Tudo bem? Gostaram do vídeo sobre mangás? Foi bacana fazer, apesar de ninguém ter visto. Pois é. Essa semana resolvi postar algo dos meus estudos – todos em vão – para passar em concurso. Em particular, quando tentei o dos Bombeiros do Distrito Federal. Faz duas semanas que escrevi, e só agora resolvi postar. Bem, chega de sofisma e de dramalhão e vamos nessa!!
Comecemos pelas hemorragias. O controle deve ser imediato,
pois, dependendo do caso, a vítima do trauma poderá vir a óbito de três a cinco
minutos. Podem ser tanto internas quanto externas. Quando ela ocorre fora do
corpo, nota-se a perda de sangue pelo rompimento de um vaso sanguíneo. Se foi
uma artéria quem sofreu a lesão, o perigo é maior – o sangue sai em jatos
rápidos e fortes. Se foi uma veia, o sangue é vermelho escuro e sai de forma
lenta e contínua.
O primeiro passo a ser feito para acudir o ferido ou ferida
é deixar o local lesionado em plano mais elevado que o coração. Em seguida, é
preciso pressionar firmemente o local, por volta de dez minutos, com um pano
limpo ou com as mãos, mesmo. Se o corte for extenso, é preciso manter as pontas
mais próximas possíveis uma da outra. Quando o sangramento parar, basta cobrir
o ferimento com gaze, se possível, e fazer uma atadura firme – mas de forma a
permitir a circulação.
Caso o sangramento persista, colocar mais ataduras sem retirar
as anteriores, para evitar coágulos. Pode acontecer de a compressão ser
insuficiente para o tipo de ferimento. Se o caso for grave assim, será
necessário comprimir a artéria ou veia contra o osso, para impedir mais
passagem de sangue.
Jamais devem ser retirados corpos estranhos do ferimento,
muito menos aplicar outros – alguns bem absurdos, como pó de café e qualquer
outra coisa do gênero.
Nos sangramentos internos, geralmente os que ocorrem em
acidentes graves, com fraturas, podem levar ao estado de choque. Faz-se
necessário, portanto, acompanhar alguns sinais externos: pulso fraco e
acelerado; pele fria e pálida; mucosa dos olhos e da boca brancos; mãos e dedos
arroxeados; sede; tontura.
Jamais aquecer a vítima com cobertores, muito menos alimentá-la.
Pedir ajuda médica o quanto antes.
Quanto a sangramentos nasais, o processo é mais simples:
basta inclinar a cabeça da pessoa para frente – deve estar sentada, para evitar
que o sangue vá para a garganta e seja engolido. Pode causar náuseas. A narina
que sangra deve ser comprimida, aplicando-se compressas frias. Após alguns
minutos, basta ir afrouxando vagarosamente a pressão, mas sem deixar a vítima assoar
o nariz. Caso a sangria persista, voltar a comprimir e procurar socorro médico.
Bastante semelhante ao que vemos em lutas de boxe, né? Ao
menos em Menina de Ouro.
Deixe-me falar do Estado de Choque. Ele acontece quando há
grave diminuição do fluxo sanguíneo e oxigenação, de maneira que se torna
insuficiente para continuar irrigando os tecidos e órgãos vitais do corpo. Pode
levar à morte, caso o quadro fique sem reversão.
Algumas causas que podem levar ao Estado de Choque são:
hemorragias e fraturas graves; dor intensa; queimaduras graves; esmagamentos ou
amputações; exposições prolongadas ao frio ou ao calor extremos; acidente por
choque elétrico; ferimentos extensos ou graves; intoxicações alimentares ou
envenenamento.
E os sintomas são: pele fria e pegajosa, com suor abundante;
respiração fraca, rápida e irregular; pulso rápido e fraco; diminuição da
circulação e da oxigenação nas extremidades, com pele cianosa (roxa) nas mãos,
pés e lábios; sensação de frio; agitação ou inconsciência; hipotensão arterial.
Para dar os primeiros socorros, no caso do Estado de Choque,
basta: garantir a ausência de objetos ou secreções na boca da vítima (para
evitar asfixia); descobrir a causa do estado de choque e tentar elimina-la
(como uma hemorragia, por exemplo); afrouxar as roupas e o cinto; elevar os
membros inferiores (exceto se houver suspeita de hemorragias no crânio ou
fraturas nos membros inferiores); aquecer a vítima com cobertores ou roupas,
numa temperatura adequada; conversar com a vítima; JAMAIS dar bebidas (interferirá caso seja preciso um processo
cirúrgico, além de poder afogar a pessoa, se esta estiver com os reflexos
diminuídos); manter a pessoa lateralizada caso esteja vomitando sangue (evitar
que vá para os pulmões) – necessário verificar se há ausência de lesão na
cervical.
Certo. Agora, vamos para os traumas. Existem diversos casos,
a maioria deles são graves. Em extremidades, podem ser classificados como:
fratura, entorse, luxação e contusão. Será caracterizado como fratura caso haja
a quebra de algum osso por uma pancada muito forte, uma queda ou um
esmagamento. Elas podem ser fechadas ou expostas. As fechadas deixam a pele
intacta apesar do choque. Já as expostas exigem cuidados especiais, sendo
preciso cobrir a ferida com pano limpo ou gaze e procurar ajuda imediata.
A fratura fechada é marcada por dor ou grande sensibilidade
em um osso ou articulação, demonstrando a pessoa incapacidade de movimentar a
parte afetada. Também pode haver adormecimento ou formigamento da região, bem
como inchaço e pele arroxeada, acompanhada de deformação aparente do membro.
As fraturas são mais comuns ao nível dos membros, podendo
ser únicas ou múltiplas. Serão mais graves e de tratamento mais complicado
quanto mais próximas do tronco. As causas geralmente são quedas e
atropelamentos. Se a fratura for na bacia, há grandes chances de acarretar
lesões da bexiga e do reto, com hemorragia interna – e, em geral, são graves.
Àquelas do crânio sempre o são, pois podem afetar o
encéfalo. A paralisia dos membros pode ser desencadeada, bem como o coma e a
morte do paciente. Existe também a fratura de coluna, que será tanto mais grave
quanto mais alta na coluna for. Suspeita-se desse tipo quando a vítima, depois
de acidentada, apresenta-se com os membros paralisados ou dormentes. As do
pescoço são quase sempre fatais...
A primeira etapa que deve ser seguida é a de nunca
movimentar a vítima até que o local atingido seja imobilizado – sem dar
alimento ou água. Solicitar assistência médica imediatamente, além de manter a
pessoa calma e aquecida. É importante verificar se o ferimento interrompeu a
circulação sanguínea. A imobilização deve ser feita com uma tala. Nesse caso, é
igualmente importante manter o local afetado em nível mais afastado do resto do
corpo, aplicando compressas de gelo para diminuir o inchaço, a dor e a
progressão do hematoma. Se o impacto foi muito forte, será preciso um aparelho
respiratório, para evitar que a pessoa sucumba por insuficiência respiratória.
É mesmo. Vamos para os outros tipos, agora. A entorse
trata-se de uma torção da articulação, com lesão nos ligamentos. Já a luxação é
o deslocamento de um ou mais ossos para fora de sua posição normal na
articulação.
A contusão trata-se de uma área afetada por uma pancada ou
queda, mas sem ferimentos externos. Os cuidados das três são semelhantes aos da
fratura fechada. NUNCA fazer
massagens na região, nem tentar recolocar o ossos ou ossos no lugar. Se o local
estiver arroxeado, é sinal que houve hemorragia sob a pele (hematoma).
Para improvisar uma tala para tratar tais lesões, basta
amarrar delicadamente o membro machucado sobre uma superfície e usar tiras de
pano, ataduras ou cintos para firma-los – sem apertar muito, para garantir a
circulação sanguínea. Para fazer uma
tipoia, basta utilizar um pedaço grande de tecido com as pontas presas ao redor
do pescoço Pode sustentar um braço no caso de uma fratura de punho, antebraço,
cotovelo, costelas e clavícula – só usa-la se o braço ferido puder ser
flexionado sem dor, ou se já estiver dobrado.
Ainda mais graves do que as fraturas são os traumatismos.
Eles podem ser lesões do crânio, da coluna ou do tórax. O traumatismo craniano,
por exemplo, é um tipo de contusão na cabeça. Pode ser imediata ou ir se
desenvolvendo no decorrer de várias horas. A maior parte de tais lesões,
felizmente, são de menor importância, pois o crânio propicia uma considerável proteção
do cérebro. Ainda assim, a pessoa deve ser observada nas próximas horas – o
cérebro pode bater contra a parede interna do crânio e ser danificado.
Vamos entender melhor.
As lesões encefálicas podem ser classificadas em primárias e
secundárias. As primárias são resultado do impacto, presentes no momento do
acidente. As secundárias são as de curso progressivo, como consequência de
hematoma, edema, isquemia, hipoxia, podendo levar a lesões neurológicas
tardias.
O tecido cerebral pode ser danificado diretamente no local
do impacto ou em pontos diametralmente opostos – geralmente às regiões frontais
e temporais, por apresentarem superfícies rugosas.
Têm-se como concussão o traumatismo craniano fechado, sem
lesão estrutural do encéfalo. Pode haver alteração temporária da função
cerebral, mais evidente logo após o impacto – tende a melhorar em vinte e
quatro horas e pode vir acompanhada de bradicardia, hipotensão e sudorese.
Outras características são: perda de consciência (inferior a seis horas), amnésia
do evento, letargia temporária, irritabilidade e disfunção de memória.
Se a perda de consciência for superior a seis horas, a lesão
será axional difusa – provavelmente houve um estiramento dos neurônios pelos
movimentos súbitos de aceleração e desaceleração. Podem ser divididos de acordo
com a duração do coma. Os mais prolongados estão associados a sinais focais ou
edemas e tem prognóstico desfavorável – afetam o tronco caloso e o tronco
cerebral.
A contusão cerebral é caracterizada por lesão estrutural do
tecido encefálico e pode ser demonstrada por tomografia computadorizada de
crânio como pequenas áreas de hemorragia. Tal processo produz alterações
neurológicas que persistem por mais de vinte e quatro horas.
As manifestações clínicas são déficits neurológicos focais
como: paralisias, transtornos de linguagens, alterações da memória e do afeto e
até alterações visuais. Podem persistir como sequelas. Já os edemas cerebrais
são comuns. Podem causar tumefação cerebral (aumento de teor de água extravascular)
ou por aumento da volemia do cérebro pela vasodilatação anormal.
Se houver fratura, a situação pode se agravar mais: pode
haver laceração do tecido cerebral, como as meningites e vasos intracranianos,
constituindo o chamado hematoma epidural. A apresentação clínica pode ser
variável, como perda de consciência após o trauma com recuperação após alguns
minutos ou horas. Em seguida, a vítima começa a ficar letárgica e ocorre
deteriorização neurológica, podendo haver herniação cerebral. Há alterações pupilares
e hemiparesia (dificuldade de movimento de uma parte do corpo) contra-lateral
ao lado da lesão.
Também pode ser encontrado outro tipo de hematoma, o
subdural (localizado entre as membranas que revestem o cérebro). Ela é comum em
pacientes que sofrem traumatismo decorrente de aceleração e desaceleração em
altas velocidades. Se ausente de lesões cerebrais, pode ter bom prognóstico.
Porém, se houver lesão do parênquima e dos vasos, o quadro clínico é
caracterizado pelo coma e diversos graus de alterações focais. Dependendo do
tipo e da extensão das lesões, pode envolver cirurgia.
O hematoma subdural crônico tem apresentação tardia – pelo
menos vinte dias após o trauma –, sendo comum em crianças e idosos. O quadro
clínico é caracterizado por confusão, distúrbios de memória, apatia e alteração
de personalidade. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada do
crânio e o tratamento costuma ser cirúrgico. Alcoolismo, epilepsia, uso de
anticoagulantes, diálise renal predispõem os pacientes a esse tipo de
complicação.
Procevê. Então, vejamos o traumatismo crânio encefálico
(TCE) de maneira mais aprofundada, pois é a principal causa de morte e
deficiência mental, sendo ultrapassada somente pelo acidente vascular cerebral
(em casos de patologia neurológica com impacto na qualidade de vida). Apesar de
ocorrer em todas as faixas etárias, as mais frequentes são em adultos jovens,
entre quinze e vinte e quatro anos. Pois é, no auge da juventude. A maioria dos
casos são em acidentes de trânsito ou violência pessoal.
Alguns mecanismos que podem acarretar tal trauma são
diversos: lesões corto-contusas, perfurações, fraturas do crânio, movimentos
bruscos de aceleração e desaceleração e estiramento da massa encefálica e dos
vasos intracranianos e das meninges (membranas que revestem o cérebro).
Os TCE’s são classificados em três tipos: traumatismo
craniano fechado, fratura com afundamento do crânio e fratura exposta do
crânio. A primeira, como falei ali em cima, caracteriza-se por ausência de
ferimentos – e quando há, eles são lineares. Pode haver contusão, laceração,
hemorragias, e edemas (inchaço) quando há lesão do parênquima cerebral.
Aqueles com fraturas com afundamento são caracterizados pela
presença de fragmento ósseo, geralmente afundado, comprimindo e lesando o
tecido cerebral adjacente. O prognóstico dependerá do grau da lesão. Já os
abertos, com exposição do crânio, ocorre a laceração dos tecidos pericranianos,
havendo comunicação direta do couro cabeludo com a massa encefálica, através
dos fragmentos estilhaçados ou afundados. Tal lesão é grave, havendo
possibilidades de complicações infecciosas intracranianas.
Destarte, os traumas encefálicos podem acometer a pele da
cabeça, o crânio ou o cérebro. As cutâneas têm pouca morbidade. Já as do crânio
podem ser da convexidade ou da base. Nas convexidades, podem ser lineares,
deprimidas ou compostas. As lineares nem mesmo precisam de tratamento
específicos, sendo necessário a observação da vítima de doze a vinte quatro
horas. Caso haja deteriorização do nível de consciência, será necessário exames
neurológicos.
As depressões do crânio podem ser causadas por objetos em
baixa velocidade. A tábua interna sofre mais danos do que a parte externa.
Podem, portanto, determinar a laceração da membrana de revestimento externa ou
do tecido cerebral. Se a depressão for maior que a espessura do osso, deve
haver intervenção cirúrgica.
Quando há laceração do osso, caracteriza-se como lesão
composta. Deve-se tratar as feridas cutâneas com fechamento da laceração.
Fraturas na base são as mais frequentes – indicando que o impacto foi intenso.
Podem levar a fístulas liquóricas, sendo fontes potenciais de meningite ou de
alguma outra infecção intracranianas. Também podem lesar nervos cujos forames
estejam ali localizados.
Importante ressaltar a relevância dos observadores. Sim,
sim, eles podem dizer muito sobre o acidente e, principalmente, sobre o que
aconteceu com as vítimas. Informações como a intensidade do impacto, a presença
dos sintomas neurológicos, convulsões, diminuição da força, alteração da
linguagem e a perda de consciência.
Lá em cima, falei algo sobre a amnésia. Bem, repito, ela é
comum nas concussões. A perda de memória pode ser retrógrada (eventos ocorridos
antes do trauma) ou anterógrada (eventos ocorridos após o trauma). Tal sintoma
ocorre com pessoas que perdem a consciência em algum momento do acidente. Caso
passe vinte e quatro horas e a vítima continue sem memória, significa que o
trauma foi intenso e o prognóstico pode ser menos favorável.
Repetindo: o que vai determinar a gravidade será o tempo. O
coma pode durar minutos, dias ou semanas e será tanto mais grave quanto mais
laceradas foram diferentes áreas cerebrais – ainda mais se há tumeração ou
edema.
Algumas outras características importantes a serem
observadas em pacientes após o acidente (naqueles com lesões aparentemente
lineares ou fechadas) são as dores de cabeça intensas unilaterais (lesão
expansiva intracraniana) e a cefaleia intensa occiptal (fratura odontoide,
estrutura da segunda vértebra que articula com a primeira).
Na fase imediata após o impacto, o exame deve ser rápido e
objetivo. Dependendo da gravidade, pode haver politraumatismo – associação
entre torácicos, abdominais e fraturas. Devem ser procurados: hipóxia,
hipotensão, hipo ou hiperglicemia e lesões instáveis da coluna vertebral.
Também é importante verificar se há efeito de alguma droga narcótica.
Procurar, com cuidado, fraturas na cabeça e na base do
crânio, bem como a presença de sangue no tímpano e drenagem do líquido cefaloraquidiano
pelo ouvido ou nariz.
No início, o propósito dos exames é determinar as funções
dos hemisférios cerebrais e do tronco encefálico. Os subsequentes verificarão a
evolução do paciente, sua melhora ou deteriorização. Um deles envolve a avaliação
dos nervos cranianos e o exame de fundo de olhos – verificação de edema da
pupila, presentes no edema cerebral ou na hipertensão intracraniana.
Sim, é por isso que o médico examina os olhos dos pacientes.
Outro motivo é para saber se há dilatação da pupila, verificando os reflexos
pupilares – neste caso, ele o faz com uma lanterninha. Você já deve ter visto
isso em algum filme, né?
A maior parte das lesões são rapidamente identificadas. O
problema é quando acontecem na base do crânio – vistas apenas com tomografia
computadorizada, sendo possível ver hematomas intra e extra-cerebrais, as áreas
de contusão, edemas, hifrocefalia, hiernização.
Existe também o traumatismo facial. Pode afetar a pele,
gordura, músculos, nervos e até mesmo ossos – além de o próprio cérebro. A
causa mais frequente são os acidentes automobilísticos. Também: acidentes com
armas de fogo, agressões, acidentes domésticos, acidentes no trabalho e trauma
esportivo.
Pode haver perda da sensibilidade na pele, cicatrizes
antiestéticas, retrações, alterações na visão, dificuldade na respiração,
paralisia facial, má oclusão e perdas dentárias. Os ossos mais afetados são o
nariz, a mandíbula, o zigoma, a maxila e as órbitas. Nos ferimentos da pele
deve-se examinar a movimentação e a sensibilidade facial. O exame clínico é
feito através da tomografia computadorizada.
Vale ressaltar nessa parte que o importante é garantir a vida
da vítima. Assim, deve-se verificar possíveis lesões vitais – mesmo que isso
signifique deixar a pessoa numa situação estética comprometedora. A maioria das
lesões podem ser tratadas com anestesia local, limpeza exaustiva da região e
sutura nas primeiras horas após o trauma. Ossos quebrados são restaurados
utilizando-se uma fixação com mini ou microplacas.
Nesse tipo de lesão, sempre haverá bastante inchaço e
hematomas nas áreas afetadas, que persistirão por algumas semanas. O melhor
momento para reestabelecer o posicionamento correto dos ossos é no primeiro
contato.
Outro tipo de trauma bastante grave é o de coluna. Primeiro,
é preciso entender como funciona a medula. Quevê um exemplo legal? Ela é como
se fosse um cabo telefônico com milhões de fios no seu interior. Nasce no
cérebro e vem descendo por dentro dos ossos da coluna, emitindo um ramo de
nervo em cada vértebra. Cada fio que compõe este nervo vai até um órgão ou
músculo, levando a informação (ordem) emitida pelo cérebro.
Se num impacto intenso houver fratura de uma vértebra, há
grande possibilidade de lesão na medula nervosa, interrompendo a troca de
informações. A altura desta lesão será determinante para gravidade – quanto
mais alta na coluna vertebral, maior comprometimento terá. São bastante comuns
em acidentes de alta velocidade com parada brusca, em motocicletas, quedas de
grandes alturas e bicicletas.
Se a vítima estiver consciente e referir dor na coluna ou
formigamentos irradiando para os membros, é possível saber o nível da lesão.
Quando os sintomas forem nos membros superiores, ela ocorreu na cervical;
quando nas pernas, num segmento mais baixo, sendo mais comum na região lombar.
A última forma de traumatismo é o torácico. Pode implicar
risco imediato à vida (exame primário) ou potencial (secundário). Do primeiro
grupo, fazem parte: obstrução das vias aéreas, pneumotórax hipertensivo,
pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tórax instável e tamponamento cardíaco.
No segundo: contusão pulmonar, contusão miocárdica, ruptura aórtica, ruptura
traumática do diafragma, laceração traqueo-brônquica e laceração esofágica.
Tal segmento corporal aloja órgãos de vital importância,
como o coração e o pulmão, além dos grandes vasos. Quando lesados, podem levar
a pessoa rapidamente a óbito. Assim sendo, os métodos terapêuticos devem ser
precoces – qualquer médico, clínico ou cirurgião deve ser apto a salvar um paciente
com trauma torácico, dominando técnicas de controle das vias aéreas, manutenção
da ventilação, volemia e da circulação.
Os traumas torácicos são caracterizados como abertos
(ferimentos por armas brancas ou armas de fogo) e fechados (contusões). Os valores
práticos destes conceitos são nulos, quase. Qualquer um dos tipos pode causar
lesões nas vísceras, tornando-se pouco confiáveis para norteamento terapêutico.
Consequência desse tipo de lesão são a hipoxia tecidual
(oferta inadequada de oxigênio por alteração na ventilação/perfusão pulmonar),
a hipercabia (implica em hiperventilação) e a acidose (ventilação inadequada).
Existem várias divisões deste tipo trauma.
O direto ocorre quando a caixa torácica é golpeada por um
objeto em movimento ou vai de encontro a uma estrutura física. O impacto é
transmitido para a víscera. É comum o indivíduo inspirar e fechar a glote,
inconscientemente, ao perceber o impacto – podendo causar um pneumotórax. Há
lesões bem delimitadas nas costelas, raramente com maiores complicações.
Outra forma é o trauma por compressão. Comum em
desmoronamentos, construções civis, escavações. As lesões são mais difusas e
mal delimitadas na caixa torácica e, se for prolongada, pode causa asfixia
traumática – apresentando cianose cérvico facial e hemorragia subconjuntival.
Assim como na anterior, pode haver o fechamento da glote e contração dos
músculos torácicos, causando lesão do parênquima pulmonar pelo aumento interno
da pressão.
Existe também o trauma por desaceleração (ou contusão),
caracterizado por processo inflamatório no pulmão ou coração, causando edema e
presença de infiltrado linfomonocitário. A vítima terá dor no local, mas sem
alterações no momento. Após cerca de vinte e quatro horas, terá atelectasia ou
quadro semelhante à pneumonia. Caso acometa o coração, pode diminuir a fração
de ejeção e alteração da função cardíaca, como insuficiência cardíaca,
arritmias graves etc.
Tal trauma é bastante comum em acidentes automobilísticos e
quedas de grandes alturas. O choque frontal contra um objeto rígido, como um
volante de um carro, por exemplo, causa desaceleração rápida da caixa torácica,
com a continuação do movimento dos órgãos intra-torácicos (lei da inércia).
Ocorre uma força de cisalhamento em pontos de fixação dos órgãos.
Na desaceleração brusca, o coração e a aorta descendente
basculam para frente, movendo a aorta de seu ponto fixo. Em quedas de grandes
alturas, é provável que o indivíduo caia sentado ou em pé, podendo haver lesões
na valva aórtica – no momento da diástole ventricular (quando a valva está
fechada), pela lei da inércia vertical, ocorre uma grande força exercida pelo
volume de sangue à valva, podendo rompê-la.
No entanto, o mais comuns mesmo são os penetrantes ou
abertos. Aqueles causados por armas brancas ou de fogo, sabe. As armas brancas
causam lesões mais retilíneas e previsíveis, pela baixa energia cinética. Já as
armas de fogo são mais torturosas, irregulares e graves, sendo difícil seu
tratamento.
Se um projétil tiver atravessado a caixa torácica, é
possível ver o ar entrando e saindo no local ferido. Para tratar, é necessário
tamponar o local, usando as mãos (com luvas, se possível) após a expiração. Um
curativo oclusivo deve ser feito, de plástico ou papel aluminizado de três
pontas – funcionarão como válvulas.
Objetos podem estar encravados, também. JAMAIS remova corpos estranhos! Mesmo que sejam pedaços de vidros,
facas, lascas de madeira, ferragens etc. A tentativa de remove-los poderá causar
hemorragias graves ou lesar nervos e músculos próximos. O objeto deve ser
estabilizado. O curativo deve ser volumoso, auxiliando na estabilidade – use
fita adesiva ou ataduras. Se possível, recomenda-se expor o local do ferimento
– cortando pedaços de roupa ou vestes ao redor. Evitar a movimentação desnecessária
do paciente.
Existe também, num choque intenso, a possibilidade do
chamado tórax instável. Acontece quando duas ou mais costelas são fraturadas em
pelo menos dois pontos (arcos costais). Poderá ser determinado pela perda da
rigidez de parte ou todo envoltório ósseo da região. O segmento se movimenta ao
contrário do restante da caixa torácica – enquanto o tórax se expande, o
segmento se retrai; e quando a caixa torácica se retrai, o segmento se eleva.
Para tratar, deve-se estabilizar o segmento que se move
paradoxalmente – com almofadas ou compressas dobradas –, devendo enfaixa-los de
maneira parcial.
Quando há acúmulo de ar no espaço pleural e ele permanece na
cavidade, ocorre o chamado pneumotórax hipertensivo. À medida que o ar se
acumula, a pressão intratorácica aumenta bruscamente, comprimindo pulmão e
coração. Os sinais são: insuficiência respiratória, pulso fraco, desvio de
traqueia contralateral, hipotensão, estase jugula, cianose, sinais de choque...
Certo, falei um bocado sobre traumas. Agora, vamos para situações
mais rotineiras: as queimaduras. Na verdade, o mais comum dos acidentes
domésticos. Podem derivar de contatos com fogo, objetos quentes, água fervente
ou vapor, com substâncias químicas, irradiação solar ou com choques elétricos.
As queimaduras de primeiro grau se manifestam por
vermelhidão, inchaço e dor. Nas de segundo, a dor é mais intensa e geralmente
aparecem bolhas ou umidade na região afetada. Nas de terceiro, as mais graves,
a pele se apresenta esbranquiçada ou carbonizada, havendo pouca ou nenhuma dor.
Se as roupas da vítima estiverem
em chamas, impeça-a de correr. Derrube-a no chão e cubra-a com um tecido
(cobertor, tapete, casaco) e faça-a rolar no chão. Em seguida, procure socorro
médico. JAMAIS toque no local afetado.
Nem fure as bolhas. Deixe pedaços de roupas grudados na pele – se preciso,
recorte em volta da roupa. De novo, NUNCA,
mas nunca mesmo, use manteiga, pomada, creme dental ou qualquer outra
substância ou produto doméstico – nem mesmo algodão!!
Caso a lesão seja bastante grave,
nem mesmo água ou gelo deve ser utilizado.
Claro, se for de pouca extensão,
deve-se resfriar com água fria. Só se for de pouca extensão. Seque a região com
pano limpo ou gaze. Também é importante manter a região queimada mais elevada
que o restante do corpo, para diminuir o inchaço. Nessa caso específico, dê
líquido para pessoa ingerir. Até mesmo um analgésico, se a dor estiver muito
intensa.
Quanto às lesões químicas, são
sempre mais graves. Retire as roupas da vítima imediatamente (tomando cuidado,
pois poderá se queimar também) e lave o local por dez minutos em água corrente
– se forem os olhos, por quinze. Enxugue delicadamente e cubra com um curativo
quente e seco.
E, bem, as mais simples são as
solares. Basta cobri-las com compressas frias e ingerir bastante líquido,
ficando na sombra, em local fresco e ventilado.
Outro acidente bastante frequente
em casa ou no trabalho são os com eletricidade – também os que trazem as mais
graves consequências –, porque estamos expostos a ela o tempo inteiro. É
perigosa porque só sentimos seus efeitos quando estamos em contato com ela. O maior risco é o contato direto,
quando há acesso a algum contato eletrizado, provocando passagem de corrente
pelo corpo, fechando o circuito entre a massa e a terra.
O choque elétrico causado por
altas cargas é sempre grave, podendo causar distúrbios na circulação sanguínea
e, em casos extremos, levar à parada respiratória. Na pele, podem aparecer duas
pequenas áreas de queimaduras (geralmente de terceiro grau), de entrada e saída
da corrente elétrica.
Para acudir a vítima, desligue o
aparelho da tomada ou chave geral. Se tiver de usar as mãos para remover a
pessoa, envolva-as em jornal ou em saco de papel (ou outro isolante como cabo
de vassoura, tábua, corda seca, cadeira de madeira, bastão de borracha). Caso
haja parada respiratória, será preciso aplicar uma massagem respiratória (dois
sopros para quinze massagens)... se estiver inconsciente, deite-a de lado.
Procure ajuda médica imediata.
E é isso, minha gente. Apesar de
ter ficado extenso, aqui estão algumas noções dos acidentes e como proceder. Na
verdade, tem mais como ocorrem as situações de perigo do que como agir, mas...
bem, foi-se tudo que eu tinha. E foi até bacana ver isso tudo. Estamos rodeados
de perigos. Às vezes, só de saber o básico, nem que seja na teoria, nos deixe
um pouco mais preparados.
Né? Eu acho. Pois bem, vou ficando
por aqui. Espero que tenha gostado. E te vejo logo mais! Até!!









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