quinta-feira, 7 de abril de 2011

Enrolados

Aê, galera!

Tudo bem? Espero que sim. Aqui tá na mesma. Eu sei, eu sei, era pra eu terminar de suecar Sucker Punch. Não se preocupe, eu já terminei. Como os posts de quinta não são freqüentes e tem menor tamanho do que o normal, decidi falar de outro filme legal: Enrolados!



Sim! A qüinquagésima animação da Disney! Nossa, passou voando! Quero dizer, eu acho. A primeira animação foi da Branca de Neve em 1937. E a obra de número cinqüenta não podia ser diferente: um filme de princesa.

E vou aproveitar aqui pra falar uma porção de coisas: a respeito dos romances, do papel da mulher, dos bichinhos engraçadinhos do filme e da “bruxa” – meu personagem preferido de toda animação. Preparados e preparadas, meus amiguinhos e amiguinhas? Então deixa eu parar de te enrolar e vamos mergulhar nessa minha análise do filme!


Bom, nunca li Rapunzel dos irmãos Grimm. E isso é um pecado, mesmo porque meu psicólogo já pediu pra que eu lesse, além de ter tido aulas na faculdade sobre como contar histórias para crianças na pré-escola (contos de fada incluso). Pois é, vacilei. Fazer o que se eu não gostava da professora, né?

Então... não li os contos dos irmãos Grimm, mas achei a história bem redondinha e muito bem adaptada. Ou pelo menos muito criativa e tomando rumos bem diferentes de todas as outras histórias de contos adaptadas – como a tão batida Chapeuzinho Vermelho, que todo mundo já cansou de ver a história. Ver, ler são outros quinhentos.

Lindíssima adaptação da menina de cabelos dourados. O lance da flor da lágrima de sol foi fantástica! Deixa eu parar de elogiar e te contar a trama de uma vez por todas. Pois é, meus e minhas coleguinhas, sentem que eu vou começar. Prontinho? Era uma vez...

Em um terra distante, num belo dia, uma lágrima do sol cai na terra encantada. O resultado disso é o aparecimento de um flor capaz de curar qualquer doença. A primeira pessoa a descobrir tal flor mágica é Gothel, uma velha senhora que morava por ali. Muitos e muitos anos se passaram. Foram tantos que naquelas rendondezas surgiu um reino! Procevê!

Naqueles dias, a rainha esperava um herdeiro. Na verdade, uma princesinha estava a caminho! Mas por um infortúnio dessa vida louca, a pobre rainha caiu doente. Então todos do reino foram atrás da tal flor de sol. Flor essa muito bem escondida por Gothel. Ela usava pra rejuvenescer, bastava cantar uma canção que ficava novinha em folha.


Em seu último cântico de beleza, ela esbarra na moita artificial sem querer e descobre a plantinha anteriormente escondida. Assim, as pessoas da vila a encontram, preparam uma sopa e dão para rainha tomar, que se cura rapidamente. Esse ato, porém, traria conseqüências a menininha que estava por vir.

Então a linda princesinha nasce. Ela possui cabelos claros e radiante, loirinhos. Para comemorar a boa saúde da princesa, o rei e a rainha soltam uma laterna voadora pelos céus. Mal sabiam todos que os poderes mágicos da flor da lágrima do sol foram transferidos para pequena petiz.

E é Gothel quem descobre novamente isso. Ao invadir o castelo naquela noite, começa a cantar para menina e percebe que os efeitos são os mesmos. Basta cantar sua canção que ficará jovem de novo. Descoberto isso, ela tenta cortar uma mecha da menina para levar consigo. Porém, ao fazer isso, os cabelos perdem a luz e se tornam castanhos, esvaindo também seu poder.

Sem alternativa, ela então seqüestra a pequenina Rapunzel e a leva para torre secreta que ficava na floresta. E cria a menina como se fosse sua filha. Cada vez que Rapunzel canta, os efeitos de rejuvenescimento em sua mãe adotiva acontecem. E assim ela é criada, cantando sempre para Gothel e sem nunca cortar os cabelos.


Ah é, ela nunca poderia sair da torre. O mundo é um lugar muito perigoso. Além disso, todos iriam querer aprisioná-la por seu cabelo que cura feridas e brilha no escuro.

Desolados com a perda de sua princesa, todos os anos, o rei e a rainha lançam centenas de lanternas voadoras pelos céus na data do aniversário da menina, na esperança da volta de sua querida filha.

E assim passam-se dezoito anos. E Rapunzel e sua longa cabeleira vivem na torre, isolada de qualquer contato com o mundo externo, a não ser por sua mãe - que nem sonhava ser adotiva. E seu fiel amigo de aventuras Pascal, o camaleão! Sim!! Ela tem um camaleão muito esperto de estimação!

Aliás, aqui vemos o quão criativa a moça é. Ela consegue fazer muita coisa na torre, apesar do pouco espaço. De fato, essa Rapunzel é uma verdadeira artista. Limpa a casa, lava a louça, lê livros, pinta e decora as paredes do lugar, toca violão, alonga, faz tortas e biscoitos, joga xadrez com Pascal, escala, dança e mais uma infinidade de coisas que ela nos explica em uma canção.


E também vemos a familiaridade com seus cabelos, que usa com maestria! Pendura, enrola, laça e até mesmo usa como chicote. Isso lembra muito o Marsupilami, lembra dele? Pois é! Só que uma versão cem vezes mais divertida e carismática.

Acontece que as luzes, que sempre aparecem na data de seu aniversário, a convidam a explorar o lado de fora. Ela tenta dissuadir sua mãe mais uma vez, para que possa ver tais luzes mais de perto. O resultado é uma refrega ferrenha. Chateada, Rapunzel pede a sua mãe de aniversário , então, uma tinta branca de conchinhas da praia, já que não poderia sair. Para isso, era necessário uma viagem de três dias. Mesmo assim, Gothel resolve atender o pedido da filhota.

O que Gothel não sabia era que a moça havia abatido Flynn Rider, um ladrão que entrara na sua torre para se esconder dos guardas e dos companheiros de roubo que acabara de trair. E essa era a chance perfeita de ver as lanternas que tanto desejava: forçou Rider a ser seu guia, devolvendo o objeto do furto somente após ter conseguido ver de perto as tão desejadas luzes de seu aniversário.


Antes de começar a minhas divagações a respeito do tema, mais algumas considerações: os animais, especificamente Maximus (cavalo) e Pascal (camaleão) dão um toque único na série! Apesar de não falarem, cada um tem uma personalidade marcante: um é o sargento eqüino do local, focado e austero, buscando cumprir sua missão de capturar Flynn a qualquer custo; o outro é o fiel escudeiro de Rapunzel, a acompanhando em todos os momentos e estando em sintonia com a moça a todo momento! Uau, apesar de pouco tempo, conseguiram mesmo me cativar!

Outra coisa imperdoável que fizeram com o filme foi darem o papel do mocinho para o Luciano Huck dublar. Pô, o que esse povo fumou? Um macaco? O que eles tem na cabeça de estragar um animação assim? Dubladores devem ser ATORES, porque dublar nada mais é do que viver um personagem e expressar emoções!

COMO ELES OUSARAM FAZER ISSO? Existem centenas de bons dubladores brasileiros, como o Briggs e Baroli e tantos outros, como eles fizeram uma cagada dessas? O desenho vai ficar eternizado com uma voz fria, mal sincronizada, apática, mecânica e robótica do maldito apresentador global que daqui a umas quatro dezenas de anos ninguém vai saber quem é!

Mas eu nunca vou esquecer: é o imbecil que acabou com o pouco de bom que o filme Enrolados tinha!! Sério, o personagem já é pouco cativante pelas coisas que faz, perde ainda mais pela falta de expressão que Luciano não consegue passar por ser um apresentador de um programa de auditório medíocre que entra no piloto automático assim que as câmaras ligam e a vinheta de seu programa toca.

Essa foi de pular o Corguinho!! Vá se danar, Luciano Huck! Você é a verdadeira Lata Velha aqui!!


Bom, falei demais. A base da trama é essa que contei. Mais do que isso, só vendo o filme. E veja, porque vale a pena. Isso porque é algo novo, diferente em termos de aventura. É bem dosado, com partes de muita ação e outras aonde é trabalhada a relação entre os personagens. E é aqui que eu queria chegar.

Mas agora vamos ao mais importante: o gênero. Não é segredo pra ninguém que o filme visa o público feminino. E é um romancezinho bem barato e te digo o porquê. Existe uma fórmula em Hollywood para esse tipo de filme. Vou te contar qual é: uma mocinha que se apaixona por um calhorda irresponsável e inconseqüente que pouco ou nada se importa com ela. Porém, no coração não se governa e a heroína não desiste.


Aí algo acontece com os dois – um acidente ou evento em que os dois precisam conviver um tempo juntos – e aos poucos o cafajeste vê como a moça é incrível e os dois se apaixxxonam loucamente. Um evento os colocam um contra o outro, os dois se separam mas logo resolvem o mal entendido - porque o amor supera tudo. E o canalha resolve mudar de vida e viver feliz pra sempre do lado da mulher incrível que o mostrou o que é viver, verdadeiramente.

Sim, pode conferir. Pode haver variações, mas a fórmula base tá aí em cima. E Enrolados não é nenhum pouquinho diferente nessa linha. Flynn é um idiota – e parte disso se deve a dublagem pútrefa e pífia de Luciano Huck, como bem disse – e Rapunzel se encanta pelo rapaz, vencendo as adversidades, transformando seu amado em um cidadão de bem.

Isso ainda não é a pior parte. A pior parte vem agora: a transmissão de valores através de filmes! Sim, meus amiguinhos e amiguinhas!! Minha monografia tinha um pouco disso e vou compartilhar com vocês: como age a Indústria Cultural!

"O que é isso, Diego? Me explica?"

Explico, Rapunzel, explico! Primeiro, ela não é um demônio e nem um bicho de sete cabeças. Tal Indústria - caracterizada aqui como a fábrica de filmes de Hollywood, seu conceito, porém é mais amplo - serve para manter os valores existentes e manipular a massa, isso é um fato – mas ela só proporciona o que a massa deseja e não muito além disso. Claro que temos que transcender esses valores, mas para isso só tem um jeito: educação. E estamos falhando miseravelmente, pelo visto.

Veja bem, os tempos mudaram. A mocinha da história não é uma mulher passiva e submissa à espera de um príncipe encantado. Não, senhor. Ela é autônoma, sabe fazer uma porção de coisas – que já descrevi lá em cima –, tem vida própria e sabe até se defender muito bem, obrigada.

Aliás, outro ponto de forte originalidade é usar uma frigideira como arma (céus, quanta criatividade!), mas isso não é importante aqui. Apesar dessa mulher ser mais independente daquela de alguns anos atrás, ainda tropeça nos mesmos problemas.

A mulher ainda depende e deve buscar seu próprio príncipe. Ele não chegará em um cavalo branco e será galante – mesmo assim ela deve ir atrás dele e lutar até o fim. Deve transformar seu amado, porque a felicidade só é possível ao lado de um homem. E só com ele viver poderá viver seu feliz para sempre.

Sim, uma propagação da maternidade e de valores de submissão feminina! A mulher só é plenamente realizada ao lado de um homem. Imperfeito, é bem verdade, mas que ela deve lutar para conquistar, manter e ir mudar com o passar do tempo. Agora ela não deve esperar o príncipe encantado e sim transformar o amado em um.

"Nem tinha pensado nisso, sabe, Diego? Me desculpa?"

Claro, Rapunzel, você não tem culpa. Só fez o seu papel. Mas não faça de novo, tá?

Quisera eu que isso você apenas viagem da minha cabeça, pessoas. Quisera eu! Se você quiser saber mais disso, procura um livrinho chamado A Transformação da Intimidade, do Giddens e vai ver. Leia também sobre a Indústria Cultural de Adorno. Algumas coisas que falei estão lá.

E se você não conseguiu encaixa nenhum filme na fórmula que dei, aí vai alguns: Enrolados, Sem reservas, Camile e E se fosse verdade... . E tem mais uma horda imensa! É só pegar um filme e jogar na fórmula lá de cima que você vai ver!

Apesar disso tudo, o filme tem outro ponto interessante pra gente pensar. De certa forma, dá pra ver algo sobre a vaidade feminina ali. Não dá pra culpar Gothel em momento algum da história. Sério. Isso é um ponto positivo e te digo porquê.

Dessa vez a Disney não fez um vilão demoníaco. Não, não. Gothel tem seu lado humano. Antes de seqüestrar Rapunzel, ela tentou apenas roubar uma mecha dos cabelos, mesmo para evitar maiores transtornos. Além, mantinha a menina como refém sem a maltratar, conseguindo tintas, livros e até preparando as comidas favoritas de sua filha.

Mesmo tendo uma expressão vazia ao dizer que amava Rapunzel, nunca tentou fazer a ela algum mal, apenas garantia que sua fonte de juventude eterna não se acabasse. Agora eu pergunto: qual é a mulher que não faria isso? Que mulher hoje não se mata por beleza? Minhas caras, vocês fazem de tudo para ficar cada vez mais bonitas e desejadas! São poucas as que diferem de Gothel, sejam sinceras!


Isso pode ser um traço da história original dos irmãos Grimm – e com certeza é – , ainda assim ficou fantástico! E tem mais: a rainha, após quase vinte anos, pouco envelheceu porque certamente tinha a disposição tudo que precisava para ser sempre linda – não trabalhava, tinha diversos súditos que inclusive a curaram quando teve uma grave doença na gravidez! É mole?

E aí? Discorda? Gothel é minha vilã preferida de todas as histórias da Disney até agora porque ela é um retrato muito atual do que praticamente todas as mulheres fazem: qualquer coisa em nome do glamour, beleza, admiração e juventude. Mesmo que isso inclua aprisionar outra pessoa – o que vocês também fariam se pudessem, sejam sinceras.

Né não? Né não? Pois é! Espero que vocês vejam o filme – legendado, porque o Luciano Huck cagou quase que literalmente no filme – e tirem suas conclusões. Depois me procura que a gente conversa. Beleza? Massa! Não perde o próximo domingo, vai ter o resto de Sucker Punch!

Vejo vocês no Domingo!

2 comentários:

  1. Quero ver o filmeeeeeeeee a nem... quando vai sair em DVD? já saiu?

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  2. Hehe! Saiu não. Vai demorar um pouco ainda. E nem compensa por causa do Luciano. A única coisa boa que ele nos proporcionou foi a Taizinha, mesmo...

    Mas o filme em si vale a pena!

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