quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Na Estrada

Alô, pessoal.

Voltei. Como vocês estão? Espero que estejam bem. Vim para preencher a semana, já que na passada eu faltei. Alguém aí deu falta? Eu também, eu também. Iria até prometer que voltaria mais vezes, mas, sejamos sinceros e sinceras, o blog é bem capenguinha. Agradeço aos que ainda acompanham – se é que existe alguém.

Nesta postagem vou falar do novo filme do Walter Salles, chamado Na Estrada. E de como ele me afetou. Bem, para começar, vou reclamar um pouco e tentar te convencer a nunca pisar por aqui. Nessas terras, eu digo. Assim, já tentei fazer isso outras vezes, mas é que deu um pouco de revolta, sabe.

Para ver esse filme, tive de ir numa cidade bem próxima de Goiânia, chamada Aparecida (de Goiânia). Era o único lugar onde estava passando, em apenas uma sessão, às duas e meia. Na que assisti, estavam presentes comigo outras duas pessoas. As duas saíram antes do término do filme. Talvez estivessem ali só para matar o tempo. Triste, eu sei. Mas, paciência. Roça é assim, mesmo. O que me chateia mais é saber que um diretor brasileiro é tão pouco valorizado. Ainda que nesse fim de mundo. Enfim...

Quanto ao filme, ele é bem estilo waltersallesiano. Dá para ver a marca dele em diversos pontos. Se você já viu outros filmes dele, como Diários de Motocicleta, por exemplo, vai ver que passa suas percepções e críticas sociais de maneiras bem sutis através de seus personagens (e a forma de como eles veem o mundo), por gestos ou expressões.


E, assim, o filme é cansativo, mesmo. Ao final, parece que bem mais de cinco anos se passaram.

Então, vamos a uma pequena sinopse. O filme conta à história do escritor Sal Paradise e suas peregrinações pelos Estados Unidos dos anos cinquenta na busca de inspiração para escrever um livro. Como companhia, tem o seu grande, impulsivo, indomável e imprevisível amigo Dean, muitas drogas e algum sexo na longa estrada. Juntos (e por vezes sozinho) vemos as aventuras e desventuras dos dois, ao longo de alguns anos.

Basicamente. Mas bem a grosso modo, mesmo. Existem outros personagens relevantes, como os muitos amores de Dean – isso inclui Camille e Carlo, por exemplo –, a incrível Marylou e uma série de pessoas que vão aparecendo durante a longa jornada. Aliás, falando em personagens, destaco a atuação da Kristen Stewart. Já tinha gostado dela em The Runaways e, nesse filme, mostrou do que é feita – muito mais que uma moça insosa, abobalhada e inexpressiva, que apresenta na série Crepúsculo.

Inclusive faz um seminu frontal no filme. E, bem, depois de vê-la, me apaixonei.

Claro que ela tem muito a aprender. Nas mãos de bons diretores, vai longe, tenho certeza. Quer um exemplo? Leonardo diCaprio. Depois do Scorcese, ele decolou. Ele já era um bom ator antes, mas amadureceu bastante com os papéis sérios e tudo mais. É só pegar os filmes dele para ver. E a Kristen vai pelo mesmo caminho. Pena ter de aguentar todo esse moralismo sobre a traição – qual é, até parece que o Robert Partisson é santo, deve ter dados seus pulinhos, também. Mais: se a relação acabou, é porque estava desgastada.

Hunf! Dá raiva de uma coisa dessas, acho que as meninas (e mulheres) são sempre mais cobradas nesses casos. Mas, deixa eu voltar. Onde eu tava? Hm... bem, o fato é que, para mim, ela será um nova beldade.

Falando nela, deixa eu dar um parecer a respeito do elenco. Creio que Salles errou, aqui. Tem estrelas demais no filme. Kirsten Dunst, Kristen Stewart, Viggo Mortenssen e até a Alice Braga tem um pequeno papel. Podia ter reduzido o número de tantos super atores e atrizes. Mas, de certo modo, até entendo, já que o filme é uma adaptação da obra de Kerouac.

Aliás, único diretor que teve colhões para fazê-lo, já que muitos nunca ousaram. Devido à escrita e as descrições do escritor, era tida como inadaptável para o cinema. Eis que Salles foi lá e, num trabalho em conjunto com uma equipe francesa e até ajuda de alguns atores – como a própria Kristen –, fez o filme! Eita!!

Depois de ver, deu bastante curiosidade de ler o livro. Ficou bem feito, viu. Cheguei a encomendar a obra, aliás. Como disse, em alguns momentos é extremamente desgastante (até entendo porque meus dois companheiros de sessão desistiram), mas vale por demais a pena para assistir. Desfez meus preconceitos da geração beat - para mim, todos eram um bando de hippie sujos, drogados, que viviam peregrinando para lugar nenhum, sempre regados a orgias. E, bem, é tudo bastante diferente disso. Tipo, BASTANTE!!


Claro que existem drogas e sexo, mas também existe a dúvida, a incerteza e a angústia na figura de Sal, em sua dificuldade de escrever seu livro e de talvez se encontrar no meio de seus trabalhos temporários e suas peregrinações. Ao menos, foi o que vi, o que senti.

Falando em sentir, me descobri com esse filme, na figura de Sal. Vendo-o escrever em seu bloco de anotações e buscar inspiração para criar uma obra de suas vivências, me vi ali. Sim, eu, ali. Procevê.

Cai na real. Cara, eu sou um escritor. Pronto. Achei minha identidade. Meu negócio é escrever. Ainda que nunca dê em nada, nunca tenha nem sequer um livro publicado ou mesmo alguém que me leia. Independente disso, tenho de escrever, de transformar histórias, recontá-las de uma maneira que me deixe mais satisfeito (suecá-las), criticá-las ou simplesmente copiá-las no papel.

Demorou tempo demais para que eu percebesse! Agora posso ser qualquer coisa. Porque, na minha essência, aquilo que sou de verdade ,eu já sei!! Sou escritor!!

É isso, aí. O importante é saber o que se é, sua vocação. E eu descobri a minha. Claro que isso foi um processo – o blog foi um passo importante. Outro foi ler Lewis Carroll e ver como escrevo parecido com ele. Mais um foi ter perdido a câmera da minha irmã, ter viajado para o Rio e assistido esse filme!

Nunca serei jornalista, nem professor, nem blogueiro, nem cineasta, nem fotógrafo. Claro que executaria qualquer dessas coisas feliz da vida, se me acontecessem. Todavia, o que sou mesmo é escritor. Escrever, escrever.

Ufa! Desabafo. Mas precisava dizer isso para alguém, sabe. Pois é. No mais, era isso, mesmo. Assista e prestigie Na Estrada. É um bom filme –e vai destruir seus preconceitos sobre a geração beat. Altamente recomendado. Aí, depois de ver, comenta aqui o que achou, beleza?

Fechou. Dentro em breve, talvez logo mais daqui a pouco, estarei trazendo novas postagens. Obrigado por acessar mais uma vez. E espero te ver aqui de novo. Até lá!

__________________________________________________________________________________


Hoje é Dois de Outubro (02/10):

Nenhum comentário:

Postar um comentário