Tudo jóia? Tomara. E eu aqui, de mesma forma. Como de costume. Ainda naquela de sem saber ao certo o que escrever. Mas sendo teimoso e continuando a escrever. Porque eu sou brasileiro e não desisto nunca!
Pois é. É até engraçado falar isso, porque ainda não me sinto muito brasileiro, para falar a verdade. Vai ver pelo fato de não ter viajado muito, conhecido coisas em comum com outras pessoas de outros lugares do país. Talvez. Enfim, não é disso que vou falar hoje, sabe. E já te conto sobre o que é!
Então, estava eu ouvindo uns velhos discos antes de o almoço ficar pronto e me deparei com dois da banda Violins, que tinha guardado. Coloquei os bichos para tocar e lembrei o quanto os caras são bons, sabe. Depois disso, conversando com minha amiga Simone sobre música, acabei por falar deles mais uma vez.
Fora que eu já tinha feito isso muitas e muitas vezes com outras pessoas. O pobre Zé, mesmo, teve de me aturar vezes e mais vezes falando de Violins. Aliás, teve uma aula do professor Sérgio (acho que era de Metodologia, não lembro) que levei umas três músicas com letras e tudo da banda para abordar o que pretendia. Procevê!
Daí que decidi fazer uma análise do conjunto da obra e colocar aqui. Assim, cada vez que uma pessoa me perguntar sobre minha banda favorita de todo mundo (depois de Queen), vou falar para vir dar uma lidinha (e escutadinha) nessa página. Vai ser a prova definitiva que eles são bons, mesmo.
Pelo menos para mim.
Então deixa eu parar de enrolar e seguir em frente. Vamos passear pelos anos com esse som do bom!
Wake up and Dream
“I spread perfume around the room”
Acorde e Sonhe. Esse é o primeiro trabalho do grupo. Ainda lembro a primeira vez que ouvi algumas músicas desse disco. Foi meu amigo Túlio que me apresentou, muitos anos depois. No ano de 2008, mais ou menos. Mas a sensação de quando escuto ainda é a mesma. De tranqüilidade, paz e muito lirismo. Parece que sinto um doce aroma atordoante no ar!
Isso se canções tivessem aroma. Nessa época, a banda ainda se chamava Violins and Old Books. Com letras todas em inglês, o que posso dizer desse álbum é que ele é de uma poesia muito pura. Não entendo patavinas do que o Beto está cantando (porque não entendo patavinas de inglês), mas a letra consoante com melodias e arranjos é uma coisa fantástica.
Aliás, lembro que na época pensei que qualquer uma das músicas seriam perfeitas para aqueles bailes que vemos em filmes, sabe? De dança a dois, muita classe e um clima bom no ar – lírico! E é isso, mesmo. Arte da boa, da pura, eu diria.
E é isso mesmo, artístico demais. As músicas são bem feitas e arranjadas, apesar de serem muito longas. Por isso mesmo são bacanas: é algo para se apreciar, admirar, não cantar junto, embalar ou mesmo vender. Esse é o motivo de tamanha beleza. E coisas assim, como já bem disse certa vez meu bom José (o mesmo lá de cima) não podem ser vendidas – no muito, negociadas.
Porém a banda mudou demais. Seguiu outros rumos. Esse foi só o começo, uma prévia do que estava por vir. Quem sabe até um ensaio. Sei que gosto bastante desse começo – apesar de tais músicas não serem tocadas em shows, certamente pelos motivos já postos.
Capa do álbum original: Wake Up and Dream
Ano: 2001
Onde baixar: Violins and Old Books
Aurora Prisma
E joga pelo ar os sonhos que você guardou com carinho”
Esse álbum é simplesmente fantástico! Uma das mais saudosas obras já feitas! Com um novo nome – agora só Violins, mesmo – e canções em português, Beto mostra o que estaria por vir nos próximos anos. Com canções menores, letras simples e encantadoras (quando não sutis), também trazem uma sensação única.
A temática é introspectiva, abordando a fragilidade dos relacionamentos – amorosos e familiares –, que por vezes são distantes e sem tanta profundidade. As melodias são belíssimas, muito bem trabalhadas – os metais são os melhores nesse disco. Um tantinho melancólicas, tudo em medidas certas.
A descrição das cenas é algo impressionante também (como em Feche seu Corpo ou Ex-Falso). A banda tange temas de crise interna como envelhecimento, a relação individual com o Divino, responsabilidades trazidas pelo relacionar e... estou sendo repetitivo.
A contra-capa do álbum parece traduzir muito bem o que o disco causa: algo muito bonito está acontecendo aqui, mas estamos rodeados pela escuridão e o que vemos é um belo amanhecer – o horizonte promete um clarear, mas também nos fará perder a beleza de tal momento único.
Viajei agora.
Enfim, é bonito – por ser triste. Melancolia talvez seja a palavra. Um dos melhores álbuns do grupo, sem dúvida nenhuma. Fora a belíssima canção que aborda o universo infantil como nenhuma outra: Qual a criança.
Capa original do álbum: Aurora Prisma
Ano: 2003
Onde baixar: Violins
Grandes Infiéis
Esse álbum mostrou completamente diferente de seu antecessor. Com músicas mais animadas e um tema interessantíssimo: por diversas vezes é abordada, como traz em seu título, a traição. Mas consegue ser muito mais do que só isso! Ainda é abordado outros bastante peculiares das relações, só que dessa vez sob outros aspectos – muito menos intimista.
Com letras mais maduras e bastante diversificadas uma das outras, bastante andantes e com críticas mais diretas. Vemos abordagens como cirurgias plásticas, impaciência, e temas que mais parecem ser crônicas cantadas de tão peculiares. De certa forma, a banda mostra que ninguém aqui tá livre de uma ou outra ação pouco digna.
Nenhum de nós serve de exemplo, entende? Esse é um dos sinais que trazem. Além de ser bastante interessante, porque não é só a traição ao outro, mas também a si mesmo – por atos momentâneos como em Ensaio sobre a Poligamia ou maneiras de viver na metafórica Vendedor de Rins.
Quanto à música, está um pouco mais pesada, com algumas distorções e, como já dito, num ritmo mais rápido. Uma ou outra canção ainda tange dúvidas interiores e conflitos. Porém, esses trazidos pelos relacionamentos – muito mais focados na relação amorosa, dessa vez. Mesmo porque está é uma das propostas do disco.
Ah é, parece que o Beto se inspirou na Montanha Mágica para escrever Hans e no filme Magnólia para fazer Glória. Massa!
Capa original do álbum: Grandes Infiéis
Ano: 2005
Onde baixar: Violins
Tribunal Surdo
Com bichas e michês e pretos na tv”
A Justiça é Cega e o Tribunal é Surdo. Essa é uma impressão que dá para tirar – bem na linha da imposição, mesmo. Nesse álbum, as músicas são agressivas, contestadoras, provocadoras, ásperas... Como uma verdadeira provocação, explorando o que há de pior no interior de todas as pessoas.
É mesmo. Posso ter exagerado um pouco, mas é bem nessa linha mesmo. Acho que sei mais ou menos como devem ter feito esse álbum. Eles tavam lá, tomando o café da manhã e lendo as atrocidades no jornal e perceberam como aquilo era comum. Todos os dias, tragédias são postas nos jornais e, depois de lermos, dobramos e voltamos a nossas vidas costumeiras com total indiferença. Não?
Sim. A violência não toca ninguém, e isso que fica bem claro no disco. Uma crítica fortíssima ao estilo de vida cotidiano. E muitas músicas são bem perturbadoras por isso mesmo: violência doméstica (contra mulher), o egoísmo nas relações além de sua distância – mas, diferente da forma de abordar nos outros álbuns, ela é muito mais focada na ideia de posse neste.
É assim que a banda coloca um professor que ensina como bater carteiras, um grupo de extermínio de minorias, pensamentos de atiradores de elite além de outros temas como disparo acidental de uma arma e até mesmo a sensação de estar preso nas ferragens de um carro após um acidente.
(Aliás, me emocionou a primeira vez que ouvi Ford. A angústia dos momentos finais de duas pessoas presas num carro... o Beto conseguiu me levar ali para dentro!)
O som também está mais pesado, bastante condizente com o tema proposto. Contém uma forte crítica social e é uma obra de respeito, digníssima a qualquer outra já feita em toda história do rock brasileiro (mesmo).
Capa original do álbum: Tribunal Surdo
Ano: 2007
Onde baixar: Violins
A Redenção dos Corpos
Com coração de rua, com as mãos imundas, mas sou teu sem culpa”
Dessa vez, o tema é a espiritualidade. E tudo a ela envolvido – além da interioridade, o que vem de fora também. Não tão agressivo quanto o interior, esse disco faz parar para pensar e até mesmo questionar alguns ponto. O que é um dos pontos fortes da banda: cada álbum é diferente do outro, pois suas temáticas mudam por demais entre si. Ainda assim, pode-se ver alguns pontos de ligação, sabe.
As críticas são bastantes fortes, questionando muito dos comportamentos postos pelas religiões – fazendo inclusive uma analise sobre as ações (incluindo até mesmo o casamento, como em Corpo e Só).
Um tanto mais acústico a princípio, talvez justamente para reflexão, como valores que ainda temos postas por grandes instituições religiosas e até mesmo pessoas que pregam suas crenças nas ruas. Muito além de uma crítica ao Divino, é direcionada aos fieis.
Na metade do caminho, explora-se mais o que virá e a expressão humana no planeta e seus trágicos resultados pelos atos feitos. Para tanto, usa-se mais distorções e as músicas, apesar de não serem pesadas, ganham maior ritmo. Um bom exemplo disso é Terrorista Justo, bastante forte e pode ser um resumo do que estou tentado dizer.
Um disco para refletir bastante no rumo que damos para as nossas vidas, se quer saber.
Capa original do álbum: A Redenção dos Corpos
Ano: 2009
Onde baixar: Violins
Greve das navalhas
Se não me engano, a banda tinha terminado um pouco antes. Mas ressurgiu (ainda bem)! De certa forma, podemos ver algo nesse disco. Ele é mais constante, sem grande variações nas melodias. O tema explorado nesse álbum é o Apocalipse – mas não o fim dos tempos em si, mas sim a ruína interior. Um exemplo que posso dar é Mapa Incerto.
Sim, outra forma de ver o cotidiano e as relações. Existe abordagens de alguns fenômenos como tsunamis e até uma canção metafórica – até onde pude entender – ao Sol. E nesse dá para sentir novamente como uma crônica cantada (mas de maneira muito menos sutil, como ocorria nos primeiros discos).
O que é bacana, ver a mudança durante os tempos. Mesmo porque alguns músicos possivelmente devem ter saído da banda. Aqui vemos locais como papelarias e Sinais de Trânsito. As canções são mais pesadas, sem grandes distorções e, como já dito, bastante constantes.
De certa forma, é um recomeço. Não sei dizer bem ao certo o que estava mudando, mas é bastante evidente que o grupo estava diferente. Talvez de tanto ouvir e acostumar com o estilo e o trabalho dos caras, senti o momento que a banda estava passando. Mas nem acompanho os shows e entrevista deles, para ser sincero. Então, o que eu sei?
Capa original do álbum: Greve das Navalhas
Ano: 2010
Onde baixar: Violins
Direito de Ser Nada
Desafio perpétuo de te amar”
Álbum fresquinho, recém lançado! Lembra da mudança que disse na vez passada? Pois é, aqui parece que o grupo se alinhou e variou bastante nas canções. Numa levada levinha, bastante tranqüila e bem dosada. Um pouco mais diversificado, foca-se em um relacionamento... simplesmente. Outra roupagem, agora com bastante tranqüilidade.
Sem muitas críticas e alfinetadas (sempre presentes, claro, mas não como nos demais discos), o álbum segue de forma mais calma. Nele, vemos o relacionar de duas pessoas: está simples, bem fácil de entender e bonito, muito bonito como há muito não vinha, se me permite.
Pois é, tenho um nome para isso: maturidade! Depois de tanto tempo, falar de tal tema sem ser demasiadamente melancólico. A essência ainda é a mesma de sempre, mas o sabor está mais agradável por estar muito bem dosado. Assim, tentando ser mais claro:
Tá um delícia!
Isso porque remete aos primeiros álbuns – mas com muito mais maturidade e experiência. E sem preocupar com críticas ou formas para chocar: é como é, aceitam as coisas como estão. Eles tem esse direito sim, de ser nada. É um álbum leve e bonito – tanto quanto são possíveis as relações amorosas. É mesmo.
Capa Original do álbum: Direito de Ser Nada
Ano: 2011
Onde baixar: Violins
Bom, é isso. Assim, sempre acho muito difícil falar de coisas que gosto, sabe. Isso porque não sou nenhum pouco parcial (e a coisa fica meio que “gosto porque gosto e pronto!”). Mas, é como eu sempre digo, o importante é não desistir. Né?
Pois é. Então é isso, espero que tenha ficado bom. E espero ver todo mundo por aqui, heim! Mesmo, mesmo. Uh-hum. Até a próxima, então!







Você me convenceu totalmente a escutar Violins! Já separei os albuns para ouvir... o ideal mesmo é apreciar, ne?
ResponderExcluirAlias, eu não consegui baixar o Tribunal Surdo :/
Opa!
ResponderExcluirAssim, só o primeiro, que é mais artístico. O Tribunal é bastante crítico. Cada um é muito diferente do outro, sabe. Tenho lá meus preferidos. Mas mesmo as músicas ruins são boas.
Sou suspeito para falar. Gosto demais da banda, sabe. Tanto que é quase parte de mim. Procevê!
Ah, recoloquei o Tribunal Surdo de novo! Parece que tá tudo certinho! Beijão!!
Eu escutei os primeiros e curti mais o Grandes Infiéis, achei bem legal!
ResponderExcluirVou escutar o último e o Tribunal Surdo... E depois darei meu parecer :)
Certo! O Tribunal é um dos meu favoritos. É obrigatório também, a banda ganhou um prêmio pela música Grupo de Extermínio de Aberrações! Uau!!
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