E aí? Como é que tá? Aqui tá na mes... calma! Eu sempre que aqui tá na mesma, mas nunca disse o que é estar na mesma, né? É mesmo. Deixa eu falar pra você então. Na mesma aqui quer dizer que tô sem emprego, sem muita ocupação e com muitas horas livres. Como diria o Túlio, parafraseando Morrissey, Everyday is like Sunday.
Pois é. É como se todos os dias fossem como domingo. Mas não tenho do que me queixar. Tenho estudado e prestado concursos também. Procevê! Não tô tão vagal assim. Foi nessa de estudar que tive que rever uma porção de coisas sobre matemática, sabe? Uh-hum, daí tive muitos flashbacks do passado.
Sabe como é, né? A gente acaba relembrando do primário e aqueles conceitos da matemática básica. Foi numa dessas, estudando os números naturais e vendo aquele conceito de que nenhum número divide por zero e tudo mais, que me veio uma epifania louca:
O ZERO NÃO É UM NÚMERO!
Não é! E vou te explicar minha teoria. O zero tá mais pra um símbolo para o nada do que pra um número. Números quantificam as coisas, dão sentido e existência e lógica para as relações. Por exemplo: uma maçã mais uma maçã são duas maçãs. Isso quer dizer que existem o total de duas coisas pra se fazer algo.
Sim, isso é muito óbvio. Mas e o zero? Ele é um símbolo e só isso. Representa o vazio, a não-existência, o nada. Ele não é um número. Segundo os conceitos, zero dividido por zero é uma indeterminação. Pra mim é um absurdo, mesmo. Não tem lógica nenhuma dividir nada por coisa alguma.
Aliás, tentei dia desses até conversar com meu tio que é matemático sobre isso. Sim, o mesmo da varanda, que dá título a esse singelo blog. Ele me disse que zero é sim um número, elegante como qualquer outro. Me explicou mais um bocado de coisa sobre triângulos, Pitágoras, Tales, e até tentou explicar sobre a Álgebra Booleana. E eu tentando convencê-lo que zero não era um número.
E não é, tô dizendo. Em números romanos não existe o zero. Você começa do I, vai pro II, III, IV e assim por diante. O problema é que não dá pra mudar, já que o zero compõe as dezenas, centenas e milhares (10, 100, 1.000). Mas por si só, não é um número, senão um símbolo.
Isso me fez divagar sobre Douglas Adams. Lá pelas tantas, ele começa a discorrer sobre a vida, o universo e tudo mais. Em certo momento, no segundo ou terceiro livro sobre da série O Mochileiro das Galáxias, ele começa a discorrer sobre o universo e sua imensidão. De fato, nossa existência é tão insignificante se compararmos a existência de estrelas, planetas e grandes astros que passaria despercebida no universo.

Sim, eu e você, meus amiguinhos e amiguinhas danadinhos, somos nada ou muito perto disso se compararmos com os planetas e estrelas. A grandiosidade do universo é tanta que, o planeta mais próximo daqui com possibilidade de vida - ambiente semelhante ao da Terra - é de oito anos-luz (caso viajassemos na velocidade da luz, demoraríamos oito anos pra chegar lá).
Se viajássemos na velocidade da luz. Se! E com tamanha imensidão sideral, com toda certeza existe vida em outros planetas. Nem precisa ter dúvida sobre isso, meus caros e minhas caras, nem precisa!
De fato, dá uma olhada nisso aqui.
E isso me fez pensar: se compararmos a vida humana ao de um astro e a dimensão da Terra a estrela Antares, o que nós seríamos? Pois é. Quase nada. Tão, mais tão pequenos que seria quase um inexistência. E é aí que tá.
Quase. Isso seria beirar o nada, de tão insignificante que poderia se igualar a zero. E desconsiderar a existência. Mais um motivo pra dizer que zero como número não é uma boa ideia. Porque de infinitamente pequeno, um número com milhares de zeros depois da vírgula à esquerda dentro dessa escala, poderia até ser considerado zero.
E aí você acaba de negar que existe. Uh-hum, mas você está aqui, lendo essas divagações da minha mente insana. Logo você existe. Aí a gente tem um problema, tá vendo? Tô dizendo essa coisa de zero e tender a ele não é o futuro. A humanidade vai ser mais feliz e alegre e os problemas vão ser resolvidos quando revermos esses conceitos. Tô dizendo, povo, tô dizendo. E isso me leva a outro ponto.
O universo é finito.
Sim, sim. Assustadoramente e insanamente grandioso e incalculável, mas tem uma hora que vai acabar. Acontece que tem certas coisas que ainda não cabem no intelecto humano terráqueo. O universo é cabulosamente grande de tal forma que não conseguimos calcular nem chegar no final dele - por falta de tecnologia e desenvolvimento cerebral, mesmo. Mas ele acaba, estou certo disso.
Aliás, se ele fosse infinito, não teria começo, mesmo porque ele nunca acaba. Também não teria um fim, óbvio. Na verdade, o próprio universo seria a Eternidade. E isso começa a me fazer entrar em parafuso, sabe? O que sei é que as coisas tem uma origem e um final. Mas não tendem ao nada. E não tenho como provar isso, apenas acredito nessas coisas sem muito como argumentá-las.
E aqui eu chego onde finalmente queria. A MORTE! Sim, sim, rodei, rodei, rodei e cheguei no título do texto. Não é muito bacana de se dizer - é o que dá quando não se tem muito contato social nos últimos meses, tá vendo? Mas não é nenhum bicho de sete cabeças e não pretendo fazer um escarcéu com isso. Vamos conversar um pouco sobre.

Desculpa te dizer isso, mas você vai morrer.
Não é algo agradável de dizer, mas é preciso. Eu, você, nossos pais, as pessoas da sua escola e trabalho, todo mundo na verdade tem um prazo. Pois é. Fazer o que, né? Assim é a vida. Ela começa e um dia termina.
Eu sei que esse assunto é no mínimo difícil. Você já deve ter perdido alguém muito querido. E dói muito, mesmo. Só com algum tempo pra isso mudar, mas daí em diante você está um pouco mais machucado. Sim, com cicatrizes emocionais, e a vida não é mais a mesma. Dependendo da forma como você a encara, pode demorar um tempo grande pra se reerguer - se é que vai conseguir.
Sim, eu sei. Não tive grandes perdas assim, mas sei que não é nada fácil lidar com a morte. Mas é pra isso mesmo que eu te convido a continuar lendo. Sim, sim, pode até me ajudar a mudar meus conceitos e tudo mais. Vamos juntos, tente acompanhar a forma como eu vejo as coisas.
Decidi falar sobre morte depois de ver o filme Corina, Uma Babá Perfeita. O filme trata de assuntos como morte, preconceito e claro, romance em meio a tudo isso. O interessante é ver como a menininha encara a morte da mãe. Nele dá pra ver a dor da perda não só pra menina, mas também para seu pai. Os dois aos poucos vão aprendendo com a nova babá uma forma de se reeguer.
É um filme legal, eu recomendo. Dá pra ver como as pessoas lidam com o fato de morte "precoce". O certo é que, esperado ou não, a morte nunca é vista com bons olhos. Mas vamos analisar um pouco sobre isso. A única certeza que temos - e essa frase é a mais chavão já existente - é que um dia a gente morre. Tá. Porque ninguém discute mais a fundo sobre isso?
Né? Continuemos então. Um dia você vai morrer. Eu também. Um dia a gente acaba. Isso porque um dia a gente começou e assim é a ordem natural das coisas. De certa forma, a ideia de morte é a inconformidade com o término de tudo.

Essa é ideia central encontrada em Irmãos Kasamazov. Não, não li a obra de Dostoiévski. Mas olha só como é: nela, o homem só ama porque crê em sua imortalidade e tem fé em algo. Se você tirar isso dele - sua crença - a saída mais normal e aceitável é o egoísmo. Daí tudo seria permitido. Ainda mais, quando a humanidade renegasse essa ideia de imortalidade é que poderia ser feliz e gozar a felicidade de aproveitar a vida de verdade.
Interessante, né? Parece contraditório com tudo que já disse aqui, mas continua lendo que lá no final vou voltar aqui nesse ponto. Falando em contradição e pairando nessa ideia de finitude e vida pela vida (simplesmente), vamos dar uma olhadinha em algo que acredito ter piorado um pouco mais a ideia de morte: a Igreja. E é certo que a Igreja não foi nada, nada justa durante todos esses anos com a ideia de morte. Tô dizendo. Quer ver?
Jesus Cristo foi o único a vencer a morte. Ele se sacrificou pela humanidade, para que os pecados de todos fossem perdoados. Ele próprio foi o sacrifício. Aliás, Jesus era Deus mesmo encarnado. Deus morreu. Depois reviveu. Por Sua criação, ele passou pela morte. Pois é. Mas ao que parece muitas seitas param por aí mesmo. Deus morreu e a culpa é sua.
Sim, sim. Nem me olhe torto, foi isso que a Igreja Católica fez por muitos anos. Tudo - ou quase - era pecado, a humanidade matou Deus e todos que quisessem perdão teriam que se sujeitar a Dama de Ferro. Aí teriam o perdão e voltariam para o Criador. E algumas facções do cristianismo ainda pairam nesse ideia, não mais só a católica.
O que acontece é que, o que já não era muito fácil de lidar - a perda de uma pessoa querida - foi muitas vezes pioradas por versões assim.
Claro que temos a esperança de a pessoa estar num lugar melhor por tudo que era e fez. E é por isso que muitas pessoas fazem o bem, são justas e bondosas umas com as outras - já que nossa natureza é meio sangüinária. Assim, no pós-vida, elas podem usufruir de nova vida com o Criador...
Pelo menos é como eu vejo as coisas. Melhor dizendo é como eu vejo o que as pessoas veem. Entende? Ao que me parece, é assim que as coisas funcionam: se fizer o bem vai ter benefícios, se fizer o mal vai ter que pagar por isso. Mais cedo ou mais tarde. E de certa forma, é assim que as religiões e crenças funcionam.
Deixa eu voltar no filme Corina de novo. A uma certa altura, o pai da menina diz que Deus, anjos e uma existência celestial eram só crenças para as pessoas aliviarem suas dores. E ela me solta essa: "Qual o problema disso?". Isso era o que ela acreditava, pouco importando se seu pai gostava ou não da ideia. Para ela, existia e pronto.
E é assim que devemos ser em relação a nossa fé. Não devemos desacreditar as pessoas de suas esperanças, muito menos abrir mão da nossa. E viver muito bem com isso, por mais doido e sem sentido que isso possa parecer.
É mesmo, né? As pessoas acreditam em algo para amenizar a dor... não é a coisa correta a se fazer, é bem verdade. Não devemos desviar os olhos da verdade. Mas concordo nessa criação de subterfúgios. Existe algo maior que nós - e isso é uma verdade, você crendo ou não -, só que nem sempre isso resulta em algo agradável. O que acaba sendo normal criarmos refúgios para terrível realidade das coisas...
Pois é. Ainda assim, é algo complexo de se discorrer. Apesar de toda lógica e natureza da coisa. Falando nisso, busquei alguns conceitos científicos de morte. Não é só algo complexo pra se discorrer, mas também pra se constatar. Sabia que, de certo modo, morremos um pouco a cada hora? E isso não é só poesia, nós estamos morrendo literalmente, agora mesmo!
As células sofrem divisão celular. Tais divisões são definidas pelo tamanho dos telômeros. E depois de um certo número, esse acontecimento cessa. Isso quer dizer que as células não são mais renovadas, existe um número finito pra que isso aconteça. E, assim como a amplitude de nosso universo, temos trilhões de células que fazem divisões constantes. E acabam. Por isso que eu digo, existe finitude para a maioria de tudo que conhecemos.
Então, vamos vivendo com cada vez menos células, o que afeta o funcionamento do organismo. E aí que a gente envelhece. E é aí que as articulações começam a doer, o pulmão, os intestinos e o coração já não são mais os mesmos. As vias elétricas no cocoruto também desgastam... e uma hora já não vai dar mais. Será a hora do adeus.
Isso é o que vai acontecer comigo e com você. Se nada pior nos acontecer antes. E aqui é outro ponto que as pessoas consideram a morte como escandalizador: não consideramos morrer a qualquer momento. A gente só pensa que vai morrer bem velhinho ou velhinha, feliz da vida, daqui a algumas centenas de anos.

E aí alguém vai mais cedo e todo mundo para pra pensar como esse mundo é cão e como a vida é uma coisa frágil. Como ainda ontem tava sorrindo e fazendo piadas com tudo, contando causos e dando risadas. Como despediu de todo mundo de um jeito diferente... até parecia que sabia do seu fim...
Pois é, já ouvi muito isso. E aposto que você também, né? Uh-hum, verdade. Mais verdade ainda é que você tá se lixando pra ideia de morte até que ela aconteça. E ninguém de fato dá valor às pessoas a sua volta como deve. Muito menos eu, que não estou de fora disso, mesmo escrevendo por horas e horas sobre esse assunto.
Bom, deixa de divagar e voltar de novo pra ciência. Morrer é irreversível: se um organismo é vivo, ele ainda não morreu. E isso é óbvio, como o caso das maçãs lá em cima. Alguns biólogos dizem que a morte é necessária para a evolução, o que faz sentido. No sentido da evolução, nos somos apenas pacotes de informações para seres mais evoluídos. Nada mais que isso, pacotes.
Segundo a medicina atual, uma pessoa só pode ser considerada morta se tiver danos extremos ao corpo, como a decapitação. Não é muito raro pessoas enterradas vivas ou simplesmente voltarem a consciência sem motivo aparente. Existem vários relatos na literatura médica. Isso só prova que não dá pra saber com certeza absoluta como a morte chega e se instala.
Mas isso é simples: quando já não se respira, o coração já não bate, o cérebro não funciona. Não existe mais movimento algum, nem estado de consciência possível... de todas as formas, nunca é fácil lidar com isso, não é mesmo, meus amigos e amigas bacaninhas?

É mesmo. Já não sei mais o que dizer sobre isso. Acho melhor ir encerrando, sabe.
Seja na ciência, religião ou filosofia, não é simples tratar desse assunto. E esse texto não chegou onde queria quando pensei em escrevê-lo. Talvez eu ainda esteja muito novo pra lidar com isso. Daqui a alguns anos vou tentar escrever sobre isso de novo. Por favor, me acompanhem até lá!
Mas deixa eu tentar fechar a ideia. Eu vou morrer. E você também vai. E pode ser daqui a pouco ou depois de mais alguns longos anos. O fato é que todos acham que isso vai demorar pra acontecer. E quando acontece ninguém está preparado. Mesmo porque, não tem como se preparar com algo como a morte. Ninguém se prepara para o fim.
E quase ninguém quer discutir sobre isso. Pois é. Duvido muito que alguém leia sobre isso, ainda mais por aqui no blog. Mesmo assim, um dia a gente acaba. Vou ser esquecido, essas palavras também. Ninguém vai lembrar de quem fui. Ninguém vai querer saber das minhas ideias sobre o zero ou todas as coisas que escrevo por aqui.
Provavelmente não conhecerei meus bisnetos. Nem eles saberão quem fui. Vão estar felizes por estarem vivos, sem mesmo saberem disso. E isso vai acontecer com boa parte de vocês também. E não é grande coisa. Por isso temos que ter uma vida boa, tranquila e feliz. O importante é a forma como você aproveita sua estadia por aqui.
É verdade, Drew: se caso morrer amanhã, saber que fez tudo o que pode pra aproveitar. Uh-hum. Você tem aproveitado? Eu tento fazer o que posso pra ter uma vida sem arrependimentos, sabe? Mas tenho errado. Mas errar faz parte, né?
E deixo aqui a última certeza: a vida é só uma e acaba. E aí não tem jeito. O que acontece depois? Não sei. Sei que tem algo depois - mas não é nem te perto semelhante ao que estamos vivendo. É outro estado de consciência, você não vai ter uma manifestação física. Seja no paraíso, inferno ou reencarnação, o estado fora da matéria não se assemelha a esse em que estamos.
EI, ACORDA, A VIDA É SÓ UMA!
Você só tem uma vez pra sentir isso, pra viver! Demorei um tempo pra entender isso, mas aos poucos tô pegando o jeito! Não dá pra viver reclamando de tudo o tempo inteiro, nem fazer nada pra mudar as coisas a nossa volta. É preciso agir, fazer algo e aproveitar a estadia!!
Né não? Né não? É verdade! Espero também seguir tudo isso que tô te falando. E espero não ter exagerado ou deixado as coisas muito vagas. Bom, o que eu posso dizer é que fiz o que pude! Verdade, verdade. Então por aqui me despeço.
Até a próxima, povo! Espero ver todos aqui de novo!!





nao tenho muito o q fala sobre a morte, mas achei válido voce discorrer sobre...
ResponderExcluiré muita cretinice em pleno séc. XXI a morte ser um tabu... acredito que as religioes contribuem bastante pra isso também...
sem mais delongas...
Verdade. As religiões foram um grande catalisador, pioraram muito a ideia de morte.
ResponderExcluirClaro que o sentimento de perda é inato, mas foi potencializado pelo fato de religiões mandarem deus e o mundo para o inferno.
Eu sinceramente gostei do dos apanhados que você fez sobre a morte... :) Me fez lembrar do cálculo de limites no infinito, que me refletir sobre o todo, que me lembrou da minha infancia!
ResponderExcluirQuando eu tinha uns 7 anos eu deitava na cama e me perguntava porque eu estava nesse mundo de novo. Vivendo nesse corpo estranho e pesado, numa mente tão limitada... E refletia sobre a memória. Onde ela começa e quando ela termina? É tudo tão difuso..
Mas só depois que eu quase perdi minha mãe e minha tia (que eu considero minha 2a mãe) que eu refleti sobre a morte, mas me focando sobre a vida.
Eu acho que viver é um privilégio, mesmo sendo num mundo tão caótico como esse. Eu acho um privilégio já que você tem liberdade e controle, do interno e externo... Conhece as leis herméticas? Eu acho que são essas leis que dão forma a esse mundo. Eu adoro divagar sobre elas...
Enfim, no meu caso, preparada pra morte eu sempre estive, mas faz pouco tempo que comecei a dar o devido valor para a vida :/
Além do mais, o que você mais escuta em velórios é "eu podia ter passado mais tempo com ele/a" e "ele/a tinha tanta coisa pra fazer ainda"