domingo, 25 de março de 2012

Óculos


E aí, minha gente.

Firmeza? Quanto tempo sem nos vermos. Assim, para mim pareceu. Aliás, ultimamente tenho vivido a maior porção da minha vida. Sem sair de casa, o tempo parece ter parado, sabe? Uma semana parece ter o efeito de três ou mais. Tanto que nem me lembro o que fiz no começo da semana e quando ela chega ao final, parece que muitas coisas acontecerem. Mesmo que eu tenho só ficado em casa - e esse é o problem

Procevê. O sol se faz escuro aos meus olhos e... tá, chega de choramingar, ninguém merece! Então, o tema de hoje veio algum tempo atrás. Em diversos filmes ou histórias dá para ver pessoas usando ócua, acho.los e me veio em mente uma dúvida: desde quando as pessoas sanaram seus problemas de vista usando tal aparato? Tipo, problemas de vista sempre existiram. Certeza, durante toda história da humanidade. A dúvida é de quando a tecnologia das lentes começou a ajudar as pessoas.

Segundo minha oftamologista, problemas de vista podem nada ter a ver com maus cuidados dos olhos - algumas vezes - porque depende do formato do olho de cada um. Logo, desde sempre pessoas tem problemas para enxergar, se for assim mesmo. Quer ver um exemplo? Meu amigo Túlio tem sete graus de miopia, e adquiriu quando era criança pequena. E tem o meu amigo Francis, também, que tem treze - e só usa lente em um olho. Usava, porque ele fez cirurgia de córnea e tá tudo bem, agora.

E em filmes, mesmo os de época, a gente vê pessoas usando os bichos. Daí fica a dúvida: isso foi uma imprecisão histórica ou já existiam óculos naquela época mesmo? É isso que tentei pesquisar e colocar aqui. Antes de continuar, devo dizer que copiei quase que integralmente um apostila em .pdf da Renata Régis. Só para dar os créditos, mesmo. Obrigado, Renata!


Segundo ela, antes de se dizer qualquer coisa, é necessário entender a função das lentes. Sim, minha gente, porque elas servem para corrigir problemas de visão. Dependendo do tipo, podem espalhar ou concentrar raios solares, mas vamos deixar isso para mais tarde. Os primeiros tratados a respeito de lentes, pasme você, amiguinho e amiguinha, datam quatro mil antes de Cristo. Você pode pensar que é caô, mas é a mais pura verdade!

Foram descobertas pelo arqueólogo Sir Henry Layard, na cidade de Nínive, Mesopotâmia (hoje é o Iraque). Só que para finalidades distintas. Sem estar voltada para visão, sabe? Ao que tudo indica, serviam para aquecer ou queimar alguma coisa quando convergidas para o sol. Eram feitas de cristal de rocha, transparentes e convexas. Provavelmente para conseguir fazer furos em superfícies rígidas. 

Também acharam na China um modelo bastante semelhante ao que chamamos de óculos, desde 500 a.C. Mais adiante, o imperador Nero valia-se de uma esmeralda para observar os gladiadores, segundo o historiador Plínio, o naturalista. Todavia nada indica que seria para aprimorar sua visão, podia muito bem ser viadagem dele. O que, o cara tacou fogo em Roma, fala se dá para confiar num sujeito desses?

O espanhol Sêneca, que foi dessa para melhor (ou pior, vai saber) em 65 d.C., em Roma, faz referência a grandes globos de água que ajudavam a ler textos. Devia ser meio ceguinho. Euclídes, em 280 d.C. estudo o poder óptico em diversos elementos. Só que os louros da glória mesmo vão para o cientista árabe Alhazen. O nome dele completo era Abu Ali al Haasan Ibn al-Haithan. Eh rensga, véi! Ele estudou cientificamente o poder de aumento das lentes. Descreveu de cabo a rabo no seu livro "Optica e Thesaurus". Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, sem referir como o uso delas ajudariam na visão.

Isso nos idos de novecentos e pouco. Alguns dizem que nos tratados do carinha tinha até uns ensaios de como as lentes ajudariam na visão. E que os monges abusaram de tal descoberta. Porque, bem, quando se é monge é preciso estudar bastante. Eu acho. Aham... Diz-se que algum tempo depois, inclusive, fizeram a primeira armação de ferro, lá na Alemanha. Parecia um compasso e era desprovido de hastes.

Aí um carinha chamado Roger Bacon pegou esses estudos e continuou a estudar a refração através do vidro e do cristal de rocha. Ah é, ele estudou em Oxford e Paris, em mil duzentos trinta e alguma coisa. Naquela época usava-se o quartzo ou o berilo para a confecção de lentes. O vidro só foi usado mesmo um século depois. E dizem que quem contribuiu para dispersão dos bichinhos foram os frades franciscanos. Procevê.

Voando mais um século, em mil quinhentos e outros quebrados, Giambaptista della Porta fez alumas outras experiências com óptica. Mas a parada ficou séria mesmo em 1611, quando Johannes Kepler, com sua obra Dioptria, fundou a dioptria atual, explicando a refração e os reflexos de luz. Sim, é o mesmo carinha que a gente estuda em Física no Ensino Médio. Essa parte era a parte sexy da Física, chamada Óptica. Lembra?

"Claro que lembro, Diego! Até parece que ia esquecer!!"

A origem do óculos, óculos mesmo é bastante incerta, sabe. Parece que foi mesmo na Itália. Os problemas de visão durante os anos todos foram tratados com pomadas e colírios. Ao que tudo indica. Quanto ao lance da Itália, trata-se de um documento encontrado, do italiano Sandro de Popozo. Dizia ele que estava tão alterado por causa da idade que somente graças às lentes chamadas óculos conseguia ler e escrever, que tinham sido feitas para pessoas gagás.

Também há relatos que o monge dominicano Alessandro Spina fabricava os óculos e distribuia para os mais pobres. Tudo isso no final do século treze. Na França, o professor de cirurgia, em sua obra Lilium Medicinae, aconselha um colírio que evitava a necessidade de usar óculos. Ainda na França, Guy de Chauliac, no livro Chirugia Magna, referindo-se a um medicamento, diz que caso os efeitos fossem ineficazes, o paciente precisaria usar óculos.

Diz à lenda que somente os monges usavam óculos para escrever seus manuscritos. Outras fontes dizem que auxiliavam na leitura, de quem tinha presbiopia (com a invenção das lentes biconvexas) e hipermetropia. O fato é que só depois que a imprensa foi inventada que a coisa divulgou mundo a fora. Agora sim a gente pode voltar dois parágrafos acima e unir as informações. Do jeitinho que a gente conhece hoje, a união de lentes com problemas na visão foi na certa no século dezessete. Em Londres, uma empresa que fabricava óculos tinha como slogan: uma benção para os idosos.

No começo era só um vidro (spectacle). Depois, montadas num aro (pince nez). Como eram desconfortáveis, foram montadas lentes duplas para mantê-las presas ao nariz. Só em 1728 fizeram as armações para as orelhas, mas de trezentos anos depois. Em 1752, o inglês James Ascough colocou as dobradiças.

O fato é que as lentes sempre foram utilizadas, por mais que fossem pouco precisas os saberes de sua função. Detalhados, eu digo. De maneira mais exata, com certeza foi depois dos séculos dezoito e dezenove. Creio que era assim, se ampliasse as letras e ajudassem a enxergar melhor, tava valendo. Bem simples, mesmo. Isso porque em diversas obras de arte dá para ver os bichos lá. Quevê? Num quadro de 1352, de Tommaso da Modena, lá estão eles. Em 1436, do holandês Jan van Eyk, na mão de um monge. Procevê.

E existem vários ceguinhos na história também. Goethe era míope e usava um monóculo – apesar de ser avesso. Napoleão Bonaparte usava um binóculo de madre pérola com armação de ouro cravejado de cristais. Vishe! Outra lenda conta que Benjamin Franklin quem inventou as lentes bifocais.

Ah é, só para saber mesmo, um resuminho bem simples dos defeitos da visão. Humana, diga-se de passagem. Assim, a explicação é bem básica. O olho é como se fosse formassem uma única lente delgada convergente e biconvexa. Chamamos essa lentezinha orgânica, por assim dizer, de Cristalino.



Ele fica na região anterior do globo ocular, a cinco milímetros da Córnea e a quinze da Retina. E na Retina onde se formam as imagens que vemos. Ou deveria ser. O Cristalino forma as imagens em tamanho menor e invertida, que localizam-se sobre a Retina. A imagem então é levada até o cérebro pelo nervo óptico, e assim vemos a vida como ela se nos apresenta.

Quando uma pessoa é míope, as imagens são formadas antes da Retina. Isso por causa do alongamento dos olhos – tipo achatados, sabe. Ou seja, dificuldade para ver à distância. Lentes corretoras divergentes solucionam o problema. A hipermetropia é devido a uma espécie de achatamento dos olhos, digamos. Daí que a imagem se forma atrás da Retina. Lentes corretoras convergentes para tal problema.

É isso, então. Até que me diverti escrevendo sobre óculos, sabe. Foi, esclarecedor! Certo? Pelo menos foi o que eu tentei. Tomara que tenham gostado, amiguinhos e amiguinhas. E espero ver vocês por aqui de novo. Fechou? Até mais, então!

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