Aê, moçada!
Aproveitaram o carnaval? Pois é,
justamente sobre isso que vim falar hoje, sabe. Bem, nunca entendi direito esse
lance de carnaval. E nunca pulei, celebrei, dancei, whatever. Procevê. Sou daqueles que se sentem um marciano nessa
época do ano. Isso que dá não ser integrado com as festividades do país.
É mesmo. Tempos atrás eu até
tentava. Gostar mais futebol, carnaval, música sertaneja e coisas que se
enquadrem com os padrões culturais dos brasileiros e brasileiras. O fato é que
não me sinto um bom representante da espécie, se é que me entendem. Sim,
galera, como brasileiro, eu digo. Você se sente? Estranho, né?
Vai ver porque o Brasil é uma
nação em formação. Aquele lance de território, língua própria, aparência
semelhante entre as pessoas, costumes e culturas e tudo o mais. Muita
miscigenação, mistura de diferentes povos e... bem, nem era sobre isso que eu
queria falar, mas faz parte também. O que queria saber mesmo era: de onde
chavascas surgiu o carnaval?
Assim, desse modo, eu digo.
Samba, mulheres seminuas (senão nuas mesmo), bebidas, orgias, pessoas urinando
nas ruas, DST’s, acidentes... bem, claro que tô fazendo drama porque nada faço
nessa época e sou bem anti-social – e tenho uma inveja danada de quem consegue
se divertir com isso, sabe. Mas chega de enrolar, rumbora ao que interessa. As
origens da festa mais querida e esperada de nosso país, o carnaval.
Bom, saiba mais lendo aqui. Seja como for, em 1091, a Igreja
Católica oficializou a data da Quaresma. Assim, as festividades são opostas ao
comportamento que se espera nos próximos dias. São chamados Dias Gordos –
Carnaval. Posteriormente, temos os Dias Magros, de abstenção, reflexão (da
culpa) – a Quaresma propriamente dita.
Tal época serve para marcar
períodos de abundância e de jejum alimentar. Assim, era necessário deixar de
lado os prazeres da mesa e da carne. Ah é, a quaresma é a representação da
tentação de Jesus no deserto por Satanás por quarenta dias e quarenta noites.
Só para lembrar, mesmo.
Isso é o que diz esse carinha.
Segundo esse ou essa aqui,
na verdade, na verdade, a festa tem origem muito antes, na Antiga Grécia.
Tratava-se de um ritual de agradecimento pelas colheitas do solo. Depois havia
bebidas e sexo a vontade para alegria dos devotos. Ei, pare de jugá-los, era
uma festa, afinal. Todo mundo estava feliz e queriam comemorar. É mesmo.
E é claro que a Igreja achava
tudo aquilo uma infâmia, mas com o tempo – e isso é normal – adaptaram a festa
já que era impossível extirpá-la. Tiraram o que podiam e oficializaram a coisa
toda no ano de 590. Anos mais tarde deixaram o povo comemorar como queriam de
novo, já todo poder emana do povo e deles vieram à forma tal qual como eram.
Desde que se praticasse antes dos quarenta dias que simbolizam a tentação. A
única solução era tolerar as festanças. Daí a festa ganhou um colorido
especial.
Num é? Já repararam como tudo
surge da Roma ou da Grécia nessas pesquisas que a gente faz? Ou, triste isso. É
um saco, na verdade. A mesma coisa vai acontecer se pedir para um marxista te
explicar alguma coisa. Ele (ou ela) vai dizer que tudo começou há muito tempo
atrás numa galáxia muito, muito distante na Antiga Inglaterra, na
Revolução Industrial. É dito e feito. Experimenta, procevê. Aposto toda minha
coleção de Guerreiras Mágicas nisso,
e ainda dou a de Tsubasa Resevoir
Chronicles de troco de balinha.
O que acontece é que toda a vida
as pessoas comemoram as coisas bebendo álcool e fazendo sexo. É assim que é.
Claro que as tribos faziam para celebrar as boas colheitas e mais uma estação
de fartura e hoje fazemos isso simplesmente para nosso puro deleite e
satisfação hedonista. O fato é que todos pretendem celebrar a vida. Por isso,
pouco importa se foi na Grécia, Egito, Roma, nas cavernas ocidentais próximas
do Atlântico Norte.
Nada melhor do que se drogando e
transando até não poder mais – com os mais ilustres desconhecidos e
desconhecidas. Enfim, vamos deixar esse lance de Grécia e Roma e prosseguir
para saber como a coisa degringolou.
Diz a lenda que as comemorações
eram diversas na época que a festa fora sacralizada. Na França a galera bebia
até cair, todo mundo junto. Na Gália então, nem se fala. Em Roma, haviam
corrida de cavalos, desfiles, brigas de confetes, corridas de corcundas e toda
sorte de zuação que o povão pudesse imaginar.
Peraí que a lenda ainda não
acabou, vai lendo. Diz-se que o papa Paulo II introduziu um baile de máscaras
nessas datas comemorativas. Foi no século XV. Vossa Santidade era bastante
tolerante com a festa, as comemorações eram celebradas bem perto de seu
palácio. Porém, se popularizou mesmo graças ao Commedia dell’Arte, uma
companhia teatral de comédia – possuía textos improvisados e tipos regionais
característicos – que se instalou na França.
Foi dessa companhia que surgiram
alguns personagens como a Colombina (criada de quarto safadjênha e audaciosa,
que por vezes se fantasiava de arlequineta, com roupas coloridas como o
Arlequim, seu amante), o Arlequim (rival do Pierrô pelo amor da Colombina,
vestindo-se com trajes de retalhos triangulares de muitas cores) e o Pierrô
(ingênuo e apaixonado).
Aliás, ouve essa música dos Los Hermanos que condiz com o assunto e é muito boa! Pierrô, CHORA!
Pois é. Foi um grande sucesso na Corte de Carlos VI. O bailinho, digo. Mas
também foi o motivo de sua ruína – foi assassinado em uma fantasia de urso. E
bem, esse é o fim da lenda.
As máscaras, centenas de anos
mais tarde, na Veneza e em Florença, foram usadas para a sedução. Assim,
semelhantes àquelas das festanças, sabe. Procevê como são as coisas. Na França,
as festividades duraram muitos anos, até quase depois da metade do século XIX,
onde começou a perder suas forças. Os bailes e desfiles foram sendo esquecidos,
sendo apagados. Mas ainda hoje são presentes em alguns lugares da Europa,
principalmente as de tradição católica, já já eu falo mais disso. Segura aí.
Então, está claro que o carnaval
não é coisa brasileira, veio das bandas de lá. Nossa festa vem do entrudo
português e das mascaradas italianas. Anos mais tarde, foram acrescidos
elementos africanos e então ficou com cara de Brasil – como disse lá em cima,
essa coisa de mistura, miscigenação, que faz tudo ficar mais gostoso, né não?
Dexô falar do lance lusitano,
então. Os portugueses trouxeram as comemorações para a colônia em 1641, chamada
entrudo (que significa começo, entrada). Acontecia antes da quaresma. Sim, você
cansou de ouvir isso e eu de dizer, mas é importante ressaltar. Assim ninguém
esquece. Aham... e nada se parecia com o que temos hoje. Era um festejo meio
bárbaro, sabe. Como assim, Diego?, você me pergunta. E eu te digo.
Assim: os escravos molhavam-se
uns ao outros com farinha de trigo, ovos, polvilho, laranja podre, restos de
comida, enquanto os brancos ficavam quietinhos em casa. Nem tão quietinhos, os
covardes jogavam baldes de águas sujas nos passantes desavisados da rua. Pode
um trem desse? Bom, vamos pensar que essa época sempre foi um período de escape
para fazer o que der na telha. E jogar água suja nos pedestres deve ser
reconfortante para ricos mesquinhos e reprimidos.
Sei que isso de ser uma válvula
de escape ainda existe. Vale nigth,
azarações atrás do trio elétrico, sexo tórrido e selvagem com o vizinho antes
de tomar café da manhã com o marido e os filhos é normal dessa época do ano.
Ao que parece, a alta sociedade,
assim como eu, não aprovava a ideia de lançar objetos fétidos em passantes
distraídos e desavisados. Destarte, os baldes de águas sujas foram substituídas
por pequenas esferas de cera cheias de água perfumada (limões de cheiro),
deixando as pessoas desavisadas perfumadas. Claro que também haviam os que
jogavam xixi uns nos outros – isso na rua. Coisa mais feia. Se bem que ainda
hoje tem gente que nessa época acha que qualquer lugar é urinol... Sim, é com
os marmanjos bebuns. Seus mijões!
Mesmo assim, ainda tinha uma
galera que jogava vinagre, vinho ou groselha. Essas foram as precursoras do
lança-perfume em 1885. Eu nunca usei. Mesmo. Mas é comum achar gente que já. Há
muito tempo atrás falei que é
comum conhecer alguém que já experimentou algum tipo de droga. Lembra? Pois é!
Meus pais usavam na época deles de carnaval. Diz minha mãe que teve a sensação
de estar dançando no meio da rua.
Certa vez, minha irmã disse que
ouvia sininhos tocando. Outra colega de faculdade disse ouvir o mesmo do
sininho e as pessoas sumindo uma a uma e depois reaparecendo, cada qual em sua
vez. E, bem, esses relatos já tem tempo. Procevê, eu nem falo direito com minha
irmã depois que briguei feio com ela tempos atrás. Hoje já tá de boa, mas a
gente não é muito de bater papo. Ou seja, eu era menino ainda.
Mas deixa eu voltar. Onde eu
tava, mesmo? Hmm... a música. Bem, não era samba. O tal do entrudo não tinha
ritmo que o marcava. A musicalidade foi se desenvolvendo com a chegada dos
bailes de máscaras, no século XIX, em 1834. Sim, sim, nos moldes europeus,
principalmente o lado francês da coisa. Com o passar dos anos, os bailinhos
foram se popularizando cada vez mais. Com eles, além da música, as fantasias e
máscaras também floresciam cada vez mais.
O primeiro num salão de festas
aconteceu em 1840, por iniciativa italiana. Aí começou uma segregação: na rua,
o povo fazia o mesmo, ao ar livre; nos salões a classe A, separada e protegida
por quatro paredes. Nestes, era a polca que ditava o ritmo. Depois a valsa, o
tango, o maxixe, tudo em versão instrumental.
Ah é, tinha o cortejo fúnebre
carnavalesco, também. Aconteciam em forma de sociedades, espécies de clubes, e
desfilavam carros alegóricos, modinha na Europa – apesar de lá a coisa estar em
decadência. O primeiro desfilou em 1855 e no ano seguinte, havia mais um. Todos
satirizando o governo. E por aí foi. Antesmente, em 1846, apareceu o tal do Zé
Pereira, um folião português que animava a galera com um bumbo, zabumba ou
tambores. Animava era jeito de dizer, já que um bando de tresloucados saiam
fazendo o maior fuzuê nas ruas com os instrumentos.
Entrementes, a solução toda era
acabar com a anarquia desvairada. Foram colocando restrições para evitar mais
perfurações de tímpanos desnecessárias. Quase uma procissão. Foi daí que surgiu
os blocos e cordões de carnaval. E adivinha o que saiu daí? Sim!, os blocos e
escolas de samba! Brancos, negros, mulatos, tudo que é tipo de pobre animavam
as ruas ao som de instrumentos de percussão! Com grande influência dos
festivais religiosos africanos, inclusive o de se fantasiar.
Enquanto isso, os ricos
mesquinhos ficam lá, brincando de ingleses num salão fechado. Tsc, tsc, que
vergonha! Por isso que sou do povão, messs..!
Os cordões possuíam músicas
próprias e eram guiados pelo mestre por um apito. Ah é, tinham um estandarte,
também. Além deles, existiam os ranchos, outro aglomerado da galera da
comunidade. Os ranchos desfilavam há tempos, em festejos natalinos no Dia de
Reis. Andavam fantasiados de pastores e pastoras de Belém. Suas músicas eram
conhecidas como marcha-rancho, por sua peculiar letra e música. Porém, entraram
em declínio pelo desenvolvimento das escolas de samba.
Deixaram, no entanto, o
mestre-sala, a porta-estandarte e as pastora ricamente adornadas, para a
posteridade carnavalesca. Algum tempinho depois, surgiram no meio da folia os
corsos. Eram caminhões sem capota, bem produzidos, que conduziam famílias ou
pessoas alegres e festivas dispostas a brincar. Neles, usavam confetes (tem sua
origem espanhola), serpentinas (de origem francesa) e lança-perfume (éter
perfumado, também de origem francesa).
Isso acontecia onde hoje é a
Avenida Rio Branco, lá no Ridjanêro. Algumas pessoas acompanhavam a festança,
fazendo com que o local ficasse intransitável. Por esse e outros motivos, a
tradição extinguiu-se. Foi mesmo. E temos também a primeira música feita para o
carnaval, pela eterna Chiquinha Gonzaga. Trata-se do Ó Abre Alas, inspirada na cadência rítmica dos ranchos e cordões. O
compasso era binário e caiu no gosto popular. Tem esse nome porque o primeiro
tempo era mais forte, de modo que os foliões pudessem marchar no ritmo.
O tempo foi passando e as
marchinhas evoluindo, sofrendo influência do Jazz Band, do tango-chula, polca, marcha-rancho, toada-sertaneja. Também
entrou em declínio. No começo, possuía a divulgação radiofônica, os bailes de
salão e a própria rua. Mas, sabe como é, os tempos mudam. A música estrangeira
e outros tipos de gênero carnavalesco, como o samba-enredo, foram ocupando
espaço e aí...
Na década de 30 e 40, a produção
de um disco era baixa e de distribuição gratuita. As gravadoras lucravam rios e
mais rio de dinheiro. Posteriormente, a tecnologia avançou, produzindo um
trabalho de maior qualidade, porém com maiores custos. Isso dificultou o acesso
das marchinhas. Dava para ganhar mais grana com outros gêneros e aí deu no que
deu. Procevê.
E falando em como lucrar mais, a
partir da década de 70, com a tevê em cores, o carnaval passou a ser um
espetáculo e tanto. Oceanos inteiros de moedas douradas, se é que você tá me
entendendo. Sim, sim, venda de ingressos para turistas, transmissões
televisivas, coisas assim. Pois é, e o povão participa cada vez menos desse tipo
de festa. Não há de ser nada sério, existem outras formas de celebrar.
Bem como faziam os antigos gregos
e romanos.
Falando nisso, a festa ainda
acontece em outros pontos do mundo. Pouco extravagantes, se comparados ao
nosso, bem verdade, mas acontecem. Na Alemanha, o Karneval ou Fasching serve
como válvula de escape (falei disso lá em cima) bem como por essas bandas.
Comuns em Mainz, Düsseldorf, Bonn e Colônia. Na Itália, tem Veneza, onde há
gôndolas iluminadas nos canais da cidade e concentração de personagens típicos
na Praça de São Marcos.
Na França, a folia acontece em
Nice, onde há a parada de carros alegóricos e de figuras gigantescas. Nos
Estados Unidos, em Nova Orleans, rola o Mardi Grass (terça-feira gorda),
tradição desde 1857. As pessoas saem de casa fantasiadas, há desfiles nas ruas
e os bares ficam abertos vinte e quatro horas. E tem no Japão, também, em
Tóquio. Existem escolas de samba e tudo mais, no chamado Asakusa Samba
Carnival. Só que a festa é só em agosto, por que disso, lá sei eu!
Pois é, minha gente, é isso.
Bastante esclarecedor, num é? Eu achei. No mais, é isso aí. Se quiser saber
mais sobre, dá uma lidinha nesse site,
que foi de onde tirei o restante das coisas que escrevinhei aqui. Tomara que
tenham gostado e aproveitado as festividades, porque acabou a moleza. Feriadão
assim, só ano que vem. É mesmo. Então tá. Dentro em breve volto com Queime Cosmo!!, só me falta achar as
anotações que eu zalei! Mas acha-la-ei! Beleza, então. Espero ver você por
aqui. Até mais!!




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