Eu, Sabrina, repórter investig... opa, hehe! Pessoa errada! Palhaçadas à parte, como vocês estão? Espero que bem. Aqui tá sussa. Uh-hum. Apesar de sem muitas novidades. De fato, tava sem ter o que falar hoje. Na verdade tenho muitas coisas para falar. Mas todas são nerds e tô ficando sem jeito para ficar lotando o blog com isso.
Sabe como é, né? Sempre é bom diversificar.
Assim, tenho de falar sobre Fullmetal Alchemist, Dragon Ball GT, Dragon Ball Z (uma surpresinha), Totoro, além de Scott Pilgrim suecado – que deve render uns três domingos –, que já venho prometendo há tempos. É, muita otaquice pro meu gosto.
E também pensei em falar sobre dinheiro. E vou, bem provável semana que vem. Não vou falar hoje porque vai ser como o post sobre a morte. Não que tenha ficado ruim, mas não atingiu o ponto que pretendi, sabe? Pois é...
Fiquei rodeando e não cheguei a lugar nenhum, sabe?
Então, como já tava meio sem rumo, decidi fazer um resumão sobre as teorias de Amor. É, eu sei, acho que vocês, amiguinhos e amiguinhas fieis e leais (e imaginários) que acompanham minhas sandices insanas, já devem estar enjoados de ouvir sobre isso tanto quanto estou de escrever. Mas vai ser legal e te explico o porquê.
Tentei dar uma contextualizada, entende? Pegar as partes que mais considerei relevantes de todos os filósofos e dar uma embaralhada com duas teorias diferentes sobre o tema de dois diferentes psicanalistas: Caterina Koltai e Flávio Gikovate. Uh-hum, como anda essas teorias nessa nossa pós-contemporaneidade?
Você sabe, como casamento, relacionamento e a coisa toda. Antes de começar, deixa eu dar uma alerta: tudo aqui é minha humilde opinião. Sim, sim, são coisas minha, minhas loucuras e interpretações desse mundo cão. Então, você quiser ter algo mais concreto ou diverso, é só ler os outros posts entitulados como “Existe amor?”, aqui mesmo, dividido em três partes.
Então, vamos lá.
Amor é falta, insuficiência, conservar o que não se possui. É querer estar com alguém quando ausente, sem desligar-se da pessoa em suas atividades prazerosas e querendo o bem dela. E claro, sem ser imposto a isso – gostar por livre e espontânea vontade.
Para isso, vale lembrar, que sexo nada tem a ver com a coisa. Isso porque é algo para propagação da espécie, sendo cega e desesperada “vontade de viver”, como bem nos lembra Schopenhauer. Aliás, a sublimação da libido – reprodução de sensações voluptuosas relacionadas as “zonas erógenas”, sendo o impulso sexual apenas um deles – seria Amor.
Seria também reconhecer uma individualidade diferente da minha e saber colocar-se em seu lugar, mesmo como toda essa diferença. É um querer ser desejado, ser necessário. Ser um objeto para o outro, um instrumento sem ser um humilde, obsceno ou ridículo. E comofas para durar? Ter incidência no futuro de forma que os planos nunca sejam plenamente alcançados.
E digo mais: que estejam se refazendo e se definindo. É preciso ter planos, compartilhar sonhos e não apenas depender do sentimento. Sim, só sentir não é o bastante. Isso mesmo que estou dizendo: Amor não é só sentimento.
Requer sacrifício das pessoas envolvidas, enriquecendo e realizando as personalidades, respeito recíprocos e fidelidade ao compromisso assumido. E é nisso que vou bater o tempo inteiro nesse post. Essa teoria é de Russell, pensador contemporâneo, que parece descrever muito bem como são as relações hoje.
Bom, te poupei de três postagens quilométricas. Os últimos cinco parágrafos nada mais são que um resumão dos últimos três domingos. Claro, segundo o que acredito ser a coisa toda. Viu, nem precisa ler!
Procevê!
Dentro disso, vamos ver a definição segundo a psicanalista Caterina Koltai. Segundo ela, temos uma ilusão de Amor eterno que seria um fantasma de perfeição. E isso acontece porque durante o tempo, tivemos mudanças do discurso realizado. Por exemplo, o amor cortês da Idade Média, a bela tinha de ser inatingível, onde não podia haver uma resposta e o silêncio era necessário.
E aqui a doutora já diz: não existe resposta para o Amor. Sabe o que é isso, meus caros e caras? Que não existe feedback, retroalimentação na coisa. Não existe um amorímetro, sabe. Isso porque, segundo meu professor de Física do Ensino Médio, Amor não é uma Grandeza Métrica – seria ele uma Grandeza Vetorial?
Assim, por mais que duas pessoas se gostem, não dá para de forma precisa, saber a reciprocidade. Meu professor de Psicologia da Faculdade dizia que não era possível medir tal sentimento como muito e pouco. Você não “ama muito”. Isso não é possível, você ama de maneiras diferentes, mas não em intensidades diferentes.
Argh!, já não aguento mais ouvir essa música!
Desse jeito, não tem como alguém amar os filhos de maneira igual. Pensa bem e você vai ver que tem lógica: você não ama seu irmão ou irmã da mesma forma que ama seus amigos, pai ou mãe – ou qualquer outra pessoa. Isso porque são pessoas diferentes, com qualidades diferentes que tem maior ou menor empatia com sua personalidade.
É mesmo, é mesmo. Procevê, meu povo.
Mas deixa eu voltar aqui. Querer ter um retorno seria um ideal de perfeição. Uma utopia – um lugar sem mal estar, sem sofrimento, em perfeita harmonia onde todos seriam felizes. Pois é, mas Freud vem nos dizer que isso seria impossível. E diz mais: os problemas que temos não são devido às desigualdades sociais e sim as forças de nossos instintos em desarmonia com as ideias de civilização. Uh-hum, e isso resultaria num constante mal-estar.
Por isso que marxistas têm ódio mortal pela psicanálise. Aliás, se quiser ser expulso de um grupo intelectual de qualquer universidade pública, basta dizer que começou a ler a teoria da psicanálise de Freud e está adorando. É tiro e queda.
Ah-ham, voltando... Assim, o outro nunca nos dá, de forma plena, o que queremos. E o homem nunca será feliz. E os ideais de perfeição sempre remontaram um tempo muito remoto no passado ou algo muito distante no futuro. E foi isso que sempre acontecia em paraísos perfeitos em obras do século XVII, segundo a doutora.
Mas daí os franceses resolveram mudar as coisas. Sim, sim, fizeram a Revolução Francesa e com ela a revolução de costumes. Isso porque é instituída a família tal qual temos hoje, sabe. Pois é. Antes, as coisas eram arranjadas. A partir daqui, o casamento aconteciam pela vontade das pessoas – não mais arranjadas – e por conseqüência, o ideal romântico do “para sempre”.
O casamento seria garantia da moralidade, numa constituição de uma família baseada na razão, não na paixão sexual. Aí temos a diferença entre o desejo e o Amor. Mas eu já disse isso zilhões de vezes, não precisa repetir de novo, né?
Devido a isso, surge a necessidade de educar as crianças. E aqui a doutora afirma uma coisa que me espantou no começo, mas depois fez muito sentido: existe a criação do mito do Amor materno como instintivo e natural. Sim, sim, isso seria uma mentira. E faz todo o sentido: isso garantiria e reforçaria o papel da mulher – e seria uma forma de definir uma função primordial e inquestionável para mulher.
Procevê! Por isso não é incomum ver tantas mães pouco se importarem com seu rebento. Quer dizer, a grande maioria compra o sonho durante a gravidez, podendo mergulhar fundo e exercer mesmo esse ofício... mas as mais carentes não tem todo esse ideal, não. São mais “frias” – claro que isso não é uma regra.
Daí da para ver que a coisa é mesmo cultural. A doutora Caterina diz que antigamente as madames despachavam as crias para amas de leite e pediam devolução quando maiorzinhas. Bom, não sei se era assim, mas devido aos noticiários não duvido nem um pouco.
Enfim, a família se fez necessária por permitir uma vida conjunta. Mas aí veio o Woodstock e mudou a coisa toda. Sim, pois, para doutora, seria uma revolução moderna contra praticamente todos os valores que havia na época. E ainda traz consigo uma frase incrível: “Quanto mais eu faço Amor, mais eu tenho vontade de fazer a revolução”.
Isso porque ambas as coisas envolvem desejos. Eu acho. Assim, não sei bem ao certo. Sei que essa frase ficou muito interessante. Né não?
"Só, bicho!"
Mas aí chegamos ao ponto: a família na atualidade é funesta, isso por causa da criatividade e liberdade sexual. É, sexo. Mas deixa eu falar mais disso: sexo é uma forma de controle e mais, de controle do poder. Sim, de manter as coisas nos eixos e conforme se deseja. É como se fossemos obrigados a ter prazer.
Sim, meus amigos e minhas amigas, sexo é cobrado o tempo inteiro, em todos os lados. Parem e vejam. Parece que você PRECISA fazer ou ter alguém com que fazer. Inclusive moldando o que se deve ou não se deve fazer. De fato, vejam os seriados da Globo antes do jornal que você vai entender. É, pois é.
O fato é que não existe alguém que nos complete. Eu sei, isso dói, mas é verdade. Não tem como dois ser um. Não dá. Aliás, nunca somos tão infelizes quando amamos. É o que ela diz e explica: uma ligação atrasada já é motivo para desespero, desconfiança. E por aí as coisas vão indo. É uma constante demanda pelo outro...
Que nem naquele poema do Drummond (Quero-1973)
De fato, a doutora volta no ponto de Russell: não se deve basear inteiramente no outro para que a relação funcione bem – você precisa de outros interesses, outras ocupações, porque assim não se cobraria tanto do Amor, nem se decepcionaria tanto caso não desse certo.
Vale lembrar onde estamos hoje: no tempo do ficar, de alta liberdade sexual, fazendo com que o Amor fique cada vez difícil de ser alcançado. Com isso, gera alta frustração nos envolvidos – porque sexo é muito fácil e algo distante de Amor. E como eu já disse por aqui, liberdade de mais é um veneno. A coisa precisa de rédeas, sim senhor.
"Que isso, Diego. Vale tudo!"
Enfim, assim como a morte, não existe aprendizado para o Amor. E isso foi meu professor de Psicologia da Faculdade que ensinou. Uh-hum. Nós só vamos aprender a morrer na hora da morte. E, como já bem dizia o Carlos, Amar se aprende amando.
E essa parece ser a hora para mudar de psicanalista. É mesmo. Vamos agora para os pareceres do doutor Flávio Gilkovate.
Para ele, Amor seria o sentimento por uma pessoa específica que traria paz e aconchego. Um remédio para a dor do desamparo – o Amor do feto pela mãe, já que perdeu seu paraíso (que seria o útero quentinho). Sim, seria o remédio para a dor de existir. (Musa dos Olhos Verdes – Machado de Assis)
Para tanto, seria necessária, obrigatoriamente (e obviamente) outra pessoa envolvida. Dentro da teoria schopenhaueriana, seria um prazer negativo, pois dependeria de outro ser. Criando uma relação de dependência. Ao crescermos, substituiríamos esse amparo para terrível dor de existir a outra pessoa – que não nossa mãe.
E aí ele fala um pouco sobre nossas descobertas sapequinhas. Aos dez meses, a criança começa a se tocar e sentir sensações agradáveis. Isso seria um fenômeno auto erótico pessoal de prazer positivo – porque não depende de mais ninguém.
Então, calma, vamos ver direitinho a teoria do doutor. Amor é interpessoal, um remédio para o horror de existir que pode ser encontrado no outro. Prazer, e de certa forma até o sexo, só importa a um dos lados, sendo possível ser alcançado sem consentimento de outra pessoa. Certinho?
Ah tá. E o doutor ainda é implacável e diz: “Não se faz Amor. Amor se sente. Sexo se pratica”. Bom, não sou eu quem tá falando agora. Mesmo porque eu já fui bem enfático da última vez. Procevê que não sou o único que pensa assim – essa foi de novo para vocês, meninas. (Arte de Amar – Manuel Bandeira)
E depois ele diz mais: sexo pode atrapalhar no Amor. Que eu também já disse, lembra? Mas deixa eu continuar. Isso porque os homens tem mais dificuldades em juntar as duas coisas. E é por isso que muitos casais fazem sexo sem muito Amor. E aí ele distingue: geralmente os casais são opostos – um é egoísta e o outro é generoso.
Sim, sim, enquanto um é conformado e até bem liberal, o outro costuma ser oposto. Bom, o cara é terapeuta, não ouso questionar se ele diz que maior parte dos casamentos é assim. Isso quer dizer que um é dedicado enquanto o outro não faz questão nenhuma. E é desse jeito que a coisa funciona.
Ainda diz mais: casais que se dão bem tem vida sexual pobre. Uh-hum. De novo eu digo que são coisas muito, mas muito diferentes.
Esse tipo de relação acontece pelo critério de admiração. E se esse critério acabar, a paixão acaba. E a coisa rui. E, veja bem, com o passar do tempo as pessoas mudam, seus valores e níveis de conhecimento mudam. Assim, não é muito difícil que a admiração acabe, porque seus critérios são outros. (Realidade e Objeto Amado – Mario Quintana)
Entende?
Muita das vezes o desencantamento acontece pelo mesmo motivo que encantou. Um evolui e o outro não. Os projetos de vida mudam. Problemas na criação de filhos, de diferenças financeiras... enfim. E muitos casamentos ainda duram por muito tempo, mesmo com esses desgastes. Por quê? Lembra do post de Enrolados?
Mais ou menos por aquilo lá. Por querer mudar o outro. Ou ter a ilusão de que isso é possível. Ou pode ser também por simplesmente se acomodar com a situação toda. (Transforma-se o amador na coisa amada – Luís de Camões). E quando a coisa acaba, dói. Para ambos os lados. Porque, se as pessoas estão juntas, elas querem que a coisa dê certo.
Né não? (Conjugação de Mestre – Vinícius de Moraes)
Mas com o tempo, as coisas vão se ajeitando. Claro, dependendo da pessoa, com maior ou menor tempo. E dependendo da forma de como se entretém. E de como lidará com a solidão. E essa talvez seja a pior parte, sabe. Porque é mesmo difícil estar só. Não somos treinado para isso, não é mesmo?
Comofas? Pois é. O doutor dá umas dicas. Muito valiosas, se querem saber. Uma delas é essa: independência do outro. Uh-hum, e isso vale ouro. O Amor não deve ser a ênfase da relação – ele deve ser, de tempos em tempos, reinveintado, restaurado de alguma maneira – onde o principal numa relação seria a amizade.
É mesmo. Eles parecem ter muito em comum. Como a ferocidade e... o sono!
Assim a relação seria de qualidade, pois seria primordialmente ligada a afinidades, coisas em comum. Segundo o doutor (e concordo em gênero, número e grau), esse relacionamento dura mais que o relacionamento de opostos. Porque daí não haveria quebra de admiração, já que cada qual respeitaria o outro, sem ter uma entrega completa de si.
Sim, sim. Em um relacionamento de opostos a individualidade não cresce, pois um reforça o que há de pior no outro. Nenhum dos dois muda ou evolui, portanto.
É mesmo, né? O relacionamento afetivo não vai resolver os problemas práticos da sobrevivência. Nem qualquer outro problema. Nem deve servir para fugir de nada. Não deve ser o centro da vida de qualquer pessoa. Deve ter seu espaço certo na vida de qualquer um de nós.
Entende? Amor não sustenta um bom relacionamento. Ele não garante tudo. Porque existem várias formas e expressões de Amor. Você tem de ter outras metas nessa vida. E o relacionamento amoroso tem de ser mais um, não o principal item. Sim, contrariando tudo o que você aprendeu com os romances hollywoodianos baratos.
Você não tem que saber onde seu namorado ou namorada esteve, ou tudo o que fez o dia todo. Isso se chama confiança. Nem precisa estar com ele ou ela o tempo inteiro. Isso se chama autocontrole. Claro que nenhuma dessas coisas são fáceis de se fazer. E podem trazer até sofrimento – como a doutora disse lá em cima, nunca se sofre tanto como quando se ama – mas parece ser o melhor caminho a se seguir.
Digo isso porque já deu certo comigo duas vezes, sabe. Bom, não foi com meninas – porque a coisa tá braba! – mas com dois cachorros. Uma foi a Jolie e outro foi o cachorro do seu Chico na faculdade. Sim, eles me amaram mesmo sendo animais e não entendendo uma só frase de humanês. Mas, acredite, eu consegui me comunicar muito bem com eles. De forma que fizeram exatamente o que eu queria, e tudo que precisei foi um pouco de carinho, respeito e atenção para com eles.
Esse sou eu e a Jolie!
Procevê! Se com os bichinhos, com poucas palavras isso foi possível, porque não com outra pessoa? Estou certo de ser esse o caminho. É verdade. Mas aceito críticas. Afinal, não apliquei a técnica em humanos ainda!
Então é isso, galera! Espero que tenham gostado. Semana que vem mudo definitivamente de assunto, podem ficar tranqüilinhos e tranqüilinhas. Fiquem em paz e até domingo! Até lá!






caramba... só esse post valeu todos os outros facilmente! sem tirar o mérito do seu trabalho kkkkk
ResponderExcluiras teses da galera nos primeiros posts eram muuuito vagas igual eu comentei. Esse posto foi muito palpável, contemplou várias idéias que já tinham passado pela minha cabeça. Fera-radical! kkkk
uma de minhas observações ao tão polêmico assunto relações amorosas é: o que fode é o sentimento de propriedade.
Repare, essa idéia, que pra mim é uma construção (faraônica, por sinal)é tão foda que até as pessoas são coisificadas e a gnt nem percebe. Quando percebe já era, tarde demais. A gente simplesmente deseja pessoas, qdo ela n servir mais a gnt 'joga fora' e quer q a pessoa comporte do jeito que a gnt quer, entre outras coisas...
creio eu que não percebi nada parecido assim nas falas dos autores que você citou... o que achas, cara diego?
Verdade. Filósofos servem para ser vagos, haha! Mas é isso mesmo, nas atuais relações nós desejamos coisas e coisificamos pessoas... ou algo assim.
ResponderExcluirAinda acho que é pelo excesso de liberdade. Mas essa são minha divagações. Tentei escrever esse post tendo algo como base, porque se alguém não concordar pode ir na fonte que busquei.
E não é nada fácil fazer a coisa durar em cair no conformismo ou comodismo. Ou simplesmente encontrar alguém com as mesmas ideias! Mas o importante é não desistir!