domingo, 5 de junho de 2011

Dinheiro: a origem

Oi, povo.

Tudo bem? Espero que esteja. Aqui tá. E o jogo da seleção, heim? Cê viu? Eu gostei. O primeiro tempo foi chato, até dormi depois daquele chute do Ramires. O segundo foi bom, com belos lances Neymarianos e boas oportunidades. O goleiro da Holanda é bom.

Aí o Ramires foi expulso, o Lucas não conseguiu se encontrar bem na partida com essa seleção e o Neymar começou a fazer o que sabe melhor quando está perdendo: cair. Sério, me irrita ele ser tão cai-cai. Mas não dá pra negar que foi um bom jogo da seleção, sim. Uh-hum, mesmo não ganhando. E é bacana receber jogos assim na nossa província.

Porque, você sabe, Goiânia é uma província.

" Vai ser bonita assim lá no Japão!"

Enfim, jogos da seleção a parte, vamos ao que interessa. O assunto de hoje, como disse no domingo passado, é dinheiro. Tomara que não fique tão enrolado quanto na vez que desembestei a falar sobre a morte... foi triste...

Pois é, mas promessa é dívida. E dívida também é assunto de hoje. Então, será que dinheiro é mesmo tudo nessa vida? Qual a importância desse danado em nossas vidas? Por que ele é tão cobiçado - e tão odiado pelos marxistas de plantão? Como funciona a paradinha toda?

É mesmo. Então vamos começar. Desde que o homem é homem, ele precisa de coisas. Seja para existir ou ostentar, não importa. A gente precisa dos objetos. E eu não sei porquê. O fato é que a troca é a base para se conseguir o que se quer.

E, como todo mundo sabe, não podia deixar de dar meu parecer espiritual aqui. É, você sabe, meu lado espiritual volta e meia tem de se manifestar. Para mim é algo transcendente a materialidade. É questão de equilíbrio da natureza. Não dá para simplesmente obter algo sem ceder outro algo. É tipo a troca equivalente dos alquimistas, sabe?

Pois é. Equilíbrio da natureza, Tao Chi e a coisa toda. Dizem as historinhas marxistas - eles gostam muito de contar essa história - que tinha o carinha que plantava algodão e outro que fazia móveis. Esses carinhas se encontravam para trocar seus objetos sobressalentes segundo o tempo que demoravam para produzir.

E todos eram felizes, alegres e satisfeitos, não havia crimes, nem roubos, nem estupros,nem nada de mal na face da Terra. Exceto um bicho ou outro que ataca a pequena tribo de hobbits do condado... ops, história errada! E todos eram muito felizes vivendo em seus estabelecimentos sem ter de se preocupar com o mal que não existia.

"Vixi! Proncovô?"

Ou pelo menos é isso que, pelos discursos, algumas pessoas de discurso de esquerda pensam que eram as coisas. Não vamos entrar no mundo deles e considerar que as coisas eram desse jeito. Vou te contar como eram mesmo. Vai lendo.

Aham... acontece que quando as pessoas não estavam comendo, caçando, criando bichos ou plantando coisas comíveis, dando bronca na molecada que pela miléssima vez azucrinava os animais, rabiscavam as paredes (da caverna, da choupana ou da oca, o que quer que fosse, já que crianças são pestes em todos os lugares) ou fazendo qualquer jogo diabrático - já que desde sempre essas criaturas tem a função de destruir toda a raça humana, tenho certeza - , a vida era muito tediosa.

Assim, mu-u-u-u-u-u-u-u-u-u-ito tediosa. Mesmo. Não tinha nada de bom para fazer. E aí quando não tem nada de bom para fazer e tem duas pessoas num estabelecimento quente, você sabe, acontecem coisas. É, sexo mesmo. Tórrido e selvagem. Por horas a fio. Não importando se fosse de dia. Era só mandar os pivetes irem inventar um jogo perto da cabana (oca ou caverna) do seu Ramiro, o velho ranzinza que odiava tudo que respirasse ou se movesse. Ou o que viesse primeiro.

E a conseqüência disso foi um aumento gigantesco de pessoas. Em todas as partes em que alguém já produzisse, plantasse, cozinhasse e trocasse coisas. E claro, transassem. É, você sabe, elementos de uma pequena sociedade organizada. Daí aos poucos as coisas foram mudando. E o seu Ramiro detestando mais e mais as crianças, resultando em muitas vidraças quebradas e bolas furadas.

"Foi a girafa com umbigo, mãe!"

Calma, dá uma pause aqui. Vamos falar dessas pessosa, os seus Ramiros. Eles sempre existiram durante toda história da humanidade. É o que acontece com as pessoas quando elas não podem fazer mais amigos. Aliás, os seus Ramiros são seres transcedentes, acho que eles nem tem órgãos de sexo mais. São assexuados, sabe. É só ver que sempre tinha/tem um velho ou velha xarope na sua vizinhança que todo mundo tinha/tem medo.

Uh-hum, é outra criatura. Com o tempo, determinadas pessoas passam a ser dominadas pelo ódio e pela tristeza, e o rancor se apossam de seus corações. Isso faz com que elas se tornem outros seres. Ranzinzas, poliqueixosos, misantropos e que adoram a programação de domingo da televisão. Tipo o Gollum, sabe?

Pois é, aí a coisa foi crescendo. E a sociedade foi precisando ir se organizando, separando as funções. Uh-hum, tenho certeza de que foi assim que aconteceu. Mas já não podia mais ser assim, sabe? Porque nem sempre dava pra produzir excedentes e algumas pessoas acabavam morrendo. Você sabe, as que eram excluídas por algum motivo. E não, pessoas como seu Ramires nunca estavam entre elas.

Pois é, chovia, tinha enchentes, tempestades, secas e toda má sorte de interpéries da natureza. E muita, muita gente pensando para mudar a situação e progredir. E por mais que se pesquisasse e mudasse, não é possível controlar a natureza. Você sabe, maremotos, terremotos, furacões e coisa toda.


Assim sendo, algumas mercadorias passaram a ser mais procuradas do que outras. Para construir lares, objetos para locomoção movido a animais, lugares mais seguros e afins. Pois é, já não dava mais para contar através das horas. E aí que um símbolo que representasse isso teve de ser criado para as trocas. Tcha-nãm! Estava criada a moeda!

No começo decidiram trocar bichos. Por exemplo, a palha para telhados valia quatro bois e duas vacas - porque era o que morriam durante a viagem para trazer a palha. Mais isso não dava certo, porque os bichos tinham crias. E dar o troco em bezerros sempre era chato.

Além disso, metade morria na seca. Outra metade era comida com um pouco de salpicão e hortaliças diversas.

Daí tiveram a ideia genial de trocar sal. Com certeza veio de alguém com pressão alta e não podia provar metade dos bois que eram sacrificados na época de fome e seca. Queria acabar com a boa vida do povão, porque é isso que gordinhos famintos fazem, azucrinam a vida dos outros. Eles competem com as crianças em chatice. Claro, quando famintos.

Logo as pessoas viram que era uma péssima ideia. Extrair sal do mar era um saco. Além de ser um saco trazer o danado do sal lá dos quimba para salgar a comida. Aí elas viram que era definitivamente uma péssima ideia utilizar comida com símbolo de troca.

Por isso os gordinhos e gordinhas são excluídos da maioria dos assuntos até hoje. Tô dizendo, tá no inconsciente coletivo. Nunca brinquem com a alimentação dos outros quando sua dieta alimentar é reduzida. A comunidade jamais te perdoará.

"Vai mais, besta!"

Bom, como ia ser então?

Você sabe, era bem difícil achar coisas que brilhavam antigamente. E a humanidade tem fascínio por coisas que brilham. Sim, isso inclui pessoas - as louras e ruivas. Isso tem a ver com o sol - e com o calor, que no caso das ruivas (e ruivos?) trazem pelo vermelho um fascínio sensual místico... bem, meu amigo Vitor pode explicar melhor. Qualquer coisa pergunta ele. É gente boa, vai te responder sobre qualquer coisa relacionada a ruividade da humanidade.

Mas eu já falei sobre isso. O importante é que objetos luminates fascinavam/fascinam homens e mulheres. Ou boa parte deles e delas. Aí tenho que te contar a história do Esternoval. Porque ele era bom em achar coisas. Então achava coisas brilhantes facinho. E todo mundo tinha inveja dessa habilidade. Mas suas pedrinhas nitescentes vira e mexe eram roubadas, então durante um bom tempo ele temeu por sua vida e parou de procurá-las.

Mas aí os tempos mudaram! Sim, as habilidades de Esternoval seriam muito úteis para nova ordem. Resumindo: Esternoval começou a produzir e cunhar suas pedrinhas para que pudessem ser trocadas por comida, roupa e outras sorte de coisas. Aliás, tinha até quem fizesse até sexo por alguma delas.

As pessoas então concordaram que aquele material bonito era definitivamente algo realmente bom de se ter. E prático de se trocar. E todos concordaram que qualquer um poderia fazer, desde que tivesse o selo da tribo (clã, vilã, cidade-estado, sociedade autônoma, o que fosse). E decidiram (por horas de trabalho e construção) o quê e quanto cada coisa ia valer.


Daí que as habilidades de Esternoval e seu imensurável número de pedras e moedas cunhadas fizeram dele um homem invejado, admirado, elevado ao um estado de semi-deus (e sem Deus, de certa forma). De fato, os mais fortes o protegiam dia e noite por um tanto das cobiçadas pedras. Pois é!

Foi criada a Esternoval CO., com amigos mais chegados que ele transmitiu a técnica de achar coisas. Eles o ajudaram a montar um horda de subempregados para fazer a sociedade progredisse por umas míseras pedrinhas. Loguinho outras pessoas também fizeram o mesmo, porque eram tão boas quanto Esternoval para achar coisas - principalmente materiais cintilantes.

E essas pessoas ficaram arrogantes, prepotentes e sem bom trato com os outros. Assim, má educadas, como se fossem melhores que todos. De fato, seus trajes diziam isso mesmo: eu sou melhor do que você. Se tornaram pessoas tão insuportáveis quanto o seu Ramiro. A diferença é que sempre tinham pessoas que fingiam gostar deles por uma pedrinha ou outra.

E essas pessoas acabam por ser muito, mas muito pior que o seu Ramiro. Umas quinhentas vezes. Ao cubo.

Procevê! Teve até uma vez - tamanho o puxa-saquismo - que Esternoval subiu no alto de um monte, falou meia dúzia de coisas de como ele era bom e poderoso e que, de fato, era um emissário divino. Só podia. E como tal, voaria por cima de todos e levaria suas preces aos céus. E pulou lá de cima, se estatelando no chão. Que nem uma jaca.


Ele pagou o quanto pode aos curandeiros e feiticeiros de plantão. Mas sua perna nunca mais foi a mesma. A partir desse dia, Esternoval pagava algumas moedas para um criado- tipo o Capaixão - lembrá-lo a todo tempo que era mortal e que poderia perder a perna caso saltasse de um lugar muito alto. Que vexa!

Acontece que as pessoas ficaram assim, mesmo. Viviam suas vidas em função disso, a maior parte do tempo. Uh-hum. Isso porque era a base para se conseguir tudo na Ordem. Comida, um bom lugar seguro das feras e das pessoas que não tinha como conseguir mais moedas, um bom meio de transporte - cavalos, camelos, bois, quanto maior, mais moedas era preciso- , boas roupas que falavam que elas eram melhor que as outras.

É, a sociedade ficou bem idiota. Mas, ei, a essência humana é essa. Idiota. A gente precisa arrumar formas de mostrar que somos melhores, mais habilidosos. E quer melhor forma do que ter um punhado de moedas? Pois é. Melhor do que moedas, só o que elas proporcionam.

Através delas, as pessoas trocavam até informações sobre como conseguir fazer coisas. Uh-hum, aí você tinha que pagar para saber algumas técnicas familiares seculares. Foi assim que inventaram a escola. Assim, alguns conhecimentos básicos eram passado a todos - porque é necessário para que a sociedade continuasse a existir.

Para outros tipos de saberes e técnicas, eram cobrados preços exorbitantes de moedas. Mesmo. Tipo, uns dois carros de bois cheinhos de moedinhas prateadas, douradas e esmeraldas. Sim, bem gay. Mas ninguém ligava para isso. Você pode ser o que quiser se tem objetos tão magníficos assim. É só dar um nome grande e bonito para designar que ninguém vai ligar.

Tipo tutu (pobre) e feijão tropeiro (pobre que ficou rico, mas adora a comidinha que a vovó Tércia sempre fazia). Tipo doido (pobre que inventa alguma moda sem muito sentido) e excêntrico (rico que inventa a mesma moda). Tipo traveco (pobre) e cross dresser (rico). Tipo...

"Gay não. Extravagante!"

Pois é. Acontece que as pessoas ficavam felizes com isso, sabe. Sim, o troço traz felicidade, sim. Alguns bonados de moedinhas, que descobriam que todas as pessoas a sua volta tinham eram inveja e não admiração, disse que não dava felicidade. Mas dava sim. E as pessoas se sentiam bem com que podiam fazer.

Assim, dentro das normas estabelecidas, cada um fazia o que bem entendesse. Podia juntar para comprar um novo camelo ou cavalo - talvez um avestruz ou burrico, dependendo do número de moedinhas e do lugar - , ver novos ambientes, comprar novos trajes ou objetos diversos, comprar substâncias "da paz, véi" e muitíssimas outras coisas. O melhor é que ninguém obrigava ninguém a fazer nada com as moedinhas que tinham.

Liberdade, uh-hum. Cada um trocava por aquilo que mais gostava. Até para ver as pessoas criando histórias, por exemplo. Numa delas, um carinha disse assim: "Moedas compram tudo. Inclusive Amor verdadeiro".

A verdade é que muita gente se perdeu nisso. Ora, a coisa era boa - e necessária, e muito! - mas não era a finalidade de tudo. As moedinhas são importantes, sim. Mas só moedinhas não. Existem coisas mais legais para se fazer nessa vida. Ela tem de ser uma aventura, entende? E não independe da época que se viva.

Foi aí que precisaram mudar de novo o objeto de comercialização. Isso porque, como era imaginado - mas ninguém achava estar vivo para presenciar esse dia - as pedrinhas cintilantes começaram a acabar. Procevê!

Aí que outra pessoa que sabia uma técnica milenar deu a genial ideia de produzir papéis e fazerem eles valerem diferentes números de moedinhas e adornos áureos. O que pareceu plausível já que ninguém comia papel e todos sabiam que ele dava em árvores. Ótimo, era isso que iam fazer.

Moedinhas viraram privilégio de poucos. E fábricas como a de Esternoval entraram em crise porque se recusavam a mudar de ramo. Ele mesmo teve um triste fim, numa busca desesperada por pedrinhas nas longínguas e peliagudas terras do oeste. O que você esperava de um cara que queria voar? Pior para ele, já que parentes disputaram até a morte o domínio de suas fábricas, o que desgregou eternamente sua parentela, originando uma guerra sem proporções.


Afinal, eles tinham moedas para isso, mesmo.

E daí, dane-se o restante do mundo, vamos produzir papel-moeda! E os bichos foram sumindo, as pessoas foram se matando - já que muitos queriam, mas pouco tinham como ter acesso as técnicas de enriquecimento ou habilidades para tanto - e o planeta começou a ter peripaques constantes. Que não eram resolvidos com um pouco de água na cara.

Procevê! Aí chegamos onde chegamos. Estamos nessa época aí. Mas ela não é muito diferente de muitas outras. Ora, dinheiro existe desde muito antes de todos nós existirmos. De fato, assim como Amor (que já não aguento mais falar, mas não tenho nada de novo para dizer) não é tudo na vida. Mas os dois são grande parte dela, sim.

Não veem necessariamente acompanhadas, mas são necessárias. Dá para viver sem um ou outro, sim. Mas não por muito tempo, pode estar certo. O negócio é não se perder. O Mario e o Luigi vivem atrás da princesa Peach (aquela vadia que deve transar com o Bowser até não poder mais), que seria o grande amor da vida deles, mas no caminho eles coletam moedinhas.

Olha só, até o Sonic, o ambientalista dos video games, juntava anéis de ouro. E se coletasse sete esmeraldas e cinquenta anéis, ele virava o Super Sonic e podia até voar. Hm... a Sega deve ter se inspirado na história do Esternoval...

Ele é necessário. Traz mais poder (de compra e, por isso, de status) quanto mais se tem, é verdade. Pode mudar o comportamento das pessoas, é verdade. Deixa as pessoas mais bonitas, é verdade. E mais estúpidas... é verdade.

"Deve ter o pinto pequeno. Só pode!"

Mas aí você é que está se vendendo para ele. E não o usando para seu bem. Percebe? Uh-hum. Por isso acho marxismo viagem, e prefiro ficar com as teorias do Freud, obrigado. É muito simples, minha gente, é só ser convicto de quem você é e do que quer ser dessa vida. E usar o Dinheiro e Amor, em doses necessárias.

Sim, se você se vender para o Dinheiro, é pouco inteligente. Emocionalmente, eu digo. O mesmo acontece se você se render ao Amor. Como diria as músicas mais vendidas dos Beatles, All You Need is Love, mas em seguida vem Money. Acho que não precisa ser nessa ordem, necessariamente.

Enfim, com a palavra final, deixo o Pink Floyd. That' all, folks!
(Isso me faz pensar, como o Coyote pagava a Acme? Será que usava Cartão de Crédito? Ele deve ter um American Express...)

Vejo vocês por aqui! Até mais!!

2 comentários:

  1. gostei da minha citação e da história, apesar dos devaneios, as vezes desnecessários na minha humilde opiniao! kkkk

    com o fundo claro, parece q ficou melhor d ler.. aquele fundo preto deixa as coisas meio pesadas.. observei isso qdo li na atual configuração kkkkk

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  2. Hehe! Viajei, mesmo. Era pra coisa assumir um caráter histórico e depois uma crítica ao marxismo. Ia ser um post meio que de protesto contra ideias de esquerda meio incabíveis.

    Aí no meio do texto eu comecei a alucinar... deu no que deu, o mal está feito. Enfim... vou mudar esse fundo logo, logo.

    Sei lá, vai dando um calor quando tô lendo...

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