. Vacilei, cara. Foi mal. Mas se tem duas coisas que eu faço bem é atrasar e me perder. Sério. Mas estou trabalhando nisso para mudar. Mesmo, me esforçando com todas as minhas forças!
Link
Enfim, deixa eu parar de enrolar e ir direto ao que interessa. O motivo de estar aqui reunidos hoje. Bom, tudo começou com essa reportagem aqui. E me levou a tamanha ira e fúria que me levou a escrever a primeira parte das divagações sobre. Assim, eu ficaria muito feliz se você lesse a primeira parte. Lê lá?

Pois é. Mas foi bom porque me incentivou a ler o livro e ver o seriado de televisão, e ter meus pareceres. Polêmicos, muito polêmicos, eu diria. Talvez até mais que mamilos. Tá, nem tanto, mas que com certeza pode te surpreender. Quer ver?

ù-u

Deixa eu começar então. Hmm, por onde? Deixa eu falar da adaptação, então. Tipo, errei a maioria dos persongens! Eles ficaram bem diferentes daquilo que eu pensava. Alguns para melhores, outros nem tanto. Mas desse ponto não posso reclamar, não. A série ficou muito bem ambientada.

Procevê! A Muralha, os castelos, os exércitos e campinas, tudo ficou muito bem feitinho. Satisfatório, diria. Muito melhor do que eu imaginava como tudo era. Mesmo. Quanto aos persongens, achei alguns com uma expressão muito gentil como Robb, Jon, Daenerys. Mas isso tem explicação: como não dá para saber o que cada personagem está pensando, isso tem de ser expresso no rosto deles.

Simples assim. Não me agradou muito, mas, como já disse, de nada posso reclamar. A Catelyn ficou exatamente como eu imaginava! Incrível!! E para Cersei pensava em alguém como Michelle Pfeiffer ou Helena Bonham Carter. Daí veio Lena Headey e arrebentou, muito acima da minhas expectativas. Tipo, e aquela cara dela de bandida? Putz, me convenceu!

Mas nem tudo são flores. Houve algumas mudanças. Os lobos são mal aproveitados na série, além de algumas coisas que foram mudadas. Jaime e Tyrion sofrem adaptações para passar o ódio ou afeto necessários sentirmos por ele - pelo que o autor descreve nos livros -, fora os diálogos que tiveram de ser adaptados - em alguns são com personagens diferentes da do livro -, outros diálogos e situações simplesmente não existem.

Ah é, fora que cada personagem está com uns dois ou três anos a mais no seriado do que tem está no livro.


É compreensível, já que foi uma aposta em dez capítulos - que acabou por acertar em cheio. A partir do sétimo capítulo começam as alterações mais radicais, como demonizar Theon Greyjoy, por exemplo. E o que é comum em seriados também, para aceitação do público e a coisa toda. Só espero que não distorçam demais a história. Até agora, apesar desses mínimos detalhes, a adaptação está sendo boa.

Ahn-ham. Também pensei que nunca diria isso, gente. Também pensei. Procevê como as coisa mudam. Podem ficar tranquilinhos e tranquilinhas, capaz de eu reclamar de alguma coisa da segunda temporada. Porque, agora que a série tem reconhecimento - e espero que também tenha mais episódios - com certeza o diretor vai querer colocar a visão poética na coisa e começar a futricar demais, distorcendo e estragando tudo. Você vai ver, já comecei a ver isso no final da temporada...

Bem, tomara que não. Porque fizeram isso em Senhor dos Anéis (já que o objetivo aqui é "comparar"). As Duas Torres é terrível! Tipo, mudaram demais as coisas. Nos outros filmes é compreensível por aquilo que já falei (a história de adaptar para o mercado, de estarmos na era da imagem e a coisa toda). Mas se você quer saber, é um filme que precisa ser urgentemente suecado. Talvez seja o próximo da lista.

É mesmo. Mas deixa eu parar de falar da série e começar a falar do livro. Não tem mesmo como comparar ao Tolkien. Sério, Tolkien é mesmo mais cansativo e cheio de detalhes pelo motivo que já você já deve ter cansado ou cansada de escutar: o fato de em 1940 as coisas serem bem diferentes do que são hoje. Vou te poupar tempo, mesmo porque tá chato eu ficar só falando isso.

Martin faz fluir melhor seus textos e a Nana Whatever (esqueci o sobrenome da véia e nem faço questão de pesquisar pelas porcarias que ela escreveu) estava certa nesse ponto... até certo ponto. O cara tem fórmula para escrever capítulos. Tem sim! E vou te mostrar!

Cuidado com que vai dizer, Diego!

O capítulo começa com os personagens fazendo alguma atividade ou exercício - e demora algumas linhas para que você entenda bem ao certo o que ele ou ela está fazendo. Depois vem uma descrição ou diálogo a respeito de algo que aconteceu ou sobre o que está acontecendo no reino, as maquinações e coisas assim. Daí fazem alguma coisa aparentemente sem importância e a coisa vira de uma vez, te prendendo de forma surpreendente: alguém diz ou faz algo que impulsionam ou mudam sua visão das coisas.

E Martin sabe fazer isso muitíssimo bem. Só que, vem cá, o tio Tolkien tinha formulazinha para escrever? Ahn, desculpa, então...

Sacou? Não estou dizendo que um é melhor que o outro. Não, não. Longe de mim! Tô dizendo que o tio Tolkien tinha uma história linear e sem reviravoltas porque o foco dele não era somente elfos, anões, hobbits, magos, ents, orcs, homens e reis. Era a Terra-Média e toda sua história. Martin mostra bem Westeros, mas foca-se em cada um de seus personagens e como, a partir das atitudes de cada um, a coisa vai desenrolando.

Para isso, ele prende a atenção do leitor dentro dessa linha. O tio Martin, eu digo. E pode ver que é mais ou menos assim que acontecem a cada capítulo. E aqui já aproveito para deixar mais uma: não é uma história densa. Não, não é. Aceite isso e supere. De maneira nenhuma isso rebaixa a obra. E te explico o motivo de falar algo tão ousado assim.

Tolkien tem a descendência de seus personagens e história para cada um deles, se brincar. Ele conta em poemas e canções feitos épicos de personagens que não aparecem, mas são essenciais - como Beren e Luthien, personagens que tem suas histórias reveladas em Silmarillion e aparecem com alguma frequência em Senhor dos Anéis. Do nada ele começa a viajar no meio da trama e contar o que tinha acontecido em tal lugar - o que é um dos motivos de deixar a narrativa mais pesada.

E que muitas vezes da sono.

Então, quando falo em densidade, profundidade, quero dizer que existe toda uma história por trás da primeira história. Com igual riqueza de detalhes e sucessão de acontecimentos, se você for procurar. Tipo, em Guerra dos Tronos também temos as coisas muito bem explicadas e árvores genealógicas muito bem feitas, se quer saber. Mas e os detalhes? Sabemos de um Rei Louco, outro que unificou os Sete Reinos. Que houve uma rebelião beira-mar e que povos os selvagens do Leste nunca cruzaram o mar para criar confusão por essas bandas...

Mas é só. Não dá para sentir que Martin realmente tenha uma origem para todas as coisas, como aqueles chamado de Outros, por exemplo. Em duas páginas já dá para você saber tudo sobre essa galera - quando Rickon e Bran conversam com Miestre e aquela doidinha que fugiu do Sul, lá pro final do primeiro livro (uma das minhas partes favoritas, aliás). E fim. Se Tolkien exagera para mais, Martin para menos.

Claro que é só o primeiro livro e o autor não quer entregar o ouro assim tão depressa, mas não vai chegar a ter algo tão bem bolado, não. Já dá para saber desde já, visto que a história se passa no presente, não focando muito no que já foi.

E, na boa, Martin nunca vai conseguir se equiparar a Tolkien nesse quesito. Nunca. Sabe por quê? Porque nunca se propôs a isso. Simples assim. É difícil ver isso? Então para que fazer reportagens babacas a respeito da coisa? Só para mostrar o quão babaca você é?!

Hunf! Ora!!

Sério mesmo, por que comparam as duas obras? Céus, Shrek se assemelha mais a Senhor dos Anéis do que Guerra dos Tronos!! Tá, exagerei agora, mas... sei lá! Graças a minha amiga Simone Saty, que falou que Martin tem o tio Tolkien por maior influência acalmei meu espírito, mas... é muito diferente. MUITO!!


É, num é, Diego?

Tô dizendo, Arya. Por mais que os persongens de Martin tenham olhos lilases, costumes e aparências diferentes, são semelhantes no quesito de falhas e dúvidas. E não tem essa de poderes especiais. Quando há algo mais fantástico, não cai naquela coisa mágica e clichê que estamos acostumados - mesmo tratando de zumbis glaciais ou mesmo dragões medievais, o cara sabe explorar de maneira magistral as criaturas.

Ou seja, não vai acontecer nada mágico que resolva todos os problemas. Entende? Vai depender de como cada um vai utilizar seus artifícios colocando em prática suas estratégias. É tipo assim: do que adianta ter um tanque de guerra sendo que você não sabe manobrá-lo?

Outra coisa bacana é a maneira como tudo acontece para depois, com uma mínima obra "do acaso", tudo mudar de rumo.

Como na parte do Rei Robert e a caçada. Parecia que tudo iria se resolver quando o bom rei (tá, nem tão bom assim, vai) voltasse, até que acontece o que acontece. E o lance do Eddard também, que se sujeita aos conselho do Aranha e por aí vai...

E nisso o tio Tolkien nunca vai ser melhor que Martin. Sabe por quê? Isso mesmo, vejo que aprendeu a lição lá de cima! E merece um abraço. Pode me cobrar da próxima vez que me vir. Ou reivindicar o prêmio me visitando aqui em casa. Depois te passo o endereço, se queiser.

Pois é. Mas nem tudo são rosas. Tem um ponto que Martin vacila: se Aragorn fica um saco por ser o rei bam-bam-bam depois de um determinado ponto no livro, Eddard também peca aí. O cara é certinho demais. Dou um desconto no final, quando decide "pagar" o Exército Real, mas qual é, foi por uma boa causa. Ninguém pode reclamar, os dois são igualmente heróis galantes nesse ponto.

Bom, tô ficando sem argumentos. E já falei demais, então vou tentar resumir, beleza?

Tem outra balela gigantesca: você não muda de opinião pelo fato de cada capítulo ser contado segundo a visão de outro personagem. Não mesmo! Se não simpatizei com um, não vou entender seu ponto de vista e a coisa toda. Conversinha. Não gosto do Tyrion, nem da Sansa. Quero ver a cabeça do Robb num espeto - mas não primeiro que a da Cersei. E se a Catelyn morrer não vou dar a mínima falta.

Bonitchynha, né? Ficou parecendo a Emily Brown em Sucker Punch. Mas a Dany do livro consegue ser ainda melhor que essa. Procevê!

Falo mesmo.

Não é pelo fato de ver as coisas se desenrolarem em lugares diferentes, sob pontos de vistas diferentes que vou mudar meu amor ou ódio pelos personagens. E esse é um péssimo argumento da jornalista medíocre da Veja - você não muda de opinião conforme o passar do livro. Não muda, não!

Aliás, mais um ponto forte do Martin. Ele pode te fazer odiar um personagem em poucas páginas. E, tipo, odiar mesmo, de querer vê-lo morto. De fato, só torço para três personagens: Jon, Arya e Dany. O resto pode morrer tudo! É, eu sou mau. Mau que nem o Pica-Pau.

Mais um argumento furado é que a leitura te prende e deixa sem fôlego. Nem sempre. Em alguns momentos as descrições martinianas são desnecessárias e cansativas, tanto quanto o tio Tolkien. E quanto ao argumento estapafúrdio de bem e mal... na boa, se você ainda tá nessa, precisa ler mais sobre psicologia.

E parar de ver novela.

Falo mesmo!

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, tem ainda mais um argumento inválido, que são os da traições - nenhum personagem trai do nada, sem que você não esperasse. Existe motivos para suspeitar de quem se deve suspeitar. E quando acontece algo inesperado, como o caso Sansa, é por pura ingenuidade (para não falar boçalidade) ou alienação dos mesmos.

Então tá, né...

É que da raiva, sabe, Lena. Dá raiva! Bom, então acho melhor eu parar. Já estou começando a tomar ódio da tal jornalistazinha e querendo vê-la empalada! Pelo menos espero convencer alguém de que as comparações não condizem. Não quando se quer achar um "superior" ao outro. Bom, é claro que você pode pensar assim. Bem como posso te imaginar sendo empalado.

Cara, eu sou muito mau! Quero dizer, minha mente é muito cruel, haha! Enquanto não sair daqui de dentro dessa cabecinha tá bom, como bem dizia meu bom e velho professor de Psicologia! Então deixa eu ir embora antes que comece a sodomizar meio mundo e castrar o outro resto a golpes de facão.

Espero que tenham gostado, amiguinhos e amiguinhas do meu coração, e que voltem sempre. Valeus!

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