Tudo bem? Assim espero. Aqui ta daquele jeito. Pois é. Ultimamente estive estudando química e física de vez em quando, sabe. E isso me faz lembrar o Ensino Médio e porquê foi uma droga. Foi uma droga porque ninguém tava querendo mesmo ensinar nada, e sim treinar para resolver problemas afins. Transmitir que era bom e fazer verdadeiramente aprender o conteúdo, necas!
Procevê! Mas acontece. Escola é assim mesmo. E nem era sobre isso que eu queria falar. Acontece que mudei meu horário e conteúdo de estudo (já que to sem fazer nada ainda). E daí decidi rever alguns animes antigos. Dentre eles está X/1999. É do Clamp, sabe. Eu já falei um pouco dele há um tempinho. Lembra?
Ah é, vale lembrar que não é muito bom, não. Assim, depois de ver cheguei a uma conclusão: é um anime emo. Sério, tem drama demais, todos os personagens sofrem pela solidão e se auto-flagelam. Auto-piedade, sabe. E isso é um saco. Todo mundo sofre na vida, fazer um grupo de Severinos não é nada legal.
Mas tem uns pontos fortes: todos os Dragões da Terra – querem destruir o mundo para que possa recomeçar do zero – são funcionário de alta patente do Governo japonês e todos os Dragões do Paraíso ou Selos – querem proteger as pessoas e garantir que as coisas fiquem como estão, obrigado – estão ligadas as seitas religiosas (monges, sacerdotes e afins).
Além de alguns pontos que te fazem pensar um pouco. E um deles é o tema de hoje.
Tipo, X/1999 é um anime lento, que tem sua trama devagar (apesar de não ser tão bem trabalhada assim) e que em certos pontos dá sono. Sério, em alguns episódios cheguei a cochilar duas vezes em dois pontos diferentes. O filme é mais legal – e o mangá deve ser muito bom também, assim como todas as obras do Clamp.
A série pode ser resumida em uns oito ou nove episódio – e não em 24 como fizeram. Enfim, nem era sobre isso que eu queria falar. O que eu queria falar é que, no episódio 18 um dos Dragões do Paraíso entra em combate com um dos Dragões da Terra. Eram duas meninas, que já se conheciam. Daí que segunda me solta essa:
Por que não devemos matar outras pessoas?
É, eu sei. Também pensei isso quando ouvi essa pergunta. Ela é idiota. E sem objetivo nenhum. Imbecil e vazia, porque é óbvio. Assim, é óbvio demais, não é? Não é?
Sei não, não parece ser tão óbvio assim. Vamos parar para pensar sobre isso. Existem milhares de respostas possíveis. E a sua em particular vai depender do tipo de pessoa que é. Mas vamos voltar na pergunta. Tinha um professor de Geografia meu – esse até que era gente fina – que dizia que, às vezes, era difícil ver o óbvio.
Deixa eu continuar a proposta da pergunta da moça do Dragão da Terra. Nós, que somos humanos, matamos muitos outros seres vivos. Isso para comer, fazer objetos com eles e uma porção de outras coisas. Além de não respeitarmos a natureza em nossos crescentes progressos. Além disso, matamos nossos semelhantes em diversos casos. Então, se existisse outro ser, de inteligência e forças superiores e com maiores capacidades, estaria certo se ele nos matasse?
"Ô, diliça! Agora pensa em humanos no espeto. Pois é..."
Interessante, né? Uh-hum. E pobrezinha da menina de quatorze anos que teve de responder isso. Na verdade ela não conseguiu. E pagou o preço. Mas deixa eu começar a viajar sobre isso. E vem comigo e quem sabe dar sua opinião mais para frente. Como eu já disse existe diversas respostas para isso.
Uma resposta moralista, uma resposta biológica, uma resposta idealista, uma resposta religiosa, uma resposta filosófica, uma resposta moralista e até uma resposta romântica. E muitas, muitas outras.
Vamos com calma. E pensar um pouco. Por que não devemos nos matar? Por que você não deve matar seu vizinho ou com aquele cara ou moça de quem não vai com a cara? Ora, a princípio, porque não há motivos nenhum para isso. Não tem lógica. De certa forma poderia ser até prejudicial. Eu preciso do outro para continuar existindo. E para ter outros seres e perpetuar a espécie.
Essa poderia ser a resposta biológica. Não devemos nos matar para que continuemos a dar continuidade a nossa espécie. Mas será que é só por isso, mesmo? Assim, tendo bons motivos, é até justificável outra pessoa matar a outra.
Pois é. Você sabe, por vingança, alguma injustiça cometida ou por defesa própria. Isso seria justificável – apesar de não louvável. Mas vamos voltar: outros seres não tem esse tipo de ação, certo? Ela é característica do homem. Só o homem mata outro ser assim, que não para comer ou para próprio zelo.

Não é, não. Alguns tipos de rãs matam umas as outras para se alimentar. Rãs canibais. Mesmo quando a população da espécie no local é baixa. Leões e gorilas, ao vencerem uma batalha com outro macho alfa, matam os filhotes para que as fêmeas entrem no cio mais depressa para terem filhotes deles. Outros simplesmente se matam por território.
Acontece que na natureza isso não é muito incomum. E não é só para comer ou defender território, não. Na-ahn! Foi por isso que um carinha chamado Hobbes disse que o instinto do homem é mal por natureza. Ele faria qualquer coisa para saciar seus desejos e vontades. Inclusive matar todos aqueles que fossem contrários aos seus pensamentos.
Segundo Hobbes, era para isso que serviria o Estado: por limites nesse instinto humano, vontade inata desenfreada de tudo querer a qualquer custo. E escreveu um bocado sobre isso em um livro aí. Mas isso eu só sei o que me ensinaram no colégio, sabe.
Tem o pensamento nietzschiniano de vontade de poder – na natureza, tudo tende a querer ser mais e mais, ampliar seu ser ao máximo que for possível, na ânsia de satisfazer suas vontades. Mas também sei pouquinho sobre isso. Só o que aprendi na faculdade.
E dentro dessa linha tem Freud. Desse sei menos ainda. Bom, pelo que entendo da teoria psicanalítica, temos os impulsos que são nossos próprios desejos. A vontade imediata de querer fazer algo. Só que ela é pautada pelos valores sociais e morais que aprendemos durante a vida em comum com outros. O equilíbrio entre o nosso querer bruto e nosso dever social formariam o que somos.
Mais ou menos.
É por isso que não saímos matando por aí. É socialmente errado. Existe punição, não é aceito. E essa é a resposta moralista. Seriamos punidos por um Estado que constituiu leis para que a vida estivesse em prioridade em nosso meio. Assim, a garantia é continuarmos vivendo.
E não existe um motivo para tanto. Eu não vou te matar por nada. Da mesma forma que não vou te amar por nada (já falei muitas léguas sobre isso, não vou aprofundar mais, beleza?). O que eu vou ganhar, entende? Ainda que haja, não me é lícito fazer isso, né não?
E tem outro lado. Outros, na verdade. Não devemos matar porque é pecado. Somos seres dotados de inteligência e capazes de nos compadecermos. Sabemos o que é bem e o que não é. Não temos culpa de nascermos como e onde nascemos, mas podemos ajudar os outros. Simplesmente por não termos iguais condições. E todos têm direito de uma vida digna.
Por compaixão. Por bondade. E isso, claro, por terem uma convicção e uma crença. E não estou dizendo uma seita religiosa – tem milhares de ateus que fazem tudo isso por acreditarem, de certa forma, nisso que acabei de escrever. A palavra seria valor, entende? Elas têm esse valor na vida.
Melhor que muitas doutrinas religiosas, sabe...
(E isso inclui a minha e a sua também).
E essa seria a resposta religiosa.
Tá, mas o fato de sermos capazes de ter um raciocínio abstrato nos dá o direito de matar os outros animais e progredir nossas civilizações sem respeitar a natureza?
Bom, não né. E de fato, existem muitas pessoas que assim pensam. É só pararmos para pensar o que a moça mesmo disse no anime: se outro ser tivesse inteligência superior a nossa, isso daria o direito de nos matar ou usar em sua benécie?
A resposta é clara: não. E nem precisa pensar em um ser divino, é só pensar em um ser extraterreno, mesmo. Não temos o direito de matar nenhum outro ser, nem nossos semelhantes. Independentemente de seus feitos ou atos.
Mas não precisamos ser radicais. É claro que não tem crime algum em matar um animal para se alimentar dele. É, eu digo vacas, bois, galos, porcos, peixes, camarões, coelhos, cavalos, capivaras, tartarugas, crocodilos, avestruzes, camelos, cangurus, cachorros, pingüins, golfinhos, baleias, sei lá. Porque isso faz parte do equilíbrio da natureza. A Terra também é um organismo vivo e cuida de seus seres.
E não me olhem assim. É, pare de me julgar, tá bom! Pro seu governo sou vegetariano. Assim, a maior parte do tempo. O melhor termo seria ovo-lacteo-vegetariano. E de vez em quando como um peixe e um camarão. Não sou hipócrita, nem pretendo que o mundo inteiro pare de consumir carne – isso seria o caos!
É preciso manter a ordem. Muitos animais poluem demais. Outros devastam plantações. Outros não. O que é preciso é bom senso. Ter consciência, entende. Saber como o animal é MORTO para virar alimento para saciar os desejos do seu paladar. Muitos deles estão ameaçados de desaparecerem da face da Terra. Tudo para ter uma boa carne de golfinho na sua boca.
E tem a devastação da natureza, também. Para saciar nossos desejos mesquinhos. Mas nem justifica matar outro ser. Isso porque existem pessoas que combatem esse lado pouco inteligente que temos. Você sabe, de querer o bem estar sem entender de onde ele vem. Sem saber do esforço de muitas pessoas que trabalharam quase a troco de nada para trazerem objetos a nossos interesses mesquinhos.
Entende?
Não devemos matar outras pessoas porque sempre há esperanças. As pessoas podem mudar. Isso porque esse tipo de atitude é mera falta de inteligência. Sim, inteligência emocional. E isso se pode aprender.
O anime também apresenta uma resposta, até que interessante. Por que não devemos matar outras pessoas? Porque alguém vai chorar. Porque alguém vai sofrer. Mesmo animais sentem tristeza de um ente querido. Sempre vai haver alguém que vai sentir falta de outro alguém. Por mais que essa pessoa não tivesse conhecidos. A Terra chora por seus filhos.
E essa é a resposta romântica.
Bom, é isso. Ou pelo menos isso que queria dizer aqui, sabe. Claro, essa é a minha resposta e essa pergunta que é, aparentemente, óbvia. Mas não é a certa, muito menos exata. Ela é só minha forma de ver as coisas. E você tem o direito de ter a sua. Inclusive a de querer me matar (tomara que isso, não!)
Então, qual é a sua resposta?
No mais, é isso. Pode falar comigo sobre isso se quiser, tenho muitos endereços por aí. E vez ou outro acabo vindo aqui. Ou seja, é facinho me achar. Bom, espero te ver na próxima. E sempre por aqui! Até lá!!






Eu não mataria por conta do Karma, o que entraria na parte religiosa.. Ou também: "não faça aos outros o que você não gostariam que fizessem com você". Ou seja, quem é você pra decidir se alguém deve morrer? Dessa mesma forma, alguém também tem direito de decidir sua morte..
ResponderExcluirAlias, belo blog :) Você escreve muito bem. Já te adicionei no meu reader o/
ResponderExcluirOi, Simone! Seja bem vinda!!
ResponderExcluirTambém concordo com você. Não temos o direito de decidir sobre a vida das outras pessoas, não. Por pior que seja o que elas tenham feito.
Muito obrigado pelos elogios e pode ficar a vontade. Agradeço as visitas! Abração!!